Restos de Colecção

7 de setembro de 2017

Restaurante-Boite “Ronda”

O Restaurante-Boite “Ronda”, projectado pelo arquitecto Jorge Santos Costa, foi inaugurado na Avenida Sabóia, no Monte Estoril, em 4 de Agosto de 1955. Esta boite cujo nome foi inspirado no quadro de Rembrandt, “Ronda Nocturna”, era no início propriedade do Júlio dono da boite “Caixote” em Cascais por detrás do “Cinema S. José”. O seu projecto ficou a cargo do arquitecto Eduardo Anahory.

 


O edifício do “Ronda” e Estação de Serviço “Shell” viriam a ocupar o espaço, outrora, dos chalets entre o “Grande Casino Internacional do Mont’Estoril” e o “Hotel Miramar

E em 2 de Janeiro de 1954 …

Interior do bar, boite e restaurante “Ronda”

                               6 de Agosto de 1955                                                               23 de Outubro de 1956

 

Em Julho de 1957, o empresário galego Manuel Outerelo Costa que já era proprietário dos restaurantes Aquário (1946), na Rua Jardim do Regedor, em Lisboa, o restaurante A Choupana (1948), em São João do Estoril, e o restaurante Mónaco (1956) em Caxias, em sociedade com o pianista Shegundo Galarza, decide adquirir o “Ronda”, e depois de remodelada, assume a direcção técnica do mesmo.

31 de Julho de 1957

Neste espaço, que chegou a ser considerado o mais famoso da Costa do Estoril, actuou, desde Março de 1962 e em regime permanente o famoso conjunto “Thilo’s Combo”. Este conjunto era formado por Thilo Krassman (contrabaixo e voz), José Luís Simões (guitarra eléctrica), Enrique Peiró Jr. (piano), Fernando Rueda (bateria) e Vítor Santos (saxofone).

Este conjunto chegou a gravar um disco EP nesta boite, de seu nome “Twist na Ronda”. Em 1962 chegaram a actuar o não menos famoso “Quinteto Académico”, e o conjunto “Os Deltons” que clamavam que possuírem uma das melhores aparelhagens da Europa.

Conjunto Thilo’s Combo (Thilo Krassman à direita em pé) 

Thilo's Combo

 

1962

Ao seu lado, o "English Bar"

Depois de encerrado, reabriria em 1977 com a designação de “Ronda 77”, virada para o transformismo e espectáculos de travesti, onde actuava Guida Scarlatti (Carlos Ferreira), um dos mais famosos travestis portugueses de sempre.

Em 1993, e no seu lugar, é inaugurada a Discoteca “Bauhaus”, considerada por muito tempo a melhor de Cascais e que viria a encerrar cerca de 25 anos depois em 11 de Abril de 2015.

 

O edifício já foi demolido e no seu lugar vai ser contruído um bloco de apartamentos. Maqueta fotográfica

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Cidadania Cascais

4 de setembro de 2017

Interiores de Estabelecimentos Comerciais (6)

Loja da firma “Dunkel & Antunes, Lda. importadora das máquinas de escrever “Underwood”, na Rua Augusta

“Armazéns das Ilhas”, na Avenida da República

Loja da companhia aérea belga “Sabena”, na Avenida da Liberdade

 

“Armazém Chinez”, na Rua da Palma

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

1 de setembro de 2017

Hotel Palácio de Seteais

O "Hotel Palácio de Seteais", no Palácio de Seteais em Sintra, localizado no troço da EN 375 designado por Rua Barbosa du Bocage, propriedade do Estado Português e convertido em Hotel segundo projecto do arquitecto Raúl Lino de 1948, foi inaugurado em 29 de Setembro de 1955, com a presença do Ministro da Presidência Prof. Dr. Marcello Caetano e o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

“Hotel Palácio de Seteais” no ano da sua abertura, 1955

O primitivo complexo de Seteais, que já então tirava partido da sua implantação na paisagem, deve-se à iniciativa do cônsul holandês Daniel Gildemeester (1717-1793), homem de grande fortuna a quem o Marquês de Pombal havia entregue o exclusivo da exportação de diamantes. O Palácio, cujas obras tiveram início em 1783, foi inaugurado a 25 de Julho de 1787, tendo estado presente na festa William Beckford.

Daniel Gildemeester (1717-1793)

Arquitectos: Francisco Leal Garcia (anterior a 1802); José da Costa e Silva (séc.XIX); Luís Benavente (séc. XX); Raúl Lino (1948, 1953).
Canteiro: Pedro Oliveira (séc. XIX).
Carpinteiro: Inácio José Quintela.
Escultores: António Francisco Mansos; Bartolomeu.
Latoeiro: Joaquim Timóteo da Costa (1803).
Mestres de Obras: Inácio José; José Baleiato.
Pintores: António Costa; Jean Pillement.

