Restos de Colecção

7 de junho de 2015

Escola Superior de Medicina Veterinária

O ensino das ciências veterinárias foi institucionalizado em Portugal por alvará régio de 29 de Março de 1830, onde se destacava a necessidade de «huma Escola Veterinaria para nella se conservarem as doutrinas que respeitam a esta arte de que muita utilidade deve resultar ao seu real serviço e ao publico. E convindo igualmente que estes conhecimentos se generalizem para utilidade publica na conservação e criação de toda a espécie de gado cavalar, vacum e lanígero».

A “Real Escola Veterinária Militar” seria incorporada em 1855 no “Instituto Agrícola” criado sob tutela do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, onde passou a ministrar-se um curso misto de Agronomia e Veterinária, que formava veterinários-lavradores.

Instituto Agrícola e o Chafariz da Cruz do Taboado no troço da Galeria de Sant’ana do Aqueduto das Águas Livres

 

“Instituto d’Agronomia e Veterinaria”, no Lugar da Cruz do Tabuado, em Lisboa

Esclarecimento: No Largo da Cruz do Tabuado, (actual Praça José Fontana), confluíam a antiga Estrada da Cruz do Taboado/Carreira dos Cavallos (actual Rua Gomes Freire), a antiga Estrada das Picoas (actual Rua Engenheiro Vieira da Silva), a antiga Travessa do Abarracamento da Cruz do Taboado (actual Rua da Escola de Medicina Veterinária), a antiga Travessa do Sacramento (actual Rua Tomás Ribeiro), e a antiga Rua do Chafariz do Andaluz (actual Av. Duque de Loulé). Por ali existia também o já desaparecido “Chafariz da Cruz do Taboado” encostado ao troço da Galeria de Sant’ana do Aqueduto das Águas Livres.

No ano de 1864 verificou-se a junção do “Instituto Agrícola de Lisboa” com a “Escola de Veterinária Militar” (no Convento dos Brunos, ao Salitre), que fora fundada pelo Governo do Rei D. Miguel em 1830, criando-se, deste modo, o “Instituto Geral de Agricultura e Veterinária”. A reforma de 1886 viria a criar o curso de medicina veterinária no “Instituto de Agronomia e Veterinária”, o qual, em 1910, daria origem, no mesmo lugar, à “Escola de Medicina Veterinária” e ao “Instituto de Agronomia”.

No lugar da Cruz do Tabuado o “Instituto d’Agronomia e Veterinaria”

                                            Canil                                                                       Pavilhão de experiências

 

                        Edifício de aulas e laboratórios                                                         Hospital veterinário

 

                              Aula do microscópio                                                              Gabinete de física agrícola

 

                              Gabinete de microscopia                                                     Laboratório de bacteriologia

 

                               Leitaria experimental                                                               Sala de dissecações

 

Sala do conselho

 

Em 1918 passou a designar-se “Escola Superior de Medicina Veterinária” e a conferir o grau de doutor em medicina veterinária.

Em 1930 foi criada em Lisboa a “Universidade Técnica” englobando a “Escola Superior de Medicina Veterinária”, o “Instituto Superior de Agronomia”, o “Instituto Superior Técnico” e o “Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras”.

Edifício, inicialmente como “Escola Superior de Medicina Veterinaria” terminou como “Faculdade de Medicina Veterinária”, na Rua Gomes Freire, em Lisboa

“Escola Superior de Medicina Veterinária” em 28 de Setembro de 1932

 

 

Com a aprovação dos estatutos da “Universidade Técnica de Lisboa”, em Agosto de 1989, a “Escola Superior de Medicina Veterinária” passou a designar-se “Faculdade de Medicina Veterinária”. Actualmente esta "FMV-Faculdade de Medicina Veterinária", da Universidade de Lisboa, funciona maioritariamente nas instalações do Polo Universitário do Alto da Ajuda.

"FMV-Faculdade de Medicina Veterinária" no “Polo Universitário” do Alto da Ajuda

 

Em 2011 iniciou-se a demolição do primitivo edifício, na Rua dando lugar à nova sede da Polícia Judiciaria

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa,  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Faculdade de Medicina Veterinária

5 de junho de 2015

Restaurante do Aeroporto de Lisboa

O “Aeroporto de Lisboa” na Portela de Sacavém, projectado pelo arquitecto Francisco Keil do Amaral entrou ao serviço em 19 de Outubro de 1942. A sua inauguração simbólica tinha tido lugar na véspera, dia 18 de Outubro, tendo a cerimónia sido presidida pelo Ministro da Obras Públicas e Comunicações eng. Duarte Pacheco.

