Restos de Colecção: Cinema Lys

5 de junho de 2013

Cinema Lys

O Cinema "Lys" foi inaugurado em 11 de Dezembro de 1930, na Avenida Almirante Reis em Lisboa. Com uma capacidade inicial para 630 espectadores, o seu primeiro proprietário foi Abraão Maurício de Carvalho, funcionário do Ministério Público. Após a sua morte, em Maio de 1933, Alberto Feliz de Carvalho, funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e como administrador de herança e herdeiro, assume a gerência do Cinema “Lys”, até á sua morte em 1968.

                                                                                   “Lys” em 1937

Sala de cinema e bar

 

 

Planta da primitiva sala de cinema e preçário de 1953

No dia da inauguração foi exibido o documentário “As Festas Comemorativas do 1º de Dezembro”. A sua abertura, ficou marcada pelos filmes, “O Dominó Preto”, uma comédia alemã da UFA, da qual Raúl Lopes Freire era distribuidor, e interpretada por Harry Liedke, o drama “Águas de Tormenta”, a farsa “Caixeiro Viajante”, o filme português “Os Camelos” e um documentário nacional.

Em 1931, Joaquim Pedro dos Santos passa a ser o seu gerente, conseguindo fazer do  “Lys” um cinema concorrido e com um público fiel.

As fotos seguintes são de Horácio Novais datadas dos finais dos anos 50 do século XX, e retratam o cinema "Lys", depois das obras de remodelação e ampliação do ecrã, que tiveram lugar no início dos anos 50 século XX. As obras foram conduzidas pelo arquitecto Fernando Silva e pelo decorador João Alcobia. Reabriria em 4 de Julho de 1954. Em consequência das mesmas a sua lotação foi reduzida para 553 lugares.

4 de Dezembro de 1954

                                                                “Lys” aquando da sua reinaugração 

                      Cinema Lys.2 - Cópia

                                              

 

                                

                    

Sendo um cinema de reprise, e explorada pela "Lisboa Filme", funcionou sempre com programação coordenada com o “Chiado Terrasse”, outra sala de cinema inaugurada em 1908, na Rua António Maria Cardoso.

Nos anos 40 do século XX, era comum existir uma única cópia de cada filme em exibição para ambos os cinemas, funcionando as sessões duplas com um programa alternado. Ou seja, o filme era exibido primeiramente no “Chiado Terrasse” e depois era exibido no "Lys" e vice-versa. No intervalo, partia de motociclo o transportador das bobinas da película, tentando chegar a tempo do início da segunda parte da exibição do filme no outro cinema.

                                                                      Programa de 5 de Fevereiro de 1959

Anúncio de 10 de Abril de 1973, do seu encerramento para remodelação e mudança de nome

Após obras de remodelação, e depois de adoptar o nome "Roxy", é inaugurado em 26 de Junho de 1973 passando a cinema de estreia e dispondo de 531 lugares (na plateia 201 e no balcão 222) .

        

Esta sala de cinema viria a encerrar definitivamente em 30 de Março de 1988, com o filme “Noite Infernal” .

“Roxy” já encerrado definitivamente

O mesmo edifício numa imagem mais actual retirada do “Google Maps”

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Horácio Novais), Cinemas do Paraíso

4 comentários:

Alexandre de Carvalho Neto disse...

O cinema Lys foi construído por Abraão Maurício de Carvalho, sub-delegado ou delegado (a minha memória não o recorda com exactidão)do Ministério Público e não funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
O fundador, Abraão Maurício de Carvalho, faleceu pouco tempo depois em Maio de 1933, tendo sim e por essa altura ou pouco depois assumido como administrador da herança e herdeiro a condução do cinema Lys seu irmão Alberto Feliz de Carvalho este sim funcionário com licença sem vencimento do Ministério dos Negócios Estrangeiros até à sua morte em 1968.
Estes factos são do meu conhecimento pessoal por ser sobrinho neto de ambos e ter conhecido pessoalmente o último de quem era apreciador e muito amigo.
Alexandre de Carvalho Neto

José Leite disse...

Caro Sr. Alexandre de Carvalho

Grato pela amabilidade da sua correcção.

Peço desculpa pela imprecisão, mas ela já vinha donde retirei a informação.

Acontece.

Os meus cumprimentos

José Leite

Braveman disse...

Caro Alexandre Carvalho, será que lhe diz alguma coisa o nome Aníbal Contreiras. Obrigado

Fernando Alvega disse...

Ainda fui convidado para ir trabalhar para lá mas infelizmente não deu porque a minha entidade patronal na altura não o permitia.