Restos de Colecção

8 de maio de 2015

Salão Chantecler e Cinema Restauradores

O "Cinema Restauradores", localizado no edfício do “Eden Teatro”, na Praça dos Restauradores, em Lisboa, e, propriedade da empresa Júlio Augusto Estevens, foi inaugurado em 20 de Dezembro de 1935, substituindo o velho Salão "Chantecler" - Animatographo fallado.

Por sua vez, Salão "Chantecler", tinha aberto as suas portas em 28 de Outubro de 1911, na Praça dos Restauradores, nº 23. Depois de construído e inaugurado o primitivo "Eden Teatro", a 25 de Setembro de 1914, instala-se numa das suas lojas do edifício no piso térreo. Era explorado, inicialmente, pela empresa "Moreira & Julio", de que eram sócios António Moreira Gaspar, comerciante na Rua do Arsenal, e Julio Augusto Estevens.

Salão “Chantecler” - Fitas faladas, no edifício do “Eden Teatro

Edifício do “Eden Teatro” no ano da sua inauguração em 1914 e o “Chantecler”

Sócios fundadores do Salão “Chantecler”

«Com extraordinaria concorrencia deve realisar-se esta noite a inauguração do novo Salão animatographico da Praça dos Restauradores apresentando as celebre fitas faladas por uma companhia de primeira ordem habilmente ensaiada.» in: "A Capital"

A partir de 1916 passou a ser explorado exclusivamente por Julio Estevens. De referir que a actividade cinematográfica destes dois sócios não tinha sido iniciada com o Salão "Chantecler", mas sim uns anos atrás com o "Chantecler Chalet", de carácter itinerante nas Feiras de Lisboa - Feira de Santos, Feira de Belém, Feira de Agosto, Feira de Alcântara, frequentes na época. Apesar da empresa “Moreira & Julio" estivesse instalada num cinema fixo - o Salão "Chantecler" - continuava a manter, ora explorando ora alugando, um "barracão animatográfico" (com capacidade para 499 lugares), tanto assim que no Verão de 2013 estava instalada na "Feira de Santos" (foto seguinte).

“Chantecler Chalet” na “Feira de Santos” em 1915

O Salão "Chantecler" foi durante muitos anos especialista nas «fitas falladas» do fono-cinema, a exemplo do "Salão Ideal" e do "Chiado Terrasse", de tal modo que em 1927 ainda este género de fitas ainda ali eram apresentadas.

      

11 de Julho de 1918

«O Chantecler - o «Chantas» como o rapazio que o frequentava costumava apelida-lo - tal como tantas outras salas viria a obedecer à lei irrevogável das remodelações como meio de se manter rentavelmente em funcionamento. Só que o fez um pouco tardiamente.»

Foto e artigo na revista “Reporter X”

     

1913

As remodelações dariam origem ao "Cinema Restauradores", que como referi no início, foi inaugurado em 20 de Dezembro de 1933, com capacidade para 326 espectadores. Enquanto o antigo Salão "Chantecler" apresentava espectáculos só à tarde dos domingos e dias feriados, este novo cinema passava a disponibilizar matinés às quintas feiras, sábados, domingos e feriados. Mais tarde realizaria sessões contínuas das 12 às 24 horas.

“Cinema Restauradores”

Cine-Teatro “Eden” em 1935, ano da sua inauguração e “Cinema Restauradores”

 

Nesta sala de cinema  - com a alcunha de “O Galo” - passavam sobretudo filmes de cow-boys, frequentado, sobretudo, por «marçanos, vendedores de jornais, pequenos empresários de comércio, estudantes sem dinheiro, recém-chegados da província para quem os luxos da cidade estavam subitamente à mão pelos 1$50 (0,0075 cêntimos) que custava uma "geral".» in: blog “IÉ-IÉ

        

Programa de 1943


gentilmente cedido por Carlos Caria

Só o Animatógrafo do Rossio e o Salão Lisboa”  (Piolho) eram mais baratos uns tostões, que naqueles tempos faziam toda a diferença.

O “Cinema Restauradores” encerraria definitivamente em 15 de Setembro de 1968, tendo dado lugar a um salão de exposição e venda da “CUF Texteis”. Mais recentemente, com a transformação do edifício do Cine-Teatro “Eden” em “Apathotel Eden Vip Executive” , esta loja seria transformada na entrada deste equipamento hoteleiro.

Loja da “CUF Texteis”, em 1969

 

Actualmente, entrada do “Apathotel Eden Vip Executive”

Fotos in: Hemeroteca DigitalArquivo Municipal de Lisboa, Citizen Grave

7 de maio de 2015

Antigamente (114)

Urinol público

Comboio turístico nos jardins do “Palácio de Cristal” no Porto

“Empresa de Transportes Oliveira de Azeméis, Lda.”

“Ferry-boat” em Vila Real de Santo António, para as ligações a Ayamonte

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

6 de maio de 2015

Centro Mobil de Trânsito

O "Centro Mobil de Trânsito", foi construído no "Jardim Zoológico de Lisboa" por iniciativa da Mobil Oil Portuguesa”, junto ao "Jardim dos Pequeninos", tendo sido inaugurado a 10 de Maio de 1963, pelo Ministro das Comunicações e pelo Subsecretário de Estado da Educação Nacional.

Este Centro tratava-se de uma instalação fixa, destinada a permitir o ensino das regras de trânsito à população infantil e à aquisição, por esta, de hábitos de segurança rodoviária. Em visitas sucessivas, as crianças recebiam ensinamentos, por meio de jogos, exercícios, concursos e breves lições, teóricas e práticas. Para tal estava equipado de uma sala de aula com capacidade para 30 crianças, sala de recepção, instalações sanitárias e um pequeno posto de socorros, além de um armazém de material.

   
                                                                                            gentilmente cedido por Carlos Caria

 

 
4 fotos anteriores gentilmente cedidas por Carlos Caria

Para a prática de conhecimentos ministrados na aula, existia uma pista concebida por forma a incluir o maior número possível de problemas de circulação, com recurso à maioria dos sinais de trânsito, pista essa constituída por ruas alcatroadas, passeios empedrados, passagens de peões devidamente assinaladas, passagens superiores e inferiores, parques de estacionamento, paragens de transportes colectivos, etc. A isto tudo, juntavam-se 4 semáforos luminosos, de comando manual, que permitiam aos orientar o trânsito de peões e "automobilistas" na avenida principal. Todos os sinais estavam montados em bases fixas, mas com a possibilidade de serem deslocados e trocados de lugar de forma a serem criados diferentes esquemas de circulação.

Para tal o "Centro Mobil de Trânsito" dispunha de material circulante composto por pequenas réplicas de "karts", movidas a pedais, além de um camião-tanque miniatura e outras viaturas especiais.

Segundo a sua organização: «É também objectivo do Centro Mobil de Trânsito servir de "laboratório", para ensaio de métodos de ensino infantil da segurança rodoviária, posto à disposição dos metodólogos e professores aos quais é, quase sempre, difícil improvisar materiais e locais que lhes permitam reproduzir, ou recriar, o trânsito verdadeiro, da maneira mais convincente e atraente.»

Nota: Acerca da história da “Mobil Oil Portuguesa” consultar neste blog o seguinte link: “Mobil Oil Portuguesa”.

Instalações da “Mobil Oil Portuguesa” em Cabo Ruivo, em Lisboa

3 de maio de 2015

Pastelaria Benard

A “Pâtisserie Benard” teve a sua origem na "Padaria Franceza" fundada por Élie Benard, na Rua do Loreto, próximo do Calhariz, em 1868. Oriundo de uma família de padeiros e conserveiros franceses, Elie Benard estabeleceu-se em Lisboa com os pais e irmãos, em meados do século XIX, e aqui abriu, na rua do Loreto, a mencionada "Padaria Franceza", inaugurada a 6 de Setembro de 1868.

