7 de junho de 2013

Estádio da Luz

Desde a formação do clube, em 28 de Fevereiro de 1904, o “Sport Lisboa e Benfica” tinha jogado sempre em campos arrendados, tais como as “Terras do Desembargador” (1904-1906), “Campo da Feiteira” (1907-1911), “Campo de Sete Rios” (1913-1917), “Campo de Benfica” (1916-1926), o “Estádio do Campo Grande” (1941-1954), construído em terrenos arrendados ao histórico rival “Sporting Club de Portugal”. A única excepção foi o “Estádio das Amoreiras” (1923-1940), um recinto com capacidade para 20.000 adeptos, e que ao contrário dos atrás mencionados foi propriedade do clube, tenso sido demolido para dar lugar à Avenida Duarte Pacheco.

                       Campo no “Campo Pequeno”                                                        “Campo da Feiteira”

 

                             “Campo de Sete-Rios”                                                             “Campo de Benfica”  

 

                        Estádio do “Campo Grande”                                                          Estádio das Amoreiras

 

Em 1923, a revista “Illustração Portugueza”, sem mais notícia publicava seguinte foto

Após um longo processo negocial com a Câmara Municipal de Lisboa, foi finalmente estabelecido, a 17 de Maio de 1946, que o clube iria abandonar o espaço arrendado no Campo Grande e regressar à freguesia de Benfica. O então Ministro das Obras Públicas, engenheiro Duarte Pacheco, é citado como tendo dito: «O Benfica é de Benfica, e é para lá que deverá regressar».

                 Projecto do “Parque Desportivo do Sport Lisboa e Benfica” foi realizado pelo arquitecto João Simões

                                 

                                                                                        Maquetas

                                 

 

Motivados pelo presidente do clube, Joaquim Ferreira Bogalho - presidente entre 1952 e 1957 - os sócios suportaram uma quota suplementar destinada a custear a construção do novo estádio, para além de terem contribuído generosamente com doações ou mesmo através do trabalho no estaleiro durante fins-de-semana. Foi mesmo realizada uma "campanha do cimento", através da qual foram oferecidas ao clube grandes quantidades de sacos de cimento.

                                                                    Joaquim Ferreira Bogalho (1899-1977)

                                       

Em Janeiro de 1953, as dádivas começam a ser recolhidas no "Fundo de Construção do Novo Parque de Jogos do Clube". Além dessas iniciativas, em 1953, o “Sport Lisboa e Benfica”, organizou uma exposição no Pavilhão do Benfica instalado na Feira Popular de Lisboa, comemorando os seus 49 anos. Aqui foi colocado um mealheiro gigante.

                                                     Pavilhão do Benfica na Feira Popular de Lisboa em 1953

 

   

 

Este Pavilhão do “Sport Lisboa e Benfica” estava situado na Feira Popular de Lisboa ainda na Palhavã, e lá esteve até 1957, altura em que a Feira foi demolida. Em 1961 com a inauguração da nova Feira Popular de Lisboa, em Entre-Campos o SLB voltou a ter o seu Pavilhão promocional como atesta a foto seguinte de 1961.

                                                 Pavilhão do Benfica na Feira Popular de Lisboa em 1961

                                 

Em Janeiro de 1953, as dádivas começam a ser recolhidas no "Fundo de Construção do Novo Parque de Jogos do Clube". Quando em 23 de Maio de 1953 é adjudicada a empreitada de terraplanagens, pelo valor de 840.000$00, contabilizava-se já, nos "Fundos Pró-Estádio", um total de 1.355.658$00.

Em 15 de Junho de 1953, sob a presidência de Joaquim Ferreira Bogalho,  iniciaram-se as obras de construção do novo estádio, orientadas pelo engenheiro José Maria Seguro, tendo-se realizado uma autêntica romaria a Carnide, com uma multidão entusiasta e vibrante a festejar o princípio das obras no estádio do “Sport Lisboa e Benfica”.

                                              Início das obras do novo estádio do “Sport Lisboa e Benfica”

 

                                             

Em 1 de Dezembro de 1954, no ano do 50º aniversário do “Sport Lisboa e Benfica” é inaugurado o “Estádio de Carnide” como era assim chamado na altura. Oferecia uma capacidade para 40.000 espectadores, em dois anéis completos. Na ocasião, o Presidente da República General Craveiro Lopes condecorou com a Medalha de Mérito Desportivo o “Sport Lisboa e Benfica”, apondo as respectivas insígnias no estandarte do clube.

                                                              Inauguração do “Estádio de Carnide” do SLB

 

O Presidente da Direcção do “Sport Lisboa e Benfica”, Joaquim Ferreira Bogalho, afirmaria no seu discurso da cerimónia de inauguração :

«Foi um milagre! Um milagre da nossa fé inquebrantável; milagre do nosso querer irresistível; milagre do nosso amor a esta colectividade que se chama Sport Lisboa e Benfica. Eu profetizara este acontecimento em 29 de Maio de 1952, no Porto, no banquete comemorativo da inauguração do Estádio do F. C. Porto e consideraram-me um lunático, um sonhador, ou simplesmente um louco...»

«Sinto todo este extraordinário acontecimento, mas não posso definir por palavras o que me vai na alma.A emoção perturba-me e é mais forte do que o meu ânimo. Assisto, como vê, a tudo e, francamente, não posso articular frase que possa definir a grande alegria que tanto me emociona.»

                             Ferreira Bogalho comovido e amparado por Gastão Silva e Manuel Paulino Gomes

                                                                

No desfile de clubes convidados para a festa de inauguração estiveram presentes os seguintes: Sporting, Futebol Clube do Porto, Vitória de Setúbal, Barreirense, Lusitano de Évora, Algés e Dafundo, Lisboa e Ginásio, Casa Pia, Belenenses, e Oriental.

O desafio inaugural disputou-se entre o Benfica e o FC Porto, que saiu vencedor por 3-1. O primeiro golo portista na Luz foi marcado pelo defesa do Benfica, Jacinto, aos 5 minutos na própria baliza. Em 8 de Dezembro, ainda no programa das comemorações, apresentou-se na Luz o Real Madrid, onde alinhava o célebre Di Stéfano, e ganhou ao Benfica por 2-0.

                    

                    

 

  

                                                              Inauguração da estátua da águia em 1955

                                      

A importância do novo Estádio, onde o Benfica dispunha pela primeira vez na sua história de um campo relvado revelou-se logo na época da sua inauguração, com a conquista do título de Campeão Nacional, que escapava desde 1950 e sob a orientação do técnico Otto Glória (1917-1986)

Em 9 de Junho de 1958 foi inaugurada a iluminação do “Estádio da Luz”. A 5 de Outubro de 1960 viria a ser inaugurado o famoso “3º Anel” , mais conhecido pelo “Inferno da Luz”, e que incrementou a capacidade para 70 000 espectadores.

      

 

                                 

 

 

O "fecho" do terceiro anel foi concluído em 1985, passando a capacidade oficial do estádio para 120.000 espectadores. Dada a inexistência de lugares individuais até meados dos anos 1990, este número foi mesmo ultrapassado em algumas ocasiões. O "jogo do título", realizado frente ao F.C. Porto a 4 de Janeiro de 1987, teve uma assistência estimada de 135.000 espectadores, a semi-final da então Taça dos Campeões Europeus contra o Marselha em 1990 teve cerca de 130.000 espectadores, e a final do Campeonato Mundial de Futebol Sub-20 de 1991 entre Portugal e Brasil, teve uma assistência oficial de 127.000 espectadores.

 

De 120.000 espectadores, passou-se para 114.000 com a construção dos painéis electrónicos por volta de 1987. Em 1990 diminuiu para cerca de 100.000 espectadores, com a construção dos camarotes-empresa e lugares da imprensa. Só mais tarde, com as cadeiras em todos os sectores e a construção do fosso à volta do relvado (1995 ? ) passou para 90.000 A introdução de assentos individuais, em meados dos anos 1990, reduziu a capacidade do estádio para cerca de 78 000.

Outras instalações do complexo desportivo:

- Pavilhão dos Desportos (15/05/1965)
- Campo 2 (pelado: 1968; relvado: 1974; sintético: 1997)
- Campo 3 (relvado, 17/10/1973)
- Pista de Atletismo (18/05/1974)
- Campo 4 (pelado: 1975; reorientado: 1978; relvado: 1989)
- 8 Courts de Ténis (28/12/1975)
- Piscina (23/09/1978)
- Pavilhão Polivalente (28/02/1982)
- 3 Courts de Ténis (1983)
- Piscina de aprendizagem de natação (30/12/1985)

Em 28 de Setembro de 2001, a Assembleia Geral de Sócios do “Sport Lisboa e Benfica” votou favoravelmente a construção do novo estádio. Não se tratou de uma decisão fácil, dado que a velha "Catedral" teria de ser demolida para dar lugar ao novo complexo. A solução foi, no entanto, considerada necessária para assegurar a sustentabilidade financeira do projecto e do clube.

Foi perante um estádio cheio (com a capacidade reduzida para cerca de 50 000 adeptos) que o último jogo se efectuou, a 22 de Março de 2003. Tratou-se do jogo da 26ª jornada do Campeonato Nacional, onde o clube enfrentou o Santa Clara dos Açores. O jogo foi vencido pelo Benfica, com um golo de penálti convertido por Simão Sabrosa.

                                       

 

O SLB terminou a época jogando os seus jogos caseiros no Estádio Nacional.

O clube entrou numa nova fase da sua longa vida com a inauguração do no “Estádio da Luz”, a 25 de Outubro de 2003, e a 4 meses do “Sport Lisboa e Benfica” comemorar o seu 100º aniversário a 28 de Fevereiro de 2004. O novo estádio viria a albergar a final do Campeonato Europeu de Futebol de 2004 menos de um ano mais tarde.

 

O novo “Estádio da Luz” inclui os seguinte equipamentos:

Pisos Subterrâneos
- Pisos Subterrâneos
- Piso -1: 170 lugares estacionamento, estacionamento VIP
- Piso -2: 400 lugares estacionamento
- Piso -3: 840 lugares estacionamento.

Primeiro Anel
- 21.800 lugares
- 12 bares
- Lugares para pessoas com deficiências motoras Piso Relvado
- Balneários
- Corredor acesso ao estádio
- Sala de Comunicação Social

Segundo Anel
- 7.300 lugares
- 12 bares
- Salas de apoio exclusivas
- Tribuna Presidencial
- Health Club
- Restaurante Panorâmico
- Museu

Terceiro Anel
- 2.500 lugares
- 8 bares
- Camarotes de Empresa
- Camarotes de Sócios
- Business Center e Corporate Center
- Health Club
- Restaurante Panorâmico

Quarto Anel
- 33.600 lugares
- 23 bares
- Health Club

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Sport Lisboa e Benfica, Estádio da Luz - O Gigante de Betão, Arquivo Marina Tavares Dias

11 comentários:

Laurus nobilis disse...

Excelente artigo. Obrigado. Com ou sem resultados favoráveis, o Benfica é algo que se mistura com a Nação e com o seu povo (não falo dos energúmenos que frequentemente vemos no estádio ou pavilhões). É preciso viver este clube por dentro, para perceber a tão apregoada aos sete ventos "mística", mas que efectivamente existe. E são muitos os que a sentem. Ser do Benfica é, efectivamente, algo de muito especial.

A. Marques disse...

Excelente artigo para um excelente clube - o SLB. Parabéns!
P.S. Oxalá dê sorte hoje à Selecção! (bem precisa...)

José Leite disse...

Laurus Nobilis e A. Marques

Muito grato pelos vossos comentários, e estou inteiramente de acordo com eles.

Os meus cumprimentos a ambos

José Leite

legião 1143 disse...

em 1904 temos o Grupo Sport Lisboa e em 13 de Setembro de 1908 este colectivo despede-se do bairro de Belém (berço do futebol português de cariz mais popular) funde-se com o Grupo Sport Benfica , detentor de um terreno de jogos naquele bairro , deste fusão surge o Sport Lisboa e Benfica , que no inicio ainda continuou a ser chamado de " O Lisboa " nome que durante muito tempo teve o jornal do clube

José Leite disse...

Legião 1143

Grato pela informação adicional.

Não sei se conhece, mas na Hemeroteca Municipal de Lisboa estão disponíveis os 3 primeiros números do Boletim Oficial do SLB de 1927.

Pode visitá-los no seguinte link directo:

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/SportLisboaeBenfica/SportLisboaeBenfica.htm

Os meus cumprimentos

José Leite

legião 1143 disse...

Estes já são com o nome sport lisboa e benfica , o primeiro número de jornal com o título «Sport Lisboa», saiu em 24 de Agosto de 1913 . Trazia no cabeçalho os nomes do dr. Alberto Lima , Alfredo da Silveira Ávila de Melo e Jorge Eduardo de Assis Paixão todos directores do clube . Redacção e administração , Rua Garrett , 61-3º. Era o jornalista Norberto de Araújo quem o paginava , ocupando ainda o cargo de redactor principal . Mais tarde seria secretário da redacção .
A partir de 13 de Março de 1915 , fundiu-se com o «Jornal de Sport » de Álvaro Lacerda , recebendo o novo jornal o nome de «O Sport de Lisboa » , desligando-se assim do compromisso clubista .O «Sport de Lisboa » durou até Maio de 1932 .O jornal «O Sport Lisboa» tinha este nome como costume no topo do jornal com as habituais letras desenhadas da época , o símbolo resultante da fusão dos dois clubes ( de 1908 )ficava no meio do nome , por baixo constava "propriedade do sport lisboa e benfica , era um jornal semanal . A verdade é que o Lisboa era um clube mais dado à bola do que o Sport Benfica mais dado ao ciclismo , para além disso o Lisboa tinha mais prestigio e já tinha nome e adeptos feitos por isso apesar da fusão com o «Sport Clube de Benfica» o mesmo clube que o «Grupo Sport Benfica» mas já com novo nome que se fosse contar iríamos passar imagine pelo regicídio , este clube viria a herdar boas condicções que eram contrarias à pobreza franciscana do Sport Lisboa , tudo somado veio facilitar a criação do SLB .
Esta ligação não foi um casamento de amor . E houve quem até lhe chamasse anexação .
O projecto da fusão do Sport Lisboa com o Sport Clube de Benfica não teria de lutar contra grandes obstáculos. Aliás adivinhava-se inevitável ou pelo menos muito possivel devido à aproximação , cada vez mais frequente , entre os atletas e dirigentes das duas colectividades . Tudo se resolveu em três assembleias , uma no Sport Lisboa , outra no Sport de Benfica , e a terceira com os sócios dos dois clubes . Em teoria , foi assim, mas , na prática e nos primeiros tempos , tanto o público como os jogadores de Belém ( a data que o SLB comemora é a do Lisboa com origem em Belém )continuavam a sentir no coração e na alma o Sport Lisboa .
Era, porém uma questão de tempo .
Aliás Salazar Carreira , na revista «Ilustrações» , editado pela Bertrand , escreveu :«Em 13 de Setembro de 1908 , realiza-se a fusão com o Sport Club de Benfica fundado em 1906 , da qual resultou o Sport Lisboa e Benfica . Em verdade foi mais uma absorção do que uma fusão ;o clube de Benfica tinha campo e sede e o Sport Lisboa tinha um núcleo de bons jogadores . Os sócios deste ingressaram mais propriamente naquele , que outra coisa . Ficaram os mesmos estatutos e continuaram em exercício os mesmos Corpos Gerentes . A equipa é que ficou a do Sport Lisboa , com a camisola vermelha de gloriosas tradições »

José Leite disse...

Legião 1143

Muito grato por este, mais que elucidativo, comentário. Um verdadeiro comentário de carácter histórico, que só enriquece este artigo.

Muito grato pela sua colaboração e disponibilidade

Os meus cumprimentos

José Leite

Carlos Henriques disse...

Excelente artigo como é seu apanágio,

Abraço,

Carlos

José Leite disse...

Caro Carlos Henriques

Muito grato pelo seu amável comentário.

Os meus cumprimentos

José Leite

João Tomaz disse...

Gostei do artigo!

Quatro notas:
- A primeira foto não é das Terras do Desembargador, é do Campo Pequeno, local onde se disputavam partidas de futebol na última década do séc XIX;
- Penso que seria interessante referir também a realização do sarau de angariação de fundos pois foi aí que a "Ser Benfiquista" foi estreada. O sucesso foi tal que foi tocada também na inauguração do estádio passando a preceder os jogos da equipa principal de futebol e alguns actos solenes do clube. Além de que foi escrita propositadamente para motivar os benfiquistas para o grande desafio da construção do estádio;
- A informação sobre a evolução da lotação do antigo estádio está errada.
Em 1990, o estádio não tinha cadeiras em todos os sectores. De 120000, passou-se para 114000 com a construção dos painéis electrónicos por volta de 1987. Em 1990 diminuiu para cerca de 100000 com a construção dos camarotes-empresa e lugares da imprensa. Só mais tarde, com as cadeiras em todos os sectores e a construção do fosso à volta do relvado (1995 ? ) passou para 78.000 (se estiver correcto, pois sempre pensei que seria 90.000).
- Sobre o complexo desportivo, faltou acrescentar que houve, mais tarde, o campo nº5. Além da sala de bilhar, que era muito bonita, o lar dos jogadores, a sala de convívio dos sócios, a sala dos troféus e alguma restauração.

José Leite disse...

Caro João Tomaz

Grato pelas suas correcções.

Quanto à 1ª foto foi retirada do site oficial do SLB e cuja legenda é que eles publicaram. Aí o meu erro.

Quanto ao resto, deve ter razão também, pois não sou lá muito especialista em futebol ... :)

A minha intenção foi focar-me mais no património em geral e não me preocupei muito com os detalhes. Apesar de tentar sempre ser o mais rigoroso possível.

Os meus agradecimentos e os meus cumprimentos

José Leite