Restos de Colecção

21 de março de 2021

Herminios - Grandes Armazéns

Os "Herminios - Grandes Armazéns" foram inaugurados em 1 de Julho de 1893. Segundo as crónicas da época eram os maiores e mais elegantes do Porto . O grande edifício tinha duas entradas opostas: entrada pela Rua 31 de Janeiro e a oposta pela Rua de Sá da Bandeira.


Entrada pela Rua 31 de Janeiro


Entrada pela Rua de Sá da Bandeira, num postal datado de 1904


1898

Demolido o que restava do "Theatro Baquet", - destruído por um grande incêndio em 21 de Março de 1888 - no seu lugar foí construído o edifício que albergou os "Hermínios - Grandes Armazéns" tendo sido inaugurado em 1 de Julho de 1893. O Conde Henry Burnay (1838-1909), o financeiro que era chamado na imprensa "O Senhor Milhão", além de interesses, na banca, caminhos de ferro, indústria, e navegação, tinha uma participação societária neste estabelecimento.


"Theatro Baquet" após o incêndio visto das duas entradas

Nota: Acerca da história do "Theatro Baquet", consultar o seguinte link deste blog: "Theatro Baquet"

No ano de 1894, dispunham já um moderno sistema de iluminação, ainda antes desse sistema ser introduzido nos "Armazéns Grandella & C.ª", em Lisboa, o que foi motivo de orgulho para os habitantes do Porto. 

Foi um dos grandes armazéns portugueses, a par dos "Armazéns Grandella & C.ª" e dos "Grandes Armazéns do Chiado", influenciados pelos grandes armazéns parisienses, como o "Le Bon Marché", que foi o primeiro grande armazém construído em Paris. 
«O “Le Bon Marché”, inaugurado em 1838, em Paris, será talvez o exemplo pioneiro do grande armazém. Aí, fazia furor o facto do cliente poder circular pela loja, tocar e experimentar os objetos, sem precisar de contactar com o caixeiro ou com o comerciante, se de lá saísse sem compras. Um mundo novo!» in: "Geografia do Porto»





A introdução dos novos conceitos do uso do ferro e do vidro na arquitectura levou à construção de um armazém luminoso, com cúpula de vidro central e grades de ferro circundando cada piso e deixando um espaço central, modelo que viria a servir de inspiração para vários outros edifícios comerciais. Os “Hermínios - Grandes Armazéns”  eram na altura o maior estabelecimento comercial do Porto, visitado pela melhor sociedade. Tinham entrada pela Rua 31 de Janeiro e pela Rua de Sá da Bandeira.

«A construcção é ampla, tem mesmo o que quer que seja de magestosa. Paredes altas, janellas largas, gran­de clarabóia, permittem que a luz entre em abundân­cia, e que o ar seja constantemente renovado.
Sob este ponto de vista, os Herminios do Porto levara manifesta vantagem à casa Grandella de Lisboa, onde principalmente nas noites de verão, as senhoras preci­sam recorrer à ventilação artificial do leque, e onde,durante o dia, apenas entra uma pallida luz coada e baça.
Todo o edifício dos Hermínios está dividido em duas galerias, de muito pé direito, cujos varandins se de­bruçam sobre uma espécie de porão de navio, com a profundidade que lhe é permittida pela diferença de nível entre a rua de Santo António e a rua Sá da Bandeira.
(…) Candieiros de luz eléctrica fornecem a illuminação nocturna do edifício, melhoramento até hoje ainda não introduzido na casa Grandella de Lisboa.»  in: blog "do Porto e não só".





«Os Herminios possuem incomparavel sortimento, que sem exagêro, se póde considerar o primeiro do paiz».


Director dos Armazéns, Alberto Mulders

Os “Herminios - Grandes Armazéns” eram também considerados uma instituição social, uma vez que empregava cerca de 1.500 funcionários de todas as categorias. Dentro das actividades sociais salientavam-se as excursões dos empregados, os grandiosos concertos, os “bodos aos pobres”, os saldos de ocasião e os balões oferecidos às crianças.


