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14 de setembro de 2011

Porto do Funchal

Os transportes de pequena cabotagem, de mercadorias, géneros e passageiros, até finais do século XIX, entre o Funchal e as povoações litorais da Madeira e para a ilha de Porto Santo, eram feitos por barcos de vela e a remo (“carreireiros” ).

                             

                                           Ilhéu de Nossa Senhora da Conceição, no século XIX

                             

Em 1756 foi estabelecida a exploração do Porto do Funchal por Carta Régia emanada por José I de Portugal, na qual se autorizava o início das obras para construção de um porto de abrigo. O primeiro cais de embarque do Funchal surgiu, assim, até ao Ilhéu do Forte de São José, obra finalizada em 1762.

Foi neste Ilhéu, em 1419, que os navegadores portugueses João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, ao descobrirem a Madeira se refugiaram antes de entrarem na ilha. É por consequência a primeira residência oficialmente conhecida, na Madeira,  e das mais antigas fortalezas ainda existentes graças aos esforços dos seus proprietários.

      Ilhéu do Forte de São José à direita no desenho de 1859, e Ilhéu de Nª Sª da Conceição à esquerda

                             

    Entre 1885 e 1890 foi construído o prolongamento do cais até ao ilhéu de Nossa Senhora da Conceição

                             

               Forte de São José à direita na foto, e na ponta do molhe o Ilhéu de Nª. Sª. da Conceição

                             

Em 1913 foi criada a Junta Autónoma da Obras do Porto do Funchal, porque o cais até ao Forte de Nossa Senhora da Conceição e os acessos viários entre a Pontinha e a Alfândega, tornavam premente a necessidade de criação de um organismo gestor da área portuária.

Antes da cidade do Funchal de ter cais acostável para navios, estes fundeavam na baía e os passageiros, e cargas, eram transportados para terra em barcaças a remos e pequenos “vapores”  até ao cais da cidade.

                                    Baía do Funchal, em 1931                                                             Porto de abrigo

       

Iniciado em 1889, veio substituir um antigo cais da segunda metade do séc. XVIII, na chamada Pontinha, junto ao forte de S. José, em frente à Penha de França. O novo cais só foi concluído em 1895. Substancialmente ampliado, em 1930.

                                                      Cais do Funchal no início do século XX

                               

   Desembarque de passageiros do paquete, em 1936           Embarque e desembarque de passageiros no cais

 

                                                         Venda de bordados junto a um navio

                            

                                                        Cais do Funchal já aumentado, em 1939

                             

Já em finais do século XIX e inícios do século XX, os transportes de mercadorias, géneros e passageiros, entre o Funchal e as povoações litorais da Madeira, e também para a ilha de Porto Santo, começaram a ser efectuados em pequenos barcos a vapor que a seguir dou alguns exemplos.

            “Falcão” - Vapor de carga e passageiros. Construído em Inglaterra em 1880, navegou até 1975

                             

                                                      “Gavião” -  Vapor de carga e passageiros

                             

                                        “Gavião”, numa belíssima pintura de Fernando Lemos Gomes

                             

O vapor “Gavião”, pelas suas dimensões e características já fazia viagens até Ponta Delgada nos Açores, e Porto Moniz na Madeira. Assegurava especialmente a carreira do Porto Santo. Construído na Escócia em 1897, foi transformado em fragata para transporte de carvão em 1913, naufragou em Dezembro de 1926 durante um ciclone.

                         “Lobo” - Vapor essencial no abastecimento de carvão à navegação atlântica

                             

Em Maio de 1933 foi concluída a construção do cais da cidade e, em 1939 foi aumentado em 317 metros o cais de acostagem do Porto do Funchal. Obras de referência do início do século XX foram, igualmente, os diversos pequenos cais construídos à volta da ilha que facilitaram o abastecimento das populações.