Ao longo dos anos, na "Padaria Franceza" da rua do Loreto, foram produzidos e fornecidos pão abiscoitado, pão à Garibaldi, pão à parisiense, pão das quatro nações, pão de luxo para chá, pão à francesa, pão flute parisiennes, pão vienense, para além dos brioches à parisiensee de «diferentes bolos fabricados pelo sistema francês»

“Pâtisserie Benard” na Rua Garrett, ao lado da entrada do “Hotel Borges


"E. Benard" na Rua do Loreto


"Padaria Franceza" de Paul Benard, em 6 de Janeiro de 1901

Élie Benard viria a ser um dos sócios fundadores da associação da classe dos confeiteiros cujos estatutos viriam a ser aprovados pelo Rei D. Manuel II em 9 de Junho de 1908. Participou, ainda, na criação da "Fabrica a Vapor Progresso", uma inovadora padaria mecânica e fábrica de massas italiana à qual associou a sua "Padaria Franceza" da rua do Loreto.


Elie Benárd

Outra loja da firma familiar “E. Benard & Cª.” e que existiu até ao incêndio do Chiado em 25 de Agosto de 1988, foi a casa Maison Benard”, fundada em 1875. Tratava-se de uma loja de luvas, perfumes, loiças e brinquedos - artigos em grande parte provenientes de Paris. 




24 de Dezembro de1875

Após a morte de Elie Benard em 1897, Pedro e Casimiro Benard asseguraram a continuidade dos negócios do pai, e durante cinco anos a "Padaria Franceza" permaneceu na rua do Loreto. Foi nesse período que se anunciou, pela primeira vez, o fabrico dos famosos croissants, então apelidados de «pão francês, especial para almoços». Mas em 1902, os dois irmãos trespassaram aquele estabelecimento e separaram os ramos de actividade de seu pai. Casimiro Benard ficou com o negócio alimentar e transferiu-se para a rua Garrett, agora sob a designação de "Patisserie Benard". Esta nova loja tinha a particularidade de se situar exactamente ao lado da perfumaria e luvaria fundada por Elie Benard, de que passava a ser responsável Pedro Benard. De referir que a “Pâtisserie Benard” veio ocupar o estabelecimento que até então tinha albergado a confeitaria “Gratidão”, à qual  me referirei mais à frente


Ambos de 25 de Dezembro de 1902

“Patisserie Benard” e “O Paraiso das Creanças”, ambos da mesma firma familiar, em 23 de Dezembro de 1903

1906


11 de Junho de 1906

Fabrico das brôas de Natal na fábrica da “Pâtisserie Benard” no Natal de 1912

Factura em 1919

Interior nos anos 40 do século XX

 

Em 1914 encerra para obras de melhoramentos e re-decoração, reabrindo em 30 de Outubro do mesmo ano. A propósito da reabertura deste estabelecimento a revista “Illustração Portugueza” noticiava:


Durante a "Semana dos Artistas", em Janeiro de 1928

No edifício da “Pâtisserie Benard” tinha existido, até 1902, outra confeitaria igualmente célebre: a “Gratidão”, que se tinha especializado em fruta cristalizada. As enormes cozinhas desta confeitaria viriam a ser aproveitadas para a nova “Patisserie Benard”, tendo os novos proprietários aproveitado o espaço ocupado por elas, para ampliação dos salões, no início dos anos 80 do século XX.

23 de Dezembro de 1901

«Nos menus desses acontecimentos – entre os “chauds”, os “froids” e os “entremets” –, pontificavam confecções tão originais e aprimoradas como os “croquettes de poulard trufée”, o “jambon d’York á la gelée” ou ainda os “filets de Boeuf glacê aux cressons”, a que se podiam seguir os “petits fours á la Française”, as "surprises á la Portugais" e os “fruits glacês á l’Italienne” – que cosmopolitismo! –, tudo regado com “vins, liqueurs et Champagne” da melhor qualidade! O francês, como se vê, continuava a ser a língua requintada por excelência, mas a verdade é que a designação se veio a alterar progressivamente para Pastelaria Benard depois da Câmara Municipal de Lisboa passar a exigir um pagamento às lojas que conservassem os seus letreiros identificativos em língua estrangeira.»