Aerogare do “Aeroporto de Lisboa” aquando da sua inauguração em 19 de Outubro de 1942

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No “Aeroporto de Lisboa” já estavam  instalados os postos da Polícia Internacional, Guarda Fiscal, Afândega, serviços radioeléctricos e meteorológicos, e escritórios das cinco grandes companhias aéreas: “BOAC - British Overseas Airways Corporation”, “Lufthansa”, “Ala Littoria”, “Iberia” e “Aero Portuguesa”. O posto do "SPN - Secretariado de Propaganda Nacional". Começaria a funcionar dias depois, assim como o seu primeiro pequeno restaurante-bar.

Em 22 de Março de 1947, após a primeira pequena ampliação e construção da “torre de controle” do “Aeroporto de Lisboa”, foram inaugurados o novo bar, restaurante, esplanada e cantina, promovidos pelo industrial hoteleiro Alexandre de Almeida, através da sua empresa “Hotéis Alexandre d’Almeida”, tendo as obras sido executadas pela empresa "Sociedade de Construções Amadeu Gaudêncio, Lda."

Bloco do restaurante-bar e esplanada ainda em construção por cima da entrada/saída de passageiros para a pista

 

Esplanada e restaurante-bar já concluídos

O novo restaurante tinha capacidade para 100 pessoas. No piso superior estava instalada a sala de jantar envidraçada com vista para o Aeroporto onde ficava a esplanada, e no andar inferior a cantina para as tripulações dos aviões assim como o Bar.

Sala do Restaurante

 

Bar e Esplanada

 

Cozinha

 

Para quem quisesse ver os aviões sentado na esplanada, nada de “borlas” …


gentilmente cedido por Carlos Caria

Postal publicitário

Restaurante do Aeroporto de Lisboa.6

Factura de 1954. Muito caro, para a época …

Nota: para aceder á história do “Aeroporto de Lisboa”  no período compreendido entre 1942 e 1947, aceder ao seguinte link, neste blog: “Aeroporto de Lisboa entre 1942 e 1947”.

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

4 de junho de 2015

Biblioteca “DigiTile” da Biblioteca de Arte da FCG

Hoje, e pela primeira vez, venho dar ao conhecimento dos leitores deste blog, uma nova plataforma online, disponibilizada pela “Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian”, dedicada à azulejaria e cerâmica portugueses.

Não vou entrar em pormenores fastidiosos acerca desta nova plataforma "Biblioteca DigiTile", que numa visita rápida o leitor ficará elucidado das suas funcionalidades, potencialidades e grande qualidade. Apenas de referir, que foi lançada pela "Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian" no passado dia 27 de Junho de 2015 - a que tive o prazer de assistir - dedicada, exclusivamente, à azulejaria e cerâmica portuguesas e que, nesta primeira fase, se centrou essencialmente na divulgação da obra de João Miguel dos Santos Simões (1907-1972).

A "Biblioteca Digitile", não tendo dado como terminado, de modo algum, com este seu trabalho, será regularmente actualizada e aumentada. Para quem aprecie a azulejaria portuguesa e sua história, aqui está uma plataforma online de excelência, que merece ser consultada, com tempo, tirando assim partido de todas as suas funcionalidades.

Aqui ficam os dois links opcionais para a plataforma "Biblioteca DigiTile":

http://digitile.gulbenkian.pt/

http://www.digitile.org/

 

Resta-me desejar os maiores sucessos a toda a equipe da "Biblioteca de Arte", em mais esta iniciativa, que a exemplo de outras plataformas online que vão mantendo, - das quais eu sou "cliente" assíduo - nos habituaram a um trabalho, dedicação e profissionalismo de excelência. 

3 de junho de 2015

Chiado Terrasse

O “Chiado Terrasse” foi inaugurado a 21 de Novembro de 1908, na antiga Rua do Tesouro Velho, actual Rua António Maria Cardoso, em Lisboa. Propriedade da empresa “Sabino Correa & Cª.” de Sabino Correa Júnior, e Albino José Baptista dono da Loja “92” na Rua Nova do Almada, foi o primeiro edifício a ser construído de propósito para esta finalidade.

Fachada inicial do “Chiado Terrasse” em 1908

Publicidade em 1908

       

Logo desde o início, seria uma das mais importantes salas de Lisboa, quer pela amplitude das suas instalações, pelos seus programas, ou ainda pela sua variedade, não esquecendo o êxito do animatógrafo “falado”.

1910

Em 1910, Sabino Correia inicia obras de melhoramento na sala, construindo ainda um  espaço exterior, que designou por esplanada, funcionando assim como mais um elemento de atracção, depois de o arquitecto Tertuliano de Lacerda Marques ter redesenhado a fachada, em gosto mais erudito, fim-de-século e clássico.

1911

   

Bilhete

Atrelado de propaganda ao “Chiado Terrasse” em 1911

Sexteto do violinista Julio Caggiani em 1913

A propósito da última foto, podia-se ler na revista “Occidente”: «Concertos todos os dias pelo insigne violinista Julio Caggiani e films sempre novos; e assim tem conseguido a empresa d'este salão enchentes consecutivas.»

A partir de 1916, os responsáveis deste espaço passaram a ser António Augusto Tittel e Alberto do Valle Colaço, que formaram a empresa “Tittel e Colaço”. Começam logo por fazer transformações no edifício, dando-lhe o aspecto exterior que manteria até ao seu desaparecimento, bem como a construção de um pequeno palco, que seria utilizado mais tarde por uma companhia de revista.

Senhoras, junto ao “Chiado Terrasse” com o filme “A Desterrada” em exibição

Postal de propaganda ao “Chiado Terrasse”, em 1916

 

Propaganda em 1918

    

Depois de encerrado para alterações no seu interior, reabriu em 28 de Setembro de 1926.

«A transformação teve o seu ar de magica. Porque quem for hoje ao Chiado terrasse não o reconhece.
A geral desapareceu. E a sala, iluminada explendidamente e pintada de tons claros, mudou em tudo; em aspecto e em frequencia.
O écran está enquadrado num lindo scenario de Renda, Serra e Amancio, junto do qual toca um magnifico quarteto, regido por Raúl Campos. E até os programas mudaram - para muito melhor.
De hoje em diante, pois, senhores e senhoras elegantes que morais no Chiado ou gostais do Chiado, encontrareis nele um explendido cine á altura das tradições elegantes do bairro ... »

“Chiado Terrasse” nos anos 60 do século XX 

O “Chiado Terrasse”, encerraria definitivamente, em 30 de Junho de 1971, com “36 Horas no Inferno Ringo, Herói do Texas”. Posteriormente foi vendido ao “Banco Fonsecas & Burnay” que o demoliu internamente conservando a sua fachada para aí abrir uma agência. Mias tarde agência da “Caixa Geral de Depósitos” . Actualmente, encontra-se instalado o Consulado Geral do Brasil.

Lembro que nesta mesma rua um pouco mais à frente, e do lado esquerdo, se encontra o Teatro “São Luiz”, inaugurado em 22 de Maio de 1894, e cuja história pode ser consultada neste blog, no seguinte link: “São Luiz - Teatro Municipal”

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa,  Hemeroteca Digital

2 de junho de 2015

Curiosidades Automobilísticas (22)

Apresentação dos automóveis “Vanguard”  na “Feira Popular de Lisboa” em 1948

Um stand da “A.M.Almeida, Lda.”, em 1956

Na foto anterior: em primeiro plano o primeiro “Wolseley” voiturette, vencedor da medalha de ouro na prova das “1.000 miles” de 1900. Atrás, e de cor clara, um “MG” Magnette ZA Saloon. Atrás deste um “Riley” Big Four, e à esquerda na foto um “Wolsely” 15/50 todos de 1956.

Oficinas da “C. Santos, Lda.” na Rua de Campolide que prestava assistência técnica ás marcas “Rolls-Royce” e “Bentley”, além da “Mercedes-Benz”

 

“Studebaker” Commander de 1958, no Stand da “C. Santos, Lda.” na Avenida da Liberdade, em Lisboa

Fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian