Restos de Colecção

14 de abril de 2021

Armazéns do Conde Barão

Os "Armazéns do Conde Barão" terão sido fundados em 21 de Novembro de 1946, por Henrique Gomes Cachopo e José Pereira Dias, sob a firma "Rodrigues & Gomes, Lda. ", num edifício que tinha sido reedificado por João Lopes Fernandes em 1864, no Largo do Conde Barão, 42 em Lisboa.  Esta empresa chegou a contar com 420 funcionários no ramo das confecções e operando nos estabelecimentos e filiais.



23 de Abril de 1949

No início escrevi que «terão sido fundados» pelo facto de ter tido acesso ao anúncio que publico de seguida, de um estabelecimento com o mesmo nome e no mesmo local datado de 11 de Julho de 1907. Por outro lado publico mais abaixo uma ementa (datada de 21 de Novembro de 1971) do "Hotel Praia-Mar", em Carcavelos, por ocasião da celebração de  25º aniversário dos "Armazéns do Conde Barão". Devido à possível coincidência fico na dúvida se o ano de fundação indicado na ementa e comemorado será baseado na fundação da empresa "Rodrigues & Gomes, Lda. ", ou do estabelecimento propriamente dito.

No semanário ilustrado "Azulejo" de 4 de Novembro de 1907 

Estes Armazéns, de estilo popular, com preços acessíveis era por isso muito frequentado, dando muita vida ao Conde Barão. à medida que foi crescendo, foi criando filiais instaladas em vilas e cidades de Portugal.

6 de Dezembro de 1973

Em 30 de Março de 1968 é inaugurada a sucursal de Vila Franca de Xira, sob a designação de "Grandes Armazéns do Ribatejo", tendo o jornal "Vida Ribatejana" noticiado o acontecimento:

"Conforme noticiámos, no último Sábado foram inaugurados, nesta vila, Rua Serpa Pinto, 1,3 e 5, os Grandes Armazéns do Ribatejo (a agregada dos Armazéns do Conde Barão, de Lisboa), que ali apresenta grande sortido de tudo quanto vende e fabrica.
Ao acto estiveram presentes os srs. Luis Rosado Féria Theotónio, ilustre presidente da Câmara e sua esposa; Joaquim Semedo Martinho, chefe da Repartição de Finanças; Luís Afonso, chefe da Secretaria da Câmara Municipal e outros funcionários municipais, comandante Miranda Branco, da G. N. R., chefe Lopes, do posto da P. S. P. desta vila, outras entidades locais, representantes da Imprensa, os sócios-gerentes dos Armazéns do Conde Barão, srs. Henrique Gomes Cachopo e José Pereira Dias, suas esposas e filhas, convidados relacionados com a gerência, etc.,etc.,etc.
Aos convidados foi oferecido um lauto lanche, durante o qual se trocaram brindes, nos quais foi salientado o progresso de Vila Franca e se bebeu pelas prosperidades daquele novo estabelecimento vilafranquense e pela saúde dos seus proprietários."


Inauguração da unidade de Vila Franca de Xira


Menú gentilmente cedido por Carlos Caria

Além das 6 unidades espalhadas por Lisboa, outras filias foram sendo abertas como as de Algés (30-04-1974), Queluz, Amadora (30-04-1971), Vila Franca de Xira (30-03-1968), Cascais (2 filiais), Torres Vedras, Moscavide, Caldas da Rainha, Ovar, Viseu, Cabanas de Viriato e Almada. 

1971


28 de Abril de 1974


Em Cascais, os "Armazéns do Conde Barão", detinham dois estabelecimentos: um perto do mercado e outro que ficava por trás do supermercado "Jumbo de Cascais", e que tinha o nome mais moderno de "Centro Comercial Conde Barão". 


Maio de 1977

Em 1980, o fundador José Pereira Dias, associado ao proprietário da cadeia de estabelecimentos "PAGAPOUCO", Manuel Martins Dias adquirem os "Grandes Armazéns do Chiado"., que viria a ser consumido pelas chamas no grande incêndio de 25 de Agosto de 1988.

Durante os anos 90 do século XX, os "Armazéns do Conde Barão" entram na sua fase descendente e acabam por encerrar definitivamente. A sua loja no Conde Barão, e já encerrada há vários anos, viria a ser alvo dum incêndio em 25 de Dezembro de 2010, que destruiu o seu interior.

Como nos perguntaria uma funcionária de supermercado: "Precisa de saco?"

José Pereira Dias em 30 de Setembro de 2018 viria a ser homenageado, na sua terra Natal, Cabanas de Viriato, numa cerimónia organizada pela "Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cabanas do Viriato", da qual é presidente da direcção.


José Pereira Dias em 30 de Setembro de 2018, com 85 anos

Numa entrevista, na altura, ao blog "Farol da Nossa Terra", José Pereira Dias, concluiu a mesma afirmando: 

«Só dizer que vale sempre a pena estar disponível e ser útil ao nosso semelhante e reconhecer o valor de cada um. É essa a conclusão a que eu chego. Estar disponível e reconhecer o valor de cada pessoa e, sobremaneira, ser amigo do seu amigo, que é uma parte muito importante, mas a disponibilidade e esforçarmo-nos por ela, essa, é na realidade o que nos torna mais humanos.»

fotos in:  Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de Lisboa, Vila Franca de Antigamente, Farol da Nossa Terra

11 de abril de 2021

Contreras & Garrido, Lda.

A firma "Contreras & C.ª, Lda." instalou-se na Avenida da Liberdade, 119, Lisboa, em 1913. Propriedade do galego Apolinar Contreras Piñeiro, começou com a representação da marca francesa de automóveis "Peugeot" e, pouco tempo depois, da marca americana "REO" ("REO Motor Car Company") fabricante de automóveis e camionetas, desde 1904.

A marca "Peugeot" tinha sido representada anteriormente por Albert Beauvalet, - "Garage Beauvalet" -  até mudar de instalações para a Rua do Príncipe (Rua 1º de Dezembro), com a representação da marca francesa "Berliet". Em meados de 1910 ainda apareceu um anúncio dos pneus "Michelin", onde aparecia como revendedor em Portugal o representante da "Peugeot" Albert Nebelung, com instalações na Rua Ocidental do Campo Grande, em Lisboa.

1913

Foi um período transitório até que Apolinar Contreras, um capitalista abastado com negócios ligados ao tabaco e imobiliário e antigo cliente de Albert Beauvalet, aceita o convite de ficar com a representação da marca francesa. 

Actividade de Contreras no imobiliário, na revista "A Construção Moderna" de 5 de Fevereiro de 1911



E outra menção a Apolinar Contreras num testemunho ao "Vibrador Mechanico" ...

Apolinar Contreras certa vez, recordava:

«O Beauvalet, por questões que não vêm para o caso, deixou a representação. Veio cá um director francês que me propôs o negócio. Encontrei-me com ele no Café Gelo e foi aí que se resolveu o assunto. Fiquei então representante dos automóveis, motos e bicicletas Peugeot e pouco tempo depois tambem da REO. Mais tarde dei sociedade ao Joaquim Garrido.»


1926



1928


14 de Dezembro de 1929

Como mencionado anteriormente, Apolinar Contreras Pinheiro viria a dar sociedade a Joaquim Gonzalez Garrido, dando origem à firma "Contreras & Garrido, Lda.", segundo escritura datada de 1 de Março de 1928.

Joaquim Gonzalez Garrido


Publicidade à "Contreras & Garrido, Lda." num desfile carnavalesco, na Av. da Liberdade


1928


16 de Maio de 1929


1931


1932

Em 1933, e após dissolução da sociedade "Contreras & Garrido, Lda.", é formada a firma "Garrido & Filho, Lda." permanecendo nas instalações da Avenida da Liberdade, e é recuperada a antiga firma "A. Contreras, Lda." passando para a Rua Eugénio dos Santos, 112 em Lisboa, apenas com a representação da americana "Penzoil" que ali ficou até meados dos anos 50 do século XX. Em 1957, já se tinha mudado para a Rua Rodrigues Sampaio, 142-150, em Lisboa.

Familiar próximo de Apolinar Contreras, Álvaro Contreras, foi o fundador da "Tacaria Rossio" (ex- "Tabacaria Costa") e da "Tabacaria Caravela", também no Rossio. Por morte deste a sua viúva Dª Regina Contreras, tomou conta dos negócios. Durante muitos anos foram representantes dos produtos de escrita, isqueiros, carteiras ST Dupont. Tinham oficinas próprias que funcionavam no prédio da "Tabacaria Caravela". Com a morte dos fundadores, os filhos fizeram partilhas - a "Tabacaria Rossio" para uma filha, e a "Tabacaria Caravela" (que viria a encerrar a 31 de Dezembro de 2005) para a outra filha.



1933


1938


1934


1950

Quanto à firma "Garrido & Filho, Lda.", João Gaonzalez Garrido morre em Junho de 1937, e seus herdeiros viriam a ficar com a representação dos camiões suecos "Scania-Vabis", continuando com a "REO", até aos anos 60 dos século XX. Não consegui apurar o ano do seu encerramento definitivo.


fotos in:  Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de Lisboa,

7 de abril de 2021

Papelaria da Moda

A "Papelaria Vieira", (futura "Papelaria da Moda") foi fundada em 7 de Março de 1915, por António Pina Vieira, na Rua do Ouro 167-169, nas antigas instalações da papelaria do antigo palhaço Wythoine do "Theatro-Circo de Price".


António Pina Vieira, natural de Amieira, concelho de Niza, tinha iniciado a sua carreira profissional em Lisboa em 1895, com dez anos de idade. Começando a trabalhar na casa de fazendas "Barbosa & Barbosa"  (mais tarde adquirida pela "Eduardo Martins, & C.ª "), transitou, depois, para a papelaria "Estevão Nunes & Filhos", na Rua do Ouro. Aí deu os primeiros passos no ramo, a qual abandonou voluntáriamente para ingressar na "Papelaria Progresso", na mesma rua, onde aperfeiçoou os conhecimentos anteriormente adquiridos.


António Pina Vieira

Quanto à "Papelaria Vieira" (futura "Papelaria da Moda")  o jornal "A Capital" em Agosto de 1916, escrevia:

«Nos nos 167 e 169 está presentemente instalada a Papelaria Vieira, cuja especialidade consiste na venda de penas com tinta, tendo uma collecção enorme e riquissima.
Antes estava ali uma casa de brinquedos varios, pertencente ao sr. Antonio Candido de Menezes. Foi nessa loja que o palhaço Wythoine teve a sua tabacaria. É curiosa a historia d'esse palhaço, que trabalhou com Sechi e Alfano, no Circo Price, à esquina da travessa das Vaccas. Sahindo d'essa casa de espectaculos, Wythoine fundou a empresa de onde sahiu a do Colyseu dos Recreios, dando-lhe o nome "Lisbon Pavillon and Summer Garden's". Mais tarde, porém, como fosse posto fóra da empreza, fundou a tabacaria alludida, onde passou o resto da vida.
A papelaria Vieira está na antiga loja de Whythoine ha dois annos o maximo. Entretanto, conta já uma notavel clientella, recrutada na alta roda lisboeta, sendo notavel o negocio que ella faz de penas com tinta e dos respectivos acessorios. Na sua especialidade, esta casa virá dentro em pouco a ser uam das mais importantes de Lisboa.»




Interior da "Papelaria da Moda" aquando da "Semana dos Artistas", em 24 de Janeiro de 1928


1920


Carro alegórico da "Papelaria da Moda", nas "Festas da Cidade de Lisboa" em Junho de 1928

A, já "Papelaria da Moda", foi acolhida com lisonjeiro êxito e António Vieira soube imprimir-lhe todo aquele desenvolvimento que pretendia. Rápidamente cresceu o número de clientes e se tornaram exíguas as dependências, facto que levou o proprietário a ampliar o seu negócio ao prédio anexo, nos 171 e 173, após grandes obras de transformação e adaptação, que deram ao estabelecimento um belo aspecto, compatível com o progresso atingido.


Janeiro de 1930


"Papelaria da Moda", já propriedade da empresa "Vieira & Cª." viria a ser, a partir de 1935, importadora e representante para Portugal das canetas "Parker". A partir dos anos 50 do século XX passaria a importação desta marca de canetas, a ser feita por outra empresa da família a "Vialga - Representações S.A.R.L." sediada na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa.

Além de ser societário da "Papelaria Progresso", António Vieira fez parte, entre outras, da firma "Palhares, Lda.", com oficina de encadernação na Rua Almirante Pessanha, 11 e da "Relojoaria Girassol", por ele fundada na Rua do Ouro,161.


1930



1935


1936






1959

A "Papelaria da Moda", viria a sofrer obras de remodelação de interiores, em 1948 sob projecto do engenheiro Francisco Silva Mata. Em 1969 seria alvo de outra intervenção desta vez pelo arquitecto Raúl Hestnes Ferreira (1931-2018), tendo reaberto a 18 de Dezembro do mesmo ano, precisamente 8 anos após a reabertura da "Papelaria Progresso", após obras de renovação como já aqui referenciado.



1969



Variantes de montras da "Parker"

Por essa ocasião o jornal "Diário Popular" escrevia:

« (...) É curioso salientar que o seu fundador, Sr. António Pina Vieira, cerca de 1915, lançou no mercado português a caneta de tinta permanente.
Sendo, portanto, a mais antiga papelaria da Baixa, alia uma experiência de quase meio século a um sentido prático de actualização e bom gosto. As suas amplas secções de artigos de escritório, papelaria, pintura e desenho oferecem ao cliente a possibilidade de uma escolha fácil e a rápida aquisição de qualquer artigo.»


1949


1955

Maria Violante Vieira e Maria Antónia Vieira Gagean sucederam a seu pai António Pina Vieira, na firma "António Vieira, Lda." e à frente das "Papelaria Progresso", da "Papelaria da Moda", e do escritório "Vialga - Representações S.A.R.L", representante de diversas marcas como a "Parker", "Ronson" e outras. Maria Violante Vieira afastou-se da gerência nos anos 70 do século XX, para se dedicar exclusivamente ao "Comité Português para a UNICEF".



A "Papelaria da Moda" viria a encerrar, definitivamente, por volta de 2010, e em 2013 foi adquirida pela "Papelaria Fernandes" (fundada em 1891), passando a ser designada por "Papelaria Fernandes - Loja Moda". «A loja mantém o ênfase na escrita de prestígio, oferecendo ainda, uma oferta diversificada de gift, embalagem, papel e artigos de papelaria, bem como todos os exclusivos Papelaria Fernandes.»


2013


2018