7 de novembro de 2012

Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva

Natural de Lisboa, Dr. Ricardo Ribeiro do Espírito Santo Silva licenciou-se em Ciências Económicas e Financeiras. Em 1932 assumiu a liderança do Banco Espírito Santo, que havia sucedido, em 1920, à casa bancária criada pelo seu pai, José Maria, em 1884. Em 1937 Ricardo operou a fusão com o Banco Comercial de Lisboa, dando origem ao Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa (BESCL), hoje simplesmente Banco Espírito Santo (BES).

                                         Ricardo do Espírito Santo Silva (1900-1955), por Eduardo Malta

Ricardo Espírito Santo (Eduardo Malta)

Em 1953, o banqueiro e coleccionador de arte, Dr. Ricardo do Espírito Santo Silva, depois de comprar em 1947 o Palácio Azurara, situado na Rua das Portas do Sol, no bairro de Alfama em Lisboa, doa e parte das suas colecções privadas ao Estado português. Foi o princípio da Fundação com o seu nome, “Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva” criada como museu-escola, tendo sido o primeiro presidente do concelho directivo.

                                                                 Palácio Azurara e porta de entrada

       

A Fundação tem como finalidade proteger as artes decorativas portuguesas e os ofícios com elas relacionados, pela manutenção das suas características tradicionais, pela educação do gosto do público e pelo desenvolvimento da sensibilidade artística e cultural dos artífices. O fundador e banqueiro instalou o museu-escola neste palácio do século XVII, e decorou-o como uma casa aristocrática do século XVIII, com a ajuda do arquitecto Raúl Lino, tendo o Museu de Artes Decorativas sido inaugurado em 21 de Abril de 1953. Dr. Ricardo Espírito do Santo Silva viria a falecer em 1955.

    

                                                                   Interiores do Palácio Azurara

      

                                    

Nesta fundação funcionam duas escolas: A “IAO - Instituto de Artes e Ofícios” e a “ESAD - Escola Superior de Artes Decorativas”:

As oficinas do “IAO - Instituto de Artes e Ofícios” compreende as seguintes especializações e trabalhos:

Madeiras

Desde a preparação, a escolha e selecção das diferentes e muito variadas madeiras, incluindo algumas exóticas, passando pela execução do molde e culminando na feitura final da peça e o seu cuidadoso acabamento, as oficinas de madeiras respondem com uma mestria única a todas as fases do processo de criação de uma obra nova de mobiliário ou de restauro de uma obra antiga.
Serração, Marcenaria, Talha, Embutidos, Polimento e Empalhamento

                                    

       

Metais

O trabalho dos metais começa pela sua fundição seja em latão, bronze, prata ou ouro, e passa por várias fases e técnicas até à obra final que pode adquirir as mais variadas formas e ser destinada a diversíssimas e utilizações. Ao lado do trabalho rigoroso de serralharia e do minuncioso e requintado da cinzelagem, vê-se na latoaria o recurso a técnicas ancestrais com a utilização de ferramentas de longa tradição. E, coroando de beleza algumas obras a folha de ouro fino, produzida pelo Batedor de Ouro – oficina única no contexto mundial. Fundição, Cinzelagem, Serralharia, Latoaria, Batedor de Ouro

                                  

Encadernação e Decoração de Livros

Nesta oficina «de outros tempos» o tratamento dado ao papel e ao livro é de grande excelência e de rara beleza. Desde a encadernação com sedas e peles várias e seleccionadas, à realização do requintado papel marmoreado e a minuciosa decoração a ouro fino, utilizando os mais artesanais métodos e motivos decorativos, os livros são obras de arte que têm aqui um tratamento muito especial, uma marca distintiva da arte de saber-fazer nesta Fundação.

                                    

Pintura Decorativa e Douramento

Trabalhos de pintura e de douramento incorporados em peças de mobiliário, em paredes e tectos pintados, ou em outros suportes, são realizados nesta oficina que produz não só novas obras como complementa o trabalho de conservação e restauro do Laboratório. Os processos de douramento a ouro fino brunido e o pratear com prata fina, são hoje verdadeiras raridades com grande importância no conjunto do saber-fazer das artes tradicionais portuguesas.

                                                    

Passamanaria, Têxteis e Estofador

A oficina de passamanaria executa todo o tipo de adornos como franjas, galões, cordões ou borlas (entre tantos outros) com fios de seda, fioco, ouro, prata, bronze, algodão, etc. A mais-valia da qualidade de execução das peças de passamanaria é que elas dão, para lá da beleza cenográfica, coesão a determinado projecto, atribuindo-lhe forma, estrutura e, muitas vezes, profundidade a determinada divisão.
A oficina de têxteis, uma das mais antigas, cria com grande mestria tapetes de Arraiolos novos com lãs tingidas à moda antiga cumprindo também uma outra missão da Fundação: a de conservação e restauro de outros têxteis, tais como bordados e tapetes orientais - peças patrimoniais ou de coleccionadores particulares.
Na oficina do estofador executam-se trabalhos com técnicas, instrumentos e materiais ancestrais e processos de fabrico tradicional, dando à obra final um requinte e solidez dificilmente igualáveis.
Gabinete de Desenho.

                                                       

A par das oficinas e como seu complemento essencial o desenho funciona como suporte e orientação para a execução de moldes de obras novas ou para reprodução de modelos já existentes. O desenho é feito com grande mestria e em escala real, tanto no seu todo como em pormenores decorativos e construtivos, incluindo ferragens, embutidos e talha para realçar o relevo dos ornamentos. Feito a lápis, o desenho é posteriormente digitalizado para mais facilmente ser salvaguardado e arquivado.

Oficina de Conservação e Restauro

Em complemento com as demais, a oficina de restauro coordena rigorosos trabalhos de os profissionais da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva a executar intervenções no património artístico nacional e internacional, ou dedicando a sua atenção a trabalhos executados com a mesma mestria na recuperação de património móvel particular. O conjunto de técnicos especializados e as novas tecnologias associados ao grande conhecimento das técnicas ancestrais fazem desta actividade uma referência nacional e internacional.

                                                                          Interiores do Palácio Azurara

                                     

               

fotos in: Fundação Calouste Gulbenkian (estúdio Mário Novais)

Na “Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva”, funciona a “ESAD - Escola Superior de Artes Decorativas”. Os estudos em Artes Decorativas e Design de Interiores estão orientados para formar novos perfis profissionais capazes de investigar a realidade, conceber soluções e desenvolver propostas em Artes Decorativas e Design de Interiores. São cursos pluridisciplinares necessários ao desempenho destas actividades com um plano de estudos baseado numa experiência de ensino de 50 anos, em contacto diário com o Museu – Escola da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva e as suas oficinas de construção e restauro de mobiliário e de outras artes decorativas.

Algumas obras e trabalhos encomendados à “ESAD - Escola Superior de Artes Decorativas”:

  • Execução de diversas peças de mobiliário e de decoração de interiores para as embaixadas de Portugal: no Brasil (Palácio de S. Clemente, Rio de Janeiro); na Alemanha (Bona); em Itália (Roma); nos EUA (Washington); na NATO (Bruxelas); na China (Pequim); na Bulgária (Sofia)
  • República Popular de Angola: Execução de mobiliário e decoração para a Presidência da República, em Luanda.
  • República Popular da Guiné-Bissau: Execução de mobiliário e decoração para o Palácio do Governo, em Bissau
  • Decoração e execução de peças de mobiliário e outras para: Caixa Geral de Depósitos, Banco Nacional Ultramarino, Banco Pinto & Sotto Mayor, Banco Fonsecas & Burnay, Crédito Predial Português, Banco Espírito Santo, entre outros.
  • Execução de dois fauteuils de estilo Luís XVI, segundo um modelo de George Jacob, para o "boudoir" da Rainha D. Maria Antonieta, no Palácio de Fontainebleau.
  • Reprodução de um original pertencente ao acervo do Museu Gulbenkian
  • Execução e reprodução de diversas encadernações para a Biblioteca Nacional de Paris.
  • Reconstituição da biblioteca da Madame du Barry nos "petits appartements" do Palácio de Versailles
  • Hotel Palácio de Seteais: Decoração integral e execução de todas as peças das "suites" principais e do salão de festas.
  • Hotel Ritz de Lisboa: Decoração e execução de mobiliário e outros objectos decorativos.
  • Execução de mobiliário clássico para décors de filmes por encomenda de estúdios cinematográficos americanos.
  • Quinta dos Cónegos, Maia: Decoração e execução de mobiliário e adereços e pinturas murais (após incêndio).
  • Gabinete do Museu de Macau:Execução de um Biombo Chinês (sécs. XVII-XVIII) pertencente à colecção de mobiliário do Palácio Nacional de Queluz
  • Société Bancaire de Paris: Execução de diversas peças de mobiliário.
  • Companhia de Seguros Fidelidade: Execução de diversas peças de mobiliário.
  • Fábrica de Porcelanas Vista Alegre: Execução de moldes para peças de porcelanas.
  • 20 Caixas para os três relógios da edição limitada "Pride of Portugal", da Franck Muller.

Para a eleboração deste artigo recorri, também, a excertos de textos e informações do site da “Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva”.

Sem comentários: