A Alfaiataria "Pinheiro da Rocha" foi fundada pelo alfaiate e fotógrafo Manuel Pinheiro da Rocha (1893-1973), na Rua de Santa Catarina, 120 - 2º andar, no Porto, e no mesmo prédio onde funcionava a loja de artigos fotográficos "Domingos Alvão & Cia.".
Manuel Pinheiro da Rocha, natural de Britiande, Lamego, após ter concuído a instrução primária foi trabalhar para a reputada alfaiataria do seu pai, e desde cedo manifestou a sua extraordinária vocação para esta profissão denotando uma estética e um sentido artístico muito elevados.
Aos 18 anos de idade vai para o Porto trabalhar num "atelier" dum grande profissional da arte, que era amigo de seu pai. Passou por alguns dos melhores alfaiates do Porto, até ter fundado, em 1920, a Alfaiataria "Pinheiro da Rocha", na Rua de Santa Catarina. O facto de ocupar o mesmo prédio onde funcionava a loja do célebre fotógrafo Domingos do Espírito Santo Alvão (1869-1946) terá despertado nele o gosto pela arte da fotografia. Nos tempos livres, além de se ter dedicado ao estudo da língua francesa e aprendido desenho com o famoso Agostinho Salgado, iniciou a aprendizagem na arte da fotografia.
Nesta época, Pinheiro da Rocha frequentava meios artísticos e convivia com artistas plásticos famosos, tais como mestre Acácio Lima, o célebre escultor Teixeira Lopes e Agostinho Salgado,atrás referido.
O seu sucesso como alfaiate estendeu-se à fotografia, com os seus trabalhos seram expostos nos mais importantes salões nacionais e internacionais. Lembro que Pinheiro da Rocha foi o primeiro português a ver uma fotografia sua a ser admitida no Salão de Londres, tendo exposto ainda em Paris, Saragoça, Madrid e no Salão Internacional Alberto I, em Bruxelas.
A fotografia seguinte retrata Manuel Pinheiro da Rocha junto à fotografia "Espiga de Milho", com que participou, em 1940, no "4º Salão Internacional de Arte Fotográfica de Portugal", organizado pelo "Grémio Português de Fotografia".
1940
Na fotografia seguinte, Manuel Pinheiro da Rocha aparece junto à fotografia "O Artista Carlos Carneiro", com que ele participou, em 1944, no "7º Salão Internacional de Arte Fotográfica de Portugal", igualmente organizado pelo "Grémio Português de Fotografia".
1944
«Com uma vida totalmente dedicada à sua arte de alfaiate e fotógrafo, não esquecendo a família, Manuel Pinheiro da Rocha é um ilustre para todos quantos o conheceram, mas é pouco ou nada conhecido pelas gerações actuais. Este nosso conterrâneo apenas fez em Lamego, em 1956, uma exposição fotográfica no Clube, colaborando ainda, com algumas fotografias suas, no Boletim da Casa Regional da Beira Douro, muitas delas ilustrando a primeira página. Podemos também encontrar o seu nome referenciado como colaborador na prestigiada Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, ao fazer ilustrar muitas das páginas desta obra com magníficas fotografias da sua autoria, com particular interesse para imagens de Lamego e toda a região. Várias vezes ouvimos Monsenhor Correia de Noronha, que com ele convivia - também este entusiasta e grande artista da fotografia - dizer que foi com Pinheiro da Rocha que aprendeu a fotografar.» (*)
Em 1950, já a sua Alfaiataria "Pinheiro da Rocha" estava instalada na Rua Rodrigues Sampaio, junto à Praça D. João I, com um grande e belíssimo estabelecimento. Aqui ficam as respectivas fotografias ...
Pinheiro da Rocha era tão bom alfaiate como fotógrafo. Era muito avançado em ambas as artes, sendo pioneiro no seu recurso à publicidade ao seu ateleir de alfaiate. Tratou-se de um curto filme publicitário que mandou realizar, para dar a conhecer a sua alfaiataria. Com fotografia e montagem de Manuel Santos, música de Carlos Calderón e som e produção da "Lisboa Filme", a fita “A Pedra”, com cerca de 3 minutos de duração, foi exibida exibida nas salas de cinema do Porto, pela agência "Belarte", do seu amigo Alexandre Tavares da Fonseca.
Sem nunca perder de mira as suas raízes, Manuel Pinheiro da Rocha deslocava-se frequentemente a Lamego, fazendo-se acompanhar da inseparável câmara fotográfica, para nos deixar um legado imenso, de valor documental inestimável, sobre Lamego nas décadas de 1930-1950.
Em 2023, por iniciativa da Junta de Freguesia de Britiande, com um sentido de homenagem a um filho da terra e, simultaneamente, rememorar a antiga vila de Britiande, Manuel Pinheiro da Rocha regressou às origens, através de uma exposição, com curadoria do Museu de Lamego, que teve lugar na renovada Casa do Povo, composta por um expressivo conjunto de imagens de Britiande, de sua autoria, que se conservam no Centro Português de Fotografia.» (**)
Foto de 20 de Março de 2019
Em 2019, já funcionava como "Loja Pinheiro da Rocha", sendo uma «loja de vestuário e acessórios para mulheres». Em 2023, fazendo fé na foto seguinte já teria encerrado ...
A Comissão de Toponímia da Câmara Municipal do Porto, viria a atribuir o nome de Manuel Pinheiro Rocha a uma Rua na freguesia de Campanhã, com início na Rua Peso da Régua e a terminar na Rua de Santa Marta de Penaguião.
Bibliografia:
(**) - "Museus e Monumentos de Portugal" - "Boas Raparigas" - Museu de Lamego
fotos in: Arquivo Nacional da Torre do Tombo














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