7 de Maio de 1908


1913


1914


1916

Anos mais tarde viria a encerrar e o edifício seria demolido, para dar lugar a dois edifícios: com frente para rua de 31 de Janeiro foi construído um edifício de habitação com uma sucursal da "Caixa Geral de Depósitos"; na frente para a Rua de Sá de Bandeira funciona hoje, após obras de adaptação, um hotel chamado "PortoBay Hotel Teatro"

fotos in: Foto-Portodo Porto e não sóGarfadas OnlineBiblioteca Nacional de PortugalHemeroteca Digital

17 de março de 2021

Companhia Propagadora de Instrumentos Musicos

A "Companhia Propagadora de Instrumentos Musicos" - Sociedade Anonima de Responsabilidade, Limitada, abriu as suas portas, pela primeira vez, em 1 de Agosto de 1887, na Rua Garrett, 29 - 1º andar, esquina com a Rua de S. Francisco (actual Rua Ivens), em Lisboa.


Primeiro andar onde estava instalada a "Companhia Propagadora de Instrumentos Musicos" (dentro da elipse desenhada)


1887

Local onde tinha funcionado a "Companhia Propagadora de Instrumentos Musicos", numa foto de 1910 (dentro da elipse desenhada)

Chegar a mais amadores de música e a mais instituições e casas particulares, terá levado várias personalidades a reunirem-se na casa de Justino Roque Gameiro Guedes, - dono da "Litographia Guedes" e a partir de Janeiro de 1888 fundador e sócio maioritário da "Companhia Nacional Editora".

Tinham a «ideia da formação de uma companhia para venda piannos e outros instrumentos musicos em condições mais vantajosas aquellas que actualmente são vendidos nos  estabelecimentos conhecidos do mesmo ramo.» Daí nasceu a "Companhia Propagadora de Instrumentos Musicos".

A primeira acta desta empresa, datada de 4 de Março de 1887 designava o respectivo corpo directivo: Presidente - Thomaz Del Negro, Secretários - Sertorio Augusto de Sequeira Corte Real e José George Paccini.

Na véspera, 31 de Julho de 1887, tinha aberto, mais acima e ao lado do café "A Brasileira", a "Empresa Construtora e Vendedora de Pianos e Outros Instrumentos de Musica" S.A.R.L. De referir que neste mesmo local já tinha funcionado, desde 1872, o  "Armazem de Pianos G. Fontana & C.ª ".  A seguir à "Empresa Construtora e Vendedora de Pianos e Outros Instrumentos de Musica", e na mesma loja, a parir de 31 de Março de 1891, instalar-se-ia a firma "Matta Junior & Rodrigues" - Armazem de Musica e Outros Instrumentos.

31 de Julho de 1887


9 de Abril de 1875


17 de Dezembro de 1893


Local onde funcionava o "Armazem de Pianos" numa foto de 1905 (dentro das elipses desenhadas)


Para melhor entendermos a dinâmica e modo de comercialização desta Companhia, transcrevo algumas passagens de texto publicado num artigo do jornal "Diario Illustrado", de 9 de Junho de 1888:

«A direcção, comprhendendo todo o resultado que podia tirar de uma administração séria e zelosa, e de todo o possivel barateamento e facilidade nas transacções, entabolou as suas negociações com as mais afamadas fabricas de França, Allemanha e Inglaterra e ainda outras, e sortindo-se dos mais aperfeiçoados pianos, e outros instrumentos de corda, madeira e metal, baniu das condições dos seus contractos com os seus freguezes todas as condições leoninas, que até então quasi que geralmente, pesavam sobre o comprador, estabelecendo prestações relativamente modicas e adoptando nos seus negocios a maxima seriedade.

E eis ahi porque em breve praso alargou espantosamente as suas vendas, encontrando vasta freguezia em Lisboa e em todas as nossas provincias, tanto mais que teve a boa idéa de estabelecer agencias nas principaes terras do reino. (...)


Aspecto d e um dos salões de exposição de pianos, em 9 de Junho de 1888

A direcção vende e aluga pianos, orgãos, instrumentos de metal, corda, madeira, acessorios para os mesmos, na conformidade da tabella que faz parte integrante do regulamentos. A direcção estabelece n'essa tabella o meio mais suave de qualquer poder comprar um instrumento caro, evitando o onoroso encargo de alugueis ou pesadas prestações de entrada, dando um prazo de 36 mezes para pagamento completo, subdividindo em prestações semanaes ou mensaes, á vontade do comprador. (...)

A forma de pagamento é em prestações mensaes, semanaes ou prompto pagamento. As prestações serão sempre pagas adiantadamente. A companhia usará para seus systema de cobrança, «coupons e cadernetas».

Cada «coupon» terá o numero de ordem tanto em si como no talão.  O pagamento das prestações semanaes ou mensaes será feito por meio dos mencionados «coupons» que serão lançados na caderneta, ficando esta sempre em poder do alugador, até que vença recibo de quitação. (...)

Os afinadores da companhia terão a seu cargo a afinação dos pianos, e o alugador não poderá servir-se de outros, sem que finde o seu contracto. O preço das afinações é de réis 1$000 dentro da cidade, e a cobrança será feita mediante recibo da direcção.

1888

Os instrumentos são marcados com a marca da companhia, e terão o numero de ordem de entrada e sahida, ficando exarados no contracto conjuntamente ao nome do auctor. (...)

Nas vendas a prompto pagamento, far-se-hão os seguintes descontos:

15 por cento aos srs. accionistas;

10 por cento aos compradores avulso.

Em todas as transacções são preferidos os srs. accionistas. É concedida aos srs. accionistas a reducção de 50 por cento no pagamento das prestações estipuladas na tabella, até que tenham completado todas as entradas das suas acções. Estas quantias de que o socio alugador fica em divida, serão pelo mesmo reembolsadas á companhia no prazo de seis mezes, alem do consignado na referida tabella. As condições de venda ou aluguel fóra de Lisboa serão as mesmas e a sua cobrança será feita por meio de vales do correio, ou como a direcção melhor o entenda. 

Todas as requisições, pedidos de afinação, etc, etc., deverão ser feitos na séde da companhia, rua Garrett, 29 1º andar, por escripto e com as indicações necessarias.

Com verdade, até agora nada tinhamos visto de mais vantajoso e convidativo de que os processos adoptados pela Companhia Propagadora de Instrumentos Musicos que, sem exagero, veiu prestar um bello serviço aos amadores de musica e á gente da profissão, que assim compra sem sacrificio, e em boas condições os instrumentos de que carece. É digna de auxilio que o publico lhe está prestando.»

Mas em 21 de Dezembro de 1889 « Acabou-se o aluguer» ...

Num anúncio publicado em 1 de Julho de 1889, a "Gazeta Musical de Lisboa" publicitava a variedade de instrumentos musicais disponíveis dos diferentes tipos de modelo à venda na "Companhia Propagadora de Instrumentos Músicos". Entre outros, anunciava:

«Flauta de buxo 1 chave de latão sem bomba, 1$600 réis”; mas “com bomba, 2$000 réis”; ainda de “buxo” com “uma chave de metal branco, 2$500 réis”; mas “5 chaves” também de “metal branco, 3$500 réis”. Quanto à “Flauta d’ebano”, tendo apenas “1 chave de metal branco” custava igualmente “3$500 réis”, já com “5 chaves” era “5$000 réis”, ficando o modelo “d’artista” em “9$000 réis”. As “flautas terças” tinham os “mesmos preços”. A “Flauta d’ebano” com “6 chaves de metal, 6$000 réis” e o modelo “d’artista 10$000 réis”; com “8 chaves 9$000 réis”, o modelo “d’artista 15$000 réis” e o modelo “Lefevre 30$000 réis”. Ainda “d’ebano”, mas “com 10 chaves de metal, 12$000 réis»

A título de curiosidade refira-se que, em 1892, o salário anual de um professor de flauta era de 500$000 réis, ao passo que o de professor auxiliar da aula de Rudimentos era de 150$000 réis.


"Gazeta Musical de Lisboa" e seu anexo "Diccionario Musical", pelo accionista Ernesto Vieira em 12 de Outubro de 1890

Em 1 de Fevereiro de 1890, o mesmo jornal "Diario Illustrado" relatava:

«Prestações modicas, faceis de cumprir, por assim dizer ao alcance da pessoa mais humilde, e sem comtudo se abusar com exigencias de grandes juros de mora. Uma pequenin percentagem sobre o custo, uma percentagem que habilita a companhia a poder esperar pelo embolso total, sem contudo ir aggravar dolorosamente o comprador, e sobretudo, a bella qualidade dos instrumentos fornecidos, quer a compra seja realisada a prompto ou a prestações. (...)

Conta a empreza tres annos do favor que o publico lhe concede está no numero de pianos, cerca de 500, que tem vendido em tão curto espaço de tempo. Além de pianos, tem fornecido diversos instrumentos de orchestras, bandas e charangas.
A companhia não aluga os instrumentos que tem nos seus depositos. Vende-os, mas, como dissemos em condições taes que mais mal servido e mais caro paga quem em outra parte aluga do quem ali compra.

Entre outras marcas de pianos a companhia tem estas: Herz, Boisselot, Hipp, Pleyel, Schonleber, Etc. A fim de facultar a venda nas provincias em agentes em quasi todas as principaes localidades.»

Em 31 de Março de 1892, era designado novo corpo directivo da "Companhia Propagadora de Instrumentos Musicos":  diretores - Ernesto Vieira e Julio Augusto Neves.


21 de Dezembro de 1892

Segundo o catálogo da "Companhia Propagadora de Instrumentos Musicos" de J. G. Pacini, Lisboa, editado pela "Typographia Belenense", em 1893, um anúncio publicitário, publicado em 30 de Novembro de 1895, já aparece referido o antigo accionista e ex-director desta Companhia, José Geroge Pacini, como novo proprietário (sucessor) da mesma.


30 de Novembro de 1895

Nota: além de outras fontes, foi, também, consultada a Tese de Mestrado em Música: "A vida musical em Lisboa no final do século XIX e início do XX", de Maria João Correia Rodrigues Cristiano Cerol - Universidade de Évora (2014).

fotos in: Arquivo Municipal de LisboaHemeroteca Digital de Lisboa

14 de março de 2021

Antigamente (156)



Grande Club de Lisboa" - Pavilhão Rústico, em Junho de 1906

"Empreza de Jantares aos Domicilios", na Rua de S. Bento em 1908

Já em 13 de Junho de 1890 ...


E em 1904 a concorrência apertava ...

 

Uma "Ford" de distribuição das bolachas e chocolates "Favorita", em 1926


15 de Maio de 1932


Gravação na RTP de um programa com Professor Doutor Marcello Caetano (1906-1980), ocorrido em 1957



Restaurante "Furnas Lagosteiras" a seguir ao "Farol da Guia" entre Cascais e o Guincho

11 de março de 2021

"La Bécarre" Papelaria e Tipografia

A Papelaria e Tipografia "La Bécarre", foi fundada em 20 de Maio de 1886, na Rua Nova do Almada, 47 em Lisboa, pela firma "Marques da Costa & C.ª", tendo sido a primeira a vender materiais para desenho e pintura artística na cidade.



Publicidade à sua inauguração em 20 de Maio de 1886

Em 1888 já aparece com novos donos ...


No "Jornal de Notícias" de 20 de Julho de 1888

Realizando trabalhos, também, de litografia, foi igualmente, editora de vários livros e de postais. Em 1899 já era propriedade da firma "F. Carneiro & C.ª". Em 1915 o sócio maioritário, Francisco J. Carneiro, adquire a totalidade da empresa.

Alamanach Palhares para 1900 (editado em 1899)


À direita na foto e em fundo a "La Bécarre" já no Largo da Boa-Hora


1899


1901


1 de Janeiro de 1905


1903


1908


1911


Gaveto da "La Bécarre" durante as Festas da Cidade em 1913

Em 1917 Francisco Carneiro junta-se a Emilio de Moraes e formam a firma "F. Carneiro & Morais".


7 de Abril de 1915

1917

Antes de encerrar definitivamente tive conhecimento conforme envelope de 1940 que publico, provavelmente por morte de Francisco Carneiro, o seu sócio Emílio de Moraes constitui a "Emilio de Moraes, Lda.".


1940

Na última década dos anos 40 do século XX, no nº 49, instalou-se a “Casa Peyroteo” que pouco mais tarde deu origem à “Socidel” que ainda lá se manteve por muitos anos. Aparentemente, a “La Bécarre” terá cedido o espaço do nº49 e estado ali até 1957 mas só no nº47. A “NEOFON”, essa deve ter estado por ali alguns anos mas não muitos, altura em que a “Socidel” se expandiu para o nº47.

Anos mais tarde "La Bécarre" encerra definitivamente e no seu lugar, em 1957, instalar-se-ia a firma de electrodomésticos "Neofon, Lda.".


Após o encerramento definitivo


Projectos de 1957 para a loja "Neofon, Lda."