Restos de Colecção

17 de janeiro de 2014

Stand da Sociedade Comercial Guérin

Depois de ter tido um stand no mesmo prédio da sua sede, na Praça dos Restauradores nº 74, a “Sociedade Comercial Guérin, S.A.R.L.”, cuja sua fundação remonta a Janeiro de 1918 ainda como sendo “Guérin, Lda.”, inaugurou em 1960 o seu novo stand na Avenida da Liberdade nº 12, junto ao cinema “Condes”. Esta empresa era importadora, para Portugal, dos automóveis “Volkswagen” e “Porsche” e ainda as motorizadas “Vespa”.

Stand da “Guérin, Lda.” na Praça dos Restauradores

Exterior do stand da “Sociedade Comercial Guérin, S.A.R.L.” na Avenida da Liberdade, inaugurado em 7 de Dezembro de 1960 e projectado pelo arquitecto Alexandre Teixeira Bastos

    Edifício e antigo stand da “Guérin” nos Restauradores          Edifício do futuro stand da “Guérin” ao lado do “Condes”

 

Obras de construção do Stand podendo-se ver o Restaurante e Salão de Chá “Vera Cruz” no 1º andar

Exterior e área envolvente do novo stand da “Sociedade Comercial Guérin, S.A.R.L.” na Av. da Liberdade

 

Lembro que, foi no dia 17 de Abril de 1950 que a “Volkswagen” chegou a Portugal com o famoso “Carocha”, sendo importada pela “Guérin, Lda.”. A sua chegada agitou o mercado automóvel nacional, até então completamente dominado pelas marcas inglesas. O modelo “VW 11 Sedan”, viria a ter a seguinte matrícula: DE-16-36. O modelo “VW 11 Convertível”  teria a matrícula: DE-16-38.

“Carocha” exposto no stand da “Guérin, Lda.” na Praça dos Restauradores em 1950

Volkswagen modelo 11 Sedan, de 1950

«...a firma Guérin Lda, com sede na praça dos Restauradores 74 Lisboa, requereu à então Direcção Geral dos Serviços de Viação (Ministério das Comunicações) a aprovação das referidas viaturas (processos 24301 e 24312 respectivamente), tendo tal pretensão sido atendida, pela 2ª Repartição, 2º Sessão a 21 de Abril de 1950, estando os respectivos modelos aprovados provisoriamente. Os catálogos foram registados em 27 do mesmo mês, pelo grémio de Importadores / Agentes  / Vendedores de automóveis e acessórios do sul, com os números 331 e 330. A Guérin decidiu colocar à venda o 11-sedan forrado a pano por 44000$00 e a pele 45 000$00, e o 11-A Convertível .Para este modelo o preço fixado foi de 56 000$00, apresentando idênticas características  técnicas, excepto a tara em vazio que era de 765 kg.»

No primeiro mês de comercialização, a “Volkswagen” vendeu em Portugal 36 unidades do seu único modelo, e o progresso crescente das suas vendas foi um fenómeno sem comparação com nenhuma outra marca na altura. Rápidamente, começou a aproximar-se dos líderes de mercado. Na década de 60 do século XX, as vendas do “Carocha” ascendiam já a 30.000 unidades e, no início dos anos setenta, 50.000 “Carocha” tinham sido vendidos em Portugal.

Os novos Volkswagen trouxeram consigo um novo conceito de economia ao mercado automóvel do nosso país, traduzido não só nos seus baixos consumos mas também nas baixas despesas de manutenção. Por outro lado, o argumento da suspensão de quatro rodas independentes ajudou a consolidar a “Volkswagen” e o seu “Carocha” como uma marca de inovação e conforto, característica facilmente assimilada pelo condutor.

Interior do stand da “Sociedade Comercial Guérin, S.A.R.L.” na Avenida da Liberdade, em 1961

 

 

1957                                                                                         1964

 1964 Ambulância Volkswagen

 

 

A “Sociedade Comercial Guérin, S.A.R.L.”, nesta época possuía, um stand na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa, para comercialização de automóveis usados.

Stand na Avenida António Augusto de Aguiar

                                                   1954                                                                               1957

   

Depois de encerradas as instalações da Avenida da Liberdade, como stand de automóveis, e mantendo a sede da empresa no 1º andar do mesmo edifício, o espaço foi convertido no “Centro Comercial Guérin” , tendo sido inaugurado em 1981 com 21 lojas. Hoje este espaço encontra-se devoluto (salvo erro).

