Restos de Colecção

4 de maio de 2014

Primeira “Feira Popular de Lisboa”

Sob uma ideia de João Pereira Rosa (director do jornal «O Século»), em que uma Feira permitisse recolher fundos para a “Colónia Balnear Infantil de «O Século»”, Leitão de Barros, e Gustavo de Matos Sequeira criam a “Feira Popular de Lisboa”. Esta seria inaugurada pelo Presidente da República General Óscar Carmona e pelo Ministro das Obras Públicas e Comunicações engº Duarte Pacheco, além de outras individualidades, no “Parque José Maria Eugénio” na Palhavã, em 10 de Junho de 1943, onde anteriormente tinha estado instalado o “Jardim Zoológico de Lisboa” 45 anos antes.

Inauguração da “Feira Popular de Lisboa” na Palhavã em 10 de Junho de 1943

 

Rodagem do filme alusivo à inauguração, com publicidade ao sabonete “Feira Popular” e capa do “Século Ilustrado”

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Vista aérea com o “Bairro Azul à esquerda e a “Feira Popular” à direita

Outras feiras, algumas com características e objectivos diferentes,  já tinham existido em Lisboa, como: “Feira Franca”, “Feira do Lumiar”, “Feira do Campo Grande”, “Feira de Santos”, “Feira de Alcântara”, “Feira de Agosto”, etc. Alguns artigos serão elaborados acerca de algumas destas proximamente.

Na noite da sua inauguração, cerca de 90 mil lisboetas, acorreram á abertura do “Luna-Parque”. «à sua abertura, no Parque de Palhavã, acorreram dezenas de milhares de pessoas na ansia de assistir a um espectaculo de extraordinario bom gosto, de animação e de colorido» in Diário de Notícias.

“Parque José Maria Eugénio” na Palhavã

 

"Logo Á entrada tem o curioso visitante, no intermedio da Radio-Marconi, a possibilidade de dirigir saudações aos seus amigos das colonias e do estrangeiros. Depois, «stands» industriais e comerciais, e de livreiros e de imagineiros, e barracas de tiro ao alvo, e de refrescos, e de flores e manjericos. Mais adiante um casal saloio, da Rinchôa, o paraiso descoberto por Leal da Camara que ali descobriu bares graciosissimos; a presença dos «Amigos de Lisboa», u m canto de Montmartre  um recanto de Bucelas; esplanadas com cinema e variedades; sucursais dum restaurante e dum «dancing», do «Gambrinus» e de «Nina», e as típicas barracas da bela sardinha assada e do bom bife á cortadora, e das farturas; e um circo, e «Julia Mendes», onde uma revista moderna evocará as antigas; o «shoot» á baliza e a garrida Praça de Touros onde vacas bravas esperam os «aficionados» que depois podem discutir as «faenas» a vizinha «tertulia Tauromaquica».
Tudo isto e muito mais se encontra na Feira Popular ali a Palhavã, que ontem foi inaugurada e que durante todo o verão vai constituir o passeio predilecto dos «alfacinhas», dos classicos saudosistas das feiras das Amoreiras, de Belem e de Alcantara, do Campo Grande e do Parque Eduardo VII, onde tambem foi a Feira Franca do centenario da India, e teve a sua Feira de Verão, no local onde ainda está  o lago e onde se verão ainda muitas coisas até se saber se a Avenida por lá passa, e o que é que ali se passa ... " in Diario de Lisboa

 

 

 

 

Convite


Convite e bilhete gentilmente cedidos por Carlos Caria

 

 

Trono de Santo António de Lisboa

Feira na Palhavã.18 (trono de St. António)

Vistas nocturnas



Pavilhão de exposições da Câmara Municipal de Lisboa

 

Fila para espectáculo cinematográfico e sala de cinema

 



Instituto do Vinho do Porto


“Taverna Imparcial”

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A “Feira Popular de Lisboa” manteve-se na Palhavã entre 1943 e 1956. No último ano, multidões assistiriam às primeiras emissões da “RTP - Rádio Televisão Portuguesa”.

