Restos de Colecção

30 de agosto de 2020

Inauguração da Carreira Rossio-Castelo

Foi em 10 de Agosto de 1959, que foi inaugurada a carreira nº 37 da "Companhia Carris de Ferro de Lisboa" (C.C.F.L.) e que passava a ligar o Rossio (Praça D. Pedro IV) ao Castelo de São Jorge.



Em primeiro plano, à direita, John Smith e Brigadeiro Salvação Barreto junto à janela

Esta carreira era o culminar duma promessa lançada em 19 de Janeiro do mesmo ano, pelo Presidente da CML tenente-coronel Álvaro Salvação Barreto e vice-presidente Luís Pastor de Macedo, aquando da inauguração do posto de informação turística , para portugueses e estrangeiros no Paço da Alcácova no Castelo de São Jorge: 

«Para facilitar o acesso rápido àquele monumento nacional está a pensar-se em estabelecer - após o alargamento do Largo das Portas do Sol - uma carreira de autocarros entre o Rossio e o Largo Rodrigues de Freitas.»

O autocarro inaugural saiu do Rossio ás 13 horas, nele seguindo, além dos presidente e vice-presidente da CML, dos vereadores e dos directores de serviços, diversos convidados, entre os quais César Moreira Baptista, secretário nacional do "Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo" (SNI), John Smith, administrador-geral da C.C.F.L., os representantes da Imprensa, entre outros e aos quais foi, depois, oferecido um almoço no restaurante "Casa do Leão".


Cartão e menú gentilmente cedidos por Carlos Caria



Modelo de autocarro que passou a assegurar as ligações, ainda com volante à direita

César Moreira Baptista, secretário nacional do SNI a discursar

No dia da inauguração o jornal "Diario de Lisbôa" informava:

«A nova carreira - ao preço único de um escudo - tem o seguinte horário, tanto aos Domingos como aos dias úteis: partidas do Rossio, das 10 horas ás 18 e 30, de meia em meia hora, e do Castelo, das 10 e 15 ás 18 e 45, também com o intervalo de 30 minutos.»

Visita ao Castelo de São Jorge, por ocasião da primeira reunião Olissiponense

Autocarro 37 estacionado no Rossio por altura das obras do Metropolitano

Percurso complicado, nos anos 80 do século XX

Empanado no Rossio em 17 de Outubro de 1983

Esta carreira viria a ser substituída pela 737 e liga actualmente a Praça da Figueira ao Castelo de São Jorge.


fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

24 de agosto de 2020

Antigamente (152)

 Orquestra de Teatro no início do século XX

Cartaz do "Luna Parque" inaugurado em 2 de Julho de 1933


Acerca da história desta parque de diversões, que esteve localizado no Parque Eduardo VII, consultar neste blog o seguinte link:  "Luna Parque" de Lisboa

Carro publicitário ao "Depósito da Covilhã", em 1926

Publicidade às películas fotográficas "Ferrania" em equipamento montado pela "ERL" na Parede e sua localização junto à Estrada Marginal

Acerca da história da empresa de néons e publicidade "ERL - Electro Reclamo, Limitada", consultar os seguinte link:  "Electro Reclamo, Limitada"

fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital de Lisboa 

21 de dezembro de 2019

Pastelaria "Tique-Taque"

O Café, Pastelaria, Salão de Chá, Charcutaria e Snack-Bar “Tique-Taque”, localizado na Avenida de Roma, 29-B, e propriedade da firma “A Tentadora, Lda.”, abriu as suas portas em 1957. O seu projecto foi da autoria da dupla de arquitectos Victor Palla (1922-2006) e Joaquim Bento d'Almeida (1918-1997).



Na galeria superior, ficava o bar, com mesas encostadas à janela, por onde entrava luz natural. O termo americano de snack-bar definia um estabelecimento caracterizado por um serviço de refeições rápidas ao balcão, corrido e com cadeiras altas.

Fotogramas do interior da Pastelaria "Tique-Taque" retirados do filme "Rapazes de Táxis" realizado por Constantino Esteves em 1965


A Olaio - Móveis e Decorações, empresa que se distinguia por escolher artistas para desenharem e industrializarem diversos modelos de mobiliário, forneceu os móveis. No caso das cadeiras dos balcões e mesas, foi desenhada a estrutura e suporte e utilizado um assento fabricado em madeira prensada modelo "Pagholz", com representação exclusiva da "Elga, Lda.". A decoração seria ainda enriquecida com um painel da autoria de Júlio Pomar.

