9 de janeiro de 2013

Filarmónica Incrível Almadense

A “Sociedade Filarmónica Incrível Almadense”  fundada em 1 de Outubro de 1848, e com ela a sua Banda Filarmónica que tem vindo a espalhar ao longo dos tempos essa divina arte que é a música, exercendo ainda a função educativa e social, razão pela qual sempre foi considerada o ex-libris da colectividade.

           Sociedade Filarmónica Incrível Almadense  fundada em 1 de Outubro de 1948 no Pátio do Prior do Crato   

                           

                 Banda da Incrível Almadense e seu maestro António José Esteves Graça (foto entre 1894 e1896)

                                

Como outras colectividades centenárias, a “Sociedade Filarmónica Incrível Almadense” constituiu das poucas ofertas em termos culturais, recreativos e desportivos para as populações e desempenhou ainda um importante papel de intervenção social e político, permitindo a reunião, o convívio, a discussão de ideias e a construção de sonhos e ideais.

Colectividades musicais e recreativas criadas desde Almada à Trafaria, até ao ano de 1900:

Os Cabralistas, 1846, Almada
Sociedade de Recreio "A Cacilheira", 1872, Cacilhas
Sociedade Filarmónica União Artística do Caramujo, 1884, Cova da Piedade
Sociedade Sol e Dó, 1866, Sobreda
Sociedade Filarmónica União Artística Piedense, 1889, Cova da Piedade
Real Fanfarra da Sobreda (ex-Sociedade Sol e Dó), 1891, Sobreda
Banda Filarmónica da Costa de Caparica, 1899, Costa da Caparica
Sociedade Sol e Dó do Pragal, 1919, Pragal
Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense, 1895, Almada
Real Fanfarra do Porto Brandão, 1896, Caparica
Sociedade Recreativa Musical Trafariense, (ex-Real Fanfarra Trafariense, fundada em 1900), Trafaria
Sociedade de Amadores de Música Capariquense, 1900, Caparica

      Banda da Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense eo Maestro Leonel Duarte Ferreira em 1925

                             

   Banda da Sociedade Recreativa Musical Trafariense e a  Banda da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense

         

A foto da Banda da Sociedade Recreativa Musical Trafariense, com o Maestro Silva Negrão  é de 1909 e a segunda da  Banda da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense é de 1938.

Também a sua Banda, a mais antiga do concelho, foi, na sua origem, maioritariamente composta por tanoeiros e corticeiros o que traduzia as fortes raízes populares da Sociedade.

Em 1935 por ocasião das “Festas da Cidade de Lisboa”, a banda da “Sociedade Filarmónica Incrível Almadense”  dirigida pelo maestro Maestro Amadeu de Moura Stoffel, actuou no dia 18 de Agosto , no “Bairro Novo de Lisboa Velha” apelidado de “Lisboa Antiga”. Bairro antigo em miniatura que recordava Lisboa do século XVIII, construído propositadamente para estas festas, junto ao Parlamento em São Bento, conforme poderá ser recordado no post intitulado Festas da Cidade de Lisboa.

                 

        Maestro Amadeu de Moura Stoffel                    Alguns músicos da Banda da Incrível Almadense em 1935

      

                                                                                  “Lisboa Antiga”

                  

No decorrer da sua longa história, a Incrível viu inúmeras vezes reconhecido o seu trabalho em prol da cultura, do recreio e do desporto, visando a formação humana integral – Grau de Oficial da Ordem de Benemerência (1940); Medalha de Ouro de Instrução e Arte, pela Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio (1954), da qual é o sócio n.º 280; Colectividade de Utilidade Pública (1980); Medalha de Ouro da Cidade de Almada (1989);  Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique (1993); Membro Honorário da Ordem da Liberdade (1998).

                 Cine - Teatro Incrível Almadense na Rua Capitão Leitão inaugurado em 15 de Outubro de 1944 

                              

Banda da Incrível Almadense com o maestro Manuel da Silva Dionísio, em 1948 nas comemorações do 100º aniversário

                              

Com a Banda em actividade ininterrupta desde 1848, nela se formaram centenas de músicos e conta no seu historial com a regência de 25 maestros.

