Restos de Colecção

7 de setembro de 2016

Companhia Sintra-Atlântico

A “Companhia Sintra-Atlântico”  foi constituída em 1914, vindo substituir “Companhia Cintra ao Oceano”, criada em 1904 e que entretanto tinha falido, e que por sua vez tinha substituído a “Companhia de Ferro de Cintra à Praia das Maçãs”, constituída em 1901.

Título de Dez Acções de 15 de Maio de 1901

A “Companhia de Ferro de Cintra à Praia das Maçãs, S.A.R.L.” tinha sido fundada 15 de Maio de 1901, e consequência do facto de em Novembro de 1898 a Câmara Municipal de Sintra ter concedido a Nunes de Carvalho e Emídio Pinheiro Borges, pelo prazo de 99 anos, a concessão para construir e explorar um caminho de ferro a vapor entre Sintra e a Praia das Maçãs, mais tarde substituída pela tração eléctrica.

Em Agosto de 1902, na zona da Estefânia, em Sintra, tem início a construção da linha, sendo o material circulante fabricado sob encomenda pela “J. G. Brill Company”, de Filadélfia, tendo chegado a Portugal no ano seguinte. Apesar de inicialmente se prever tração a vapor, a frota inicial foi constituída por sete carros elétricos complementados por seis atrelados. Em Outubro do mesmo ano, a Companhia previa a conclusão da linha em Maio do ano seguinte, e disponibilizou-se para instalar a iluminação elétrica nas localidades entre Sintra a Colares. Nos finais do ano, a Companhia já tinha contratado a “H. Darras & C.ª” para as terraplanagens e assentamento de carris e em Maio de 1903  à “Societé Anonyme Westinghouse”, a construção, fornecimento e montagem de todo o material circulante e das infraestruturas necessárias para a circulação elétrica, no troço entre Sintra e Praia das Maçãs, e no planeado troço de Sintra a São Pedro; também deveria ser instalada a iluminação eléctrica em Sintra, São Pedro, e Colares. Segundo o contrato, tudo devia estar montado e pronto a funcionar em 31 de Maio de 1903.

Notícia na “Gazeta dos Caminhos de Ferro” de 1 de Abril de 1903

Experiências da tracção eléctrica em 27 de Março de 1904

A 31 de Março de 1904 é aberto o primeiro troço desta linha,  entre Sintra (Vila Velha) e São Sebastião de Colares, numa extensão de 8,900 metros e a 10 de Julho do mesmo ano, seria aberto o troço até à Praia das Maçãs, numa extensão de 3,785 metros, perfazendo uma extensão total de 12.685 metros. Desde o início, a vida dos elétricos foi sempre atribulada,pelo que em, como foi dito no início, em 1914 é constituída a “Companhia Sintra-Atlântico” que substituiu a anterior empresa que entretanto tinha falido.

Notícia da inauguração do troço Sintra - São Sebastião de Colares, em 31 de Março de 1904, no jornal “O Tempo”

   

 

Inauguração do troço S. Sebastião de Colares - Praia das Maçãs, em 10 de Julho de 1904 na revista “Occidente” 

Términus na Praia das Maçãs

Bilhete

A 31 de Janeiro de 1931 os elétricos chegam à vila das Azenhas do Mar. A linha atingia assim a sua máxima extensão: 14.600 metros. Os eléctricos de Sintra tinham entrado no seu melhor período impulsionados pelo dinamismo do seu administrador, Camilo Farinhas que dirige a “Companhia Sintra-Atlântico” até ao ano da sua morte, em 1946. A decadência surgirá a partir de finais dos anos 40 com o desenvolvimento dos transportes de autocarros.

Eléctrico nas Azenhas do Mar

Entretanto a “Companhia Sintra-Atlântico” inaugura em 20 de Junho de 1932 a carreira, em autocarro, Lisboa-Azenhas do Mar, tendo para tal adquirido um “Mercedes-Benz” com registo de 1931. As chegadas e partidas em Lisboa era nos Restauradores, junto ao “Parque Mayer”. A partir de 1 de Abril de 1933 as chegadas e partidas passaram a ser no “Palácio dos Condes de Almada”, também conhecido por “Palácio da Independência”, no Largo de São Domingos.

Autocarro nº 1 e respectivo livrete da “Companhia Sintra Atlântico”

 

Publicidade em 1937

“Palácio dos Condes de Almada” em Lisboa, términus para algumas companhias, em foto de 1939

Eléctrico junto à Estação de Caminhos de Ferro de Sintra em 1927

 


bilhetes e horários gentilmente cedidos por Carlos Caria

Das Azenhas do Mar partiam autocarros às 7.40 e 16.00 que regressavam de Lisboa às 10.00 e 18.00. O percurso demorava hora e meia a ser feito e o preço ida e volta, era de 13$00, custo bem elevado para a época. As cores inciais dos autocarros da “Companhia Sintra-Atlântico” eram vermelho e creme, muito semelhante ao dos carros eléctricos actuais.

