14 de novembro de 2012

Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia

Em 1883 é fundada a “Empreza Ceramica de Lisboa”, na Rua Saraiva de Carvalho, no bairro de Campo de Ourique em Lisboa, e dedicava-se ao fabrico de telha e de material de construção de barro vermelho. Esta sociedade anónima foi fundada por Ricardo Loureiro, Eduardo Lupi e Carlos Bandeira de Mello, sócios da primitiva "Empreza Ceramica de Lisboa" fundada em 1879 em Alcântara.

“Empreza Cerâmica de Lisboa”

1905

Sete anos mais tarde em 1890 Sylvan Bessière e Marie Therèse Bessière, fundam a “Fábrica de Cerâmica Bessière” , perto do Matadouro em Picoas, dedicava-se ao fabrico de telha «Marselha», tijolos, talhas para água, manilhas e vasos. Em 1905, transferiu as instalações para o Campo Pequeno, ao lado do Palácio das Galveias, já que os terrenos eram ricos em barro, e a propriedade confrontava com a zona das chamadas «Avenidas Novas», que estava em plena expansão urbana e sobretudo, porque segundo se dizia, tinha ganho a encomenda de tijolos para a construção da Praça de Touros do Campo Pequeno.

                                          “Companhia da Fábrica Cerâmica Lusitânia”, no Campo Pequeno

                                                                                             1905

Em 1919, o fundador morreu, a fábrica perdeu o carácter familiar, tendo sido comprada , em 1920, pelo “Banco Industrial Português”, de Júlio Martins (ministro, com diferentes pastas, desde 1919 a 1921) e Augusto Tavares transformando-a na “Companhia das Fábricas Cerâmica Lusitânia, S.A.R.L.” .

                                                                                     Anúncio em 1924

Em Maio de 1929 foi inaugurada, no Arco do Cego, em Lisboa, a nova sede da “Companhia da Fábrica Cerâmica Lusitânia SARL”, projectada pelo engenheiro Luís Ernesto Roqueira.  Aí ficaram instalados os balcões de vendas, escritórios da direcção, contabilidade, salas de exposição de azulejos e finalmente na mansarda, o laboratório de química e engenharia, os ateliers de pintura industrial e pintura artística. O célebre artista cerâmico, Jorge Colaço, desenvolveria neste último piso o seu trabalho.

Sede e loja de vendas na Rua do Arco do Cego, em Lisboa

                                            Frente da sede                                               Um painel de Jorge Colaço

                      Fábrica de Cerâmica Lusitânia.6             Fábrica de Cerâmica Lusitânia.10

                                                    Trabalho em azulejo da Fábrica Cerâmica Lusitânia

Capa de Catálogo


gentilmente cedida por Carlos Caria

Páginas de 2 catálogos

 

 

 
Catálogos gentilmente cedidos por Victor Laranjeira

A crise de 1929 não atrapalhou nada as finanças da empresa, entrou numa fase de enorme expansão e comprou fábricas falidas por todo o país. Adquiriram a “Fábrica da Estação Velha” em Coimbra, que passou a chamar-se “Fábrica Lusitânia de Coimbra”, e produzia louças sanitárias, azulejos, mosaicos e louça. Adquiriram também em 1936 a  célebre “Fábrica de Louça de Massarelos”, em Massarelos-Porto, e considerada por muitos a mais antiga unidade industrial deste sector, antecedendo mesmo a “Fábrica do Rato”, com início de laboração em 1764, com o fim de produzir tubos de saneamento.

“Fábrica de Louça de Massarelos”, mais tarde “Empresa Cerâmica Portuense, Lda.”

Ainda viriam a adquirir polos fabris em Setúbal, Arraiolos, Montijo, Ermesinde e Vila Franca de Xira. A Fábrica da Estação Velha passou a chamar-se Fábrica Lusitânia de Coimbra, e produzia louças sanitárias, azulejos, mosaicos e louça. Com as suas 12 unidades fabris espalhadas pelo país, viria a tornar-se a maior maior empresa do ramo cerâmico no país. A sua produção incluía todos os itens já referenciados, assim como louças sanitárias, azulejos, mosaicos e ladrilhos em cimento.

Fábrica de cerâmica “Empresa Industrial de Ermezinde, Lda.” , em Ermesinde

Nos finais dos anos 70 do século XX, esta Companhia encerrou e ficou abandonada até que a “Caixa Geral de Depósitos” adquire os terrenos e as respectivas instalações para aí erguer o seu novo edifício-sede. Em 1985, foi lançado um concurso ao qual concorreram 54 gabinetes de projectos, tendo, numa primeira fase, sido seleccionados dez. Finalmente, em 1986,  foi escolhido o projecto  de autoria do arquitecto Arsénio Cordeiro.

Antiga chaminé da “Fábrica de Cerâmica Lusitânia”, no edifício-sede da CGD

A primeira empreitada de movimentação e contenção de terras, iniciou-se em Outubro de 1987, e a inauguração teve lugar em 11 de Outubro de 1993.

fotos in:  Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa

7 comentários:

Marg Martins disse...

Excelente blog! Bem organizado e explicado detalhadamente, muito obrigado pela partilha e por todas as informações disponibilizadas e que nos ajudam a conhecer melhor várias partes do nosso país.

José Leite disse...

D. Maragraida Martins

Muito agradeço as suas amáveis palavras em relação a este blog.

Os meus cumprimentos

José Leite

Hugo Martins disse...

Caro José Leite

A Fábrica de Louça de Massarelos não era em Vila Nova de Gaia, mas sim no Porto, mais precisamente em Massarelos (daí o nome). Em 1920, depois de um incêndio que a destruiu totalmente, passou para a zona de Quebrantões Norte (ainda no Porto), onde laborou até 1980. Os fornos ainda podem ser vistos no local.

José Leite disse...

Caro Hugo Martins

Muito grato pela correcção e informações adicionais

Cumprimentos

CONCEIÇÃO MORGADO disse...

Bom dia. Existiu e ainda esxiste as ruinas de uma fabrica da companhia das fabricas de ceramica lusitania, mas está na Moita. Aqui no artigo fala da existencia de polos no Montijo e em setubal, no entanto a Moita não pertence ao Montijo mas fica no Distrito de Setúbal. Será que se referem a esta da Moita ou existiam mais duas(montijo e setubal)? Sabe informar-me mais alguma coisa sobre a fabrica da Moita? Pois ainda está escrito na faxhada em azulejo "Companhia das Fábricas de Ceramica Lusitania".
Muito obrigado.
Maria Conceiçao

José Leite disse...

D. Conceição Morgado

Toda a documentação e história que consegui obter está aqui publicada, pelo que não consigo responder ao que me pede.

Os meus cumprimentos
José Leite

MPaz disse...

A "Fábrica de Cerâmica Lusitânia" teve instalações em Setúbal junto à Praça de Touros Carlos Relvas, na designada "Estrada do Alentejo" (actual R. António José Baptista), a que correspondeu um troço da Estrada Nacional 10. No lugar da Fábrica foi edificado há mais de uma década, um conjunto de edifícios de habitação colectiva com o nome de "Plaza Apartamentos", e zona comercial designada como "Plaza Center" (http://www.plaza-apartamentos.com/home.htm). Da memória da fábrica resta a toponímia: a travessa da cerâmica e a Rua Azinhaga dos trabalhadores.