“Liverpool London Globe”
Lourenço Marques
Vinhos do Porto “Poças Júnior”
A "Companhia de Cervejas Estrella" foi fundada em 15 de Abril de 1920 com um capital social de 720 contos, com a sua unidade fabril localizada na Avenida Sacadura Cabral, ao Campo Pequeno, em Lisboa. Esta empresa, teve origem na "Sociedade de Cervejas, Lda.", fundada em 1919.
Enquadramento da fábrica de cervejas no Campo Pequeno, e na foto da direita a complexo dentro da elipse
Pequeno artigo no jornal “A Capital” em 1 de Janeiro de 1924
Esta nova Companhia cervejeira inicia a sua actividade com o sistema inédito de distribuição, até então, com carros puxados por três muares.
Em 1925 o panorama cervejeiro em Portugal era composto pelos seguintes fabricantes:
• Companhia Productora de Malte e Cerveja Portugalia
• Companhia de Cervejas Estrella
• Fábrica de Cervejas Trindade
• Companhia da Fabrica de Cerveja Jansen
• Companhia de Cervejas de Coimbra
• Companhia União Fabril Portuense
Cartaz 1926
1927 1931
No entanto, através de um relatório apresentado ao “II Congresso da Indústria Portuguesa” em 1957 por Sebastião José de Oliveira - engenheiro da SCC -, ficamos a conhecer as principais dificuldades que o sector enfrentava no início dos anos 30:
«O mercado português era demasiado pequeno para tanta fábrica, e baixas as possibilidades de todos os produtores de cerveja para a poderem exportar, tendo-se tornado, por isso, muito forte a concorrência entre eles», sendo que os clientes aproveitavam-se exigindo descontos sobre descontos sem que o consumidor ganhasse algo. Além do mais, «a diferença entre o preço do custo da cerveja e o da venda ao público era absorvido, quase por completo, pelos
intermediários», daí a necessidade urgente de crédito por parte das empresas.
Pelo que, em 21 de Junho de 1934, é criada a “Sociedade Central de Cervejas, S.A.R.L.” - onde se impõem os interesses da família Vinhas, detentora da “C.ª Productora de Malte e Cerveja Portugalia” - cujo primeiro Conselho de Administração seria eleito em Julho do mesmo ano, com a seguinte composição: António Marques de Freitas (“C.ª Productora de Malte e Cerveja Portugalia”), Camilo Infante de La Cerda (“C.ª da Fábrica de Cerveja Jansen, Lda.”), Cândido Sotto Mayor (“Cª. de Cervejas de Coimbra”), Estolano Dias Ribeiro, José Maria Dias Ferrão e M. H. de Carvalho, Lda (“Cª. da Fabrica de Cervejas Estrela”). O capital inicial perfilhava os 100.000 escudos, divido do seguinte modo: Portugalia e Estrela com 40,9%, Jansen com 10,2% e Coimbra com 8%.
É decidido desde logo pela nova “Sociedade Central de Cervejas, S.A.R.L.” a renovação das instalações fabris da “Cª. da Fabrica de Cervejas Estrela”, que só se viria a verificar em 1956 …
Rótulos de garrafas
Em finais de 1974, uma análise das principais companhias sócias da SCC - Portugália, Estrela e Jansen - trouxe à luz do dia a verdadeira situação financeira das empresas, bem como as relações existentes com a “Copeja - C.ª Portuguesa de Cervejas” e a “Imperial - União Cervejeira de Portugal”. Financeiramente, a “Companhia de Cervejas Estrela” encontrava-se numa posição desastrosa, como se antevê pela necessidade de emitir uma livrança do “Banco Espírito Santo & Comercial de Lisboa” para pagar os impostos.