Com a morte do cônsul, em 1793, acentuaram-se as dificuldades financeiras da família, que acabou por vender a propriedade. Adquiriu-a, em 1797, o 5º Marquês de Marialva, D. Diogo José Vito de Menezes Noronha Coutinho, Governador da Torre de S. Vicente de Belém e Estribeiro-Mor da rainha D. Maria I, que já dispunha de uma reduzida propriedade em São Pedro. A campanha arquitectónica de ampliação do palácio e das cavalariças ocorreu entre 1801 e 1802, alterando a fachada principal que passou a ser a que se abre para o pátio, e construindo uma outra fachada cenográfica do lado oposto. A unir os dois alçados, o arco de triunfo celebra a visita de D. João e D. Carlota Joaquina. Este conjunto de edifícios de linhas rectas, obedeceu ao projecto atribuído ao arquitecto José da Costa e Silva - autor, por exemplo, doTeatro Nacional de São Carlos”. Remonta, ainda, a esta campanha, a decoração dos interiores, revestidos a sedas e pintados a fresco por discípulos de Pillement, ou ainda de influência chinesa.

O Marquês de Marialva viveu pouco tempo no seu novo palácio, pois faleceu em 1803, gerando uma complicada situação de sucessões e hipotecas  que culminaram, em 15 de Outubro de 1946, com a aquisição do imóvel por parte do Estado, ao 2º Conde de Sucena, Dr. José Rodrigues de Sucena que viria a falecer em Outubro de 1952 pobre. Recordo que este, era um homem muito culto, devotado sobretudo aos livros, tendo constituído uma enorme biblioteca em Sintra, tendo fundado o diário “Restauração”, dirigido por Homem Cristo, filho. O 2º Conde de Sucena, herdou uma enorme fortuna de seu pai, constituída não só por meios financeiros, mas por valiosas propriedades, entre as quais o Palácio Foz”, em Lisboa, o “Palácio de Seteais”, em Sintra, eEden Teatro”, em Lisboa.

Dr. José Rodrigues de Sucena, 2º Conde de Sucena (1892-1952)

Entre 1950 e 1954 decorrerão as obras de adaptação a Hotel sob a tutela da "Direcção dos Serviços dos Monumentos Nacionais". entretanto, e em 1953, a "Comissão para a Aquisição de Mobiliário" procedeu ao fornecimento de mobiliário e de equipamento, sendo o estudo feito com a contribuição de Raúl Lino e, sobretudo, Luís Benavente, e em colaboração com o “S.N.I.- Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo”. AFundação Ricardo do Espírito Santo Silva também colaborou na elaboração do estudo do mobiliário, tendo sido responsável pela execução de alguns dos móveis inspirados em estilos históricos.

Obras de adaptação a Hotel

No dia da sua inauguração o jornal "Diario de Lisbôa" escrevia:
«Ás 12 e 30, iniciou-se uma visita ás ricas e admiráveis instalações do Palácio, que tem 18 'appartements' cheios de conforto e de bom gosto e que vai ser explorado pela Empresa Hotel Tivoli, Lda., de que são sócios os srs. dr. Joaquim Machaz e Augusto Cardoso.»

Neste texto transcrito existe uma imprecisão da parte do jornal “Diario de Lisbôa”, quanto ao nome de um dos sócios da “Empresa Tivoli, Lda.” mencionado como Augusto Cardoso. O nome correcto é José Francisco Cardoso.

Interiores do “Hotel Palácio de Seteais” aquando da sua inauguração em 1955

 

 

 

 

 

 

 

Quanto aos preços praticados por este Hotel o mesmo jornal escrevia:
«O novo hotel tem diárias para uma pessoa desde 230 a 400 escudos, e para casal desde 400 e 680 escudos. E as refeições avulso têm um preço unico: 80 escudos.
Alguns dos 'appartements' já estão ocupados e vários outros encomendados.»

    

Brochura editada pelo S.N.I. em 1955 com gravuras de Mily Possoz

1959

Várias obras de restauro e melhoramentos foram feitas neste “Hotel Palácio de Seteais” destacando-se as obras de reabilitação da ala esquerda e sua ligação subterrânea, com a ala direita em 1989.

O actual  “Tivoli Palácio de Seteais Sintra Hotel”, de 5 estrelas, dispões de 30 quartos, ricamente decorados com pinturas, tapeçarias e frescos, restaurante, bar, spa e piscina

Fotos do actual “Tivoli Palácio de Seteais Sintra Hotel”

 

 

 

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Tivoli Palácio de Seteais Sintra Hotel, Ilustração Antiga