Sua localização, na Avenida de Roma, dentro da elipse desenhada


Fotograma retirado do mesmo filme referido anteriormente


A pastelaria “Tique-Taque”, cuja construção ficou a cargo da empresa de construções “R. Touzet Construções Civis” abriu como sucursal de “A Tentadora, Lda.” proprietária da pastelaria com o mesmo nome e localizada na Rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique, desde 5 de Fevereiro de 1912, e que ainda hoje existe.


Pastelaria "A Tentadora”, no edifício de gaveto da Rua Saraiva de Carvalho com a Rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique


1913


Pastelaria “A Tentadora”


Nota: poderá consultar a história ilustrada deste estabelecimento, neste blog, no seguinte link:  Pastelaria "A Tentadora"

Quanto ao “Tique-Taque” …
«As suas magníficas instalações têm servido para actos de natureza diversa, como recepções a artistas de grande categoria, que neles têm sido homenageados com o esplêndido serviço de pastelaria considerado o melhor de Lisboa.»

                                              1957                                                                                        1958



A pastelaria “Tique-Taque” terá encerrado definitivamente nos anos 90 do século XX. No seu lugar está hoje instalada uma … «loja do chinês», de seu nome “Bazar Chinez Roma”.


“Bazar Chinez Roma”, em imagem retirada do "Google Maps"




fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital de Lisboa 

15 de dezembro de 2019

Fábrica de Tecidos de Seda

A "Fábrica de Tecidos de Seda", foi fundada em 1855 por Francisco José Nogueira, na Rua da Alegria, na cidade do Porto.


1913


Francisco José Nogueira nasceu em 1826 e, desde cedo, dedicou-se à arte tecelão. Em 1855, inaugurou a sua fábrica. Os seus produtos:as sedas,os cetins e os veludos inundaram o mercado, por diversas vezes foram presentes em exposições, nomeadamente a Exposição Internacional de 1865, a Exposição de Siricicultura de 1866 entre outras. Nos finais do século XIX, Francisco José Nogueira fazia parte do leque dos notáveis industriais do sector das sedas.

  Francisco José Nogueira


A sua fábrica, além de constituir uma unidade muito particular no sector, dispunha já de uma máquina a vapor cilíndrica, demonstrando um investimento tecnológico na época.






Em 1920 José Vitorino Ribeiro descrevia, deste modo, uma sala da "Fábrica de Tecidos de Seda":

«É nesta sala que se prepara e ordena todo o expediente dos serviços da fabrica, no tocante aos trabalhos a iniciar ou já em andamento. Representa o reservatorio de nutrição do machinismo, o orgão destributivo da matéria-prima que, depois de submetida às diversas phases de fabrico, se transforma nas differentes especies de tecidos, em todas as larguras, côres e qualidades adapataveis às numerosas utilizadas de adorno e de vestuário, desde a simples fita de chapéu de homem até ao estofo precioso das toilettes femininas de cerimónia.»





Em 1883, Francisco José Nogueira entrega a direcção da empresa a António Francisco Nogueira, seu filho, passando a mesma a designar-se por "F. J. Nogueira, Filho & Cª." Este realizaria vários investimentos na empresa, aumentando-a e diversificando os sectores. As suas capacidades viria a ser reconhecidas quando assume o cargo de Presidente da "Associação Industrial Portuense" (fundada em Maio de 1849), entre 1903 e 1908.

Stand na "Exposição Industrial Portugueza" no "Palácio das Exposições e Festas" em 3 de Outubro de 1932


Dezembro de 1907


A empresa passou por vários ciclos, tendo encerrado nos inícios dos anos 70. Actualmente, o espaço da antiga "Fábrica de Tecidos de Seda" foi adaptado ao Centro Comercial que se estende desde a Rua da Alegria até à Rua Fernandes Tomás. Primeiramente sob o nome de "Porto Gran Plaza" - Shopping Center, tendo mudado de designação para o actual o "La Vie Porto Baixa" - Shopping Center.