As instalações da “Cª. da Fabrica de Cervejas Estrela” nos anos 70 do século XX
Em 30 de Agosto de 1975, pelo decreto-lei 474/75, a indústria cervejeira é nacionalizada e, por consequência, são nacionalizadas as seguintes empresas:
• Cergal - Cerveja de Portugal
• Copeja - Comp. Portuguesa de Cervejas
• Cufp - Comp. União Fabril Portuense
• Imperial - União Cervejeira de Portugal
• Sociedade Central de Cervejas
• Fábrica de Cervejas e Refrigerantes João Mello Abreu
• Empresa de Cervejas da Madeira
Pouco tempo depois, a “Cª. da Fabrica de Cervejas Estrela” seria definitivamente encerrada.
Bibliografia:
• Dissertação de mestrado em História Contemporânea de Filipe Guimarães da Silva: "A nacionalização que se deseja" (2012) - FCSH - Universidade Nova de Lisboa
• Mestrado em Design de Cátia Milene Azevedo Esteves: "Rótulos Portugueses de 1930 a 1980" (2012) - ESAD - Arte e Design
fotos in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Mestrado em Design referido na Bibliografia
O restaurante típico e casa de fados “O Faia”, abriu as suas portas, na Rua da Barroca, ao Bairro Alto, como “Adega da Lucília” em 21 de Dezembro de 1946, dia do 7º aniversário de Carlos do Carmo. A “Adega da Lucília” era propriedade da fadista Lucília Nunes de Ascensão do Carmo (1919-1980), mãe do fadista Carlos do Carmo (1939-2021), e de seu marido o livreiro Alfredo de Almeida.
Lucília do Carmo e seu filho Carlos do Carmo Alfredo Marceneiro à porta de “O Faia”
20 de Dezembro de 1947 20 de Dezembro de 1950
Com a morte de Alfredo de Almeida, "homem da casa" é Carlos do Carmo, que tinha ido estudar para a Suíça línguas e hotelaria. Toma a gerência da casa de fados e muda-lhe o nome para "O Faia", começando a cantar o fado, iniciando deste modo a sua carreira de fadista.
20 de Dezembro de 1952 (5º aniversário) 30 de Dezembro de 1952
Lucília do Carmo em 1963
Lucília e Carlos do Carmo com a nadadora Suzana Abreu do Grupo Desportivo de Lourenço Marques, em 1972
Depois de nos anos 60 do século XX terem-se procedido às primeiras grandes beneficiações no restaurante “O Faia”, este manteve-se na propriedade de Carlos do Carmo até aos anos 80 do século XX, altura que vende esta casa de fados. Os novos proprietários, procederam a nova renovação, ganhando um Bar, instalando novos equipamentos e foi completamente redecorado, tendo sido a última grande intervenção que sofreu.
Janeiro de 1963
factura gentilmente cedida por Carlos Caria
No restaurante “O Faia”, cantaram nomes como Alfredo Marceneiro, Carlos Ramos, Berta Cardoso, Tristão da Silva, Fernando Maurício, Ada de Castro, Beatriz da Conceição, Vasco Rafael, Camané, entre outros. Atualmente, as presenças de Lenita Gentil, Anita Guerreiro, Ricardo Ribeiro e António Rocha, acompanhados porFernando Silva na guitarra portuguesa e Paulo Ramos na viola, dão continuidade a essa tradição.
Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo, Maria Tereza de Noronha e José António de Sabrosa
Linhares Barbosa, Berta Cardoso e Alfredo Marceneiro
1954
Em 2012, ano em que completou 65 anos de existência, “O Faia” renova-se de novo com um projeto do arquitecto Luís Candeias, Apostados em continuar e melhorar a qualidade da sua oferta, aperfeiçoaram as condições ao nível da higiene e segurança alimentar, instalações de pessoal e armazenagem, criaram uma garrafeira climatizada. Mais visíveis são as novas cores utilizadas, a nova decoração, a climatização que aumenta o nível de conforto, a iluminação pensada para cada uma das mesas, que diminui de intensidade para criar o ambiente de «Fado».
“O Faia”, actualmente
fotos in: Museu do Fado, Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa