18 de janeiro de 2013

Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa

Manuel Pinto de Azevedo (1874-1959) foi um grande industrial e empresário da cidade do Porto e do Norte do país. Depois de frequentar a Escola Técnica de Faria Guimarães, a partir de 1891, tornou-se operário têxtil em 1894 onde rapidamente ascendeu na profissão, tornando-se em 1900 director da "Fábrica de Tecidos do Bonfim".

                                                             Manuel Pinto de Azevedo (1874-1959)

                                                                 

Mais tarde, em 1917 arrenda a "Fábrica de Fiação e Tecidos de Soure" fundada em 1892, adquirindo-a em 1924 em associação com o empresário Manuel Alves Soares (1879-1941). Em 1920 adquire a "Fábrica de Fiação de Tecidos da Areosa" e em 1922 a "Empresa Fabril do Norte", na Senhora da Hora, Matosinhos, e conhecida pela fábrica de carrinhos de linhas de algodão, que tinha sido fundada em 1907 por Delfim Pereira da Costa (1862-1935),  tornando-se sob a sua direcção a mais importante fábrica têxtil de todo o país, tendo chegado a empregar 3.000 trabalhadores.

                                                                                        1910

  

              "Empresa Fabril do Norte"                                                                          1946

 

Para se ter uma ideia da dimensão da "Empresa Fabril do Norte", que era popularmente conhecida pela «fábrica dos carrinhos de linhas» (por ser a primeira a enrolar as linhas de algodão em carros de madeira). A sua unidade industrial, era constituida por fiação, tecelagem, branqueação, tinturaria, estamparia e acabamentos de tecidos aliados aos componentes de gestão e de apoio tais como: escritórios, armazéns, frota de distribuição, oficinas de serralharia, carpintaria, electricidade, cartonagem, manutenção e obras, etc. E ainda cantina, creche, lavandaria, bombeiros privativos, camaratas para ambos os sexos, bairro social, quinta agrícola, cooperativa de consumo, parque de jogos e um clube desportivo, etc.

Em 1928, Manuel Pinto de Azevedo adquire a "Fábrica de Fiação e Tecidos de Ermesinde" e a "Fábrica de Tecidos Aliança" fundada em 1926, em Rio Tinto. Adquiriu ainda algumas unidades industriais em Angola e Moçambique bem como importantes plantações de matéria-prima para as suas industrias, nomeadamente algodão.   

                                                                                           1912

                                                                  

A "Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa", foi fundada em 1907 e depois da 1ª Guerra Mundial, é adquirida em 1920 por Manuel Pinto de Azevedo, e rapidamente se torna numa das maiores fábricas da Indústria Têxtil portuguesa, chegando a empregar 1.000 trabalhadores. Pertença da empresa  Foi a primeira fábrica em Portugal a usar energia eléctrica na sua produção, que era totalmente fornecida pelas plantações de algodão em Angola.

                                                                 "Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa"

 

                                                                          Central eléctrica a vapor

                             

  

A "Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa" (Sociedade Azevedo, Soares & Cª SA) ficava junto à Estrada da Circunvalação, na Areosa no Porto. Esta fábrica foi fundada em 1907 por Pantaleão C. R. Dias e Lobão Ferreira que a vende em 1920 a Manuel Pinto de Azevedo e a Manuel Alves Soares. Foi a maior accionista da "Empresa Fabril do Norte" e da "Fabrica de Fiação e Tecidos de Soure" .

 

 

                                         

 

 

 Fab. Tecidos da Areosa.22

Esta fábrica dedicava-se à produção de tecidos em algodão, carrinhos de linha de algodão e afins.

                                                      Stand no Palácio de Cristal , no Porto em 1923

                             

Tinha balneário com cantina para os trabalhadores, creche e escola primária, para os seus filhos, corpo de bombeiros privativo. O bairro social era constituído por 42 casas junto à fábrica, para alguns dos seus 1.000 trabalhadores.

                                                                                    Bairro social

 

A fim de aí desenvolver o consumo de tecidos de algodão Pinto de Azevedo instalou, nos principais distritos de Moçambique e de Angola, estabelecimentos para a venda a propaganda dos seus produtos: a “União Industrial Algodoeira, Lda”, para o mercado moçambicano, e a “Algodeira Colonial Agrícola”, a sua congénere em Angola, onde possuía vastas plantações de algodão, nomeadamente no distrito de Quanza Sul. Na década de cinquenta do século XX, juntamente com outros industriais, criou a "Sociedade Algodoeira de Portugal", com o objectivo de fomentar a indústria têxtil nas colónias de África.

                            

fotos in: Ephemera, Hemeroteca Digital

Manuel Pinto de Azevedo, além do sector têxtil, é de destacar a sua intervenção nas conservas em 1929 ("Continental - Sociedade de Conservas" de Matosinhos), nas cortiças (“Corticeira Robinson ”, de Portalegre), no cobre, na banca ("Banco Borges & Irmão"), nos seguros ("A Mutual do Norte"), nos sectores eléctrico ("União Eléctrica Portuguesa"), na vinicultura e na grande exploração agrícola, sendo proprietário de várias quintas em Amarante, Macedo de Cavaleiros e Régua, onde produzia vinho, azeite, produtos pecuários, etc. A sua actividade alarga-se, ainda, a outros sectores, como a comunicação social. Foi proprietário do importante jornal diário portuense O "Primeiro de Janeiro", estando ainda ligado aos jornais "O Norte" e "Jornal de Notícias".

9 comentários:

Manuel Tomaz disse...

Sem dúvida, o Sr. Manuel Pinto de Azevedo, foi um importante empreendedor no seu tempo. Não sei se hoje ainda resta algo da sua obra. Também na minha terra, Castanheira de Pera, houve grandes industriais da Industria de Lanifícios, embora de menor dimensão. Infelizmente, a partir dos anos sessenta, tudo começou a cair, e hoje nada existe.

Anónimo disse...

Precisávamos hoje de muitos homens desta dimensão humana e empresarial. Infelizmente nas últimas décadas eles têm desaparecido na mesma proporção em que têm surgido os aldrabões trauliteiros do parasitismo económico e do enriquecimento fácil e rápido que tudo saca e tudo seca à volta...

Zurcosi

Anónimo disse...

Voltei para reler o que comentei e achei que lhe devia um agradecimento pelo que aqui tem proporcionado do conhecimento dos tempos idos. Em boa hora encontrei nas minhas deambulações pela blogosfera este seu blog que passei a visitar frequentemente desde a descoberta e no qual muito tenho aprendido ou recordado. Um verdadeiro "serviço público" que a sua boa vontade e generosidade nos oferece. Obrigado!
De Albergaria a Velha, Zurcosi

José Leite disse...

Caro Zurcosi

Muito agardecido pelas suas elogiosasa e amáveis palavras.

Os meus cumprimentos

J. Leite

Val disse...

Deveria perguntar-se ao tio Belmiro de Azevedo que é feito do espólio desse Sr...

Liliana Pereira disse...

Posso adiantar que boa parte do espólio de Manuel Pinto de Azevedo e por interesse de diversas pessoas, se encontra devidamente salvaguardado em várias instituições do Porto, como a Fundação Belmiro de Azevedo, o inexplicavelmente extinto Museu da Ciência e Indústria e o Arquivo Distrital Porto. Pode ser que um dia este valioso acervo seja divulgado junto do público.

Eliseu Gonçalves disse...

Parabéns pela informação disponível. Relativamente à Fábrica da Areosa, lembro existirem dois vídeos no Youtube. Aproveito a oportunidade para lhe pedir informação mais exacta sobre a fonte das fotografias do bairro operário...

José Leite disse...

Caro Eliseu Gonçalves

Antes de mais os meus agradecimentos pelo seu comentário e amáveis palavras

As fotos do bairro operário estão inseridas no lote de fotos gentilmente disponibilizadas no blog "Ephemera" do Dr. José Pacheco Pereira, conforme indicação no final do artigo

Os meus cumprimentos

J.Leite

joão disse...

bom dia. Alguém me sabe dizer se o Sr. ManuelPinto de Azevedo ou o sócio Sr. Soares tinham alguma quinta em Castelo de Paiva. Tenho em meu poder umas cartas manuscritas de um desses senhores do principio do seculo XX, com o logotipo da firma Azevedo, Soares & C.ª, L.da" que gostava de identificar.~
cumprimentos
João Silva