10 de novembro de 2013

Escola Técnica Francisco de Arruda

A “Escola Técnica Elementar Francisco de Arruda”, foi fundada no início da década de 50 do século XX. Ficou localizada, provisoriamente, num edifício da Freguesia de Alcântara e dependia administrativamente da “Escola Técnica Industrial Marquês de Pombal”. Em 1956 seria inaugurada a nova Escola na Calçada da Tapada, junto da Tapada da Ajuda em Lisboa.

“Escola Técnica Elementar Francisco de Arruda” na Calçada da Tapada em Lisboa (fotos de 1956)

 

Francisco de Arruda foi um arquitecto famoso do séc. XVI. Não se sabe ao certo o ano em que nasceu. Mas sabe-se que morreu em Évora a 30 de Novembro de 1547. Teve cargos importantes como: "Mestre de Obras das comarcas do Alentejo, dos Paços d' Évora e medidor das Obras do Reino".  A sua obra mais conhecida é a Torre de Belém mas a maior parte das suas construções localiza-se no Alentejo, sobretudo em Évora, onde deixou a sua marca nos Paços Reais, no Palácio dos Condes de Vimioso, na Janela dos Cordovis, na Casa de Garcia de Resende e na Igreja dos Loios.

Esta escola foi destinada ao ensino de jovens do sexo masculino que pretendiam prosseguir estudos nas áreas Comercial e Industrial, dependendo da Escola Técnica Industrial Marquês de Pombal. A inauguração do novo edifício na Calçada da Tapada, em 1956, concedeu-lhe autonomia e coincidiu com a nomeação do Dr. Manuel Maria Calvet de Magalhães como seu primeiro director, cargo que ocupou até falecer. Como director da escola, mobilizou pessoas e interesses em torno de múltiplas realizações de reconhecido valor, quer internas á escola (experiências pedagógicas de coeducação, integração de alunos deficientes, o 7º e 8º anos experimentais, utilização de meios audiovisuais), quer externas, de natureza cultural (organização de sessões aos sábados, com filmes e palestras por escritores, artistas, pedagogos) ou  de serviço à comunidade (criação da Chiquinha - infantário, infantil e primária para filhos de professores e funcionários da área).

De referir, ainda, que o professor Dr. Manuel Maria de Sousa Calvet de Magalhães (1913-1974) foi um dos pioneiros da educação pela Arte em Portugal, distinguindo-se pela forma como a aplicou, concretizou e alargou, na medida em que foi sobretudo um homem da educação, da escola, da escola pública - da escola oficial, como então se dizia - que, invulgarmente para a sua época, atendeu à própria escola como instituição, como organização - e não só ao currículo, à turma, ao sistema educativo. Introduziu esse outro objeto de estudo - a escola - que só muito mais recentemente se tornou objeto das Ciências da Educação.

 

 

 

 

 

 

Ao longo do tempo o nome da escola sofreu alterações. Aquando da reforma do ensino do então Ministro da Educação Nacional, Engº. Veiga Simão, em 1968, passou a designar-se “Escola Preparatória Francisco de Arruda”. Em 1988 foi alterado para “Escola C+S Francisco de Arruda”. Actualmente, tem o nome de “Escola Básica 2,3 Francisco de Arruda”.

“Escola Básica 2,3 Francisco de Arruda”

 

 

Em 2002 a sua designação foi alterada para “Escola Básica do 2º e 3º Ciclos Francisco de Arruda”, e no ano lectivo 2004/2005 passou a “Agrupamento de Escolas Francisco de Arruda”.

A escola tem capacidade para leccionar 27 turmas.

Os alunos encontram‐se distribuídos pelos seguintes níveis de ensino e ofertas educativas:

  • 2.º ciclo do ensino básico
  • 3.º ciclo do ensino básico
  • Curso de educação e formação

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arch Tedências

8 comentários:

João Celorico disse...

Caro José Leite,
curioso que ao contrário do que se pode ver na 1ª foto, a entrada nesta escola se faça pelas traseiras. A fachada principal ninguém a vê, talvez fruto dum Plano Director que nunca se cumpriu, ficou esquecida.
Neste "post", excelente como sempre, ficará porém a faltar, penso eu, uma nota de maior relevância ao homem que tanto contribuiu para o elevado nível que a escola alcançou e que, fruto da onda revolucionária foi sendo destruída, levando esse homem ao suicídio. O passar dos tempos não nos pode fazer esquecer aqueles que dalgum modo engrandeceram o país e a forma como foram e são tratados.
Também as minhas filhas, mais recentemente, frequentaram esta escola e eu próprio fiz parte da Associação de Pais e tive ocasião de ver o quanto tinha baixado a qualidade do ensino.

Melhores cumprimentos,
João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

Grato pelo seu comentário.

Não sei de quem está a falar, pois nas minhas pesquisas não me apareceu nenhuma referência a essa personalidade, que como disse e bem devia estar referenciada.

Como se trata de um passado de triste memória, como referiu, e produto dos muitos atropelos e destruições, consequências do PREC, certamente foi deliberadamente "esquecido" como tantos outros.

Por alguma razão se diz que o português tem memória curta ...

Se me fizer o favor de me informar de que pessoa se trata, e seu enquadramento, acrescentarei com todo o gosto ao texto.

A história não deve ser apagada, conforme as conveniências ...

Os meus cumprimentos

José Leite

João Celorico disse...

Caro José Leite,
cá estou de novo. Quando eu refiro uma nota de maior relevância é porque a pessoa é realmente referida. É precisamente o Dr. Manuel Maria de Sousa Calvet de Magalhães!
Poderia eu dizer alguma coisa sobre o mesmo mas não conseguiria dizer o suficiente. Assim, fazendo busca na internet poderá ver, por exemplo, "Em memória de Calvet de Magalhães",no blogue amotawordpress.com, uma explicação de alguém que viveu a situação.

Melhores cumprimentos,
João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

Ok! Eu não tinha entendido

Grato pelo esclarecimento e pelo indicação.

Os meus cumprimentos

José Leite

Anónimo disse...

Efectivamente a primeira foto parece ser uma encenação para efeitos de propaganda já que o portão principal apenas dá acesso directo aos campos de cultivo da Tapada da Ajuda.
Desde os anos 50 até hoje está prevista a construção da chamada via de meia-encosta que ligaria o alto do Restelo passando pelas traseiras do Palácio até à calçada da Tapada, junto ao pavilhão polidespostivo.
Quanto à memória do Prof. Calvet de Magalhães, informo que por ocasião do seu centenário, a escola fará uma cerimónia pública de homenagem no próximo dia 21.
Manuel Costa, ex-aluno da "Chica".

ALTO DO LAGOAL E VALE DA TERRUGEM disse...

Caro autor do blogue e comentadores.
Frequentei essa escola no principio dos anos sessenta. O meu irmão mais velho fez a inauguração.
Julgo que em breve uma amiga minha fara uma conferencia sobre a figura do Dr. Calvet Magalhães, figura incontornável naquele escola.Pedagogo e autocrata, zeloso do bem público mas aproveitado pelo regime, preocupado com a formação integral dos jovens, na maioria pobres. Aos Sábados havia cinema, palestras...e "Mocidade Portuguesa". Imperava a disciplina. Recordo od espaços amplos, a arte espalhada na estatuária e na poesia impressa por todo o lado. O Dr. Calvet terá sido uma figura controversa mas indissociável daquela Escola.
Fernando Lopes

José Coelho disse...

É verdade, trata-se de uma encenação fotográfica. A “Porta Principal” dava e penso que dá ainda, para nenhures. Via-se campo e nomeadamente os campos do Instituto de Agronomia. Restavam também as ruínas de um campo de futebol (?do Carcavelinhos?) do qual ainda se viam resquícios de bancadas há muito apodrecidas. A entrada (julgo que única) ainda é hoje feita pela Calçada da Tapada, em frente ao antigo Sanatório de Ajuda.
Note-se que fui aluno da velha “Xica” entre 1960 e 1962. Eram dois anos o Ciclo Preparatório, dali fui “inaugurar a nova Ferreira” no Alto de Santo Amaro. Conheci bem o Director, Dr. Calvet de Magalhães, o subdirector ?Dr. Mário do Carmo? E outros nomes como Dr. Águas, Sr. Geadas etc. etc.
Mais, durante esses dois anos morreram dois alunos, um deles em acidente dentro da escola, em brincadeira caiu na escadaria do ginásio
Quanto à personalidade de Calvet de Magalhães, corroboro inteiramente o Fernando Lopes, e acrescento,
austero e intimidatório, aqui e além a tocar a rudeza, contudo geria a escola no princípio básico de que os alunos estão primeiro. Eu era muito pobre e almoçava sempre na escola, minha mãe pagava nem um tostão e recordo com muita saudade e gratidão, nos meus 13/15 anos, a qualidade, o serviço e o asseio desse refeitório.
José Coelho

Fernando Serrado disse...

Também fui aluno desta escola entre, creio, 1960 e 1962 e do dr. Calvett, recordo o carater intimidatorio e arrogante com que tratava os alunos, tendo criado uma policia interna, inspirada na policia politica, a "PURRIA", que era recrutada em alunos, que para cairem nas boas graças do diretor,não se coibiam de serem delatores dos seus proprios colegas, mantendo o dr. Calvett informada de tudo o que passava na escola.