Restos de Colecção

24 de novembro de 2013

Casa de Repouso de Abrunhosa-a-Velha

A “Casa de Repouso” de Abrunhosa-a-Velha, foi mandada edificar em 1927, pelo médico e benemérito Professor Dr. Sebastião Cabral da Costa Sacadura (1877-1966), natural desta aldeia. Abrunhosa-a-Velha é uma freguesia do concelho de Mangualde, no distrito de Viseu, vizinha da Serra da Estrela.

Exteriores da “Casa de Repouso” em Outubro de 1940

 

 

O Prof. Dr. Cabral Sacadura, foi um proeminente médico ginecologista, que m 1927 era director da “Maternidade Magalhães Coutinho”, e em 1932 já era subdirector da “Maternidade Alfredo da Costa” (tendo assumido mais tarde o cargo de Director, após aposentação de Augusto Monjardino) e Director da Clínica Obstétrica da mesma maternidade.

Sebastião Cabral da Costa Sacadura (1877-1966)

A “Casa de Repouso” situada no Casal de S. Sebastião, foi construída no cimo da aldeia, para fracos e convalescentes, que, pela sua situação, higiene e conforto, era dos melhores estabelecimentos, desta natureza que existiam em Portugal. Os seus clientes eram, maioritariamente, estrangeiros que vinham de comboio e eram transportados em charretes, o que de certa forma contribuía para dar uma animação diferente a povoação de Abrunhosa-a-Velha.

Interiores da “Casa de Repouso” em Outubro de 1940

 

 

«Não direi que ela é pobre nem humilde, porque não a fiz para mim e para os meus. Mandei-a construir com outros desígnios. Senti que ela podia, numa região como esta e nas condições que a cercam, fornecer benefícios a muitos que se acolhessem debaixo dos seus tectos.» Prof. Dr. Costa Sacadura

Capela privativa da “Casa de Repouso” denominada “Capela de São Sebastião” 

 

Inicialmente era servida por um modesto apeadeiro de combóios, e que em 25 de Agosto de 1935 seria substituído por um novo e mais funcional, promovido pela “Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta”. Na mesmo dia seria inaugurado o troço de estrada feito pela Junta Autónoma das Estradas, que ligaria este novo apeadeiro ao povoado, e cuja distância entre este e a Casa de Repouso era de 500 metros.

Inauguração do novo Apeadeiro em 25 de Agosto de 1935, na “Gazeta dos Caminhos de Ferro”

  

Apeadeiro, actualmente. No topo pode-se observar o painel de Jorge Barradas alusivo à Casa de Repouso

 

Devido à descoberta duma nascente de águas medicinais, de natureza radioactiva, com rádio em dissolução, de efeitos salutares em várias doenças, a “Casa de Repouso” obtém a concessão de exploração, e passa hotel termal, denominado “Hotel Mira Serra”. 

O, actualmente denominado, “Hotel Rural Mira Serra” ainda hoje existe, profundamente remodelado e modernizado em 1997.

“Hotel Rural Mira Serra”

 

 

O “Hotel Rural Mira Serra”, dispõe de 20 quartos, todos eles equipados com ar condicionado, televisão, rádio, telefone directo e casa de banho completa. Dos quartos poderão ser observados excelentes vistas panorâmicas sobre a Serra da Estrela e as suas aldeias.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Hotel Rural Mira Serra

22 de novembro de 2013

Fábrica Militar de Pólvora e Explosivos

A “Fábrica de Pólvoras Físicas e Artifícios” (1927-1947) em Barcarena, no concelho de Oeiras, foi inaugurada em 8 de Dezembro de 1729, inicialmente denominada de “Real Fábrica de Barcarena” .

“Diario Illustrado” de 7 de Junho de 1901

 

“Fábrica de Pólvoras Físicas e Artifícios”

A partir de, por volta de 1817, a “Real Fábrica de Barcarena” seria composta por duas instalações fabris apelidadas de «Fábrica de Baixo» e «Fábrica de Cima».

«Fábrica de Baixo»

 

A «Fábrica de Baixo», instalações principais e iniciais, era composta pela "Casa dos Engenhos", oficinas, armazéns, e infra-estruturas de apoio como enfermaria e capela.

A «Fábrica de Cima», assim chamada por se encontrar a Norte da «Fábrica de Cima»,  terá sido construída no início do século XIX após o incêndio de 1805, e terminada por volta de 1817. Esta tinha como finalidade evitar situações de paralisação no fabrico da pólvora, devido a acidentes, ou outros acontecimentos.

«Fábrica de Cima»

De 1791 a 1869, ano em que foi extinto, a Fábrica constituiu uma dependência do Arsenal do Exercito. Em 1895 a Fábrica volta a ficar sob sua alçada, até 1927 e passa a denominar-se “Fábrica de Pólvoras Físicas e Artifícios”. Especialmente destinada ao fabrico das pólvoras negras, à manufactura dos artifícios pirotécnicos e ao carregamento dos cartuchos, a Fábrica assiste já nos anos 40 do século XX à introdução na sua laboração, de uma linha de pólvora química.

Enquanto “Fábrica de Pólvoras Físicas e Artifícios”  sofreu o seu maior incremento, com a aquisição de nova maquinaria, modernizou o seu laboratório, estreitou a cooperação com as escolas práticas do Exército, produziu diversos tipos de pólvoras de caça e militares, bem como rastilhos e todo o tipo de artifícios e engenhos aplicados à nova maquinaria de guerra.

Central Hidroeléctrica em 1925

Central a Diesel a partir de 1929

Em 1947 passa a denominar-se “Fábrica Militar de Pólvora e Explosivos” detendo uma maior diversificação de produtos de pólvoras ficando também apta para o serviço de pólvoras químicas para fins militares.

Fábrica da Pólvora(Barcarena).8

        

Em 1951, ano em regista o mais elevado número de trabalhadores a “Fábrica Militar de Pólvora e Explosivos” é arrendada, por um período de 25 anos, a uma sociedade mista, a “Companhia de Pólvoras e Munições de Barcarena”.

Em 1957, é construída a “Fábrica de Pólvora M1” para a produção de pólvora de base simples (nitro celulose) que, cedo, foi encerrada e entregue à “Fábrica Nacional de Munições de Armas Ligeiras”.

Corpo privativo de Bombeiros em 1908

Em 1976, a Fábrica reabre já com grandes dificuldades económicas, para produzir pólvora de caça, com a designação de “Fábrica de Pólvora e Explosivos de Barcarena”, designação que manterá até ao seu encerramento. Entretanto, em 1985 passa a fazer parte da INDEP, EP - Indústrias Nacionais de Defesa, Empresa Pública, criada em 1980 acabando por encerrar definitivamente a sua actividade, em 1988.

Em 1995 a Câmara Municipal de Oeiras adquire as instalações transformando-a num complexo aberto a todos, em 1998, onde estão instalados alguns serviços da câmara, vocacionando para actividades culturais, lazer e divertimento.

   

Bibliografia: Blog “Oeiras com História

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Oeiras com História

21 de novembro de 2013

Reclamos Luminosos de Lisboa (3)

Rossio

 Avenida da Liberdade

   

                     Rua Brancaamp com a Rua Castilho                         Rua Artilharia Um com a Joaquim António de Aguiar

        

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

20 de novembro de 2013

Palácio Castelo Melhor - Palácio Foz

Tudo começou em 1711, quando os Marqueses de Castelo Melhor adquirem capela que se erguia junto à Calçada da Glória, construída no final do séc.XVI por Manuel de Castro, e renovada em 1692, tendo sido construído nessa data um passadiço que ligava  a capela ao paço directamente.

Em 1 de Novembro de 1755, o Palácio dos Condes de Castelo Melhor, localizado no local ficou muito danificado com o terramoto, tendo-se dado início às obras de um novo edifício, promovidas  pelo pelo 4º Conde (e mais tarde 1º Marquês) de Castelo Melhor, D. José de Vasconcelos e Sousa Caminha Camara Faro e Veiga (1706-1769). O palácio foi mandado construir num outro local, mais próximo do Passeio Público que se construía, em terreno herdado no séc. XVIII, apesar da olissipografia avançar tradicionalmente a data de 1777.

