A actual "Casa Macário" abriu pela primeira vez em 1913, na Rua Augusta, 272-276, em Lisboa, e propriedade de Macario Moraes Ferreira. Tudo começou quando Macario Moraes Ferreira, que tinha plantações de café em Angola, decidiu, em 1902, abrir uma loja de «café torrado ou moído», na Rua do Carmo nº 10, em Lisboa, nas lojas do piso térreo do edifício dos "Grandes Armazéns do Chiado", com a denominação "Macario M. Ferreira".
Loja "Macario M. Ferreira" na Rua do Carmo, 10 e respectiva tabuleta, à direita na foto
20 de Fevereiro de 1902
Quando em 1912, a firma "Santos, Cruz & Oliveira, Lda." proprietária dos "Grandes Armazéns do Chiado" decide ampliar as suas instalações às lojas instaladas na ala direita do palácio na Rua do Carmo, Macario Moraes Ferreira viu-se forçado a procurar nova loja na baixa lisboeta, tendo a escolha recaído na Rua Augusta 272-276, onde tinha funcionado uma loja de vestuário para criança, a "Aranha & C.ª".
Em 6 de Julho de 1922 é constituída a firma "Macario Moraes Ferreira, Lda." com sede na loja na Rua Augusta, 272-276, em Lisboa. Em 19 de Janeiro de 1933, morre Macario Moraes Ferreira, ficando a "Macario M. Ferreira, Lda." na posse de sua viúva, D. Antonia Augusta Iniguez Ferreira.
Participação da "Macario Moraes Ferreira, Lda." na "Semana dos Artistas" em 25 de Janeiro de 1928
Por escritura pública de 12 de Novembro de 1957, é remodelado o pacto social da firma. O capital social ficou em 150.000$00, correspondente à soma das quotas dos sócios, que eram as seguintes: Adelino Morais Ferreira, 135.000$ (que ficou como gerente), e Marino Rodrigues da Costa Ferreira, 15.000$. Mas atenção que ... «O sócio Marino Rodrigues da Costa Ferreira obriga-se a dedicar todo o seu tempo e actividade, zelo e inteligência aos negócios sociais, sendo motivo suficiente para a amortização da sua quota a inobservância do disposto neste artigo, recebendo pelos seus serviços o ordenado mensal que a assembleia geral fixar.». Terá sido a partir desta altura que a loja passou a denominar-se de "Casa Macário".
Em 1972 Carlos dos Santos Torres, um dos fundadores, com seu pai Anselmo Torres, da "Torres Joalheiros" em 1910, e avô do actual sócio-gerente, Luís Alberto Torres de Lima Alves, comprou o prédio onde está instalada a "Casa Macário", acabando por ficar com esta loja em 1973. Até então negócio desta loja era essencialmente, cafés, chás, chocolates, bombons, vinhos e aguardentes. A partir de 1974 passou a vender vinhos do Porto, sendo actualmente o seu principal negócio, tendo a "Casa Macário" se transformado basicamente num garrafeira de Vinho do Porto.
Em 27 de Março de 1974, e por escritura pública, o capital social da "Macário Moraes Ferreira, Lda." passa para 500.000$00, distribuídos pelas seguintes quotas: Carlos dos Santos Torres, 400.000$; D. Maria Cândida das Chagas Torres, 50.000$ e "C. S. Torres, Lda. ", 50.000$.
Nota: a firma "C. S. Torres, Lda." (actualmente "Torres Joalheiros, S.A.") mencionada como sócia, era a proprietária da "Joalharia Torres", fundada em 1910. que tinha sido nomeada, em 3 de Março de 1972, único distribuidor para Portugal da marca de relógios "Rolex". A "Torres Joalheiros" tinha o seu estabelecimento ali bem perto, na Rua Áurea, 253-255 junto ao "Elevador de Santa Justa".
Em 31 de Julho de 1996, renunciam à gerência da "Macário Moraes Ferreira, Lda." Carlos dos Santos Torres, João Carlos Arez Torres, Luís Alberto Torres de Lima Alves. São designados como novos gerentes: Luís Alberto Torres de Lima Alves (actual sócio-gerente) e Ana Maria Torres de Lima Alves de Soisa Rego.
Atualmente, continua a vender café para clientes nacionais, que representam apenas 20%, e os restantes 80% da clientela são estrangeiros que procuram o vinho do Porto. Sendo o principal negócio a venda de café, comercializa, atualmente, os seguintes produtos: aguardentes; aguardentes velhas; bebidas alcoolicas; bombons; cafés; champanhe; chás; chocolates; garrafeira especializada; licores; vinhos do Porto novos e velhos; vinhos de mesa especiais.
Quanto ao futuro, é inserto. O actual proprietário Luís Alberto Torres de Lima Alves não sabe se os seus três filhos, João Carlos Torres, Pedro Torres e Carlos Augusto Torres, proprietários da "Torres Joalheiros", darão seguimento a esta negócio, ou não, quando este se retirar. Desta vez, penso que problemas com rendas ou senhorio, não vão existir ...
fotos in: Hemeroteca Digital de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian ("Lojas de um tempo ao outro, Vol II" de Jorge Ribeiro (1938-2006) - FCG 1997), Lojas Com História
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