27 de fevereiro de 2012

Nacional - Cª Ind. de Transf. de Cereais

A quando da extinção das ordens religiosas em 1833, as instalações do Convento do Beato António em Lisboa, foram adquiridas parcialmente em hasta pública, pelo industrial e comerciante João de Brito. A instalação fabril no antigo convento data de 1836. O estabelecimento industrial e comercial designou-se apenas por "João de Brito" até á data da morte do seu fundador em 1863.

João de Brito

Moagem “João de Brito”, no Beato

Em 1843, João de Brito instala no Convento a primeira fábrica a vapor de moagem de cereais em Portugal. A utilização da marca «Nacional» foi-lhe concedida pela rainha Dona Maria II, em 1849 em reconhecimento dos relevantes serviços prestados por este industrial pelos produtos por si comercializados. Em finais do século XIX a empresa João de Brito, afirmava-se no mercado como um depósito de vinhos e cereais. Mas a industria da moagem de cereais pelo sistema austro-húngaro, na fábrica de moagem movida a vapor de Xabregas ia-se tornado na vertente de negócio em franca expansão.

Anúncio de 1886

Edifício da moagem austro-húngara, em Xabregas

Cais privativo da “João de Brito”, para descarga de cereais

                           Escritório central, na Rua do Beato                        Central termoeléctrica com máquina «Sulzer»

  

Em 1881 eram as seguintes as principais fábricas de moagem a vapor:

Fábrica do Beato, em Lisboa, de “João de Brito”, (1843)
Fábrica da Pampulha em Lisboa, de “Belos & Formigais” , (1875)
Fábrica da Rua do Barão em Lisboa, de “José Luiz de Sousa”,  (1877)
Fábrica de Santa Iria em V. F. Xira, da  “Companhia de Moagem de Stª Iria”,  (1877)
Fábrica de Sacavém em Loures, de “Domingos José de Morais” , (1879)
Fábrica do Caramujo em Almada, de “Manuel José Gomes”,  (1881)
Fábrica da Estrela em Lisboa, de “João José Martins”,  (1881)
Fábrica do Bom Sucesso em Lisboa, de “José António dos Reis”, (1881)

Após a sua morte os seus herdeiros desenvolveram os destinos de uma das indústrias alimentares mais florescentes do país, sob a designação social de "João de Brito, Lda.", sendo esta dirigida pelo seu genro, Carlos Duarte Luz e pelos seus netos, António, Eduardo e Artur Macieira.

No início de 1904 a partir da antiga firma "Domingos José de Moraes & Companhia" de Sacavém e que já em 1892 era a unidade fabril com maior força produtiva do país, fundou-se a "Companhia Nacional de Moagem". Esta empresa destinava-se à farinação, comércio de cereais, descasque de arroz e « ... aproveitamento dos sub productos e quaesquer industrias congeneres, acessorias e derivadas, como panificação e fabrico de massas alimentícias e bolachas».

1907

Também na zona de Lisboa existiam duas outras grandes empresas que, em 1918, se iriam fundir com a "Companhia de Moagem Invicta", dando origem à "Sociedade Industrial Aliança": a "Viúva de A. J. Gomes & Cª", sucessora de Manuel José Gomes e que, em 1881, tendo em consideração o número de pares de mós, explorava a maior fábrica do país. Esta empresa manteve-se sempre nos lugares cimeiros, geralmente o segundo, da tabela de rateio de trigo importado; e a "Cruces & Barros", de fundação mais recente, instalara-se em 1915, em Santa Iria da Azóia, com um grande investimento que lhe permitiu ser a quinta classificada para efeito de rateio das importações de trigo.

A "Companhia de Moagem Invicta" tinha-se formado em Abril de 1908, tinha uma dimensão bem menor que a sua congénere lisboeta, tendo ao seu serviço 332 trabalhadores. Em 1917 era proprietária das seguintes 5 fábricas:

Fábrica da Afurada Vila Nova de Gaia (1890), integrada em 1908
Fábrica do Freixo Porto a. (1890), integrada em 1908
Fábrica de Valbom Porto (1892,) integrada em 1908
Fábrica de S. Jerónimo Porto (1874), integrada em 1908
Fábrica de Barcelos Barcelos, integrada em 1915

"Fábrica de Moagens a Vapor Alliança", em Xabregas

Em Julho de 1907 foi fundada a "Nova Companhia Nacional de Moagens", com um avultado capital social de 4.368.900$000 réis e englobava além da “Companhia Nacional de Moagem”, outras antigas e importantes firmas de Lisboa e arredores.  a "Companhia Portuguesa de Moagens" ex- Bellos & Formigaes na Rua 24 de Julho, a "José Pedro da Costa" do Seixal, a "Fábrica Lisbonense de Moagens" de Costa & Irmão na Rua 24 de Julho, a "Baptista & Companhia" de Cascais, entre outras.