Em 1955, foi concluída a construção de um cais próximo aos cais do Carvão: o Cais Regional, onde passaram a atracar os serviços de carga e passageiros dos "carreireiros" da ilha de Porto Santo. Em 1953 tinha já sido elaborado um projecto de ampliação do Porto do Funchal que consistiria no alargamento do cais em todo o seu comprimento e no seu prolongamento em mais 457 metros. A intervenção conclui-se em 1961. Ficaram nesta data criadas as estruturas fundamentais para o desenvolvimento daquele que é hoje o Porto do Funchal

                                                    O cais acostável, nos anos 50 do século XX

                             

O hidroavião foi o transporte aéreo que ligava a Ilha ao Mundo, antes da construção do Aeroporto Internacional da Madeira, em 1964. O primeiro hidroavião amarou a 22 de Março de 1921. Foi o hidroavião "Felixtowe F3" da Aviação Naval Portuguesa que amarou pela primeira vez a baía do Funchal ( consultar post de 25 de Dezembro de 2009, na etiqueta "’Funchal’ ).

                                    Os hidroaviões amaravam frente ao cais da Pontinha, no Funchal

                             

fotos in: Site do Inocente, Clube de Entusiastas de Navios  e pintura in:  Blogue dos Navios e do Mar

8 de outubro de 2012

Aeroporto de Porto Santo

Com as obras iniciadas a 28 de Setembro de 1959, o aeroporto da ilha de Porto Santo foi inaugurado a 28 de Agosto de 1960. Entretanto já se tinha realizado um voo experimental entre Lisboa e Porto Santo a 20 de Julho, como veremos mais adiante.

                         

Lembro que, só em 1954 é que a energia eléctrica tinha substituído os obsoletos candeeiros a petróleo na ilha de Porto Santo. Nesse mesmo ano tinha entrado em funcionamento a rede de distribuição de água potável ao domicílio. A primeira ligação telefónica entre o Porto Santo e a Madeira tinha sido realizada a 27 de Agosto de 1959. Antes do telefone, a ilha tinha já uma Estação Rádio Telegráfica de apoio e controlo naval que havia entrado em funcionamento em 1929, facto que tirou a ilha de Porto Santo do completo isolamento vivido até então.

Depois de aterrar, pelas 11h e 55 o vôo da TAP efectuado por um avião «Douglas DC-4 Skymaster» e pilotado pelo comandante Amado da Cunha, proveniente de Lisboa teve lugar a cerimónia inaugural do aeroporto da Ilha de Porto Santo. Na cerimónia de inauguração estiveram presentes o Ministro das Comunicações o engenheiro Carlos Ribeiro, o director-geral da Aeronáutica Civil engenheiro Vítor Veres, o Governador do Distrito Autónomo do Funchal Comandante Camacho de Freitas, o Presidente da Câmara Municipal da Porto Santo professor José Inácio Perestrelo, o Governador Militar da Madeira, Bispo do Funchal e outras altas individualidades locais.

 

O aeroporto, projectado pelo engenheiro Correia Mendes e cujo custo ascendeu a 37 mil contos (185.000 € a multiplicar pelo factor de actualização monetária: 68,15), estava equipado com uma pista de 2.000 metros de extensão com 45 metros de largura. Foi construída uma plataforma de estacionamento de aeronaves e um pequeno terminal de passageiros de carácter provisório. O aeroporto de Porto Santo ficou desde logo equipado com um posto de reabastecimento de combustível para aeronaves montado pela Shell, que neste voo inaugural estava representada pelo engenheiro Vasco Cabral, chefe do Departamento de Operações da "Shell Portuguesa".

                              

 

Os primeiros voos experimentais, dando início à exploração das linhas aéreas Lisboa - Porto Santo, tiveram início a 24 de Agosto de 1960, tendo-se mantido a partir dessa data com dois voos semanais às quartas-feiras e sábados. A partida de Lisboa era às 9 horas com chegada a Porto Santo às 10h e 45 (hora local) donde partiam às 11 h e 45 com chegada a Lisboa às 15h 50 locais. Lembro que a Madeira tinha 1 hora de atraso em relação a Lisboa, pelo que a duração do voo era de 2h 45.

As tarifas iniciais para passageiros variavam entre os 1.162$10 e 2.023$80, ida e volta. As ligações entre Porto Santo e o Funchal eram asseguradas da seguinte forma: entre o aeroporto e o cais, em autocarro ao preço de 10$00 e as passagens de barco entre este cais e o Funchal, 120$00 por passageiro, com duração de viagem de 4 horas.

                            

Para carga a tarifa era de 15$00 por quilo, com descontos para quantidades, tendo sido previstas tarifas reduzidas, especialmente para o transporte de bordados, flores e frutas.

Mais tarde a pista foi aumentada para 2440 metros e a plataforma de estacionamento de aeronaves foi ampliada. Em 1986 começaram as grandes obras de reformulação do aeroporto que culminou com a inauguração do novo terminal de passageiros a 28 de Agosto de 1995. A pista foi repavimentada e aumentada para 3000 metros, a plataforma de estacionamento de aeronaves também foi ampliada e foi construído um novo caminho de circulação com maiores dimensões. Foram construídas novas instalações de apoio à navegação aérea, nomeadamente uma nova torre de controlo e a implantação de um radar. Este conjunto de obras permitiu a operação de qualquer tipo de aeronave neste aeroporto.

                            

 

Depois de a 18 de Outubro de 1958 ter tido início a sua construção, o Aeroporto de Santa Catarina na Madeira viria a ser inaugurado a 8 de Julho de 1964, com o primeiro voo da TAP Lisboa-Funchal utilizando um «Lockheed L-1049G Super Constellation».

                                                               Aeroporto de Santa Catarina na Madeira

                                      

fotos in: Porto Santo Antigo, Collecting TAP, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

18 de maio de 2014

“Casino Park Hotel” no Funchal

O “Casino Park Hotel” na cidade do Funchal na Ilha da Madeira foi inaugurado em 3 de Outubro de 1976. O projeto deste empreendimento hoteleiro, que incluía um Casino e uma Sala de Congressos, foi encomendado pela “Sociedade de Investimentos Turísticos da Ilha da Madeira”, propriedade da família António Xavier Barreto e presidida por José de Jesus Barreto, ao arquiteto brasileiro Óscar Niemeyer. Apalavrado em 1966, as obras só arrancaram seis anos depois em 1972, sob projecto definitivo do arquitecto portuense Viana de Lima, embora obedecendo à traça original do arquitecto brasileiro.

“Casino Park Hotel” em 1976

O terreno onde foi edificado este hotel tinha sido no final do século XIX um conjunto de três quintas:  “Quinta Vigia” propriedade de Mr. Bennett Stanford, “Quinta Bianchi”, de D. Virgínia Bianchi e a “Quinta Sant'Ana” de Mr. J. E. Gordon. Entretanto em 1905 era aberto na “Quinta da Vigia” o “Sanatório dos Marmeleiros” para doentes pobres. A 17 de Janeiro de 1907 abria o “Casino Pavão” e o  “Strangers’s Club” na Quinta Pavão.

“Casino Pavão” e “Stranger’s Club” na Quinta Pavão

 

 

 

Com o fim da à concessão alemã dos Sanatórios é construída em 1914 uma bateria marítima na “Quinta Vigia”. Nos finais dos anos 20 e 30 do século XX o Estado adquire  estas quintas e em 23 de Janeiro de 1936 o Ministério das Finanças cede, a título provisório, as 3 quintas à sociedade adjudicatária do jogo no Funchal e a  7 Fevereiro do mesmo ano tem lugar a  assinatura do contrato com a "Empresa de Turismo da Madeira, Lda", funcionando provisoriamente no “Casino Vitória”. Em 4 Julho de 1936  abre o “Casino da Madeira” na “Quinta Vigia”.

“Quinta Vigia” antes do Casino

 

“Casino da Madeira” na “Quinta Vigia”, terrenos que viriam a ser ocupados pelo “Casino Park”

 

Sexteto do “Casino da Madeira” na “Quinta Vigia”

Mas em 1939 é suspensa a concessão de jogo na Madeira, só reaberta  em  18 de Março de 1958. Em 15 de Julho de 1964, é celebrado contrato entre o Estado e a "I.T.I. Sociedade de Investimentos Turísticos na Ilha da Madeira" para a exploração do jogo na Madeira e a 21 Dezembro do mesmo ano é reaberto o “Casino da Madeira” num dos edifícios da Quinta Vigia, reformulado pelo arquitecto Júlio Simeão da Costa Alves

Em 11 de Dezembro de 1967 é cedido pelo Governo as Quintas Pavão e Bianchi, mediante aquisição pela “Sociedade da Quinta das Angústias” para o Estado. Em 1969 é firmado o contrato com o atelier do arquitecto Viana de Lima, do Porto, para a construção do empreendimento “Casino Park”, segundo projeto original de Óscar Niemeyer.