Inicialmente dirigida pelo maestro Pavia (até 1872), são de destacar nomes de ilustres maestros como os de Amadeu Stoffel, José António Gonçalves, Manuel da Silva Dionísio ou António Gonçalves, que, com a sua mestria, dedicação e amor à arte, cultivaram a bela Arte dos Sons, gravando o nome da Incrível nos anais da Música.

Contando com inúmeras actuações de carácter diverso e com um vasto repertório, a banda da Incrível fez-se ouvir com inolvidável êxito em todo o país, razão pela qual grande parte da imprensa portuguesa saudou os seus sucessos.

                                                                                          1929

                                           

                                                                                          1983

                                           

Após reestruturação, e sobrevivendo à generalizada crise do associativismo popular, a banda da “Sociedade Filarmónica Incrível Almadense” é, actualmente, composta por cerca de 45 músicos e tem a funcionar uma escola com cerca de 40 alunos, sendo dirigida pelo maestro David Correia desde Abril do ano 2000.

Actividades Desenvolvidas:

  • Atletismo, Tai-chi
  • Danças de Salão – Social e competição
  • Damas, Snooker, Bilhar, Dominó, Cartas…
  • Teatro
  • Coro
  • Banda Filarmónica – Escola de Música

 

Em 25 de Novembro de 2012 foi inaugurado o “Museu da Música Filarmónica”, na Rua Capitão Leitão, em Almada, no local onde nasceu o maestro e compositor Leonel Duarte Ferreira que foi maestro da Banda da “Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense”.

                                            Maestro Leonel Duarte Ferreira e seu septímino de saxofones 

                                           

Leonel Duarte Ferreira é considerado o expoente máximo da vida musical almadense da primeira metade do século XX.

Situado no coração de Almada Velha, o novo Museu da Musica Filarmónica retrata a história da atividade filarmónica associada às coletividades do concelho e presta homenagem ao maestro e compositor Leonel Duarte Ferreira

  

 

A cerimónia de inauguração do novo núcleo da rede municipal de museus deveria contar com a actuação das quatro bandas filarmónicas centenárias do concelho em actividade: “Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense”, que interpretou o hino da cidade de Almada, composto pelo maestro Leonel Duarte Ferreira, a “Sociedade Filarmónica Incrível Almadense”, a “Sociedade Filarmónica União Artística Piedense”, e a “Sociedade Recreativa Musical Trafariense”. Tal não aconteceu por causa da chuva, o que causou algum pesar, uma vez que se tratava de um momento com alto significado para elas.

Fotografias, documentação, instrumentos, pautas, batutas, entre outras peças do espólio municipal de Almada, foram cedidas especificamente para esta exposição pelas instituições musicais mencionadas no parágrafo anterior, e por particulares, evocando a presença da música na cidade.

Nota.: Muito agradeço a disponibilidade da Incrível Almadense, que cedeu as imagens e texto, utilizado em parte, do seu site, e a colaboração do Museu da Cidade de Almada para a elaboração deste post.

Fotos in: Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, Tumbling, Cooperativa de Consumo Piedense, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste GulbenkianBiblioteca Nacional DigitalJunta de Freguesia de Almada

4 comentários:

Cénico Incrível Almadense disse...

A Incrível Almadense saúda-o a agradece o artigo no seu excelente blogue. Bem-Haja.

José Leite disse...

Ao Cénico Incrível Almadense

Grato pelo vosso comentário.

Não têm que agradecer. Eu é que agradeco todo o material disponibilizado.

Quanto à publicação, é para isso que este blog existe.

Os meus melhores cumprimentos

José Leite

Maria disse...

Adorei este artigo.
Sou filha legítima de Almada e adoptada de Loures (onde resido há 40 anos).
Amo relembrar e rever a minha terra.
Obrigada.

Manuela disse...

Sou uma almadense agradecida por ter a oportunidade de relembrar acontecimentos que assisti. O lançamento da primeira pedra do Santuário Cristo Rei, assim como a sua inauguração. Posteriormente todos os museus que foram criados pela Câmara Municipal, que enriqueceram a Cidade de Almada.
Bem haja