4 de maio de 2012

Teatro Nacional D. Maria II

O “Teatro Nacional D. Maria II”  foi construído no mesmo lugar onde outrora se situava o Palácio da Inquisição, mais tarde o Paço dos Estaus e por fim o Palácio da Regência tendo sido destruído pelo Terramoto de 1755.

«Em 1449, iniciou-se a sua construção, no Bairro do Conde de Ourém, ao Rossio, no local onde está hoje o Teatro Nacional Dona Maria II. Nele se alojavam as personagens estrangeiras que visitavam a Corte portuguesa no século XV. No século XIX, o edifício integrava-se na praça onde os lisboetas passeavam pacatamente.» in Rocio/Rossio .Terreiro da Cidade.

 

Na sequência da revolução de 9 de setembro de 1836, Passos Manuel assume a direção do Governo e uma das medidas que tomou nesse mesmo ano foi encarregar, por portaria régia, o escritor e político Almeida Garrett de pensar o teatro português em termos globais e incumbi-lo de apresentar «sem perda de tempo, um plano para a fundação e organização de um teatro nacional, o qual, sendo uma escola de bom gosto, contribua para a civilização e aperfeiçoamento moral da nação portuguesa».

Por esse mesmo decreto, Almeida Garrett ficou encarregue de criar a Inspeção-Geral dos Teatros e Espetáculos Nacionais e o Conservatório Geral de Arte Dramática, instituir prémios de dramaturgia, regular direitos autorais e edificar um Teatro Nacional «em que decentemente se pudessem representar os dramas nacionais».

                                                                                      Almeida Garrett

                                                                

Almeida Garrett, nomeado inspetor geral dos "Teatros e Espectaculos Nacionaes", redige um ofício ao governo do Reino, datado de Dezembro de 1836, solicitando o Palácio do Tesouro, ao Rossio, para as instalações do Teatro Nacional. Luigi Chiari foi o arquiteto escolhido para o 1.º projeto que, rapidamente, foi abandonado; embora tivesse muita qualidade, este era extremamente caro.

Entre 1836, data da criação legal do Teatro Nacional, e 1846, o já existente e degradado Teatro da Rua dos Condes  funcionou desde 1765 como provisório Teatro Nacional função que dividia com oTeatro do Salitre. O seu público eram as classes médias e baixas da sociedade portuguesa e, em 1837, o  Padre José Agostinho de Macedo falava no «denso e fedorento vapor de sebo e azeite de peixe (...) vai o pingado pano acima, em que eternas teias de aranha formam ou barambases ou bambolinas». Já William Beckford, viajante inglês que viveu algum tempo em Portugal (1797) afirmara que o Teatro da Rua dos Condes" «era baixo e estreito, o palco uma pequena galeria e os actores, pois não há actrizes abaixo de toda a crítica». O Condes, para o inglês, era «mais tolerável do que o Salitre, mas mesmo assim bastante pobre». in: O Inferno

                                                                           “Teatro da Rua dos Condes

Por vicissitudes políticas, somente em 1840, com Garrett já deputado, se renovaria a ideia do teatro. Cria-se uma comissão promotora da construção do edifício, escolhendo-se o local do antigo “Palácio dos Estaús”, ao Rossio. Abre-se um concurso internacional, cujo júri recusa os seis projetos apresentados. Fora de prazo surge um projeto de ótima qualidade, de Fortunato Lodi, contestado por Garrett e Herculano, que não viam com bons olhos a intervenção dum artista estrangeiro. Graças ao Conde de Farrobo, cunhado de Lodi, o projeto vence com a aprovação do governo e as obras iniciam-se em 1842.

 

História do “Teatro Nacional D. Maria II” até 1863 na revista “Archivo Pittoresco” de 1863

  

Integrado nas festividades do 27º aniversário da Rainha Dona Maria II ( de seu nome completo: Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança ), filha do Rei D. Pedro IV (imperador do Brasil como D. Pedro I), o teatro inaugura em 13 de Abril de 1846 com a peça de Álvaro Gonçalves, «O Magriço e os Doze de Inglaterra», um original oferecido por Jacinto Heliodoro de Faria Aguiar de Loureiro. O aniversário da Rainha D. Maria II era a 4 de Abril, mas como este dia coincidia com as festas da semana santa, os festejos foram adiados para o dia 13.

                                                                

                                                          

Teatro Nacional D. Maria II em 1868

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Teatro Nacional D. Maria II nos anos 40 do século XX

Interior antes do incêndio de 1964

Átrio

 

                                      Salão Nobre                                                             Camarim de Robles Monteiro

 

Toda a fachada e frontão foram modelados e esculpidos pelo insigne discípulo de Machado de Castro, Francisco Assis Rodrigues, este em colaboração com António Manuel da Fonseca, ambos professores da Academia de Belas Artes. A fachada principal do edifício sugere um templo grego, sendo guarnecida dum nobre peristilo neoclássico sustentado por seis grandes colunas jónicas que haviam pertencido à fachada da desaparecida igreja de S. Francisco da Cidade, e o seu frontão que ostentava o Escudo Real foi substituído depois pelo grupo Apolo (ou Zeus) e as Musas, e encimado com as estátuas de Gil Vicente, de Tália e de Melpomene.

Durante um largo período de tempo, o Teatro Nacional foi gerido por sociedades de artistas que, por concurso, se habilitavam à sua gestão. Após a implantação da República passou a chamar-se “Teatro Nacional de Almeida Garrett”.

                                                                       “Teatro Nacional Almeida Garrett”

                                  Teatro Nacional Almeida Garrett 1910.1

       

                                                                                    Preços em 1910

                                 

         

                                       

A gestão mais duradoura foi a da “Companhia Amélia Rey Colaço / Robles Monteiro” ( companhia de teatro mais duradoura da Europa) que permaneceu neste teatro de 1929 a 1966, mas a mais célebre terá sido a da companhia Rosas e Brasão, entre 1881 e 1898, durante a qual foi ousada uma mudança de reportório sendo apresentadas as primeiras criações de peças de Shakespeare em Portugal.   

                                             

                                                                                            1930   

                                          

Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro numa foto de 1948

Amália Rey Colaço e Robles Monteiro 1948

                                                                  Artigo publicado em Março de 1930

         

              Programa de 1963-1964   Bilhete

Planta e preçário de 1953

                 Recibo do registo de entrega da peça RTX 78/24 de António Gedeão, ao Comissariado do Governo

                                                    

Em 2 de Dezembro de 1964 pelas quatro e vinte da madrugada, o “Teatro Nacional D. Maria II ”  sofre um violento incêndio que apenas poupou as paredes exteriores e a entrada do edifício. Foi nomeada uma comissão para a sua reconstrução imediata pelo então Ministro das Obras Públicas, Engº Arantes e Oliveira, tendo sido nomeado para a chefiar o arquitecto Guilherme Rebelo de Andrade. Este arquitecto já tinha sido responsável pela reconstrução do “Palácio Nacional de Queluz” em 1934 e pela renovação do “Teatro Nacional de S. Carlos”  em 1940.

                                                                 Imagens do incêndio no Teatro Nacional

 

                                                      Sala de espectáculos reconstruída depois do incêndio

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Biblioteca Nacional Digital, Arquivo Nacional da Torre do Tombo

O interior do edifício foi totalmente reconstruído respeitando o original estilo neoclássico tendo reaberto as suas portas só em 11 de Maio de 1978, com a apresentação do «Auto da Geração Humana», atribuído a Gil Vicente e, «O Alfageme de Santarém», de Almeida Garrett. O Teatro Nacional foi reconstruído e modernizado em relação à anterior estrutura: as oficinas de construção e montagem de cenários são subterrâneas e o palco é rotativo e possui elevador. Na cave estão o arquivo e respetiva biblioteca e, no último piso, a "Sala Estúdio".

Na sua reabertura foi muito discutida em grande polémica, o nome mantido de “Teatro Nacional D. Maria II “. Muitos artistas e políticos defendiam a mudança de nome para “Teatro Nacional Almeida Garrett”.

                                                                               11 de Maio de 1978

                                                             

Em Março de 2004, o “Teatro Nacional D. Maria II “ foi transformado em sociedade anónima de capitais públicos, passando a ser gerido por administração própria e sujeito à superintendência e tutela dos Ministérios das Finanças e da Cultura. Em 2007, é integrado no sector empresarial do Estado.

                                                                 

O “Teatro Nacional D. Maria II “ actualmente, possui duas salas: “Sala Garrett”, com 436 lugares e a pequena “Sala Estúdio” com 91 lugares

       

                                 

          

         

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