25 de outubro de 2012

Sanatório da Colónia Portuguesa do Brasil

O Mosteiro de Santa Maria de Celas foi fundado pela infanta D. Sancha, filha do Rei D. Sancho I em 1213 na sua antiga quinta nos arredores de Coimbra. Era um mosteiro feminino pertencente á ordem de Cister. A infanta Foi buscar a Alenquer um conjunto de «enceladas» ou «emparedadas» - conjunto de de mulheres piedosas que viviam isoladas em celas e pequenas ermidas - que tomou por sua conta. Feito o voto de castidade e tomado o hábito de Cister, a infanta D. Sancha haveria de viver em Lorvão, até que as primeiras «enceladas» e monjas de Lorvão se transferissem, em 1219, para o Mosteiro de Santa Maria de Celas.

Mosteiro de Santa Maria de Celas ao fundo à esquerda no início do século XX, e entrada do Mosteiro

   

Interiores do Mosteiro

 

No início do século XVIII o convento albergava 120 freiras e igual número de empregados. É remodelado a partir de 1753 com a modificação da frontaria da igreja, sacristia, pórtico, escadaria de acesso e capelas laterais. A partir de 1834, data da extinção das ordens religiosas, a Irmandade de Nossa Senhora da Piedade toma conta da manutenção deste convento. Foi permitido às monjas bernardas a sua continuação, até à morte da última, que ocorreu em finais do século XIX.

O "Hospital Sanatório Feminino de Celas" edificou-se no antigo "Asilo de Cegos e Aleijados" (Asilo Distrital) que funcionava no Convento de Celas. O decreto de 0 de Setembro de 1929 legalizou a transferência deste Asilo para o Convento de Semide, possibilitando o arranque das obras de adaptação do imóvel devoluto a Sanatório e as compras de terrenos necessários para ampliações. Assim nasceria o mais antigo Sanatório de Coimbra, pilar importantíssimo na luta Antituberculosa.

Professor Bissaya Barreto (1886-1974)

Este Sanatório foi inaugurado em 1 de Junho de 1932, resultado da dedicação e empenho do Prof. Bissaya Barreto e destinava-se a receber mulheres e crianças que aqui eram isoladas, educadas e tratadas convenientemente. O projecto de ampliação e adaptação foi do arquitecto Luís Benavente. O "Hospital Sanatório Feminino de Celas", com capacidade inicial para 100 camas, admitia doentes tuberculosos pobres, mulheres e crianças. Na Quinta dos Vales, próximo ao lugar de Covões, arredores de Coimbra, viria a nascer o Sanatório Masculino com o nome de "Hospital Sanatório da Colónia Portuguesa do Brasil".

Aspecto exterior do Sanatório Masculino da Quinta dos Valles

                                         Jardins                                                                         Terraço e esplanada

 

                        Interior da capela do hospital                                                             Sala de cinema

 

A sua história remonta aos inícios do séc. XX e envolve a Colónia Portuguesa do Brasil, através da Grande Comissão Pró-Pátria. Do trabalho desenvolvido por esta Comissão nasceu a "Assistência da Colónia Portuguesa aos Órfãos da Guerra" que propunha a fundação e manutenção de um asilo escola «…onde seriam recolhidos, agasalhados, educados e instruídos os filhos dos soldados mortos em combate». Estas escolas profissionais ficaram conhecidas como Escolas Pró-Pátria e, na Quinta dos Vales, a Colónia Portuguesa do Brasil financiou a construção de um conjunto de edifícios para esse fim, destinado a receber os orfãos dos combatentes portugueses da Grande Guerra de 1914-1918. Essa escola, que chegou a ter o nome provisório de "Instituto dos Órfãos da Guerra", nunca chegou a concluir-se.

Atento como sempre, Bissaya-Barreto inicia os contactos com a Colónia Portuguesa do Brasil em 1928, propondo a cedência à Junta do Distrito das instalações do asilo em construção na Quinta dos Vales, para nelas se edificar um Sanatório para tuberculosos. Removida a resistência inicial da Colónia Portuguesa e sensibilizados os governantes do país, a boa nova chegou com o decreto nº 19.310, de 05 de Fevereiro de 1931: o Governo aceitava a doação feita pela Colónia Portuguesa do Brasil, da Quinta dos Vales e dos edifícios existentes, para neles ser instalado o Hospital Sanatório.

                                         Entrada                                                                              Sala de cirurgia

 

              Serviço de lavatórios (anexo à enfermaria)                                                     Enfermaria

 

Em Fevereiro daquele ano, o Governo nomeia a Comissão encarregue dos trabalhos de adaptação constituída por Bissaya-Barreto, Eduardo Miranda de Vasconcelos, Francisco Vilaça da Fonseca e Alberto Cepas. O labor deste grupo seria premiado com a inauguração oficial do "Hospital Sanatório da Colónia Portuguesa do Brasil" em 06 de Julho de 1935. O Sanatório, com capacidade para 300 doentes, foi dirigido pelas Irmãs de
S. Vicente de Paulo. Oferecia tratamento gratuito para os indigentes durante 6 meses, os quais representavam 90% da sua população. Ao fim de 35 anos de funcionamento este Sanatório foi readaptado, transformando-
se no "Hospital Geral da Colónia Portuguesa do Brasil", iniciando o funcionamento como tal a 27 de Abril de 1973.

Entretanto com o sucesso entretanto alcançado no tratamento da doença e perante a necessidade existente na cidade de uma assistência hospitalar pediátrica mais eficaz e ampla, o Prof. Bissaya Barreto decidiu aproveitar o edifício do "Sanatório Feminino de Celas" para aí edificar então o “Hospital Pediátrico”, tendo entrado em funcionamento em 1977.                                                                   

                                          Cozinha                                                                             Sala de refeições

 

Galerias de cura


Em Janeiro de 2011 este hospital pediátrico foi transferido para novas instalações

fotos in: Delcampe.net, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

4 comentários:

Anónimo disse...

A capela referida como sendo do mosteiro é a do Hospital dos Covões, antigo Hospital da Colónia...

José Leite disse...

Caro Anónimo

Grato pela correcção.

Os meus cumprimentos

J.Leite

Francisco Pereira disse...

Lamentavelmente só agora tive acesso aos RESTOS DE COLECÇÃO. Nunca é tarde. Bom seria saber o que vai acontecer ao património existente nos Covões, depois de desactivado o Hospital Geral da Colónia Portuguesa do Brasil.

José Leite disse...

Caro Francisco Pereira

Modéstia à parte, lá diz o ditado, bem velhinho "vale mais tarde que nunca".

Com os meus agradecimentos, os meus cumprimentos.

José Leite