“Fábrica do Caramujo”, em Almada pertença da "Sociedade Industrial Aliança"

Fábricas da "Nova Companhia Nacional de Moagens" na Avenida 24 de Julho

                           Fábrica de Moagem, em 1909                        Fábrica de bolachas e massas alimentícias, em 1910

 

                            Central termoeléctrica a vapor                                           Interior da fábrica de moagem

 

A fábrica de bolachas e massas alimentícias inaugurada em 20 de Junho de 1910, da Avenida 24 de Julho foi construída pelo construtor civil Zacarias Gomes de Lima. Teve eco na imprensa a inauguração desta nova fábrica da "Nova Companhia Nacional de Moagens", destinada à produção de todos os tipos de bolachas, biscoitos e massas alimentares os quais «até aqui havia necessidade de importar».

1910

Em 1914  a “Nova Companhia Nacional de Moagem” tinha 1.128 trabalhadores, o que lhe conferia o quinto lugar na lista das 50 maiores. A maior concorrente desta empresa era a "Companhia de Moagem Invicta" do Porto fundada em 18 de Março de 1908 que englobava as quatro maiores firmas nortenhas: Fábrica da Afurada, Fábrica do Freixo, Fábrica de Valbom, Fábrica de S. Jerónimo e a Fábrica de Barcelos.

Em 27 de Agosto de 1917 a empresa “João de Brito, Lda.” viria a ser integrada na "Nova Companhia Nacional de Moagem”.

Entre 1918 e 1919 surgiram outros dois grandes grupos: A "Companhia Industrial de Portugal e Colónias, S.A.R.L.", fundada em 17 de Dezembro de 1919 resultado da fusão da "Nova Companhia Nacional de Moagem" com as "Companhia Nacional de Alimentação" e a "Sociedade Industrial Aliança" que por sua vez resultava da fusão das "Fábrica do Caramujo" (Viúva de A. J. Gomes & Cª.) e da empresa "Cruces & Barros".

1908

Fábrica de Moagem "Cruces & Barros" em 1916

Complexo de Xabregas (páteo das casas das caldeiras e máquinas a vapor)

                                   Fábrica de malte                                                Forno das bolachas

     

A "Companhia Industrial de Portugal e Colónias, S.A.R.L." era a maior e mais poderosa industria moageira portuguesa. As principais marcas comercializadas a «Nacional» e a «Napolitana» (fábrica adquirida em 1926).

Tendo a sua sede no Jardim do Tabaco, em Lisboa, de entre outras,  detinha as seguintes empresas:

Fábrica de Moagem e Descasque de Arroz, em Sacavém
Fábrica de Massas e Bolachas, na Rua 24 de Julho, em Lisboa
Fábrica de Moagem e Bolachas, na  Rua de Santo Amaro, em Lisboa
Fábrica de Moagens, em Xabregas, em Lisboa
Fábrica de Moagens, na Estrela em Lisboa
Fábrica de Moagens, em Serpa
Fábrica de Massas, na Rua do Barão em Lisboa
Fábrica de Massas em Caminha
Fábrica de Massas, em Coimbra
Fábrica de Descasque de Arroz, na Rua 24 de Julho em Lisboa

Produtos de “A Napolitana”

Produtos da “Nacional”

 

«O que é “Nacional” é bom !».

Entre os estabelecimentos não especificados, pertencentes ao universo da "Companhia Industrial de Portugal e Colónias" contam-se também várias padarias. A este respeito, existem alguns indícios de que as padarias exploradas pela “Companhia de Panificação Lisbonense” passaram para a propriedade da “Nova Companhia Nacional de Moagem” pela aquisição desta em 1914.

1908

Em Agosto de 1922, nove fábricas das oitenta e três, pertenciam à "Companhia Industrial de Portugal e Colónias", que passou a deter 36% do cereal importado. À "Sociedade Industrial Aliança", com sete fábricas, cabiam 18,6% do cereal importado, ficando os restantes 45,4% para as outras sessenta e sete fábricas, poucas em Lisboa e Porto, sendo a maioria delas sediadas em cidades e vilas do interior de Portugal.