Em 1987, a importação e comercialização das marcas “Volkswagen” e “Audi” passariam para a “SIVA - Sociedade Importadora de Veículos Automóveis, S.A.” de Pereira Coutinho, que viria a ocupar as instalações da “Guérin” em Alfragide.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Publisite, VW A AR

16 de janeiro de 2014

Porto de Lisboa (14)

Partida de tropas para as Colónias a bordo do paquete “Niassa” em 1962

1947

Rebocador “Serra de Sintra”

Carregamento de um Vagão de mercadorias para os “Caminhos de Ferro de Angola”

  

Paquete a ser rebocado pelo “Cabo Sardão”

15 de janeiro de 2014

Esquadra Inglesa em Lisboa em 1928

A Esquadra inglesa do Atlântico, composta por 4 cruzadores ligeiros da “Royal Navy” e comandada pelo Almirante Sir Frank Larken, chegou a Lisboa a 19 de Janeiro de 1928. Às 11h45 m atracaram no "Cais do Posto de Desinfecção" da Rocha do Conde de Óbidos e pela ordem seguinte, o "HMS Coracoa" (navio almirante), "HMS Comus", "HMS Cambrian" e "HMS Cantebury".

No mesmo dia à noite, realizou-se na Embaixada Inglesa, às Janelas Verdes, um banquete oferecido pelo embaixador inglês Sir Lancelot Carnegie, ao Chefe de Estado General Óscar Carmona, ao Governo, ao Almirante Larken e aos oficias superiores da Esquadra. Este banquete foi precedido por uma manifestação popular de apoio à Inglaterra, e organizada pela "Liga Nacional 28 de Maio", que partiu do Largo Barão de Quintela e que se dirigiu para esta Embaixada.

 

O Chefe de Estado General Óscar Carmona visitaria e Esquadra inglesa no dia 21 de Janeiro subindo a bordo do navio almirante“HMS Coracoa”. à tarde seria oferecido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros , no Palácio das Necessidades um chá aos oficiais superiores.

 

“HMS Coracoa” (1917-1942)

Uma curiosidade: este navio almirante “HMS Coracoa” seria afundado pelo paquete “RMS Queen Mary”, em 2 de Outubro de 1942, quando o escoltava, e consequência de um abalroamento, em que partiu o “HMS Coracoa” em dois. Este incidente só viria a ser tornado público no final da II Guerra Mundial, tendo a “Royal Navy” processado de imediato o armador, a companhia “Cunard White Star Line”.

Chá dançante no Palácio das Necessidades

 Esquadra Inglesa (1928).7

Na foto anterior, e da esquerda para a direita: Embaixador de Espanha D. Cristobal Ballan, Embaixatriz de Inglaterra, Almirante Frank Larken, Embaixador de Inglaterra Sir Lancelot Carnegie, Bispo de Trajanopolis e o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal Dr. Betencourt Rodrigues.

Entretanto o jornal "Diário de Lisboa" informava a 22 de Janeiro:

«A oficialidade da esquadra inglesa tem frequentado todas as noites, o nosso melhor "Club-Dancing Maxim's”. A direcção deste Club oferece amanhã á mesma oficialidade uma taça de champagne, tendo organizado uma linda festa em homenagem aos nossos hospedes britanicos.»

A Esquadra inglesa deixaria Lisboa no dia 24 de Janeiro de 1928 pelas 6h30m da manhã.

E a revista "Ilustração" comentava:

«Teve um alto significado a visita da esquadra inglesa do Almirante Larken ao nosso porto. Quer ela dizer que, lá fora, os olhos estão postos em Portugal, no nosso esforço de ressurgimento, no nosso trabalho, na nossa actividade criadora. (...)
Êste cantinho do mundo, que outrora dominou quási o mundo inteiro, provará aos seus amigos lá de fora que não é vã a confiança que nele e no seu esfôrço depositam as grandes potências».

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

14 de janeiro de 2014

Antigamente (88)

Amália e Eusébio, em 1968

Lago do Campo Grande em Lisboa

“Caixa Geral de Depósitos” na Rua Prior do Crato em Lisboa

Raid ao Alentejo em 1928, num automóvel «Nash», aqui estacionado em Montemor-o-Novo

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

12 de janeiro de 2014

Exposição Henriquina

A “Exposição Henriquina” que abriu a 9 de Agosto de 1960, com a presença do ministro da Presidência Dr. Teotónio Pereira, teve lugar no “Museu de Arte Popular” e nos pavilhões anexos, teve uma dupla finalidade: evocar a figura, o ambiente e a obra do Infante D. Henrique, e educar o público sobre as dificuldades dessa obra, sua importância e projecção dela na história universal.

