Restos de Colecção

3 de janeiro de 2014

2 de janeiro de 2014

Livraria Ática

A “Editoral Ática, Limitada”, foi fundada em 1930 por Luiz de Montalvôr (1891-1947). De seu nome Luís Filipe de Saldanha da Gama da Silva Ramos, foi poeta , ensaísta, editor. A “Editoral Ática, Limitada” rapidamente se afirmou no panorama editorial português pelo aparato gráfico das suas edições, e pela criteriosa selecção de títulos, passando a designar-se “Ática S.A.R.L. Casa Editora” nos anos 40 do século XX.

Luiz de Montalvôr e Fernando Pessoa



A 7 de Dezembro de 1946, inaugura a livraria “Ática” na esquina da Rua do Carmo com a Rua Garrett, em Lisboa. O projecto desta livraria ficou a cargo do arquitecto Alberto Pessoa. No seu interior podia ser apreciado um painel de azulejos encomendado ao mestre Jorge Barradas.

Publicidade e artigo no “Mundo Literário” em Dezembro de 1946

     

Anteriormente esta loja tinha sido ocupada pelos “Secção de Turismo dos Caminhos de Ferro Alemães” entre 1942 e 1946 e anteriormente por uma loja de roupa feminina e, anteriormente a esta, outra que dava pelo topónimo “Cardoso dos chapéus”, que só vendia chapéus para senhora sendo a sua primeira designação comercial “Cardoso & Cardoso”, mais tarde abreviado para “Pepe Cardoso, Lda.”

                              “Cardoso dos Chapéus”                                “Secção de Turismo dos Caminhos de Ferro Alemães”

 

O exterior da livraria “Ática” ficaria igual à fotografia anterior, onde estava instalada a “Secção de Turismo dos Caminhos de Ferro Alemães”.

Luiz de Montalvôr - um dos poetas editor, colaborador e fundador da revista “Orpheu” em 1915 - não foi muito feliz na meteórica passagem pela “Editorial Ática”, que dirigia, pelo Chiado.

Orpheu

Mais tarde esta livraria mudar-se-ia para a Avenida da Liberdade.

Em 1942, Inicia a publicação das “Obras Completas de Fernando Pessoa”. Numa primeira fase dirigidas por Luiz de Montalvôr e João Gaspar Simões, a organização da obra foi posteriormente continuada sob a direcção de alguns dos nomes mais relevantes da cultura portuguesa, tais como Jacinto do Prado Coelho, Joel Serrão, Georg Rudolf Lind, David Mourão-Ferreira, Vitorino Nemésio ou Jorge de Sena. Editora exclusiva da obra de  Fernando Pessoa, de 1942 até à sua entrada no domínio público, foi a “Editorial Ática” a empresa responsável pela divulgação nacional e internacional da obra de Fernando Pessoa.
Em 1946, publicou as “Obras Completas de Mário de Sá-Carneiro”, e, mais tarde, a “Colecção Poesia”, cuja capa - desenhada por Almada Negreiros - se tornou uma referência da iconografia portuguesa do século XX.

 
 

 

Publicou “Noite de Satan”, “A Caminho” e “Arte Indígena Portuguesa”, em colaboração com Diogo de Macedo. Parte da sua obra poética foi publicada por várias revistas, entre as quais se destacam além da “Orpheu” e “Presença”, a “Exílio”, a “Athena” e “Seara Nova”.
Luiz de Montalvôr, viria a morrer afogado no rio Tejo, a 2 de Março de 1947, num acidente de viação que vitimou, igualmente, a sua mulher e o filho único de ambos, ficando ligada a uma fase pouco lucrativa da firma. Acidente? Suicídio? «Façamos com a dor, sem um queixume, / as guirlandas formosas desta vida!».

Artigo no “Mundo Literário” no nº 44 de 8 de Março de 1947

Março 1947


24 de Dezembro de 1947


1947


Chegou a ter uma sucursal na Rua das Chagas, em Lisboa.


Depois da livraria “Ática” ter encerrado na Rua Garrett, em 1950, o espaço seria ocupado pela “CRGE - Companhias Reunidas de Gaz e Electricidade” actual EDP, até ao grande incêndio do Chiado ocorrido em Agosto de 1988, em que o edifício foi totalmente destruído.

Actualmente, e depois da reconstrução da zona atingida pelo incêndio do Chiado em 1988, o estabelecimento tem uma aparência, e não só, completamente diferentes, e é ocupada pela loja da cadeia “Nespresso”.

Loja da “Nespresso”

 

Fernando Pessoa diria sobre o poeta Luiz de Montalvôr:

«Não nos ilude Luís de Montalvor na expressão essencial dos seus versos: vive num mundo seu, como todos nós; mas vive com vida num mundo seu, ao passo que a maioria, em verso ou prosa, morre o universo que involuntariamente cria.»
 
fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa

31 de dezembro de 2013

Nota aos Leitores

A partir de quinta-feira dia 2 de Janeiro de 2014, os futuros artigos cujas fotos sejam contextualizadas com apontamentos históricos, serão disponibilizados em formato PDF.


O documento PDF poderá ser baixado (download) clicando na imagem/link disponibilizada nos finais dos artigos em questão.

Certo que esta nova disponibilidade será do vosso agrado, estarei, contudo e como habitualmente, receptivo a eventuais reparos, críticas e sugestões dos estimados leitores.


Aproveito esta mensagem para desejar a todos os leitores, seguidores e amigos deste blog, um feliz Ano Novo de 2014  e umas Boas Festas.


José Leite

Antigamente (87)

Base Aérea das Lajes

“Junta Geral para a Desratização” no Funchal

«Packard» junto ao Hotel do Parque no Estoril em 1927

Seca do bacalhau na Figueira da Foz

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Delcampe.net

29 de dezembro de 2013

Pastelaria “Versailles”

Em 25 de Novembro de 1922 era inaugurada a "Patisserie Versailles", na Avenida da República, 15-A, no bairro da "Avenidas Novas" em Lisboa, e propriedade da firma “Antunes & Vinhais, Lda.” cujos sócios eram Salvador José Antunes  e José Monteiro Vinhais.

“Patisserie Versailles” nos anos 20 do século XX

              Salvador José  Antunes                                                       Anúncio em “A Capital”

        

A “Patisserie Versailles” ocupou a loja do edifício mandado construir, em 1919,  por João Antunes Lopes e projectado pelo arquitecto Manuel Norte Júnior. O edifício foi construído por José Tomás de Sousa.

No dia seguinte à inauguração o jornal “Diário de Lisboa” escrevia:

«É verdadeiramente notavel a nova casa de chá. Desde os lindos quadros do pintor Bemvindo Ceia, evocando os lagos maravilhososo de Versailles, até aos belos trabalhos de talha do construtor Fausto Fernandes, toda ela está rigorosamente no estilo de Luís XV.
A Patisserie Versailles, além de pastelaria, a cargo do conhecido pasteleiro madrileno Mariano Rey e do serviço de chá e de charcuterie, está plenamente habilitada ao fornecimento de qualquer serviço para fóra, para soirées, casamentos, etc. Assim qualquer pessoa que queira dar uma festa em sua casa será prontamente servida, sem as demoras que teria, não existindo no bairro tal estabelecimento.
O arquitecto Norte Junior, que delineou, de acordo com o sr. Salvador José Antunes, todo o plano, é digno dos maiores elogios. A «Patisserie Versailles» ficou sendo, de todos os estabelecimentos do genero, o melhor da capital e dos melhores da peninsula.»

1932

Exterior da “Versailles” e quarteirão na Avenida da República onde está inserida

 

Interiores da “Versailles” em 1978


O nome de “Patisserie Versailles”, manteve-se até 1926, ano em que foram proibidas designações com palavras estrangeiras. A “Versailles”, teve, desde início, fabrico próprio de bombons e de amêndoas, assim como vasto sortido de tabletes de chocolate, adquiridas nas melhores fábricas de chocolates do país.

«Este estabelecimento, além de pastelaria, de “charcuterie” e do serviço de chá, encarrega-se de qualquer serviço de casamento, “soirée”, etc. Basta para isso tocar para o 3219 Central.»

Edifício da “Versailles” antes da sua restauração em 1987

Em 1985 são efectuadas obras de alteração na pastelaria, adaptando a “Versailles”  a restaurante e salão de chá, com restauro das pinturas e ornamentação. Substitui os balcões por um corrido, e  instala de novas mesas e cadeiras na parte sobrelevada da sala, revestindo o seu pavimento com carpete. Cria, igualmente, novas instalações sanitárias, revestidas a mármore.

 

 

Detalhes da decoração interior

 

 

 

Em 1987 a proprietária do edifício, D. Angélica Nogueira das Neves,  transforma o mesmo em regime de propriedade horizontal, e em 2004 são efectuadas obras de recuperação da fachada principal, com reboco e pintura a amarelo, limpeza das cantarias e reparação dos gradeamentos.

     

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Lisboa, Pastelaria Versailles