Tudo começou em 1711, quando os Marqueses de Castelo Melhor adquirem capela que se erguia junto à Calçada da Glória, construída no final do séc.XVI por Manuel de Castro, e renovada em 1692, tendo sido construído nessa data um passadiço que ligava a capela ao paço directamente.
Em 1 de Novembro de 1755, o Palácio dos Condes de Castelo Melhor, localizado no local ficou muito danificado com o terramoto, tendo-se dado início às obras de um novo edifício, promovidas pelo pelo 4º Conde (e mais tarde 1º Marquês) de Castelo Melhor, D. José de Vasconcelos e Sousa Caminha Camara Faro e Veiga (1706-1769). O palácio foi mandado construir num outro local, mais próximo do Passeio Público que se construía, em terreno herdado no séc. XVIII, apesar da olissipografia avançar tradicionalmente a data de 1777.
1891

D. José Faro e Veiga (Marquês de Castelo Melhor) (1706-1769)

Em 1769, a morte do 1.º Marquês de Castelo Melhor, terá provocado uma paragem nas obras que decorreriam. Entretanto em 1776 habitavam no palácio o 2.º Marquês de Castelo Melhor, D. António José de Vasconcelos e Sousa Camara Caminha Faro e Veiga (1738-1801), os irmãos, seis criados e vários escravos. D. António reinicia as obras em 1792, dirigida pelo arquitecto Francisco Xavier Fabri, que tinha sido chamado a Portugal pelo bispo D. Francisco Gomes de Avelar para trabalhos no Algarve, e contratado pelo 2º Marquês de Castelo Melhor. D. António, numa fase inicial dos trabalhos de construção do palácio, talvez seguindo um desenho anterior, concebido por arquitecto desconhecido e de que existe desenho, idealizou um edifício de dois andares, com um enorme zimbório e com dois torreões nos extremos.


O “Palácio Castelo Melhor”, só viria a ser concluído em 1858, após várias interrupções ... O nome de “Palácio Foz” deve-se ao facto da 6ª Marquesa de Castelo Melhor, D. Helena ter vendido o palácio ao 1º Marquês da Foz, Tristão Guedes de Queirós Correia Castelo Branco, em 1889.
Fotos seguintes de 1891





«Durante não mais do que uma dúzia de anos, o Marquês introduziu tais modificações no Palácio Foz” e de tal forma o recheou de património que, à excepção das paredes exteriores e da grande e rica capela pouco ficou que lembrasse os Castelo Melhor. Encarregou da obra os melhores arquitectos, escultores e entalhadores da época. Reconstruído e redecorado, dotou-o da mais rica colecção de arte que alguma vez houve entre nós. Entre 150 quadros de cavalete figuravam obras de Rubens, Rembrant, Velasquez, Bosch, Lebrun, Ribera, Cranach... Tapeçarias de Beauvais, Aubusson ou Bruxelas alternavam com Gobelins, colchas bordadas da Índia, porcelanas de Saxe, de Sèvres ou da China, biscuits, chagrins, charões, mármores, cadeiras de espaldar, consolas e tremós.
Tornaram-se famosas as festas quase diárias no Palácio Foz, para onde convergia a nata da frívola sociedade lisboeta, ávida dos recitais de Verdi e Puccini e dos banquetes requintados para centenas de comensais.



“Torre de Santo António” propriedade do Marquez da Foz em Torres Novas

Quem muito gasta pouco ganha, e o Marquês da Foz abriu falência ao fim de 12 anos a levar aquela vida...
Em 1902, um monumental leilão levou à praça todo o recheio do Palácio. Tudo se vendeu, excepto as paredes exteriores erguidas pelo Marquês de Castelo Melhor. Até a famosa grade das oficinas Moreau que ainda hoje emoldura a grande escadaria, e o respectivo lampião, estavam no catálogo mas felizmente não se venderam. No final ficou quase vazia a que tinha sido a mais faustosa residência de Lisboa» in blog : “Mário Marzagão Alfacinha” a quem agradeço desde já.
20 de Março de 1902




fotos anteriores: “Álbum do Palácio dos Marqueses da Foz em Lisboa anno de 1891”; [Autor das fotografias?] M. Caetano de Portugal; in: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.
Em 1 de Outubro de 1903, a revista "A Construcção Moderna" publicava um projecto do arquitecto Raúl Lino para o anexo do "Palácio Foz" ...
Mas ficou só pelo projecto ... Os Condes de Sucena, em 1910, compram este palácio à “Companhia Geral do Crédito Predial Portuguez”, que tinha ficado com este por execução de uma hipoteca sobre o mesmo em 1908, tendo funcionado, no local, dependências do “Eden-Teatro”. A família Sucena alugou o espaço a ourives, alfaiates, fotógrafos, modistas, clubes, leitaria, ginásio. Foi parte do edifício a legação dos Estados Unidos.e o animatographo “Salão Central”.
Legação dos Estados Unidos e animatographo “Salão Central”

Acerca do animatógrafo “Salão Central”, mais tarde “Central Cinema”, consultar artigo neste blog: “Central Cinema”
Em 1908, na sala de música foi instalado um teatro, o “Salão Foz”, com peças de teatro de revista e variedades, sendo a zona superior alugada sucessivamente. Em 1917 é inaugurado o restaurante “Abadia”, tendo em anexo, a “Pastelaria Foz”, propriedade da firma Leitão & Companhia. O “Maxim’s - Club dos Restauradores” também funcionou neste palácio. Entre 1933 e 1941 também aqui esteve instalada a sede do “Sporting Clube de Portugal”.
“Salão Foz” Restaurante “Abadia”
“Pastelaria Foz” em 1917


Em 29 de Janeiro de 1929, o “Salão Foz” ardeu completamente. Posteriormente o palácio foi hipotecado pela “Caixa Geral de Depósitos Crédito e Previdência”, que o adquire em 1939. Em 1940, por ocasião das comemorações dos Centenários, o Estado adquire definitivamente o “Palácio Foz”, sendo os inquilinos notificados de despejo.
Intervenientes na construção do Palácio Castelo Melhor:
- Arquitectos: António Francisco da Rosa (séc. XVIII - XIX); Francisco Xavier Fabri (1792-1807), Giuseppe Cinatti (1856); Joaquim Marcos de Abreu (séc. XVIII - XIX); José António Gaspar (1889); Luís Benavente (1941); Manuel Caetano da Silva Gayão (séc. XVIII - XIX); Martinho José Peixoto (séc. XVIII - XIX); Pedro António de Araújo (séc. XVIII - XIX); Rosendo Carvalheira (1917).
- Canteiros: Domingos Costa (1917); Emílio Campos (1917); Jesus Peres Mora (1917).
- Desenhadores: António Camilo do Nascimento (1941); Viriato da Silva (1917).
- Empreiteiros: Fernando Branco de Almeida (1941); Reinaldo Pereira dos Santos (1940).
- Entalhador: Leandro da Sousa Braga (1889).
- Escultores: Costa Mota (1917); José Neto (1917); José Simões de Almeida (1889); Leopoldo de Almeida (1949).
- Estucador: Domingos Meira (1889).
- Forjador: José Onofre (1889).
- Fundidores: Oficina Jacob Lopes da Silva & Companhia (1917); Oficinas Moreau (1889).
- Pintores: Abel Moura (1947); António Francisco Baeta (1889); Columbano Bordalo Pinheiro (1889-1896); Domingos Costa (1917); Francisco Vilaça (1889); José Bazaliza (1917); José Malhoa (1889); Luigi Manini (1889); Luís Borges (1917).
- Pintor de Azulejos: Rafael Bordalo Pinheiro (1889).
Em 29 de Setembro de 1958, instala-se no “Palácio Foz” e nas antigas instalações do “Central Cinema” (encerrado em 1937), a “Cinemateca Portuguesa” (fundada em 1948 como “Cinemateca Nacional”) até 1980, ano em que se muda para as actuais instalações. A partir dos anos 80 do século XX, no seu lugar, passou a funcionar como “Cinemateca Júnior”, - e que ainda se mantém actualmente - sendo filmes mudos acompanhados ao piano, aliás como acontece também com as outras salas da Cinemateca.
“Cinemateca Júnior” no antigo “Central Cinema” no Palácio Foz


Em 1974, e depois da extinção do “Secretariado Nacional de Informação e Cultura Popular”, instalam-se, no “Palácio Foz” as seguintes entidades: Instituto da Comunicação Social, Inspecção-Geral das Actividades Culturais, Sala de Imprensa de Jornalistas Estrangeiros, Gabinete da Alta Comissária para a Igualdade e Família, Turismo, Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, Biblioteca e Fototeca, Posto de Turismo da PSP e Refeitório dos Serviços Sociais da Presidência do Conselho de Ministros.
“Palácio Foz” actualmente



bibliografia: SIPA - Sistema para o Património Arquitectónico
fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, O Cinema na Escola, Ruas de Lisboa com Alguma História, Olhares Cruzados