Restos de Colecção

9 de março de 2012

Paquete “Lisboa”

O paquete «Lisboa», foi construído nos estaleiros “D. & W. Henderson & Co., Ltd.”, de Meadowside, em Glasgow/Escócia, por encomenda da “Empresa Nacional de Navegação”, e entrou no Tejo pela primeira vez em 18 de Junho de 1910. Foi o primeiro navio da frota mercante portuguesa a ser dotado com equipamento TSF. Superior aos paquetes «Portugal» e «África» também pertença da "Empresa Nacional de Navegação" ( futura Companhia Nacional de Navegação (CNN) ), o paquete «Lisboa» media 145 metros.

Paquete «Lisboa» (1910-1910)

Este paquete destinado às carreiras da África Oriental, juntamente com os paquetes «África», e «Lusitania», estava equipado com 12 embarcações a bordo, sendo 10 salva-vidas, para 600 pessoas. Para os serviços de carga e descarga possuía 4 guindastes hidráulicos, o que era novidade para a altura, e 9 a vapor. A bordo havia rede telefónica e estava equipado com 3 telégrafos marítimos (TSF), aliás o primeiro navio português a ser equipado com este tipo de equipamento. A ventilação interior era assegurada por 110 ventoinhas eléctricas.

                                    «África» (1905-1932)                                                        «Lusitania» (1906-1912)

 

Oferecia aos seus passageiros duas magníficas salas de jantar das 1ª e 2ª classes, sala de reuniões, de fumo e de café. Este navio era iluminado por luz eléctrica por 710 lâmpadas de 16 e 30 Watts. Para o caso de doenças ou acidentes a bordo estava equipado com quatro enfermarias. Estava equipado com três cozinhas: duas para a 1ª e 2ª classes e outra a vapor onde se podia preparar uma refeição para 1.000 passageiros em duas horas e meia. Ainda oferecia luxuosa barbearia, lavandaria, farmácia e tipografia, 20 casas de banho e 45 «retretes».

Fotos da 1ª classe do paquete «Lisboa»

                                Acesso ao Salão de jantar                                                        Salão de jantar

         

                                       Sala de música                                                                            Bar

         

O custo deste navio ascendeu a 123.609 libras o que equivalia nessa data a cerca de 800 contos (4.000 €). A sua viagem inaugural foi a 1 de Julho de 1910 largando de Lisboa fazendo escalas no Funchal, São Tomé, portos de Angola, Cidade do Cabo, Lourenço marques e finalmente Beira ambas em Moçambique. Transportou nesta viagem 178 passageiros e 129 tripulantes.

Características:

Tonelagem de arqueação (t.a.b.): 7.450 Toneladas
Propulsão: 2 máquinas a vapor de 3.600 BHP cada. Potência total: 7.300 BHP
Veios de hélices: 2
Comprimento: 140,25 metros
Boca (largura): 16,44 metros
Velocidade máxima: 16,5 nós 
Passageiros assim distribuídos:
1ª Classe - 108 em 40 camarotes 
2ª Classe - 70   em 16 camarotes
3ª Classe - 151 em 18 camarotes
4ª Classe - 860  em beliches na coberta

Tripulação: 120 Tripulantes

Durante uma sua viagem comercial, o paquete «Lisboa», que devia assegurar uma carreira regular entre a capital portuguesa e Lourenço Marques (com escalas programadas nos portos de Luanda, do Lobito e da Cidade do Cabo), partiu de Lisboa  a 1 de Outubro de 1910 transportando 250 passageiros e um carregamento de mercadoria diversa, que incluía gado bovino e azeite. Este navio foi o último navio a sair o Tejo, hasteando a bandeira da monarquia.

Notícia na revista “Ilustração Portugueza”

Sala de jantar da 2ª classe

Na noite do dia 23 de Outubro de 1910, pelas 21 horas, quando ainda navegava em águas do Atlântico, mas se encontrava já próximo da extremidade sul do continente africano, o navio foi despedaçar-se contra os traiçoeiros rochedos de Soldier's Reef, perto de Paternoster (África do Sul). No naufrágio pereceram 7 membros da equipagem do «Lisboa». Também por se ter virado uma das baleeiras morreram 3 passageiros e 4 tripulantes, e o desastre só não teve consequências mais gravosas, graças à utilização do equipamento TSF do navio, que permitiu a chegada rápida de socorros ao local do acidente.

O paquete «Lisboa» navegou apenas 4 meses detendo o recorde do mais curto tempo de vida de um paquete português.

Em 1930 navegaria no porto da Beira, em Moçambique, outro vapor com o nome de «Lisboa».

Vapor «Lisboa»

fotos excepto dos interiores do paquete in: Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Hemeroteca Digital

Para a elaboração deste artigo foi consultado, além de outras fontes, o livro: «Paquetes Portugueses», de Luís Miguel Correia, Edições Inapa, Lisboa, 1992.

8 de março de 2012

Sapataria Galã

A sapataria “Galã”, na Rua Augusta em Lisboa, foi projectada, pelo arquitecto Francisco Keil do Amaral (1910-1975), tendo aberto as suas portas em 1952.

                                                           “Galã” , na Rua Augusta 147-149


              
Interior da sapataria, onde as paredes eram ocupadas com caixas de sapatos

 

                             

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

O arquitecto Francisco Keil do Amaral projectou o Parque de Monsanto, o Clube de Ténis de Monsanto, o Parque Eduardo VII e o jardim, e posteriormente as Piscinas do Campo Grande, no quadro da renovação urbanística dinamizada pelo engenheiro Duarte Pacheco, ao que se adiciona o  Aeroporto de Lisboa (1938-42), a FIL- Feira Internacional de Lisboa na Junqueira (1952- 57) e a primeira fase do Metropolitano de Lisboa (inaugurada em 1959).

Fora de Lisboa, o edifício do Instituto Pasteur no Porto, de 1935, o Pavilhão de Portugal na Exposição Mundial de Paris, de 1937, as escolas para a fábrica de cimento Secil, em Otão, Setúbal, de (1938-1940).

7 de março de 2012

Cartazes Publicitários (2)

                                                                     1881 (Bordallo Pinheiro)

                            

                                                                                     1930

            

                                                          1948 (1º Cartaz publicitário da TAP)

                                              

                                                                    1949 (Fred Kradolfer)

                                        

6 de março de 2012

Victoria Hotel

Em 1934 a empresa “Freire e Matos, Lda.” pedem autorização para construir no seu terreno um edifício de seis pisos, destinado a hotel, em substituição de um outro já aprovado para aluguer de apartamentos, segundo projecto do arquitecto Cassiano Viriato Branco Iniciada a construção em 1934, o “Victoria Hotel”  situado na Avenida da Liberdade, em Lisboa, era inaugurado a 1 de Julho de 1936. A fachada de aproximadamente 16,50 metros, permitia um apartamento por piso, solução que facilitou a reconversão em unidade hoteleira com grande facilidade e rapidez.

Victoria Hotel


Os “Grandes Armazéns Nascimento” da cidade do Porto, foram os fornecedores de todo o mobiliário e decoração das suas salas de estar, jantar e dos seus setenta e cinco quartos, com salas de banho e telefone. A gerência e direcção do hotel tinham estreitas ligações ao “Grande Hotel do Porto”.

Como se poderá ver no desenho abaixo, só foi construído uma parte do edifício originalmente projectado por Cassiano Branco, tendo ficado o terreno que lhe era destinado, entre o “Victoria Hotel” e o “Liz Hotel” vazio por décadas, o que se poderá observar na foto abaixo. Em 1941 a “Victoria Hotel, S.A.R.L.”, deseja ampliar as actuais instalações, ocupando o terreno anexo. Em 1947 é apresentado um anteprojecto para a ampliação do hotel. Em 1949 é apresentado um novo estudo para o projecto de ampliação, que prevê uma nova ampliação do hotel no local onde se encontrava o Hotel Lize finalmente em 1954 é apresentado novo projecto de ampliação de R. Lima.


Ante - projecto de ampliação do hotel

"Victoria Hotel" em construção

Anúncio da inauguração do Victora Hotel

Juntamente com o Teatro Éden, também de Cassiano Branco esta obra poderá ser considerada uma das mais emblemáticas e originais da arquitectura portuguesa da época. De planta rectangular, este edifício de seis pisos, cave e composto por dois corpos totalmente revestidos a mármore, destaca-se pelos alçados rasgados por cinco janelas de vão rectangular em cada um dos pisos, com mainel em forma cilíndrica, cujas varandas possuem frisos metálicos.

