30 de janeiro de 2015

Observatório Astronómico na Ajuda

A construção do “Real Observatorio Astronomico de Lisboa” foi autorizada, no local chamado “Eira Velha da Real Tapada d’Ajuda”, com a promulgação do decreto em 14 de Fevereiro de 1857, resultante da iniciativa e financiamento do Rei D. Pedro V em 31 de Janeiro de 1857.

De estilo neo-clássico, o projecto foi da autoria do engenheiro Jean François Gille Colson, que seguiu o modelo do observatório astronómico de Poulkova, na Rússia, e considerado o mais avançado da época. A direcção da construção, iniciada no 2º semestre de 1861, na parte arquitectónica ficou a cargo do professor da “Academia das Bellas Artes”, Costa Sequeira.

À planta cruciforme, com os braços orientados segundo os pontos cadeais, corresponde um corpo central de secção octogonal rodeado por quatro corpos de menores dimensões. Enquanto que o piso inferior do corpo central apresenta uma sala circular rodeada por galeria octogonal, reconhecendo-se no pavimento,em embutidos de mármore, uma rosa dos ventos,o piso superior é rematado por uma cúpula giratória a 360 graus, toda trabalhada em ferro, que acolhe um grande telescópio equatorial refractor com uma objectiva de 38 cm de diâmetro e uma distância focal de 7 m. Para além desta cúpula central existem mais três salas de observação astronómica devidamente equipadas com instrumentos e janelas de observação, localizadas nas alas Norte, Este e Oeste do edifício central. Podemos encontrar ainda duas outras pequenas cúpulas exteriores dotadas de instrumentos, a Sul.

Fotos relativas à observação do eclipse do Sol, no “Observatório Astronómico de Lisboa”, em 17 de Abril de 1912

Director, Frederico Oom no telescópio

 

Outros cientistas, noutras observações astronómicas

 

A conclusão das obras do “Real Observatorio Astronomico de Lisboa”,  em 1867 deu lugar às primeiras observações astronómicas. Foi seu primeiro director e organizador o contra-almirante, e engenheiro hidrográfico, Frederico Oom, tendo-lhe sucedido em 1905 o vice-almirante, e engenheiro hidrográfico, César Augusto de Campos Rodrigues.

Fotos retiradas do acerca do “Real Observatorio Astronomico de Lisboa”, na revista “Serões” de Outubro de 1905, que reproduzo na íntegra, mais abaixo

 

 

  

Artigo completo, acerca do “Real Observatorio Astronomico de Lisboa”,  na revista “Serões” de Outubro de 1905

A determinação da “Hora Legal” , era uma das atribuições do “Real Observatorio Astronomico de Lisboa”, e em 1914 foi construído no Cais do Sodré o "Posto do Relógio Padrão da Hora Legal”, que estava equipado com um relógio mecânico, ligado directamente por cabo eléctrico ao “Observatório Astronómico de Lisboa”.

"Posto do Relógio Padrão da Hora Legal

Com o advento da electrónica e de outros padrões internacionais de medição do tempo, o “Observatório Astronómico de Lisboa” equipou-se com relógios atómicos e de quartzo, que permitem manter a hora com uma precisão da ordem do microssegundo, pelo que tem a responsabilidade de manter e fornecer a “Hora Legal” em Portugal.

A “Hora Legal” pode ser consultada no “Posto do Relógio Padrão da Hora Legal”, localizado na Praça Duque de Terceira (Cais do Sodré). Em 21 de Janeiro de 2009, e ao fim de quase 40 anos, o relógio, voltava a ter a “Hora Legal”. A “Administração do Porto de Lisboa” anunciava a reactivação a sincronização do mecanismo com o “Observatório Astronómico de Lisboa”, passando esta a ser feita via Internet.

Ano de MDCCCLXI (1861) inscrito no edifício, corresponde ao ano do início da construção deste Observatório

        

 

Actualmente, o “Observatório Astronómico de Lisboa” desenvolve actividades e objectivos que incluem globalmente a investigação científica e histórica, a preservação e divulgação patrimonial e a oferta de um serviço público de excelência.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Observatório Astronómico de Lisboa, Eu reparava no sorriso das vacas

2 comentários:

Alvaro Henriques Quintana disse...

Na linha 7 do artigo está o ano de inauguração como sendo 1961. Trata-se de um lapso. O ano foi 1861, como se lâ mais abaixo no mesmo artigo

José Leite disse...

Caro Álvaro Quintana

Grato pela chamada de atenção.

Já corrigi

Os meus cumprimentos

José Leite