Restos de Colecção: "Pérola da China"

25 de outubro de 2026

"Pérola da China"

A "Perola da China" foi fundada como armazém de chá e café, por Francisco Manuel Pereira, em 1 de Janeiro de 1880, na Rua Nova da Palma, 123, em Lisboa. Tinha como vizinhos na porta 125 a ourivesria e relojoaria de José Eduardo da Silva Gomes e nas portas 129 a 137 o armazem de vinhos de Jose Manoel de Sousa. 

"Perola da China" à esquerda na foto


Localização da "Perola da China" (rectangulo a vermelho) na Rua da Palma

Até 1890, a loja de chás e cafés de Francisco Manuel Pereira, não tinha a denominação de "Perola da China". Apenas "Aramazem de chá e café de Francisco Manuel Pereira". 

A primeira ampliação da loja de Francisco Manuel Pereira foi a aquisição do trespasse da sua vizinha, a ourivesria e relojoaria de José Eduardo da Silva Gomes, no nº 125, em 1882. Seguir-se-ia a aquisição do trespasse das lojas nas portas 129 e 131, que eram parte do armazém de vinhos de Jose Manoel de Sousa, que ainda ficaria com as lojas nos 133 a 137, que mais tarde viriam tambem a ser adquiridos por Francisco Manuel Pereira.


6 de Janeiro de 1895


1896

A rua Nova da Palma que tinha sido aberta entre 1554 e 155, tornando-se numa das principais vias de saída da cidade pela forma como permitia um mais direto acesso da zona do Rossio a norte, em direção à Estrada de Sacavém. Viria nudar a sua denominação para Rua da Palma, por edital de 8 Junho de 1889.

A "Perola da China" estava para a Rua da Palma como o "Jerónimo Martins & Filho", na Rua Garrett, estava para o Chiado. Era uma mercearia fina, charcutaria, casa de chás e cafés, loja de brindes e novidades. 

O registo do nome "Perola da China", foi concedido em 20 de Fevereiro de 1896 ao seu proprietário Francisco Manuel Pereira.


24 de Fevereiro de 1902


24 de Dezembro de 1903

22 de Dezembro de 1907

A "Perola da China" viria a ser assaltada pelos populares em Maio de 1917, por ocasião das sublevações populares da apelidada "Revolta da Batata". Em resultado da nossa infeliz participação na I Guerra Mundial (1914-1918) verificou-se um agravamento na escassez de alimentos, gerando fome na população que levou a revoltar-se. Ao longo deste período, sucederam-se greves, comícios, motins e outras manifestações contra a carestia de vida, a inflação, os salários baixos, assim como contra os racionamentos, a especulação e os açambarcamentos de produtos de primeira necessidade. Em maio de 1917, tiveram lugar, na região de Lisboa, assaltos populares a mercearias, padarias, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais, em consequência da falta de víveres.


Na revista "Ilustração Portugueza" de 9 de Junho de 1917

A "Pérola da China" enquanto propriedade de Francisco Manuel Pereira, por altura do Natal, oferecia um prato diferente todos os anos, aos seus fregueses mais dedicados. O prato mais antigo que tive conhecimento da sua existência (mas não imagem) foi de 1889 e que celebrava a Exposição Universal desse ano, e que penso ter sido o ano de fundação deste estabelecimento.


Prato mais antigo a que tive acesso (1890)


Prato com a gravura da "Perola da China" e do seu fundador Francisco Manuel Pereira


Prato mais recente a que tive acesso (1898)


24 de Dezembro de 1923


31 de Dezembro de 1928

Nota: no anúncio anterior o apelido do fundador, na denominação da firma impresso, deveria ser Pereira e não Ferreira, como está apresentado.


Concurso de montras "Nestlé" em foto de 16 de Dezembro de 1930

No final de 1934 o seu proprietário, Amadeu Teixeira inicia obras de remodelação e modernização na sua "Perola da China" e que viriam a ser inauguradas em 27 de Janeiro de 1935. 

27 de Janeiro de 1935

Na ocasião o jornal "Diario de Lisbôa", em 31 de Janeiro visitou as novas instalações e publicou um artigo do qual retirei a seguinte passagem:

« (…) Para melhor podermos informar as nossos leitores, fômos visitar este estabelecimento, completamente renovado com instalagões amplas e higienicas, sendo digna de referência a magnifica disposição dos artigos que apresenta.
Os cafés da «Perola da China» gozam de grande fama, devido aos seus lotes especiais, sendo igualmente apreciadíssimos os seus esplendidos chás, que têm tanta procura como as massas alimentícias, entre elas italianas, tão preferidas pela sua grande clientela.
O seu proprietário sr. Amadeu Francisco Teixeira, a cuja inteligencia, proficiencia e dedicação está confiada a Gerencia, recebeu-nos com a mais franca cordialidade. Na sua modestia, que bem caracteriza o seu extraordinario valor, visto o que é bom não precisa de reclamo, pois se enaltece por si, disse-nos após uma minuciosa visita a todas as secções:
- Como vê, não se trata dum estabelecimento de luxo exterior. O que apresentamos é bom e procuramos por todos os meios tornar os nossos artigos acessiveis a todos os clientes. Roupamos em ostentação e beneficiamos a qualidade e os preços.
- Efectivamente assim era: Tudo o que ali se vende em genero de mercearia e especiarias é tudo de primeira qualidade e por preços mais que razoaveis.
- E porquê? Tão sómente porque «Perola da China» tomou por lêma sortir-se dos melhores artigos e ganhar pouco para vender muito.
Durante esta semana, a «Perola da China» oferece um brinde a todos os clientes cujas compras atinjam 50$00. (…)»

E em 28 de Agosto de 1942, no jornal "A Capital", com o título «Um Abono» …
«Ha anos, o empresario José Loureiro precisou umas cenas e mandou-as pintar a um conhecido cenografo, cujo nome não vem para o caso. No proprio dia da encomenda, o pintor, alegando compra de material-papel, pano de orlar e tintas-pediu um abono de cem escudos, pois sem isso, dizia ele, não poderia trabalhar.
José Loureiro abonou a quantia exigida e pouco depois, por acaso, passou pela Perola da China e foi encontrar o cenografo em frente de uma montanha de compras.
- Mas que é isso? Então os cem mil réis eram para material e você está para ai a gastar o dinheiro em comestiveis?
- Então ... isto tambem é material.
- Mas não é para pintar.
- Não é para pintar, mas é para alimentar ...
E' material interno.»


26 de Março de 1944

Com as demolições na Rua da Palma, a "Perola da China" seria transferida, em 1952, para um dos novos pavilhões na nova Praça Martim Moniz, o "Pavilhão 3". 

Novas instalações da "Perola da China" no "Pavilhão nº 3" (rectangulo a vermelho)


6 de Julho de 1952

Ficaria ali por muito pouco tempo, pois em 31 de Maio de 1953, Amadeu Francisco Teixeira noticiava a mudança de instalações para a Avenida de Roma, nº 8-A, em Lisboa.

31 de Maio de 1953


"Pérola da China" na loja de esquina à esquerda na foto


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