“Museu de Arte Popular”

 

Guia da “Exposição Henriquina”

         

Á entrada três âncoras sobre a areia sagrada desse Restelo de onde levantaram tantas naus e caravelas. As âncoras foram retiradas do fundo do mar dos Açores. Na parede um painel evocativo de Manuel Lapa.

                Entrada com painel de Manuel Lapa                                        Vista exterior para a “Sala dos Envolventes” 

 

Hall de entrada e acesso à Exposição

  

Neste mesmo dia seria inaugurado o monumento do “Padrão dos Descobrimentos” em Belém. Este monumento reergueu-se  em betão revestido de pedra rosal de Leiria, com o fito de ser o rosto visível das “Comemorações do 5º Centenário da Morte do Infante”.

“Padrão dos Descobrimentos” após 1960

 

Lembro que o primitivo, e provisório, “Padrão dos Descobrimentos”, que o arquitecto Cottinelli Telmo esboçou e Leitão de Barros e Leopoldo de Almeida deram forma mental e plástica, foi erguido em 1940 por ocasião da “Exposição do Mundo Português”. Originalmente, era constituído, na sua parte arquitectónica, por uma leve estrutura de ferro e cimento, sendo em estafe a composição escultórica formada por 33 figuras.

“Padrão dos Descobrimentos” na “Exposição do Mundo Português”, de 1940

 

A abertura da “Exposição Henriquina”, em Lisboa, inseriu-se no ano das comemorações dos 500 anos sobre a morte do Infante D. Henrique, e coincidiu com a visita oficial a Portugal do Presidente da República do Brasil Juscelino Kubitschek de Oliveira e que teve lugar entre 6 e 11 de Agosto.

O plano e direcção da “Exposição Henriquina”, foram do arquitecto Frederico George, tendo como adjunto o pintor Daciano Costa.

“Sala da Introdução”

 

                             “Sala da Iconografia”                                   “Sala do Mar Tenebroso” concebido por Roberto de Araújo

 

Escada de acesso à “Sala da Iconografia”

“Sala da Cartografia”

 

“Sala do Renascimento”

 

Os corredores e salas estavam repletas de montras com mapas, postulanos, astrolábios, um deles com inscrições em hebraico, e as obras de Pedro Nunes. Podiam ser observadas cartas estrangeiras anteriores aos Descobrimentos, havendo cartas portuguesas e estrangeiras posteriores. As salas terminavam com os recém publicados quatro volumes da monumental "Portugaliae Monumenta Cartographica" de dr. Armando Cortesão e comandante Teixeira da Mota, num total de 694 páginas, 87 ilustrações e 519 estampas reproduzindo 1295 espécimens.

“Sala dos Envolventes”

 

Nesta sala esteve exposta uma das chamadas “Tapeçarias de Pastrana”, mais concretamente a que retrata o desembarque em Arzila. 

As “Tapeçarias de Pastrana”, são um conjunto de tapeçarias de grandes dimensões (11 metros por 4 metros), em lã e seda. Celebram episódios da conquista, em 1471, das praças marroquinas de Arzila e Tânger pelas forças de D. Afonso V de Portugal e retratam os seguintes episódios:

- o desembarque em Arzila
- o cerco de Arzila
- a tomada de Arzila
- a entrada em Tânger

Estas tapeçarias foram executadas sob encomenda de D. Afonso V, sendo essa execução atribuída à oficina de Passchier Grenier em Tournai, hoje na Bélgica. As tapeçarias encontram-se expostas no museu da “Colegiada de Pastrana”, em Pastrana, na Espanha,tendo sido alvo de trabalhos de conservação e restauro em 2009.

Tapeçaria “O desembarque em Arzila”

Na sala do Infante, (fotos seguintes) numa parede estava o pergaminho com o seu testamento, num recanto batida de luz dourada, a imagem de Nossa Senhora de Ceuta. Nas paredes descreviam-se os regimes dos ventos. Existiam painéis vários

“Sala do Infante”

 

 

 

Esta Exposição estender-se-ia até finais de Novembro do mesmo ano.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian