22 de abril de 2013

CTT na Exposição de Obras Públicas

Em 1948, com representação da “Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones”, o sector das telecomunicações participou activamente na Exposição “15 anos de Obras Públicas”.

No início de 1948, com os últimos preparativos para a abertura da Exposição “15 Anos de Obras Públicas 1932-1947” instalada no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, fechava-se o primeiro ciclo da política de “grandes obras” do Estado Novo iniciada em 1932. Nesta data fora criado o Ministério das Obras Públicas e Comunicações que, ao longo dos anos 30, concebeu diversos planos de renovação e ampliação das infra-estruturas do País, onde se incluiu a remodelação da rede telefónica nacional.

                       

Coincidindo com a separação, em dois Ministérios, das Comunicações e das Obras Públicas em 1947, a iniciativa de realizar a Exposição no ano seguinte partiu do ministro das Obras Públicas, José Frederico Ulrich. Antevia-se então um conjunto de stands alusivos às diversas áreas abrangidas por acção dos quinze anos ali celebrados. Os trabalhos de exibição dividiram-se em três grandes parcelas expositivas: Urbanização, Hidráulica e Comunicações, pertencendo a esta última a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT).

                       

A participação dos CTT foi requerida pelo MOP - Ministério das Obras Públicas com um ano de antecedência, sob o anúncio de que este pretendia celebrar em 1948 congressos de engenharia e arquitectura bem como uma exposição das mesmas técnicas para relembrar o que se tem feito nos 15 anos de existência do antigo Ministério das Obras Públicas e Comunicações. Para esta mostra deveriam contribuir todos os recursos, como gráficos, mapas, fotografias e filmes, planificando-se, ao longo dos meses seguintes, a imagem do respectivo stand.

 

                                 

 

O lugar encontrado no I.S.T. para acomodar o espaço das telecomunicações situava-se no lado poente do complexo de edifícios, último bloco a norte, todo ele entregue aos meios de Comunicação. Aproveitando todo o recinto, armaram-se várias montras em redor da sala, disposta com um corpo central circular, à entrada do qual se podia ler a legenda “Correios, Telégrafos e Telefones”. Do lado direito enquadrava-se um diagrama referente à actividade do organismo entre 1932 e 1947, destacando as fases principais de reforma dos serviços. Seguiam-se 22 gráficos a cores, indicadores de evolução geral dos CTT e 24 fotografias de instalações de telecomunicações. No centro do corredor exibia-se um gráfico animado, onde três ampulhetas de líquido colorido simulavam as velocidades de escoamento do tráfego telefónico para os anos de 1935, 1942 e 1947. No escaparate seguinte viam-se troços de cabos e miniaturas de postes telefónicos, montados com travessas e esquadros, ao lado dos quais se apresentavam outros 3 diagramas que desenhavam os contornos de Portugal Continental e a evolução da automatização pelos vários pontos do país.

                                   

                                                           

                                 

Preenchendo o aparato de imagens e maquetas indicavam-se as despesas realizadas na sequência do plano de remodelação da rede nacional. Directamente acessível ao público encontrava-se material telefónico com uma estação semi-automática de 50 linhas ligadas a 4 telefones que, colocados sobre o balcão, podiam ser experimentados pelos visitantes. Entre os aparelhos expostos destacavam-se os telefones “ATM” (sistema automático), os teleimpressores «Creed» (recentemente introduzidos) e material radioeléctrico. Um quadro iluminado por efeitos de luz simulava uma comunicação local através de uma estação automática. A exposição terminava então com um conjunto vasto de fotografias dos edifícios dos CTT e a frase do engenheiro Duarte Pacheco: «É bem mais fácil passar do agora existente ao óptimo, que do herdado ao que já temos».

                   

                     

Os anos seguintes, embora pautados por dificuldades financeiras, permitiram ao sistema automático expandir-se para novas áreas rurais do país, fazendo crescer significativamente o peso das comunicações telefónicas em Portugal.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

6 comentários:

Fernando Bernardo disse...

Caro José Leite,
Renovando os meus parabéns pela excelência do blogue, deixo alguns dados de marcofilia e filatelia sobre esta exposição: http://emblogadafilatelica.blogspot.ch/

Cumprimentos,
F.Bernardo

José Leite disse...

Caro Fernando Bernardo

Muito grato pelo seu comentário e pelas sua amáveis palavras.

Os meus cumprimentos

José Leite

lis disse...

Parabéns pelo excelente blog_ gostei de passear por aqui principalmente pelos mares, suas embarcações e navegadores.
abraços

José Leite disse...

"lis" ...

Agradeço o seu comentário e as suas amáveis palavras.

Os meus cumprimentos

José Leite

Cat B disse...

Olá,

Obrigada por este post! No entanto gostava de perguntar se conhece alguma coisa acerca dos serviços de cinema dos CTT, ou relativamente ao centro de formação que aparentemente era quem produzia os filmes.

Obrigada,

Catarina

José Leite disse...

D. Catarina

Acerca do que me pede não conheço nada, infelizmente

Os meus cumprimentos

José Leite