“Inauguração da Televisão em Portugal “ em 4 de Setembro de 1956

  

      

Alguns pavilhões erguidos nesta feira ao longo dos seus 13 anos de existência, todos eles inseridos em artigos desenvolvidos e publicados anteriormente, neste blog, com o link respectivo nas legendas.

                           “Oliva - Oficinas Metalúrgicas“                                                         “General Motors”

 

Stand da “Mabor - Manufactura Nacional de Borracha”

 

“Exposição Agronómica e Florestal”

 

                                   “General Motors”                                                       “Exposição do Ministério da Guerra”

 

Os equipamentos começaram a ser demolidos no ano de 1957, ano em em que a “Feira Popular de Lisboa” encerrou naquele local em definitivo.

A 24 de Junho de 1961 seria inaugurada a nova “Feira Popular de Lisboa”, continuando sob a égide da “Colónia Balnear Infantil de «O Século»” , em Entrecampos, nos terrenos anteriormente ocupados pelo “Mercado Geral de Gados”.

“Mercado Geral de Gados”

 

Nova “Feira Popular de Lisboa”, em Entrecampos inaugurada em 24 de Junho de 1961

 



Cinema da Feira Popular, mais tarde passou a Teatro designado de “Teatro Vasco Santana”

 

Acerca da história deste Teatro consultar, neste blog o seguinte link: “Teatro Vasco Santana”

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

2 de maio de 2014

Central Tejo

A “Central Tejo” , inicialmente denominada de “Estação Eléctrica Central Tejo”, foi uma central termoeléctrica, propriedade das “CRGE - Companhias Reunidas de Gás e Eletricidade”, que abasteceu de electricidade, toda a cidade e região de Lisboa. Está situada em Belém, Lisboa, e o seu período de atividade produtiva está compreendido entre 1909 e 1972, se bem que a partir de 1951 tenha sido utilizada como central de reserva, produzindo apenas para completar a oferta de energia das centrais hídricas.

Recordo que a “CRGE - Companhias Reunidas de Gás e Eletricidade”  foi constituída em 1891 e resultou da fusão entre a “Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás” (1848) e a “Companhia Gás de Lisboa” (1887), com a finalidade de produzir e distribuir gás e electricidade e obter contratos de exclusividade de fornecimento de energia à cidade de Lisboa.

                                              1942                                                                                       1946

    

A primitiva “Central Tejo”, popularmente conhecida como “Central da Junqueira”, cujos edifícios já não existem, foi construída em 1908, iniciou a laboração em 1909 e funcionou até 1921. Foi projetada pelo engenheiro Lucien Neu e a sua construção ficou a cargo da firma “Vieillard & Touzet” (Fernand Touzet)  a mesma firma que tinha sido responsável pelo projecto da “Garagem Auto-Palace” na Rua Alexandre Herculano em Lisboa.

A construção da casa das máquinas foi projectada e supervisionada pela empresa belga "Sofina - Societé Financière e d'Entreprises Industrialles" com sede em Bruxelas.

No apogeu da sua capacidade, a primitiva “Central Tejo” dispunha de quinze pequenas caldeiras Belleville e cinco grupos geradores que forneciam a rede eléctrica da cidade de Lisboa. O edifício apresentava um tipo de arquitectura característica das pequenas centrais eléctricas dos finais do século XIX, as então denominadas “fábricas de electricidade”. A sua planta correspondia a uma nave longitudinal coberta a duas vertentes e três pavilhões contíguos transversalmente do lado ocidental; entre eles, duas esbeltas chaminés dobravam a altura do corpo da fábrica e “vigiavam” o espaço. Nas suas fachadas Norte - Sul podia-se apreciar a inscrição: “1909 - Cªs Reunidas Gás e Electricidade - Estação Eléctrica Central Tejo”.

Esta primitiva “Central Tejo” foi programada para laborar durante um período de seis anos entre 1909 e 1914, até as CRGE conseguirem os meios necessários para a construção de um central de maiores dimensões e capacidade. Contudo, devido a dificuldades de financiamento e à eclosão da primeira Guerra Mundial nesse último ano, levou a que esta fase primitiva da “Central Tejo” se prolongasse e continuasse operativa até 1921.

 

Em 1914, a 10 metros de distância da Central Tejo I, foram iniciadas as obras de novos edifícios que viriam a ser ampliados várias vezes. O projecto incluía diversos corpos da fábrica: sala para seis caldeiras, uma sala de máquinas com capacidade para dois turbo-alternadores alemães AEG de 8MW de potência; e um edifício de comando e subestação de menor dimensão. Pouco tempo depois do início das obras, estalou a Primeira Grande Guerra, provocando atrasos em prazos estabelecidos e problemas na recepção dos turbo-alternadores encomendados à Alemanha, que permaneceram retidos até ao fim do conflito. Só em 1921 o plano estaria concluído.

Mas em 1922, em função do aumento dos consumos, foi de novo indispensável efectuar novos e importantes trabalhos na Central para aumentar a sala das caldeiras de baixa pressão. O programa elaborado pelas CRGE consistia na ampliação de uma nave industrial que alojaria três novas caldeiras de baixa pressão e a aquisição de um novo grupo gerador. Mais uma vez, no fim dos trabalhos em 1928 e pelas mesmas razões, decidiu-se optar por nova ampliação. Assim, no final dos anos trinta do século XX, existiam onze caldeiras em funcionamento e cinco turbo-grupos alternadores. Dez caldeiras “Babcock & Wilcox” (tecnologia britânica) e uma da marca “Humboldt” (origem alemã). A sala de máquinas alojava cinco grupos geradores de várias potências e diversas marcas: “Escher & Wiss”, “AEG”, “Stal-Asea” e “Escher Wiss-Thompson”. Ao longo deste período de 15 anos, também foram construídos os canais e dois sifões nas novas docas do circuito de refrigeração, o qual conduzia a água desde o rio até ao interior da Central.

 

        

 

Com o aumento de potência dos dois novos grupos turbo-alternadores AEG montados em 1934, foi necessária a instalação de novas caldeiras, que funcionassem com vapor de alta pressão. A construção foi feita nos terrenos anteriormente ocupados pela primitiva “Central Tejo”, a qual foi demolida em 1938 para a construção deste novo edifício das caldeiras de alta pressão, o edifício mais imponente do conjunto. O seu interior albergava três grandes caldeiras de alta pressão da marca “Babcock & Wilcox”, as quais começaram a funcionar em 1941.

 

Com a destruição da primitiva “Central Tejo” e instalação do edifício das caldeiras de alta pressão, houve necessidade de espaço para as oficinas e arrecadações. As CRGE compraram então os terrenos contíguos localizados no lado nascente do seu complexo, onde laborava a antiga refinaria de açúcar “Senna Sugar Estates, Ltd.” propriedade da “Companhia de Açúcar de Moçambique”. Foi também necessário criar uma sala de auxiliares, para tratamento de águas, a qual foi instalada no interior do edifício das caldeiras de baixa pressão, desmantelando as duas primeiras caldeiras.

Entretanto em 1944 é inaugurada a “Fábrica de Gás da Matinha”. substituindo a entretanto demolida junto à “Torre de Belém”.

Em 1950 o edifício das caldeiras de alta pressão, foi ampliado para incluir mais uma caldeira, que entrou ao serviço no ano seguinte e constituíu a última ampliação da central.

Após o encerramento e nacionalização das companhias eléctricas, decidiu-se dar uma nova vida a esta antiga central termoeléctrica, reabrindo-a com fins culturais. Em 1986 constituiu-se a primeira equipa responsável pelo “Museu da Electricidade”, que em 1990, abriu as suas portas ao público.

Entre 2001 e 2005 o Museu sofreu uma reestruturação profunda, desde todo o património arquitectónico até ao conteúdo museográfico. Finalmente, em 2006 o museu reabriu as suas portas, da responsabilidade da “Fundação EDP”, mas agora com um novo tipo de museologia, muito mais pedagógica e dinâmica.



 

Bibliografia: Foi consultado o site da Fundação EDP, da qual foram transcritos e adaptados alguns parágrafos.

fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Academic, Fundação EDP