1 de julho de 2018

Café Londres

O “Café Londres”, localizado na Praça de Londres, em Lisboa, projectado pelo arquitecto Cassiano Viriato Branco (1897-1970) em 1952, e propriedade de um  dos sócios da “Pastelaria Capri” - instalada no mesmo edifício mas no lado da Avenida de Roma - abriria as suas portas em 1954. Recordo que a Praça de Londres foi desenhada, em 1938, pelo arquitecto urbanístico João Faria da Costa (1906-1971).

“Café Londres” e a “Pastelaria Capri” à esquerda na foto e no mesmo edifício

Outro “Café Londres” tinha existido, no edifício do Grand Hotel Central na Praça Duque da Terceira (junto ao Cais do Sodré), que em 1907, substituía o famoso e quase centenário (99 anos), Café “do Grego” fundado pelo negociante grego Angelo Canaglioti em 1807.

“Café Londres” na Praça Duque da Terceira (ao Cais do Sodré)

 

O “Café Londres” instalou-se na Praça de Londres, num dos maiores edifícios, de Lisboa da época. Este edifício tinha sido projectado, em 1949, pelo arquitecto Cassiano Branco, com projecto de estruturas do engenheiro Mário Rodrigues e cuja construção decorreria nos anos de 1950 e 1951. O promotor foi a “Sociedade Industrial de Construções, Lda.” que, pouco tempo depois de concluído, o venderia à “Companhia de Seguros Império”.

 

                 Alçado principal visto na Avenida de Roma                                 Alçado e corte visto na Praça de Londres

    

Segundo a Memória Descritiva do projecto, «a posição deste grandioso edifício, situado no gaveto de uma Praça e uma longa Avenida, permite ângulos e pontos de vista a grande distância, por isso se solucionou o arranjo das massas construtivas de molde a dar-lhe grandeza e elegância, dotando-o de um corpo bastante elevado encimado por uma cobertura que, ligando-se com o conjunto, determina a escala real dum todo construtivo». E quanto à sua solução formal é referido que «o seu aspecto arquitectónico ainda que sóbrio, foi inspirado em motivos de arte nacional. Não tivemos a preocupação de réplicas e exactidões de formas arquitectónicas, mas sim de uma simplificada estilização de arranjos decorativos nacionais».

“Café Londres” ainda sem o alpendre em ferro, e com o mesmo a ser montado, em 1958

  

Obs: Nas fotos anteriores, e na esquina com a Avenida Paris, a loja da “RTP - Radiotelevisão Portuguesa” que abriu a 1 de Janeiro de 1957, ano em que as emissões regulares de televisão tiveram início a 7 de Março de 1957. Nesta loja era afixada, no exterior, a programação diária da RTP e no interior eram comercializadas televisões e prestadas informações acerca das emissões e acesso à televisão.

Loja da RTP e programação para 30 de Maio de 1958

                          

 

Este Café, tinha restaurante, tabacaria, engraxador e bilhares, desde o seu início. Chegou a ter no mesmo piso (cave) dos bilhares, uma pista de carrinhos eléctricos, que estiveram muito em voga nos finais dos anos 60 do século XX.

Fotogramas referentes ao “Café Londres” retirados de um vídeo dos arquivos da RTP

  

 

O “Café Londres” fechou em 1975, e em 1977, após profundas obras de remodelação, abriria no seu lugar o “Café de Paris” - restaurante, snack-bar, pizzaria, grill, gelados …

Interiores do “Café de Paris”

 

O “Café de Paris” teria uma existência bastante curta, já que o, então, “Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa”, que já mantinha uma agência, desde 1956, no mesmo edifício mas na esquina com a Avenida de Roma, viria a ocupar as suas instalações em 1979.

Obras para instalação da instalação da agência do “Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa” e depois concluídas

 

Imagem retirada do “Google Maps” de Julho de 2014

fotos in: Hemeroteca Municipal de LisboaArquivo Municipal de Lisboa

1 comentário:

manuel.m disse...

No inicio dos anos cinquenta existia na esquina com a Av. de Roma, depois ocupada pelo BES, uma loja de móveis pertença de um Francês chamada "Saminax". Na montra um sofá-cama,(uma coisa totalmente inédita então), movido por um motor elétrico abria e fechava incessantemente para pasmo das multidões que ali se juntavam para observar o fenomeno.