18 de junho de 2010

1ª Travessia Aérea do Atlântico Sul

A 1ª travessia aérea do Atlântico Sul (Lisboa-Rio de Janeiro) realizou-se de 30 de Março a 17 de Junho de 1922. Constituiu um importante acontecimento nos anais da navegação aérea. 
O paralelismo entre caravelas e hidroavião, entre Pedro Álvares Cabral (1467-1520) e Gago Coutinho e Sacadura Cabral (1922), entre o quadrante náutico e o sextante aéreo, criado por Gago Coutinho, utilizado na viagem. Esta navegação aérea astronómica, consistia num horizonte artificial adaptado a um sextante, a fim de medir a altura dos astros, invenção que revolucionou a navegação aérea à época.

                                                  Sextante, de 1922, utilizado por Gago Coutinho

                                  

Carlos Viegas Gago Coutinho, (Lisboa, 17 de Fevereiro de 1869  -  Lisboa, 18 de Fevereiro de 1959), à direita na foto e Artur de Sacadura Freire Cabral (Celorico da Beira, 23 de Maio de 1881 - Mar do Norte, Novembro de 1924) à esquerda da mesma.

                                                                Sacadura Cabral e Gago Coutinho

                                  

Partindo de Lisboa no hidroavião Lusitânia - um monomotor Fairey F III-D MkII,  especialmente concebido para a viagem, equipado com motor Rolls-Royce - o piloto Sacadura Cabral (1881-1924) e o navegador Gago Coutinho (1869-1959) percorreram 8.383 km em 62h 26m de voo, fazendo escala em Las Palmas, S.Vicente no arquipélago de Cabo Verde, Cidade da Praia na ilha de S.Tiago também em Cabo Verde, em Penedos no arquipélago de  S.Pedro e S.Paulo já no Brasil , Fernando de Noronha, Recife, Baía, Porto Seguro, Vitória e Rio de Janeiro.

Monomotor Fairey III D-Mk.2 na doca do Bom Sucesso no Centro de Aviação Naval nos preparativos para a partida

                                   

                                                30 de Março de 1922 a partida de Belém, em Lisboa

                                   

                Percurso numa publicação alusiva ao acontecimento… “Por ares nunca dantes navegados”

                                   


A chegada ao Brasil e o regresso a Portugal foram motivo de grandes apoteoses. O postal ilustrado e os diversos editores e empresários não podiam ficar indiferentes a tão importantes momentos da navegação aérea, até porque não era habitual grandes viagens sobre mar e sem pontos de referência na água ou em terra. A navegação astronômica tornou-se a partir desta data uma condição básica para os progressos da aviação

                      Chegada à Baía de Guanabara no Rio de Janeiro a 17 de Junho de 1922 às 17h e 32m.

                                   
                                             3 Fotos anteriores in: Ex-Ogma

Embora a viagem tenha consumido setenta e nove dias dias, o tempo de vôo foi de apenas sessenta e duas horas e vinte e seis minutos, tendo percorrido um total de 7.950 Kms equivalentes a 4.293 milhas

                                                         Postal ilustrado alusivo ao acontecimento

                                  

                                                    Edição comemorativa de 1972 em banda desenhada

Nota de 20$00 (vinte escudos) emitida a 4 de Outubro de 1978, alusiva ao 140º aniversário do nascimento e 50º aniversário da morte do Almirante Gago Coutinho.

                                    

               Selo de 1$00 (um escudo) de uma série filatélica emitida em 1923, por ocasião deste feito.

                                                   

De notar neste selo o paralelismo ,que referi no início, mostrando no desenho a caravela quinhentista de Pedro Álvares Cabral a chegar ao Brasil e o hidroavião “Lusitãnia” a amarar em águas brasileiras. Um diferença “apenas” de 478 anos entre os dois feitos históricos..

A viagem serviu de inspiração para os raides posteriores de Sarmento de Beires (1ª Travessia aérea nocturna do Atlântico Sul em 1927, abordo do hidroavião “Argus”), João Ribeiro de Barros ( Brasileiro que efectuou a  1ª travessia aérea do Atlântico Sul, sem escalas, no dia 28 de Abril de 1927, a bordo do hidroavião Jahú), e de Charles Lindbergh (1ª Travessia atlântica, sem escalas,  New York-Paris em 21 de Maio de 1927 no “Spirit of St. Louis”).

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