Restos de Colecção

10 de abril de 2022

Curiosidades Automobilísticas (32)

 


"Auto Leixões" em Matosinhos no ano de 1930


Stand da "J.J. Gonçalves, Sucrs." em 26 de Novembro de 1934


Stand e oficinas da "General Motors", na Av. da República em Vila Nova de Gaia


Exposição de carros da "General Motors"



Interior do "Stand Moderno"


Oficinas do "Stand Moderno" na esquina da Rua João Saraiva com a Rua Acácio de Paiva, em Alvalade


Preços dos automóveis "Rolls-Royce" em Portugal no ano de 1983 (para converter em Euros dividir o preço por 200,482 ...)


Oficinas da "Rolls-Royce" e "Bentley" na "C. Santos, Lda.", nas Laranjeiras em Lisboa


2 de abril de 2022

Bairro da Quinta da Calçada

O "Bairro da Quinta da Calçada" foi inaugurado em Telheiras, Lisboa, a 5 de Fevereiro de 1941, com a presença do Presidente da República, general Óscar Carmona, o Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar e o Ministro das Obras Pública e Comunicações, engenheiro Duarte Pacheco.




Grupo de técnicos responsáveis pela construção, com o engenheiro Duarte Pacheco ao centro 


Localização do "Bairro da Quinta da Calçada"


"Bairro da Quinta da Calçada" em fase final de construção

«São 500 casas destinadas a substituir outras tantas barracas sórdidas que vão ser implacávelmente destruídas. São 500 lares, sem dúvida modestos, mas limpos, arejados, abrigados da intempérie, dotados das elementares comodidades, que Lisboa oferece áqueles dos seus habitantes que, menos favorecidos pela fortuna, ontem não tinham habitação digna de tal nome.» passagem do discurso do Presidente da Câmara de Lisboa engenheiro Rodrigues Carvalho, in "Diario de Lisbôa"

Exterior da casa-tipo, e seu interior nas fotos seguintes



«Atraídas pela indústria que florescia na cidade de Lisboa, muitas famílias do interior do país deixavam na década de 30 e 40 as suas casas e vinham para a capital. Aqui chegados, deparavam-se com uma realidade diferente da que haviam sonhado e as condições em que viviam eram muitas vezes precárias. Para colmatar esta situação, durante o Estado Novo, foram criadas habitações provisórias em bairros pré-fabricados, com casas de pequena dimensão que, com o decorrer do tempo e o aumento do agregado familiar, se foram degradando.

A ideia subjacente era melhorar as condições sociais e económicas das famílias de bairros de lata e estancar a expansão de barracas em redor da cidade, promovida pelo êxodo das populações do interior para as grandes cidades. Com a implantação destas medidas, nascia em 1938, na cidade de Lisboa, o primeiro bairro provisório do Estado Novo, o bairro da Quinta da Calçada que viria a durar até 1997. A história da sua implantação, constituição e desagregação está presente na memória de quem aí habitou e para preservar essa história e a de outros bairros que foram posteriormente construídos, a Câmara Municipal de Lisboa editou o álbum Lisboa o Outro Bairro - Os Provisórios do Estado Novo. Nesta recolha de história explica-se aos vindouros como era a Lisboa de outras décadas.





Centro Social, Capela, Assistência Social e Escola

O bairro da Quinta da Calçada foi criado para cerca de 500 famílias, situava-se no Campo Grande, junto à Azinhaga das Galhardas, e era feito de habitações pré-fabricadas em Lusalite, divididas em células de três, quatro e cinco dependências. A intenção era albergar a população que ocupava os bairros das Minhocas e da Bélgica, dois bairros de lata da década de trinta. Esta medida fazia parte de uma experiência de realojamento promovida pelo Estado português da altura e da edilidade alfacinha, com o intuito de agregar em habitações condignas famílias de zonas degradadas. As casas, que eram previamente mobiladas de forma estereotipada e com mobiliário simples, encontravam-se distribuídas paralelamente em relação aos arruamentos, dispunham de um pequeno terreno em frente à casa e o preço médio das rendas rondava os 30 e os 50 escudos mensais. O bairro tinha ainda infra-estruturas várias, que iam desde os edifícios escolares até ao lavadouro público, passando por escolas e uma igreja. Mas, para o bom convívio entre moradores e para a preservação das instalações, existia um regulamento interno que condicionava a vida dos moradores. Mesmo assim, quem lá morou relembra a camaradagem e os laços de amizade que se estabeleciam com a vizinhança.» texto de Maribela Freitas in jornal "Expresso".


Publicidade da "Lusalite" na "Revista Municipal" de Setembro de 1940

Outros dois bairros deste género foram construídos nas décadas de 30 e 40 do século XX:  "Bairro da Boavista" com 488 casas e inaugurado em 8 de Dezembro de 1940. Casas construídas em placas de fibrocimento fabricados pela empresa "Lusalite - Sociedade Portuguesa de Fibrocimento, S.A.R.L.", sediada na Cruz Quebrada, eram menos dispendioso e de construção mais rápida. O outro foio "Bairro das Furnas", inaugurado em 28 de Maio de 1946 - 280 fogos, de tipologias T1 a T4, revestidos exteriormente por placas de Lusalite e interiormente por fina parede de tabique.

O "Bairro da Quinta da Calçada" existiria até os anos 70 do século XX, altura em que foi construído o  novo bairro apelidado de "Bairro Fonsecas e Calçada", cuja construção foi promovida pela "Cooperativas Unidade do Povo e 25 de Abril" - em regime de autoconstrução - e que terá ocorrido entre 1977 e 1979. Foi projectado pelos arquitectos Raul Hestnes Ferreira e Gonçalo Ribeiro Telles. Apenas se construiu cerca de um terço do projecto original, «que executa um desenho urbano cuidado sobre duas decisões partilhadas com os moradores: a tipologia baseada no quarteirão e a altura média do edificado.»

"Bairro Fonsecas e Calçada" em construção

As 335 licenças de habitação apenas viriam a ser entregues em 20 de Dezembro de 2016, pelo, então, Presidente da Câmara de Lisboa, Dr. Fernando Medina ...

fotos in:  Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

19 de março de 2022

Garagem Passos Manuel

A "Garagem Passos Manoel", propriedade da firma "Amorim, Brito & Sardinha, Lda." (arrendatária do edifício) e projectada pelo arquitecto Mário Ferreira de Abreu (1908-1996), foi inaugurada na Rua Passos Manuel, na cidade do Porto, em 18 de Março de 1939. O edifício, em estilo Art-Déco, tinha sido mandado construir para o efeito, por D. Eliza Chambers Marques e D. Maria Amelia Chambers de Sousa.


"Garagem Passos Manuel", em 1953, e que veio ocupar o terreno onde estavam os edifícios seguintes ...

«O edifício, especialmente, construído para a garagem na rua Passos Manuel - no coração da cidade, a dois passos da Praça da Batalha - é de linhas modernas e concebido com arte e bom gosto. O arquitecto Mario de Abreu foi feliz na elaboração do projecto, e todos os trabalhos oram feitos sob a sua direcção.» in "Diario de Lisbôa"


Pedido de licenciamento de construção




Localização da "Garagem Passos Manuel" com o "Coliseu do Porto" na sua frente

Nesse mesmo mês, tiveram lugar no Porto, o "XII Salão Automóvel do Porto" e o "I Congresso Nacional de Transportes" (de 23 a 26 de Março). 

De referir que um dos sócios, Arnaldo Moreira da Rocha Brito (1880-1969), já possuía um stand de automóveis na Rua Sá da Bandeira, na mesma cidade, onde representava marcas como "Chevrolet" , "Lancia", "Willys", "Chrysler" entre outras.


Stand da firma "A. M. da Rocha Brito, Lda.", na Rua Sá da Bandeira


Anúncio no jornal "O Comércio do Porto" em 10 de Abril de 1940


Interior do mesmo stand, em 1939

Quanto ao edifício, o "Diario de Lisbôa" descrevia: 

«O primeiro pavimento foi destinado a estação de serviço e a stand de vendas de carros, hall de  estacionamento, postos de lavagem e lubrificação, respectivamente com 4 e 2 elevadores; escritorios, sala de espera, guarnecida com moveis modernissimos e requintado bom gosto, barbearia, botequim, cabines telefonicas, refeitorio, lavabos diversos, etc.


No 2º andar é o salão de exposição de carros usados, tendo tambem sala de espera, quartos de banho e escritorios.

No 3º andar, alem do posto medico, ha uma grande area reservada para recolha de carros.

O 4º pavimento é um dos mais interessantes do edifício. Nela se encontram dois escritorios, duas salas para arrecadar peças, oficinas de chapeiro, estofador e electricista, forja e pintura, vestiarios e lavabos para pessoal e gerencia, etc.



No 5º andar, estão o salão nobre, 20 salas para escritorios, jardins, terraços e galerias envidraçadas, donde se disfrutam lindos panoramas da cidade.


O 6º pavimento é reservado para habitação particular.

Na parte superior do edificio estão a casa das maquinas do elevador, um grande deposito de agua e o relogio.
A fachada tem um aspecto imponente, com revestimento em granito pulido, destacando-se um grande vitral luminoso com o mapa das estradas de Portugal.»


Stand da firma "A. M. da Rocha Brito, Lda.", na "Garagem Passos Manuel"

O jornal rematava a notícia da inauguração, afirmando: 

«A Garagem Passos Manuel fica sendo a melhor do país. As suas instalações obedeceram O mais admiravel gosto e têm todo o confôrto.
Em suma, é a mais perfeita organização do género. 
Os automobilistas têm agora uma estação de serviço modelar, que honra o Porto e o pais.»


Foto de 1982

Entretanto e no ano de 1982, a empresa "A.M. da Rocha Brito, Lda.", (propriedade de um dos sócios da "Amorim, Brito & Sardinha, Lda."), na altura importadora dos camions "Hino", e que se encontrava em situação de falência, era adquirida pela "Salvador Caetano, S.A.".

Por outro lado em 14 de Novembro de 2002, quanto à firma proprietária da "Garagem Passos Manuel" a "Amorim, Brito & Sardinha, Lda." teria novo gerente, Salvador Acácio Martins Caetano, em substituição dos anteriores: José Reis da Silva Ramos e Joaquim Pereira da Silva, que tinham renunciado ao cargo.

Actualmente, e segundo o nosso leitor e amigo JF, «o imponente edifício encontra-se em decadência e mal-aproveitado acerca de nove anos, mas felizmente o serviço de garagem automóvel e oficina ainda funcionam, a Barbearia Passos Manuel foi substituída por um estabelecimento de «barber shop», e no último andar encontra-se instalada uma associação político-cultural que até 2013 albergava um bar, que chegou a passar música interessante e bons concertos.»

No 4°andar funciona uma associação cultural de nome "Maus Hábitos", com programação musical. 


"Garagem Passos Manuel", actualmente


 


fotos in: Arquivo Municipal do Porto,  Arquivo Nacional Torre do Tombo (CPF), Foto-Porto