“Chevrolet” de 1935 na Estação Central no Banzão (Colares) em 1952

 

Em Julho de 1951, a “Companhia Sintra-Atlântico”, é adquirida por um grupo de empresários alentejanos originários de Sousel, que vão apostar fortemente no autocarro. Logo em 1951 são adquiridas cinco viaturas: dois “Vulcan”, matriculas e três “Panhard”. Por despacho de 11 de Dezembro de 1952, é concedida a carreira Azenhas do Mar-Sintra (Estação). Esta carreira destinava-se a substituir os carros eléctricos que faziam o mesmo percurso, pois, era intenção da “Companhia Sintra-Atlântico”, substituir integralmente a tracção eléctrica or autocarros. No entanto, esta intenção não foi por diante na totalidade, havendo somente essa substituição durante nove meses do ano (de Outubro a Junho), circulando os eléctricos nos meses de Verão, juntamente com os autocarros. Esta carreira iniciou-se a 9 de Março de 1953. Em 1954 é encerrado o troço da linha do eléctrico entre a Praia das Maçãs e Azenhas do Mar, e em 1958 o mesmo acontece ao troço entre a Vila Velha e a Estação de Sintra, devido ao alargamento da Volta do Duche e do incremento do tráfego automóvel nesta zona de Sintra.

Instalações da “Companhia Sintra-Atlântico” na Ribeira de Sintra

 

                                 “Vulcan” em 1951                                                                    “Panhard” em 1952

 

1960

                                              1952                                                                                        1965

 

Entre 1955 e 1956, toda a frota de autocarros e eléctricos da Companhia é pintada de azul e branco. Ao contrário dos autocarros, que irão manter estas cores até à nacionalização da empresa, os eléctricos mudaram novamente de cor para o vermelho e branco, a partir de 1963.

                           “DAF” de 1951 em foto de 1963                                                                “Vulcan”

 

Autocarro “Atkinson”

      

Por despacho de 13 de Agosto de 1965, é concedida à “Sintra Atlântico” a carreira Sintra (Estação) e a Praia Grande. No entanto, desde 1952 que esta empresa efectuava uma carreira provisória (somente nos meses de Verão), servindo a Praia Grande e, a 21 de Novembro de 1966 são inauguradas as carreiras entre Sintra (Estação)-Massamá e Massamá-Lisboa, concedidas por despacho de 11 de Maio de 1966. No mesmo dia, foi concedida uma nova concessão para a carreira Azenhas do Mar-Sintra (Estação). Estas três concessões substituíram a carreira Azenhas do Mar-Lisboa. Foi igualmente estabelecido um serviço de correspondência com o Metropolitano de Lisboa, para a carreira de Massamá, com base em Sete Rios.

Autocarro “Maudsley” de 1951, em Colares

Em Agosto de 1967, na operação de aumento de capital social a “Sintra-Atlântico” é adquirida pela “Empresa de Viação Eduardo Jorge, Lda.” Por esta altura a a frota da Companhia era constituída por 15 autocarros: dois “Vulcan” de 1951, cinco “DAF” de 1952, dois “Maudslay” de 1953, um “Atkinson” de 1955 e três “AEC” de 1956, uma “AEC” de 1961 - tendo este autocarro sido o primeiro equipado com portas automáticas a trabalhar na área dos concelhos de Sintra-Cascais-Oeiras - e uma “Leyland” de 1966.

Em 1967 são ainda adquiridos dois autocarros “Leyland”, da encomenda de três iniciada no ano anterior, mas, a partir do ano seguinte, e devido ao facto da  “Empresa de Viação Eduardo Jorge, Lda.” ser associada da empresa “UTIC”, todos os autocarros adquiridos passariam ser da marca “AEC-UTIC”. Até à nacionalização em 5 de Junho de 1975 seriam adquiridas mais 13 autocarros.

Com esta nova administração o investimento nos eléctricos reduz-se ao mínimo da sua sobrevivência esperando pelo fim da sua concessão pois, a exploração há muito tinha deixado de ser rentável. A degradação das infra-estruturas e material circulante tornam-se visíveis, fruto do desinvestimento por parte da empresa concessionária. Este panorama nada animador prolonga-se até 1974, ano em que os eléctricos funcionam pela última vez até Sintra. Em de julho de 1975 é autorizada a substituição dos eléctricos por autocarros.

Eléctrico, autocarros e complexo das oficinas da “Sintra Atlântico” na Ribeira de Sintra

Términus da Praia das Maçãs

Pelo decreto-lei 280-C/75, de 5 de Junho, são nacionalizados diversos grupos do sector dos transportes, estando nesse conjunto o grupo “Eduardo Jorge”, de que a “Sintra-Atlântico” fazia parte. Pelo artigo nº 2 do decreto-lei 427-J/76, de 1 de Junho, foram transferidas para a titularidade da “Rodoviária Nacional” (constituída pelo decreto-lei 288-C/75 de 12 de Junho), a universalidade dos bens, direitos e obrigações das empresas nacionalizadas, cessando assim a 1 de Junho de 1976 a actividade da “Sintra-Atlântico”.

Apesar de todas as adversidades, a vontade de colocar os eléctricos novamente nos carris não tinha terminado e a 15 de Maio de 1980, foi oficialmente reiniciada a circulação dos elétricos nesta linha mas, somente entre o Banzão e a Praia.

O “Eléctrico de Sintra” actualmente

 

  

Entre 1996/97 foi recuperado o troço entre a Ribeira e a Praia das Maçãs e a 30 de Outubro de 1997, a Ribeira viu novamente chegarem os eléctricos. A 4 de Junho de 2004, precisamente no ano do seu centenário, os eléctricos chegam de novo a Sintra, mais propriamente até à zona da Estefânia.

Bibliografia: Site “Transportes em Revista”. Artigo de José Luis Covita de Junho de 2005.
                   Blog “
Rio das Maçãs”.
                   Site “
Sintra Câmara Municipal

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Rio das Maçãs, Memórias de Empresas e Autocarros Antigos

6 de setembro de 2016

Antigamente (134)

Ligação Boavista-Cadouços pela “Companhia Carris de Ferro do Porto”, em 1878

Restaurante e esplanada do Portinho da Arrábida

 

Aeródromo da Covilhã

Desembarque de novos autocarros “AEC” Regent para a “CARRIS” no Porto de Lisboa em 1959

  

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdios Mário Novais),  Arquivo Municipal do Porto

4 de setembro de 2016

Cinema “Roma”

O cinema "Roma" localizado na Avenida de Roma, em Lisboa e inaugurado em 15 de Março de 1957 foi mandado construir em 1955, por Joaquim Brás Ribeiro Belga, tendo sido o projecto entregue ao arquitecto Lucínio Cruz.

Alentejano de Montemor-o-Novo, Joaquim Braz Ribeiro Belga entrou no negócio dos cinemas a pouco e pouco, ganhando a confiança de investidores que nele reconheciam integridade, inteligência e força de vontade. A sua paixão pela actividade cinematográfica vinha do pós-Segunda Guerra Mundial, quando conheceu negociantes espanhóis que procuravam coproduzir longas metragens destinadas ao país vizinho, recém-saído da Guerra Civil. Aproveitando a oportunidade comercial, Ribeiro Belga soube associar-se a estes na produção e distribuição de filmes. Já em Lisboa, criou a distribuidora  “Doperfilme”, através da qual entraram em Portugal muitos filmes europeus, tendo mais tarde conseguido a representação da “Universal” e a “International”. Acoplada à “Doperfilme” fundou toda uma estrutura composta por várias outras empresas que, juntas, abrangiam todos os sectores da indústria cinematográfica, como a “Talma Filmes” (produtora e distribuidora) ou a “Sacil” (exibição em salas), entre outras. Todas estas empresas constituíam o “Grupo Ribeiro Belga”, um dos maiores no meio cinematográfico português, durante largos anos.

Joaquim Brás Ribeiro Belga (1913-1972)

Dos vários cinemas que detinha - espalhados pela província e pelas antigas colónias - o “Roma” era um dos construídos de raiz pelo Grupo Ribeiro Belga, em parceria com várias outras entidades/sócios, e a concretização de um sonho pessoal de Ribeiro Belga. Na construção do Cinema “Roma”, inovou e conseguiu inaugurar um cinema moderno, elegante e de grande qualidade técnica, ainda hoje amplamente reconhecida. Em Lisboa, além do “Roma”, Ribeiro Belga foi também responsável pela construção de outro cinema, o “Estúdio 444”, que fora em tempos uma garagem, e também pela construção do Cinema “Aviz”,  antigo Cinema “Palácio”.

Desenho do projecto publicado no “Diario de Lisbôa” em 5 de Agosto de 1955

Construção do Cinema “Roma”, em 1956

  

O cinema "Roma", com capacidade para 1.056 espectadores, seria inaugurado, como foi referido, em 15 de Março de 1957, com a presença do Ministro da Presidência, Governador Civil de Lisboa, o Secretário Nacional de Informação e o Inspector-Geral dos Espectáculos. Para esta inauguração foi exibido o filme "Contos Romanos" de G. Franciolini. Silvana Pampanini uma das participantes nesta película foi a actriz convidada para esta estreia e inauguração.

Filme “Contos Romanos” estreado na inauguração do “Roma”

A propósito da abertura do cinema "Roma", o "Diario de Lisbôa" escrevia:

«O novo cinema, construído em pouco mais de dois anos, tem lotação para mais de um milhar de espectadores, com uma ampla plateia e uma tribuna que descem para o palco formando um segmento de coroa circular. As linhas arquitectónicas do edifício são sóbrias, como é norma nas novas casas de espectáculos, e a própria decoração dos corredores e pátios prima pela discrição. As cadeiras da sala, forradas a verde, são comodas e o ambiente cria no publico uma sensação de bem estar.»

Por outro lado, o “O Século” escrevia, a propósito:

«À tarde, os proprietários do cinema, Sr. Joaquim Ribeiro Belga, Eng. António Praça, Fernando Santos e o produtor espanhol Pedro Curet convidaram os representantes da Imprensa e os críticos cinematográficos para uma visita ao novo cinema. A sala de espectáculos, de um só piso mas em três planos, bem lançados o que dá uma excelente visão de todos os lugares, tem acomodações para mil espectadores, sendo as cadeiras muito confortáveis. O palco estende-se a toda a largura da sala e é provido de “écran” panorâmico, com 14 metros de extensão. Rodeia a sala um amplo corredor, onde estão instalados os “bars” e vestiários e toda a decoração e mobiliário, elegantes e sóbrios, foram orientados pelo artista plástico Manuel Lima que também executou alguns painéis de lindo sentido moderno.
Aos convidados foi servido um “cocktail” que teve a presença de Silvana Pampanini, que entreteve larga conversação com todos os jornalistas, e dos produtores italiano Marquês Giancarlo Cappelli e francês Conde de Robien, que acompanharam aquela vedeta a Lisboa.»

 

Em 21 de Fevereiro de 1958, o cinema "Roma" estrearia pela primeira vez, e última, um filme português: "O Homem do Dia" realizado por Henrique Campos e distribuído pela "Internacional Filmes". Em complemento "Cidade de Poetas" de Fernando de Almeida.

21 de Fevereiro de 1958

                                1959                                                               1969                                                   1972

  

A primeira vez que o “Roma” abriu ao público contava com 1056 lugares, mais 355 do que a actual capacidade máxima. Cinema de grande sucesso entre as gentes das novas avenidas, o fim que inicialmente fora previsto - «dar cinemas às classes menos abastadas» - acabou por não ser cumprido, e o “Roma” tornou-se um Cinema com os seus rituais e público próprio e exigente.

Pessoal do Cinema “Roma”

Classificado pela “Inspecção-Geral dos Espectáculos” como sendo de 2ª classe, obtém autorização «para a realização de espectáculos ou divertimentos públicos de cinema e variedades». Um auto de vistoria da mesma instituição, datado de Agosto de 1964, refere a instalação recente de um novo ecrã (com 16m de comprimento por 7,30m de altura) que permite a projecção de filmes em 70 milímetros, bem como a existência de novas máquinas de projecção “Cinemecânicas - Vitoria 8”. Este auto refere ainda, que «nos espectáculos pelo sistema Todd AO - 70 mm as quatro primeiras filas da plateia, num total de 110 lugares, não oferecem condições de visibilidade perfeita pelo que deve ser interdita a sua utilização».

                                                       1976                                                                               15 de Maio de 1964             

 

Encerraria a 13 de Outubro de 1988, com o filme “Comboio em Fuga” em exibição. Durante algum tempo seria utilizado como armazém, até ser comprado pela Câmara Municipal de Lisboa.

Em 1996, sofre algumas obras de recuperação e em 1997 passa a ser a sede da “Assembleia Municipal de Lisboa”. Em Abril de 2003, a sua gestão foi confiada à “EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural” que o administrou até ao final de 2005. Actualmente a sua gestão é da responsabilidade conjunta da CML e da AML com o nome de “Fórum Lisboa”, sendo simultâneamente a sede da “Videoteca Municipal”.

O “Fórum Lisboa” dispõe de dois auditórios, um principal e outro mais pequeno. O auditório principal tem capacidade para 701 lugares, equipado com equipamento de som, luz e sistema de projecção de filmes em 35 e 16 mm bem como sistema de projecção vídeo. O pequeno auditório tem capacidade para 25 pessoas. No primeiro piso, existe ainda uma sala de apoio, com 40 lugares.

 

Bibliografia: “do Cinema Roma ao Fórum Lisboa - breve história de um espaço de cidadadania” - Edição: Assembleia Municipal de Lisboa - Texto, Investigação e paginação: Isabel Fiadeiro Advirta. - Março 2007.

fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, IÉ-IÉ, Assembleia Municipal de Lisboa