2 de novembro de 2010

Os Navios-Escola “Sagres”

Navio-Escola é uma embarcação, muitas vezes sendo uma réplica histórica e melhorada de uma belonave (qualquer embarcação, fluvial ou marítima, para ser utilizada em combate) antiga, que brilhou em combate numa parte da história naval, cuja principal função é propiciar instrução de marinharia, guerra e náutica, para aspirantes a oficiais das diversas academias ou escolas militares de marinha.

A corveta “Sagres”, também referida por “Sagres I”, foi construída em madeira, pelos estaleiros ingleses Young de Londres. Foi entregue em 1858, e tratava-se de uma corveta mista (propulsão a velas a vapor). Esteve ao serviço entre os anos de 1858 e 1898

                                                             Corveta “Sagres” em Massarelos no rio Douro

                                 

características:

Deslocamento: 1381 tons.
Dimensões: 62,4 (comprimento) x 9,9 (boca) x 4,4 (calado) em metros
Armamento ( em 1858): 10 peças: ( em 1892): 4 peças de 76 mm:
Propulsão: 1 máquina de baixa pressão de 300 h.p. - 1 veio, atingindo a velocidade de 12,6 nós
Guarnição: 137 homens

Ao longo da sua carreira de 40 anos desempenhou missões diplomáticas e coloniais. Em 1876 deixou de navegar, sendo transformada em Escola de Alunos Marinheiros, estando permanentemente ancorada em Massarelos no rio Douro na cidade do Porto até 1898.

O navio-escola “Sagres II” , foi construído nos estaleiros Rickmers Werft em Bremerhafen, na Alemanha e lançado à água em 1896 e colocado ao serviço do armador Rickmers Reismühlen, com o nome “Rickmer Rickmers”. Em 1912 foi rebatizado de “Max”, depois de ter sido vendido a um armador de Hamburgo.

Na I Guerra Mundial, e em consequência de Portugal ter decretado o apresamento dos navios alemães e austro-húngaros ancorados nos portos portugueses, o “Max”, que se encontrava,  no porto da cidade da Horta, nos Açores, no ano de 1916, foi apresado. Foi posteriormente emprestado ao Reino Unido e durante o resto da guerra, o navio foi usado pelos britânicos, com o nome “Flores”

Em 1924 o navio foi devolvido a Portugal e passou a integrar a marinha portuguesa com o nome de NRP “Sagres”. Em 1927, foi decidida a sua conversão em navio-escola para cadetes da Escola Naval. Como já tinha existido um navio com a mesma finalidade , a corveta, também de seu nome “Sagres”, esta NRP “Sagres” passou a ser conhecida pela Sagres II.

                        Navio-escola NRP “Sagres”                             em Hamburgo com o nome de “Rickmer Rickmers”

        

características:

Deslocamento: 3 176 tons.
Dimensões: 80,1 (comprimento)* 12,2 (boca) * 5,7 (calado) em metros
Armamento: 4 peças de salva de 47 mm.
Propulsão: 2 motores diesel Krupp de 70 b.h.p. 1 veio
Velocidade: 8 nós (a motor)
Guarnição: 181 + 196 cadetes

Quando em 1962, esta navio foi substituído pelo Sagres III, foi renomeado de “Santo André”. Em 1973 foi entregue a uma associação naval alemã,em troca do veleiro “Polar” que o restaurou e o transformou em navio museu, ancorado, no porto de Hamburgo, com o nome original “Rickmer Rickmers”.

O actual, e terceiro,  navio-escola “Sagres”, por isso conhecido por “Sagres III”, foi construído nos estaleiros da Blohm & Voss, em Hamburgo em 1937, para desempenhar funções como navio-escola da marinha alemã, com o nome de “Albert Leo Schlageter”.

Na II Guerra Mundial foi apresado pelos Estado-Unidos da América e em 1948, vendido pelo valor simbólico de 5.000 US$ , à Marinha do Brasil, para navio-escola, mudando o nome para “Guanabara”. Ficou na posse do Brasil até 1961, ano em que foi adquirido pela Marinha Portuguesa por 150.000 US$, tendo entrado ao serviço de Portugal em 8 de Fevereiro de 1962

                                                                                Navio-Escola “Sagres”

                                      

características:

Deslocamento: 1 869 tons.
Dimensões: 70 (comprimento) * 12 (boca) * 5,2 ( calado) em metros
Armamento: 2 peças de salva de 47 mm.
Área vélica: 1935 metros quadrados
Propulsão: 2 motores diesel MTU 12V 183 TE92 - 1 veio
Velocidade: 10,5 nós ( a motor )
Guarnição: 162 + 200 cadetes

Ao serviço da marinha portuguesa já deu duas voltas ao mundo, a primeira em 1978-1979 e a segunda em 1983-1984. Em 19 de Janeiro de 2010 partiu para a terceira volta ao mundo. No total, a viagem terá uma duração estimada de 339 dias, dos quais 71 por cento a navegar e 29 por cento nos portos.

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