“Quinta das Angústias” actual “Quinta Vigia”

O contrato inicial com a empresa concessionária pressupôs a manutenção do parque das antigas Quintas Vigia, Pavão e Bianchi como público e daí a construção inicial do edifício do “Casino Park Hotel” em pilares e a passagem pública por debaixo do mesmo. Este hotel é considerada a maior obra de hotelaria em Portugal, com 221 m de comprimento e 24 m de largura, divididos em sete pisos. O conjunto situa-se no alto de uma falésia, com vista para o porto do Funchal, e é composto por um hotel, um casino e um centro para congressos.

Com o 25 de Abril de 1974, as obras de construção do “Casino Park” ficam paradas. Para além das greves, havia problemas de financiamento. O processo foi desbloqueado pela então Junta de Planeamento, em 1975, e conduzido pelo economista João Abel de Freitas, responsável pela pasta de Economia e Finanças, coadjuvado pelo engenheiro David Caldeira, membros da Junta liderada pelo General Carlos Azeredo. Finalmente, é inaugurado em 3 de Outubro de 1976.

“Casino Park Hotel” em 1976

Foram intervenientes nesta obra até 1999:

Arquitectos: Óscar Niemeyer e Viana de Lima; Engenheiros responsáveis: Fernando José F. Amorim, Henrique Rocha e José Lampreia; Decorador de interiores: Daciano Monteiro da Costa; Pintora artística: Lourdes de Castro (1980); Escultores: José Rodrigues (1970), Fernando Conduto (1970) e Lagoa Henriques (1999).

Quarto duplo decorado por Daciano Costa

      

O novo “Casino da Madeira” inserido neste projecto “Casino Park” só viria a ser inaugurado em 1 de Agosto de 1979. Como escrevi anteriormente, lembro que o antigo “Casino da Madeira” tinha sido inaugurado em 4 de Julho de 1936, em simultâneo com a criação da “Delegação de Turismo da Madeira”.

“Casino da Madeira” no complexo “Casino Park”

Depois de ter pertencido à cadeia Carlton, designado por isso mesmo de “Carlton Park Hotel”, foi adquirido em 1986 pelo Grupo Pestana, juntamente com o “Casino da Madeira” e o “Centro de Congressos”  ao ter adquirido a “I.T.I. Sociedade de Investimentos Turísticos na Ilha da Madeira". O “Carlton Park Hotel” passou a chamar-se “Pestana Casino Park” em 2007, tendo sofrido recentemente remodelações de interiores, por Jaime Morais, arquitecto também brasileiro, sem tocar na traça original deste ex-líbris da arquitectura madeirense.

“Carlton Park Hotel” no ano 2000

 

 

Renovado em 2007, o cinco estrelas “Pestana Casino Park” é um complexo turístico emblemático que inclui o “Casino da Madeira” e o “Centro de Congressos”. Rodeado por 15 mil m2 de jardim privado, o hotel dispõe de 340 quartos e 39 suites (incluindo suite presidencial), muitos deles com vistas para o Atlântico e baía do Funchal. A piscina panorâmica é um dos seus emblemas e os serviços incluem bares e restaurantes (nomeadamente o Panorâmico e o Sunset), centro de fitness, spa com piscina interior, jacuzzi, sauna, banho turco e tratamentos. No Casino, além de salas de jogos, há uma discoteca. 

“Pestana Casino Park”

 

 

 

O “Grupo Pestana” tem 10 hotéis no arquipélago da Madeira: os 5 estrelas Pestana Carlton Madeira, Pestana Casino Park, Pestana Grand, e os 4 estrelas Pestana Atalaia, Pestana Bay Ocean Aparthotel, Pestana Gardens Aparthotel, Pestana Miramar Aparthotel, Pestana Palms e Pestana Village Aparthotel, na Ilha da Madeira, e o recém inaugurado 5 estrelas Pestana Porto Santo.

fotos in: Funchal Antigo, Delcampe.net, Pestana Casino Park Hotel