Em 1932, o minhoto Manuel José de Carvalho, que tinha começado a sua carreira no "Café Martinho" e no "Palace Club" e que tinha acabado de deixar a pastelaria e restaurante "A Garrett", bem perto, compra o trespasse da “Pâtisserie Benard” através da firma "Manuel José de Carvalho, Lda.", na qual o seu braço-direito Antonino Fernandes Dias era sócio.


1942


6 de Setembro de 1949

Da sua acção resultou o franco desenvolvimento da “Pâtisserie Benard”, o que não impediu que Manuel José de Carvalho tomasse também conta da "Pastelaria Marques", reunindo assim, sob sua administração, os dois reputados estabelecimentos do Chiado.

“Pastelaria Benard”, ao lado da renovada entrada do “Hotel Borges”, nos anos 70 do século XX

«O falecimento de Manuel José de Carvalho e de Antonino Fernandes Dias – o sócio que era o seu braço direito –, a par da agitação política e da instabilidade económica que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, fizeram a Pastelaria Benard entrar num período de dificuldades, visíveis até na própria degradação do espaço. Nessa época, o estabelecimento não tinha fabrico, vindo os bolos e demais produtos da vizinha Marques, em tabuleiros que percorriam, na rua Garrett, as dezenas de metros que separavam as duas lojas.
No princípio da década de oitenta, constava que o fecho da Benard estaria iminente. Maria Augusta Montes, uma comerciante há muito estabelecida nas imediações do Chiado, não se conformava, porém, com a ideia de Lisboa perder a histórica pastelaria, lugar da sua predilecção. Contra a opinião dos filhos e apesar de não conhecer o ramo de actividade, decidiu avançar para a sua compra, concretizada em 1983.
Renovadas as instalações com um projecto que devolveu ao espaço todo o requinte e bom gosto de outrora, recuperado o fabrico próprio e com recurso apenas a ingredientes naturais, Lisboa pôde continuar a frequentar a Benard.»

“Pastelaria Benard”, actualmente

 

Bibliografia: site oficial da "Pastelaria Benard"

fotos in:  Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Hemeroteca DigitalArquivo Municipal de Lisboa

2 de maio de 2015

Nota aos Leitores

Respondendo às sugestões de alguns leitores, e dado que já é considerável a lista de salas de cinema e de teatro, cujas histórias já foram aqui publicadas em dezenas de artigos, além de outras que ainda serão publicadas, foi criada na barra de menús deste blog, o ítem "Cinemas e Teatros".

Este novo ítem disponibiliza uma lista links directos para artigos históricos, aqui publicados, acerca de salas de cinema, cine-teatros e teatros em Portugal.

Como este blog se centra mais na cidade de Lisboa as salas de espectáculos desta cidade são mencionadas separadamente, e alguns artigos serão republicados ao longo dos tempos, já que a quantidade e qualidade dos documentos que a eles dizem respeito assim o exije.

Entretanto, continuam disponíveis as listas de Cinemas de Lisboa (1896-2011) e Teatros de Lisboa (1593-1974), no ítem da barra de menús "Dados Históricos".

Estão disponibilizados, neste blog, até hoje:

- Cinemas e Cine-Teatros de Lisboa - 41 artigos
- Cinemas e Cine-Teatros fora de Lisboa - 9 artigos
- Teatros de Lisboa - 35 artigos
- Teatros fora de Lisboa - 7 artigos
- Artigos históricos acerca dos Cinema e Teatro em Portugal - 14 artigos

Os meus cumprimentos

José Leite

Foto da gravação do 1º fono-filme em Portugal em 1907, no páteo do "Real Colyseu de Lisboa" na Rua da Palma, efectuada por João Freire Correia, proprietário da "Fotografia Londres" na Rua das Chagas, e Manuel Cardoso, com a participação da actriz Júlia Mendes.