28 de novembro de 2012

28 de Maio de 1936 em Braga

Na madrugada do dia 28 de Maio de 1926, o General Gomes da Costa, chefiando a Junta de Salvação Pública, proclamou, a partir de Braga, que «A Nação quer um Governo forte que tenha por missão salvar a Pátria, que concentre em si todos os poderes para, na hora própria, os restituir a uma verdadeira representação nacional (...)».

                             

O plano militar era, saindo de Braga, conquistar o Porto e, com forças militares que saíssem de outras cidades (Santarém, Mafra, Évora...), marchar sobre Lisboa. A Marinha também aderiu. Entretanto, várias forças militares foram aderindo em todo o país, incluindo Porto, Coimbra e Lisboa. Na noite de 29 para 30 de Maio, o governo de António Maria da Silva demitiu-se. Na madrugada de 30 de Maio, foi o Presidente da República, Bernardino Machado que se rendeu, convidando o Almirante Mendes Cabeçadas a formar governo. A 6 de Junho de 1926, o General Gomes da Costa desfilou em Lisboa à frente das tropas.

              Dr. Oliveira Salazar, Almirante Mendes Cabeçadas, general Gomes da Costa e general Óscar Carmona

                              

As comemorações do 28 de Maio de 1936, e simultaneamente do X aniversário do golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, tiveram início a 26 de Maio de 1936, na cidade de Braga.

O comboio presidencial chegou às 10h e 58 m è estação de Braga. No comboio tinham viajado o Presidente da República general Óscar Carmona acompanhado pelo Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar, o ministro da Marinha Contra-Almirante Américo Tomás, majores, generais da armada e do exército, e de outras individualidades civis e militares.

 

Na estação ferroviária de Braga aguardavam-nos, entre outras individualidades, os generais Schiapa de Azevedo, Gomes de Sousa, Lacerda Machado e Joaquim Malheiros, respectivamente comandantes da 1ª, 2ª,3ª e 4ª regiões militares, Casimiro Teles, vice-presidente da comissão de festas, general Daniel de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e o general Alexandre Malheiro, comandante da Guarda-Fiscal.

Também se associaram ás boas-vindas membros da União Nacional, delegados das associações económicas, magistrados, funcionários superiores, clero e os representantes das 43 juntas de freguesia, de Lisboa, como o respectivo Conselho Central.

Organizou-se de seguida um cortejo automóvel para o Governo Civil de Braga «com centenas de automóveis, indo à frente as entidades de Braga, depois os comandantes das regiões militares, governador militar de Lisboa, comandante da 1ª região, a seguir o arcebispo de Braga e o clero da Sé (...). Num automóvel aberto seguiam os senhores general Óscar Carmona, dr. Oliveira Salazar e o governador civil de Braga, escoltados por um esquadrão de cavalaria 9.».

 

 

Após o almoço no governo civil, organizou-se um grande cortejo cívico, que desfilou perante os altos representantes da nação instalados numa tribuna artísticamente decorada, na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra. Abria o cortejo a banda do Colégio de S. Caetano, seguindo-se as escolas primárias, os alunos das Oficinas de S. José, formações de escoteiros, agremiações desportivas, bandas de música, comissões da União Nacional de Barcelos, Bombeiros Voluntários de Braga, etc.

  

                              

Terminado este desfile realizou-se a grande parada militar em que tomaram parte 5.000 homens, representantes de todas as unidades do país. Antes de começar o desfile o general Schiapa de Azevedo, comandante da 1ª Região Militar, passou em revista as tropas, indo depois colocar-se junto da tribuna presidencial.

Depois de terem discursado o General Schiapa de Azevedo, o capitão Lucínio Presa, governador do distrito de Braga, o Dr. Alberto Cruz, deputado, discursou por último o Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar, cujo discurso foi radiodifundido pela "Emissora Nacional".

                               

 

Terminada a cerimónia no quartel de Infantaria 8, foram distribuídos donativos a numerosas famílias pobres e foi servido um jantar a 500 indigentes. No manhã do dia seguinte a comitiva presidencial chegaria à estação de Campanhã na cidade do Porto.

Em 28 de Maio de 1936 teriam lugar as cerimónias oficiais no Parque Eduardo VII da celebração do X aniversário do 28 de Maio de 1926.

                               

                               

Entretanto em Moçambique o 28 de Maio de 1936 era comemorado, também, pelos indígenas …

                                                         Cerimónia do batuque de guerra por indígenas

 

                               

fotos in: O Saudosista, O Blog da República, Biblioteca de Arte- Fundação Calouste Gulbenkian. Arquivo Nacional da Torre do Tombo

4 comentários:

Belenenses Ilustrado - disse...

Atenção que o titulo está errado, 1936.

tron disse...

Será com as medidas que o presente governo está a tomar já estamos sob um regime como o estado novo ou estamos nos trilhos para lá chegar ?

e desde já está convidado em visitar o meu humilde blog e parabéns pelo trabalho

José Leite disse...

Belenenses Ilustrado

O Título não está errado já que ele se refere às comemorações do 28 de Maio de 1936 e não ao golpe de 1926, que apenas o refiro como introdução histórica.

De qualquer modo os meus agradecimentos pelo aviso

Cumprimentos

Caro «Tron»

Grato pelo seu comentário e decerto que visitarei, com todo o gosto, o seu blog

Os meus cumprimentos

José Leite

Anónimo disse...

"Será com as medidas que o presente governo está a tomar já estamos sob um regime como o estado novo ou estamos nos trilhos para lá chegar ?"
de maneira nenhuma porque antes estávamos bem apenas não o sabíamos !claro que há coisas próprias de cada tempo em que se vive mas uma coisa é certa desde 74 animação não nos falta !