                                                              1925                                 Cartaz de Bernardo Marques, 1930                     

        

Esta Companhia possuía as seguintes centrais termoeléctricas, privadas, em funcionamento fornecendo electricidade às suas unidades fabris::

A do Beato, com 300 kW de potência, anterior a 1928 e que em 1931 passa a central de reserva, recebendo energia das CRGE.
A de Xabregas, com 168 kW, de 1938. Em 1942 passa a receber energia das CRGE.
A do Bom Sucesso, com 170 kW. É anterior a 1928.
A da R. das Cozinhas Económicas, com 964 kW, anterior a 1928. Em 1931 passa a central de reserva; recebendo energia das CRGE.
A da Avenida 24 de Julho da Companhia Industrial de Portugal e Colónias, com 1155 kW de potência, anterior a 1928 e que em 1934 passa a receber energia das CRGE

Uma nova expansão da empresa deu-se, nos anos 50, com a construção da nova moagem, projectada pelo arquitecto Pardal Monteiro: os velhos armazéns de vinhos e cereais foram substituídos por um novo conjunto industrial constituído por edifícios de limpeza e moagem, armazéns de farinha e silos, construídos entre 1949 e 1958; os novos edifícios impõem-se pela volumetria paralelepipédica. O edifício de massas e bolachas, de 1956, localizou-se a sul do primeiro conjunto.

                Novos edifícios de silos e armazenagem, projectados pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro

  

Vistas aéreas do complexo da "Companhia Industrial de Portugal e Colónias"

   

Em 1979 o conjunto das fábricas da "Companhia Industrial de Portugal e Colónias", empregava 1.082 trabalhadores, dos quais 765 homens e 317 mulheres. Em 1982 constrói um fábrica de «Corn-Flakes» na Trofa.

Em 1986 a "Companhia Industrial de Portugal e Colónias", é transformada em sociedade anónima, passando a designar-se “A Nacional - Companhia Industrial de Transformação de Cereais, S.A.”. A marca “Aliança” foi adquirida em 1997 pela empresa "Vieira de Castro", de Vila Nova de Famalicão, estando, actualmente esta empresa a pensar reactivar a marca “Aliança”.

Bibliografia: «Caminho do Oriente - Guia do Património Industrial» de Deolinda Folgado e Jorge Custódio - Livros Horizonte, 1999

Fotos in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Instituto Camões

18 comentários:

João Celorico disse...

Da observação das fotos das Fábricas, na av. 24 de Julho, penso poder deduzir que na foto da Fábrica da Moagem se poderá ver, ao fundo, a Fábrica das Bolachas e também deduzo que a via férrea terá sido deslocalizada, depois do aterro que originou a Avenida.
Efectivamente as ditas fábricas, ocupariam uma área enorme, tendo em conta o que hoje ali está construído.

Bem haja pelo seu trabalho e nos ir dando a relembrar algo que ainda chegámos a ver!

João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

Muito grato pelo seu esclarecedor comentário e pelas suas simpáticas palavras.

Cumprimentos

S. Marques disse...

Caro Sr. João Celorico,
Gostaria de o felicitar pelo excelente post, e já agora, pelo excelente blog.
Parabéns!
Silva Marques (um seguidor recente)

José Leite disse...

Caro S. Marques

O editor do blogue é José Leite, que estou a escrever este comentário e não o sr. João Celorico. Mas não tem problema.

Desde já agradeco as suas amáveis palavras.

Cumprimentos
José Leite

S. Marques disse...

Caro Sr. José Leite,
As minhas desculpas pela "troca" dos nomes - "o seu a seu dono".
Cumprimentos,
Silva Marques

Graça Sampaio disse...

Mais uma bela retrospetiva! Adoro conhecer estes passos históricos das nossas coisas. Que belo trabalho o seu, senhor José Leite, com estas recordações e retrospetivas!

José Leite disse...

D. Graça Sampaio

Sempre atenta e generosa nos seus comentários

Cumprimentos

Letra disse...

Caro José Leite

O cartaz está assinado por Bernardo

Marques 1930.

Carlos Rocha

José Leite disse...

Caro Carlos Rocha

Agradecido pela informação

Deixei uma resposta ao seu comentário na Tofa que agradecia que lesse

Cumprimentos

José Leite

Conceição Toscano disse...

Caro José Leite,

Primeiro que tudo queria cumprimentá-lo pelo seu blogue e acrescantar que coloquei o link no meu blogue (Os sentidos do património).
Em relação à fábrica de moagem do Caramujo queria informar o seguinte: em 1920 foi constituída a sociedade industrial Aliança; esta fábrica era uma das unidades industriais que pertencia à sociedade. Esta sociedade nunca esteve ligada à Nacional. Eram entidades distintas. Mais informações poderão ser fornecidas, uma vez que o património industria foi a área escolhida para a minha dissertação de mestrado e estudei a referida fábrica, desde 1865 aos nossos dias.
Conceição Toscano

José Leite disse...

D. Conceição Toscano

Muito agradecido pela sua preciosa informação.

Fui aos meus arquivos e acrescentei mais informação e retirei a informação errada.

Julgo que agora está correcto, mas se não estiver muito agardeço que me informe. Elas eram tantas fábricas de moagem !! .....

Grato pela sua colaboração e os meus cumprimentos

José Leite

Conceição Toscano disse...

Caro José Leite,

Já estive a ler e agradeço por ter alterado o pouco que estava incorrecto, de modo tão rápido, que nem estava à espera. Os seus artigos têm sido um manancial de informação para mim. Em termos académicos a minha área de estudo é o património, em termos profissionais o tratamento documental das obras da colecção de uma biblioteca escolar. Podemos sempre conciliar estes dois universos. Para dar "voz" à minha vontade de divulgação da minha opinião acerca do nosso património cultural (em todas as suas valências: documental, bibliográfico, arqueológico, industrial, religioso, imaterial,...) resolvi iniciar a escrita de um blogue. Tudo o que vou lendo noutros blogues ligados igualmente à história e património, ensinam-me, fornecem-me pistas e fontes documentais.
Há que realmente louvar o seu trabalho de recolha e divulgação. Presta um serviço de extrema importância para a valorização e conhecimento da nossa história, a partir dos testemunhos materiais. O meu obrigada e acrescento que, de vez em quando, irei incluir nos meus textos algumas das imagens e referências, apontando sempre a fonte onde fui buscar a informação.

Os meus melhores cumprimentos,

Conceição Toscano

José Leite disse...

D. Conceiçaõ Toscano

Mais uma vez muito agradeco as suas palavras, e fique certa que vou igualmente seguir o seu trabalho, que como o meu ao longo do tempo evoluirá em qualidade e quantidade.

Não tenho formação académica superior, pelo que vou tentando usar a minha cabeça da melhor maneira fazendo o que gosto, e tentando transmitir o que sei e que vou aprendendo.

É um trabalho muito moroso e de alguma responsabilidade que tento elaborar com menos erros possíveis, mas acontece.

No que eu puder auxiliá-la na sua tarefa pode contar comigo.

O que pretender utilizar deste blogue esteja à vontade.

Cumprimentos

José Leite

Ana Ornellas disse...

Caríssimo José Leite,

Mais uma vez venho juntar um pouco mais de informação a uma das suas mensagens, pois que, sem receio de me repetir, considero o seu trabalho e dos seus colegas merecedor dos maiores elogios. Já aqui há dias lhe pedi para rectificar uma informação relativa à "Fábrica Santa Clara" e aos sabonetes "Feno de Portugal", criados em 1930 e cujo design foi totalmente remodelado em 1933 pelo Pintor António Soares (1894/1978), meu Tio, o que fez e que agradeço desde já.
Relativamente à "Sociedade Industrial Aliança", em 1952 o Pintor António Soares, esteve também a trabalhar como designer e a remodelar toda a linha gráfica de todos os produtos - farinhas, bolachas, biscoitos, chocolates, açúcar...
Na Exposição que está agora patente na Fundação Escultor José Rodrigues, no Porto, inaugurada a 20 de Setembro e que se vai prolongar até 21 de Março de 2015, poderão ver uma mostra dos trabalhos de design deste artista Modernista, (contemporâneo e amigo de Almada, Barradas, Stuart, Viana, Christiano Cruz, etc.), quer para a Aliança quer para a Fábrica Santa Clara e Feno de Portugal.
No final deste seu post indica que a marca ALIANÇA teria sido adquirida, em última análise à CEREALIS, mas parece-me que não foi bem isso que aconteceu.
Assim, esclareço que a marca ALIANÇA foi adquirida em 1997 pela Empresa "Vieira de Castro", de Vila Nova de Famalicão.
Actualmente esta empresa está a pensar reactivar a marca ALIANÇA. Quando souber mais informações, não deixarei de o informar, para que este post esteja sempre actualizado.
Ana Isabel de Ornellas

José Leite disse...

D. Ana de Ornellas

Grato pela sua preciosa colaboração.

Quero esclarecer que não tenho colaboradores e que a responsabilidade de tudo o que publico neste blog é da minha inteira responsabilidade.

Vou de pronto proceder à devida rectificação.

Os meus cumprimentos

José Leite

Anónimo disse...

Adorei esta sabedoria toda e aproveitei-a para a minha catalogção do relatório e contas da Comp. Industriald e Portugal e Colónias. Obrigado, Adriano Silva (BPMP)

Anónimo disse...


Boa noite Sr José Leite

Só agora dei com este seu artigo, que me parece excelente.

A razão de aqui ter caído é estar eu a tentar saber mais sobre a Fábrica do Caramujo de Almada e a Fábrica Aliança.

Os meus interesses (de natureza familiar)cobrem o período até aos anos trinta do século passado.

Pode ajudar-me? Se sim, como fazer?

Desde já obrigado

António José Cabral

José Leite disse...

Caro António Cabral

Para esses tempos aconselho:

Hemeroteca Digital de Lisboa
Arquivo Fotográfico da CML
Biblioteca Nacional Digital

Os meus cumprimentos