O "Jardim Mythologico" abriu pela primeira vez em 11 de Junho de 1851, na Rua Direita do Calvario. O empresário do recinto era Jose Osti, com a sua firma "Jose Osti & Companhia", o «pyrothecnico da epocha», que tinha, alegadamente, introduzido a indústria dos fósforos em Portugal. A concessão do «fabrico de palitos phosphoricos» tinha-lhe sido concedida em 3 de Julho de 1843 com término em 3 de Julho de 1855.
Nesse vasto jardim, fartamente iluminado, havia circo, montanha russa, cavalinhos, tiro ao alvo, casas de pasto, jogos variados, exercicios de força e ginásticos e balanças de pesar. Como elemento de grande atracçãó, queimava-se muito fogo de artifício, saído da fábrica que José Osti possuia em Alcântara.
O organizador desse divertimento foi aquele homem, italiano de nascimento, o primeiro pirotécnico da época e o introductor dos fósforos em Portugal.
Os fósforos amorfos, a que também se chamaram palitos fosfóricos, palitos para acender lume, lumes prontos ou simplesmente palitos, fizeram guerra à mecha, à isca e ao fusil e puzeram de parte os antigos palitos "espera galego", aparecidos em 1809.
Os primeiros fósforos manipulados por José Osti foram oferecidos a D. Fernando, numa caixinha dourada.» in: "Alcantara Doutros Tempos Vista de Relance" por Mário Costa (1950).
Um dia, em julho de 1842, pegou fogo na fábrica, e os fósforos, cumprindo o seu dever, arderam todos.» in: "Depois do Terramoto" Subsídios para a história dos bairros ocidentais de Lisboa, Vol II, de Gustavo de Matos Sequeira (1917).
2 de Agosto de 1844
Uma ideia aproximada do ambiente no "Jardim Mythologico". Aqui em Londres, "A ball at Vauxhall garden in London " , pintura de Isaac Robert & George Cruikshank
Este recinto veio substituir o "Tivoli da Flor da Murta", que tinha começado a funcionar em Julho de 1835, na Rua Flor da Murta e que tinha vendido em leilão todos os seus moveis e utensílios em 1841.
25 de Julho de 1835
Em 7 de Junho de 1851 no "A Revolução de Setembro":
João da Matta, com casa de pasto no Caes do Sodré, tendo visto o Jardim Mythologico na rua direita do Calvario, não só lhe achou belleza, mas tambem capacidade no local, para ahi estabelecer casa de pasto, tendo bellas salas e bons gabinetes para o dito fim, e por isso annuncia aos amadores, que na quarta feira 11 do corrente mez, installará a dita casa com mesa redonda a 960 réis cada pessoa, ás quatro horas da tarde; devendo só neste dia ser por bilhetes os quaes se acharão á venda na sua casa do Caes do Sodré até á noite do dia 9. Dahi por diante haverá todos os dias de comer por lista, e quem quizer algum jantar naquelle sitio, o encommendará, nas vesperas, na sua casa do Caes do Sodré. Tambem na mesma quinta se acha um armazem de vinhos com os competentes petiscos.
A inauguração annuncia-se para domingo. Julga-se que a concorrencia será relativamente tão numerosa como a da exposiçao de Londres. Que productos de industria … não teremos de vêr neste Hyde Park da occiosidade e do janotismo?»
O Matta, depois que regenerou a sua cosinha e copa, tem ganhado mais popularidade. O 'jardim' é um logar mui asado para ir jantar, ou, ao uso burguez. merendar. Tem por isso havido alli já muitos banquetes de nomeada.
O de quarta-feira promettia ser fallado, pelo grande numero e qualificação das pessoas. Faltaram porem muitas, e ainda assim esteve magnifico. Foi um 'lanche-dansante', que principiou ás seis horas da tarde, e acabou á meia noite. Parece que o numero das polkas, mazurkas, shottises, valsas e contradansas excedeu o dos guisados. A sala do baile (a que no diccionario do jardim mythologico se chama mansão das musas), estava vistosamente illuminada, e todo aquelle extenso vergel banhado do mais delicioso luar.
No numero dos convivas, contavam-se as sras. - duqueza da Terceira - D. M. Amalia Figueira - D. M. Ponte - Brederodes - Cantagallo - Asseca - Pinto Bastos, etc. Os srs.
- duqne da Terceira- visconde de A. Garrelt - Asseca - A. da Cunha - D. Jose Coutinho - Pinto Bastos - Lopes de Mendonça - Biester etc.»
Mais uma ideia aproximada do ambiente no "Jardim Mythologico". Aqui em Paris, "Le Bal Public Élysée-Menilmontant " , pintura de Jean Béraud
«Que seria de nós se o jardim mythologico não succedesse a S. Carlos, os banhos nas praias, aos bailes do Club, os fogos, monstros e o sol electrico ás harmonias de Donizetti, e a agua de Cintra ao caffe do Marrare? O que seria de Lisboa se esta maravilhosa invenção das exposições não viesse quebrar a furia incessante e monotona dos philarmonicos? Não se me dava de apostar que é muito menor o numero de desgraças a que a humanidade anda exposta, depois que se inventou expor methodicamente.» In: "A Semana" (Julho 1852)
Entretanto, Jose Osti inaugura em 1 de Junho de 1854, a "Floresta Egypcia" nos jardins do palácio dos Morgados de Alagoa (edificado entre 1757 e 1762), na, então, Rua Direita da Fabrica das Sedas (actual Rua da Escola Politécnica), logo a seguir ao edifício da "Real Fábrica das Sedas". Os dois recintos continuarão a funcionar em simultâneo, mas apenas até final de Setembro deste ano de 1854, altura em que encerra em definitivo o "Jardim Mythologico".
12 de Agosto de 1854
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1 comentário:
Muito interessante!
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