Frente do "La Vie Porto Baixa" - Shopping Center. para a Rua da Alegria




8 de dezembro de 2019

Pastelaria "Smarta"

A pastelaria, salão de chá e restaurante "Smarta", foi inaugurada na Rua Rodrigues Sampaio, 52 esquina com a Rua Barata Salgueiro, em Lisboa, no dia 16 de Setembro de 1944, tendo os seus fundadores os irmãos José Quintas Martins e Sentório Martins.

21 de Dezembro de 1944


Edifício e pastelaria "Smarta" em foto de Julho de 1964


1 de Outubro de 1944


No dia da sua inauguração o jornal "Diario de Lisbôa" escrevia:
«Dia a dia, a cidade de Lisboa progride, acentuando-se os seus melhoramentos e iniciativas. Ainda esta tarde se verificou um grande acontecimento: a inauguração duma casa moderna - elegante, restaurante, salão de chá e pastelaria - denominada "Smarta", na Rua Rodrigues Sampaio, 52-C.
A visão panoramica da casa que hoje nasceu para o comercio lisboeta traça-se em duas linhas: ambiente moderno, confortavel e artístico; linhas simples e sobrias; instalações á altura da categoria do grande estabelecimento.
Isto mesmo tiveram ocasião de verificar as centenas de pessoas que acorreram á inauguração. Foi uma verdadeira consagração. Varios oradores, e pessoas de grande categoria social enalteceram o espirito de inicitaiva daqueles que a dirigem, os irmãos Quinta e Sentorio Martins e tiveram a iniciativa de montar "Smarta" - uma iniciativa que hora a capital.»

Outra notícia na revista "Mundo Gráfico" em 30 de Outubro de 1944


No mesmo dia e na mesma revista ...


E quanto às primeiras impressões, em 31 de Outubro de 1944 ...


A propósito da pastelaria "Smarta" e sua frequência, transcrevo o seguinte excerto, do conto "Desportos de Inverno", do escritor Luis Forjaz Trigueiros (1915-2000), e publicado no livro "Terminologias do Turismo", de Patrícia Peralta Ferreira editado pela "Edizioni Nuova Cultura" em 2013:
«Há uma dignidade sui generis na Smarta, com sua ambiguidade de freguesia ou função.Um certo burguesismo inofensivo na plataforma do five o'clock tea, senhoras serôdias, cansadas das compras nos saldos do bairro ou que, vindas da Baixa, esperam ali o fim da hora de ponta para conseguirem um lugar no autocarro e lograrem uma espécie de comunicação humana nem que seja só nos olhos curiosos, muito atentos aos outros, e que lhes falta na exiguidade dos dois quartos assoalhados onde vão enclausurando seus dias sem cor.
Lá em baixo, ao balcão, é diferente, e rapazes e raparigas muito novos ainda, ou jovens empregados na área, que emborcam a qualquer hora, num bom intervalo fugidio, o seu "galão" nutritivo, que depois do trabalho virão ao encontro com o amigo exigente ou à matinée das seis e meia e acabam as mais das vezes por jantar apenas outro "galão", ou, em casa, a sopa de pacote.
Na cave do restaurante, a maioria é composta por turistas médios, estrangeiros que até no inverno nos cobiçam o sol, pessoas dotadas do bem inestimável de acharem graça a tudo, saborearem tudo.
A cave da Smarta, essa tem mais carácter, podia ter sido uma espécie de mini-Lipp (1) lisboeta, com suas ceias nocturnas, depois do teatro ou do cinema, quando, à volta de 1960, ali se juntavam, noite fora, escritores ou artistas, uma certa boémia resignada a um certo conforto.»
(1) célebre brasserie parisiense frequentada por artistas, intelectuais e políticos.

20 de Dezembro de 1944


1 de Janeiro de 1945


Quanto ao último parágrafo da citação anterior, acrescento que se reunia na "Smarta" a tertúlia dos neo-realistas onde se destacavam Alexandre Pinheiro Torres, Castro Soromenho e Carlos de Oliveira.

Por último, além de referir que este estabelecimento encerrou há cerca de dois anos, dizer também que foi no 5º andar deste prédio nº 52 da Rua Rodrigues Sampaio, que viveu a escritora, poetisa e política Natália Correia (1923-1993).

A "Smarta" actualmente






Cerca de 1 mês após a abertura da "Smarta" em 16 de Setembro de 1944, seria inaugurado na mesma rua, o "Hotel do Império" (actual "Hotel Britania" ) , em 13 de Outubro de 1944.