Victoria Hotel e o Liz Hotel junto ao Cinema Tivoli, à esquerda na foto



  Sala de Estar


Sala de Jantar

 Quarto

Durante a II Guerra, Lisboa e a Costa do Estoril tornaram-se lugares-chave para a acção dos serviços secretos. A intensa actividade dos serviços secretos levou os americanos a difundirem em 1943 um documento sobre os hotéis considerados "seguros" para os Aliados: o Aviz Hotel, o Palácio Hotel no Estoril, o Hotel Metrópole ou o Hotel Europa, ambos em Lisboa. Os hotéis pró-Eixo eram o Avenida Palace, o Hotel Suíço, o Hotel Tivoli e o Victoria Hotel (considerado o mais perigoso de todos pelos americanos). E no Monte Estoril o Hotel Atlântico era também afecto aos alemães, propriedade de um alemão podia ser vista regularmente a bandeira nazi hasteada no seu telhado.                                                                  

                                                         Anúncios de 1944 …                                              … e de 1950

 

Etiqueta de bagagem


Em 1974 a “SINIA - Sociedade Geral de Investimentos para o Comércio e Indústria, SARL”, é a proprietária do edifício encontrando-se este em estado de abandono. Em 1975 esta empresa apresenta um anteprojecto para uma nova reintegração arquitectónica do “Victoria Hotel”. Mas em 1985 a propriedade do imóvel era já da Direcção da Organização Regional de Lisboa (DORL) do Partido Comunista Português, sendo hoje apelidado de “Centro de Trabalho Vitória”.

Campanha para angariação de fundos para a compra do edifício do antigo “Victoria Hotel”

fotos in: Fundacion Docomomo Ibérico, Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

5 de março de 2012

Casino Peninsular de Espinho

A Vila de Espinho, nos finais do século XIX e inícios do século XX era o mais chique destino de férias da burguesia nortenha. Situada a 17 quilómetros da cidade do Porto a dita burguesia era trazida pelos rápidos e cómodos comboios da ligação ferroviária Lisboa-Porto, e as famílias mais endinheiradas mantinham ali a sua casa de Verão, que lhes servia de refúgio ao longo do ano. A Vila oferecia ainda o “Casino Peninsular” e alguns cafés com esplanadas, onde as elites locais se reuniam e os visitantes confraternizavam, e pelas quais também deambulava a figura do “brasileiro” - o emigrante que regressava rico do Brasil.

                                                                 Cartazes de Fred Kradolfer de 1931

                                               

                                       Praia de Espinho                                                             Esplanada da praia

         

Em 1865, Espinho já possuía 13 tavernas de jogo a pataco. Tratavam-se das «Pataqueiras Clandestinas». Em 1890 existiam variadíssimas «batotas pataqueiras» recatadas da vista do público, com reposteiros nas portas, escondendo assim a clientela do olhar dos que por ali passavam. Mais tarde diversos cafés proliferaram pela cidade, caso do “Café Chinez” onde a par do jogo, a clientela debatia ideias políticas e culturais em tertúlia.

                                                   “Café Chinez” e “Assembleia Recreativa” no edifício ao lado

                                        

Igualmente os primeiros hotéis foram considerados autênticos casinos, onde vários jogos e roleta já imperavam. A dada altura, fidalgos da cidade, reuniram-se e decidiram criar a "Assembleia Recreativa” em edifício próprio, onde o jogo não faltava. Entre os visitantes regulares de Espinho na primeira década do século XX, em férias ou por obrigações profissionais, contavam-se diversos artistas, homens de letras, compositores, que se reuniam às tertúlias locais, no “Café Chinês” ou no “Peninsular” ambos na Avenida Serpa Pinto. Surgiram assim as bases do primeiro casino, no mesmo local onde se encontra hoje edificado.

                                                            «Dedicado à Exma. Direcção do Espinho-Club»

                                              

                               Edifício da “Assembleia Recreativa”, com o “Cinematographo” e “Casino Peninsular”

                                       

                                O “Casino Peninsular” já ocupando todo o piso térreo da “Assembleia Recreativa”

                                       

A 3 de Dezembro de 1927, regulamenta-se a Lei da Exploração do Jogo, sendo Espinho contemplado e entregue a respectiva concessão à empresa “Casino Peninsular, SARL”. Inaugura-se o primeiro “Casino Peninsular”. Vários edifícios lhe sucederam, em diferentes estâncias turísticas como o Casino Peninsular da Figueira da Foz, pertencentes a diferentes concessionários, com variadas opões arquitectónicas.

                                                                     Interiores do “Casino Peninsular”

                                        

         

Anos mais tarde os edifícios do “Café Chinez” e da “Assembleia Recreativa” foram demolidos e deram lugar ao novo Casino e Cinema de Espinho projecto de 1929 do arquitecto Carlos Ramos. Foi também construído o “Palácio Hotel”, também da autoria do arquitecto Carlos Ramos,no lugar do antigo “Hotel Bragança”

                                                                     Casino, Cinema e “Palácio Hotel”

                                       

                                           1935                                                                                        1944

 

                                                                 

                                                             O “Casino Solverde” em Espinho, actualmente

                                      

fotos in: Prof 2000, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian