17 de janeiro de 2012

Porto da Beira

O porto da cidade da Beira, capital dos territórios de Manica e Sofala, está situado na costa oriental de Moçambique, sobre a margem esquerda do rio Pungue, na sua saída para o Índico, e em 1925 ainda não possuía cais acostável para navios.

Um ano depois da sua elevação a cidade era inaugurada a iluminação eléctrica na Beira e, em 1911, um serviço telefónico urbano. Nessa altura tinha a Beira cerca de 3400 habitantes (destes, 649 eram portugueses metropolitanos e 242 ingleses), dispunha já de dois hotéis - o “Royal Hotel” e o “Beach Hotel” - e de dois bancos, o “The Standard Bank of South Africa” e o “National Bank of South Africa”.

                  “Royal Hotel”  (á esquerda na foto)                                 “Beach Hotel” e edifício dos “Correios”

 

             “The Standard Bank of South Africa”                                        “National Bank of South Africa”

 

Com o movimento do porto a cifrar-se em redor dos 310 navios entrados e de uma carga manuseada da ordem das 100 000 toneladas, a “Companhia de Moçambique” iniciou as obras de construção de um cais acostável, para navios de grande porte em 1926.

                                                                                    1928

                                    

                     Porto comercial da Beira antes da construção do cais acostável em águas profundas

                                             

 

                                             Construção do cais acostável em águas profundas

                            

 

Entretanto a cidade e o porto tinham recebido numerosos melhoramentos: em 1929 era aberto ao tráfico o primeiro troço de cais acostável em águas profundas, com 152 m de comprimento, acabando-se assim os incómodos e inconvenientes do uso de batelões para o transporte de mercadorias entre os barcos e os cais da alfândega, e de indígenas na praia, para o de passageiros.

A partir dos anos da primeira guerra mundial o porto da Beira viu-se sobrecarregado com o movimento resultante dos progressos da exploração económica e da evolução populacional daqueles territórios,de tal modo que, muitas vezes, os barcos tinham de esperar cerca de três meses ou mais para utilizarem os serviços portuários. Como resultado, muitas mercadorias eram desviadas para os portos da África do Sul, embora tivessem de percorrer distâncias enormes até eles.

                                                            Fotos do porto da Beira em 1930

 

                              

Em 1963 das suas regiões mais próximas o porto e a cidade da Beira recebiam produtos da agricultura de plantação (açúcar, tabaco, sisal, chá, arroz, etc),da exploração do subsolo (cobre da serra da Isitaca, carvão de Tete, manganês, etc.) e das indústrias manufactureiras aí instaladas (cimentos, tecidos de algodão, óleos e sabões,cervejas, tabacos preparados, etc).

A Beira, em muitos aspectos, antecipou-se a Lourenço Marques, que além de capital da Província era, em 1969, a  maior cidade e o primeiro porto quanto à actividade. Assim, por exemplo, as relações entre caminho de ferro e o porto existiam há mais tempo na Beira, e que ainda hoje se mantém com lugar importante entre os portos moçambicanos.

                             Porto e Estação de Caminhos de Ferro da Beira nos anos 60 do século XX

         

  Alguns tipos de barcos que faziam parte do quotidiano do porto da cidade da Beira, nos anos 30 do século XX

                                                                     Lancha «Maria Luísa»

                               

                  Rebocador «Eduardo Villaça»                                                        Gasolina «Sofala»

 

                                                                        Gasolina «Tambara»

                             

fotos in: Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Actualmente o porto da Beira é composto por dois cais de atracação e a sua profundidade ao longo dos mesmos varia entre 12 a 8 metros. O acesso ao porto da Beira é feito através do de um canal chamado «Canal de Macuti» o qual devidamente balizado permite uma navegabilidade durante 24 horas por dia. A navegação noturna é permitida para navios com calado máximo de 7 metros e não superiores a 140 metros de comprimento devido às restrições da curva do canal de Macuti.

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