1891

D. José Faro e Veiga (Marquês de Castelo Melhor) (1706-1769)

Em 1769, a morte do 1.º Marquês de Castelo Melhor, terá provocado uma paragem nas obras que decorreriam. Entretanto em 1776 habitavam no palácio o 2.º Marquês de Castelo Melhor, D. António José de Vasconcelos e Sousa Camara Caminha Faro e Veiga (1738-1801), os irmãos, seis criados e vários escravos. D. António reinicia as obras em 1792, dirigida pelo arquitecto Francisco Xavier Fabri,  que tinha sido chamado a Portugal pelo bispo D. Francisco Gomes de Avelar para trabalhos no Algarve, e contratado pelo 2º Marquês de Castelo Melhor.  D. António, numa fase inicial dos trabalhos de construção do palácio, talvez seguindo um desenho anterior, concebido por arquitecto desconhecido e de que existe desenho, idealizou um edifício de dois andares, com um enorme zimbório e com dois torreões nos extremos.

                                 

                                 

O “Palácio Castelo Melhor”, só viria a ser concluído em 1858, após várias interrupções ... O nome de “Palácio Foz” deve-se ao facto da 6ª Marquesa de Castelo Melhor, D. Helena ter vendido o palácio ao 1º Marquês da Foz, Tristão Guedes de Queirós Correia Castelo Branco, em 1889.

                                                                           Fotos seguintes de 1891

                                 

                        

                                 

  

 

«Durante não mais do que uma dúzia de anos, o Marquês introduziu tais modificações no Palácio Foz” e de tal forma o recheou de património que, à excepção das paredes exteriores e da grande e rica capela pouco ficou que lembrasse os Castelo Melhor. Encarregou da obra os melhores arquitectos, escultores e entalhadores da época. Reconstruído e redecorado, dotou-o da mais rica colecção de arte que alguma vez houve entre nós. Entre 150 quadros de cavalete figuravam obras de Rubens, Rembrant, Velasquez, Bosch, Lebrun, Ribera, Cranach... Tapeçarias de Beauvais, Aubusson ou Bruxelas alternavam com Gobelins, colchas bordadas da Índia, porcelanas de Saxe, de Sèvres ou da China, biscuits, chagrins, charões, mármores, cadeiras de espaldar, consolas e tremós.

Tornaram-se famosas as festas quase diárias no Palácio Foz, para onde convergia a nata da frívola sociedade lisboeta, ávida dos recitais de Verdi e Puccini e dos banquetes requintados para centenas de comensais.

  

 

  

“Torre de Santo António” propriedade do Marquez da Foz em Torres Novas

Quem muito gasta pouco ganha, e o Marquês da Foz abriu falência ao fim de 12 anos a levar aquela vida...
Em 1902, um monumental leilão levou à praça todo o recheio do Palácio. Tudo se vendeu, excepto as paredes exteriores erguidas pelo Marquês de Castelo Melhor. Até a famosa grade das oficinas Moreau que ainda hoje emoldura a grande escadaria, e o respectivo lampião, estavam no catálogo mas felizmente não se venderam. No final ficou quase vazia a que tinha sido a mais faustosa residência de Lisboa» in blog : “Mário Marzagão Alfacinha” a quem agradeço desde já.

20 de Março de 1902

 

  

 

  

fotos anteriores: “Álbum do Palácio dos Marqueses da Foz em Lisboa anno de 1891”; [Autor das fotografias?] M. Caetano de Portugal;  in: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.

Em 1 de Outubro de 1903, a revista "A Construcção Moderna" publicava um projecto do arquitecto Raúl Lino para o anexo do "Palácio Foz" ...


Mas ficou só pelo projecto ...

Os Condes de Sucena, em 1910, compram este palácio à Companhia Geral do Crédito Predial Portuguez”, que tinha ficado com este por execução de uma hipoteca sobre o mesmo em 1908, tendo funcionado, no local, dependências do Eden-Teatro”. A família Sucena alugou o espaço a ourives, alfaiates, fotógrafos, modistas, clubes, leitaria, ginásio. Foi parte do edifício a legação dos Estados Unidos.e o animatographo Salão Central”.

                                               Legação dos Estados Unidos e animatographo “Salão Central”

 

Acerca do animatógrafo “Salão Central”, mais tarde “Central Cinema”, consultar artigo neste blog:Central Cinema

Em 1908,  na sala de música foi instalado um teatro, o Salão Foz”, com peças de teatro de revista e variedades, sendo a zona superior alugada sucessivamente. Em 1917 é inaugurado o restaurante Abadia, tendo em anexo, a “Pastelaria Foz”, propriedade da firma Leitão & Companhia.  O Maxim’s - Club dos Restauradores também funcionou neste palácio. Entre 1933 e 1941 também aqui esteve instalada a sede do “Sporting Clube de Portugal”.

                                    “Salão Foz”                                                                          Restaurante “Abadia”

 

                            “Pastelaria Foz”  em 1917 

 

Em 29 de Janeiro de 1929, o Salão Foz ardeu completamente. Posteriormente o palácio foi hipotecado pela “Caixa Geral de Depósitos Crédito e Previdência”, que o adquire em 1939. Em 1940, por ocasião das comemorações dos Centenários, o Estado adquire definitivamente o “Palácio Foz”, sendo os inquilinos notificados de despejo.

Intervenientes na construção do Palácio Castelo Melhor:

  • Arquitectos: António Francisco da Rosa (séc. XVIII - XIX); Francisco Xavier Fabri (1792-1807), Giuseppe Cinatti (1856); Joaquim Marcos de Abreu (séc. XVIII - XIX); José António Gaspar (1889); Luís Benavente (1941); Manuel Caetano da Silva Gayão (séc. XVIII - XIX); Martinho José Peixoto (séc. XVIII - XIX); Pedro António de Araújo (séc. XVIII - XIX); Rosendo Carvalheira (1917).
  • Canteiros: Domingos Costa (1917); Emílio Campos (1917); Jesus Peres Mora (1917).
  • Desenhadores: António Camilo do Nascimento (1941); Viriato da Silva (1917).
  • Empreiteiros: Fernando Branco de Almeida (1941); Reinaldo Pereira dos Santos (1940).
  • Entalhador: Leandro da Sousa Braga (1889).
  • Escultores: Costa Mota (1917); José Neto (1917); José Simões de Almeida (1889); Leopoldo de Almeida (1949).
  • Estucador: Domingos Meira (1889).
  • Forjador: José Onofre (1889).
  • Fundidores: Oficina Jacob Lopes da Silva & Companhia (1917); Oficinas Moreau (1889).
  • Pintores: Abel Moura (1947); António Francisco Baeta (1889); Columbano Bordalo Pinheiro (1889-1896); Domingos Costa (1917); Francisco Vilaça (1889); José Bazaliza (1917); José Malhoa (1889); Luigi Manini (1889); Luís Borges (1917).
  • Pintor de Azulejos: Rafael Bordalo Pinheiro (1889).

Em 29 de Setembro de 1958, instala-se no “Palácio Foz” e nas antigas instalações do “Central Cinema” (encerrado em 1937), a “Cinemateca Portuguesa” (fundada em 1948 como “Cinemateca Nacional”) até 1980, ano em que se muda para as actuais instalações. A partir dos anos 80 do século XX, no seu lugar, passou a funcionar como “Cinemateca Júnior”, - e que ainda se mantém actualmente -  sendo filmes mudos acompanhados ao piano, aliás como acontece também com as outras salas da Cinemateca.

                                            “Cinemateca Júnior” no antigo “Central Cinema” no Palácio Foz

                                 

                                 

Em 1974, e depois da extinção do “Secretariado Nacional de Informação e Cultura Popular”, instalam-se, no “Palácio Foz” as seguintes entidades: Instituto da Comunicação Social, Inspecção-Geral das Actividades Culturais, Sala de Imprensa de Jornalistas Estrangeiros, Gabinete da Alta Comissária para a Igualdade e Família, Turismo, Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, Biblioteca e Fototeca, Posto de Turismo da PSP e Refeitório dos Serviços Sociais da Presidência do Conselho de Ministros.

                                                                          “Palácio Foz” actualmente

                                 

 

                                 

bibliografia: SIPA - Sistema para o Património Arquitectónico

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, O Cinema na Escola, Ruas de Lisboa com Alguma História, Olhares Cruzados