Restos de Colecção: Livraria Ferreira

6 de julho de 2022

Livraria Ferreira

A "Livraria Ferreira" foi fundada em 1846 por Manuel José Ferreira, na Rua Áurea 132-134, em Lisboa, onde tinha funcionado a "Livraria Carmo". Foi uma das mais importantes livrarias de Lisboa, tendo sido «Livreiros de S. M. El-Rei» e «Depositarios das Publicações do Estado».


Ao longo das décadas foi propriedade de duas firmas: em 1876 era propriedade da firma "Ferreira , Lisboa & C.ª ", em 1905 da firma "Ferreira & Oliveira, Lda.". Como firmas editoras a "Ferreira & Oliveira, Lda. Editores" (1905) e a  "Ferreira, Lda. Editores" (a partir de 1912). Entretanto, as suas instalações foram ampliadas vindo a ocupar os nos. 132 a 138 da Rua Áurea, tendo as respectivas obras ficado a cargo do «constructor civil diplomado» Francisco Duarte Leitão, estabelecido no Largo da Graça 37 a 41, em Lisboa.


21 de Dezembro de 1903


Julho de 1907

Agosto de 1907

Em 1905, através da sua firma "Ferreira & Oliveira, Lda. Editores" adquire a revista "Serões", - que tinha iniciado a sua publicação em Março de 1901 e cessado a mesma em Dezembro de 1904 -  ficando como seu diretor  o capitão de mar-e-guerra Henriques Lopes de Mendonça - militar, historiador, arqueólogo naval, professor, conferencista, dramaturgo, cronista e romancista. Esta revista tinha sido fundada por Adrião Seixas, bibliófilo especialmente dedicado à obra de Camilo Castelo Branco.


1905

A Sede da redacção e administração, passou para a Praça dos Restauradores, 27, o mesmo endereço da "Empreza Typographica do Annuario Commercial, S.A.R.L.", que, passava a ser a oficina de impressão e composição da revista. Na produção da revista "Serões", pelo menos na 2.ª série, interveio ainda a "Officina de Encadernação de Paulino Ferreira", sedeada na Rua Nova da Trindade, 82 em Lisboa.

«Com a passagem da propriedade para a Livraria Ferreira & Oliveira e o lançamento da 2.ª série, a Serões conheceu algumas reformulações, embora a sua essência se mantenha. De facto, os pontos de interesses são essencialmente os mesmos e muitos dos autores que haviam colaborado na 1.ª série reaparecem.
As novidades resultaram, sobretudo, do aprofundamento de linhas editoriais já exploradas, da melhoria dos aspetos gráficos, do estímulo à participação do leitor e do público em geral e da projeção do livro na revista, isto é, das obras e dos autores publicados pela Livraria Ferreira & Oliveira.
Assim, o suplemento «Variedades» deu lugar à secção «Actualidades», do “magazine”, onde se concentrava o noticiário (curtas), arrumado por tópicos; outras secções novas foram: a «Correspondência dos Serões», localizada no primeiro caderno, ao lado da autopromoção e da publicidade dos anunciantes; «Os Serões dos bebés» e «Quebra cabeças». Os suplementos passaram a ser dois: «Os Serões das senhoras», com 16 páginas, e «A Música dos Serões», com 4 páginas. Tudo isto levou a um aumento significativo do número páginas (superior a cem), mas o preço de venda, quer a avulso, quer por assinatura, manteve-se inalterável! Em nossa opinião, a viabilidade dessa decisão não pode deixar de estar relacionada com as condições materiais e
financeiras que o novo proprietário, a Livraria Ferreira & Oliveira, dispunha; mas também traduz a sua confiança no mercado do livro e, consequentemente, no crescimento do número de leitores e na expansão da leitura.»
Texto de Rita Correia (2012), in Hemeroteca Digital d a C.M.L. de Lisboa


1905


Apesar do sucesso desta publicação, e sem justificação dada para o facto, aquando da publicação do último número do ano de 1911 (Dezembro), o seguinte «Aviso»
«A publicação dos Serões é interrompido neste número. Aos nossos assignantes que acaso hajam pago importancias relativas a meses futuros, rogamos o obsequio de as reclamarem á Administração.»


1909


25 de Julho de 1916


14 de Agosto de 1918

Quanto à "Livraria Ferreira", que seguiu naturalmente o seu percurso, o jornal "A Capital" de 14 de Julho de 1916 escrevia:

«Na antiga Livraria Carmo, ponto de reunião dos litteratos do tempo,está presentemente installada a Livraria Ferreira, a mais importante das livrarias de Lisboa e a que melhores e mais artisticas edições lança no mercado. Ainda hoje, essa casa é o ponto obrigado onde se reunem os poetas, os escriptores, os jornalistas e os artistas de Lisboa.
A certa hora da tarde, a Livraria Ferreira, em determinados dias, é um verdadeiro cenaculo. Affonso Lopes Vieira ali tem o seu poiso preferido. Fialho, nos ultimos tempos de vida, era ali que parava quasi sempre.»


Vista nocturna da "Livraria Ferreira"



Selo da livraria

     

A "Livraria Ferreira", terá encerrado por volta de 1920. Em 1935 as suas instalações já estavam ocupadas pelo importador das tintas "Du Pont" - "Bethencourt Bros. Ltd." - que veio da Praça do Município - como se pode ver no anúncio seguinte e na foto já de 1963. Na mesma foto pode-se ver a referência "Duc" nos placards da "Du Pont". Tratava-se do nome comercial de uma linha de produtos para pintura automóvel desenvolvida pela empresa "Du Pont" em 1920.


4 de Março de 1935


1963

Depois desta loja uma outra, mas de brinquedos: a "Biagio Flora". E após esta ...


Actualmente, via Google Maps

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