Nesta nova quadra natalícia, venho desejar a todos os leitores, seguidores e amigos deste blog, um Feliz Natal e um Bom Ano Novo de 2018.
Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa
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Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa
A primeira loja “Casa do Povo d’Alcantara” abriu as suas portas em Abril de 1899, num gaveto entre a Rua do Livramento (actual Rua Prior do Crato) e a Rua Cascaes (actual Rua João de Oliveira Miguens).
13 de Abril de 1899 1905
Este estabelecimento era propriedade de João de Oliveira Miguens (1867-1907), figura destacada do directório do “Partido Republicano Português”, Grão-Mestre da Maçonaria e que, em 1902, por ocasião do Convénio, organizou uma tentativa de levantamento armado em Alcântara. Assim se explica que pouco depois da implantação da Republica, em 1910, julgou por bem a Câmara Municipal de Lisboa atribuir o seu nome a uma Rua adjacente à sua antiga propriedade.
João Oliveira Miguens (1867-1907)
A “Casa do Povo d’Alcântara” era uma loja de piso térreo e que comercializava, sobretudo, tecidos e roupas, além de alfaiataria e camisaria, e em que os seus os fregueses recebiam pratos-brinde executados pela Fábrica de Louça de Alcântara, fundada em 1885.
No dia 18 Fevereiro de 1905 foi a esta a casa comercial que Manuel Gourlade, tesoureiro do “Grupo Sport Lisboa” pagou 12 mil réis, pela compra das primeiras 12 camisolas de flanela vermelha para o clube, fundado, em Belém, menos de um ano antes, em 28 de Fevereiro de 1904. A factura ainda existe e tem um merecido lugar de destaque no acervo do actual “Museu Cosme Damião”, do “Sport Lisboa e Benfica”.
Entretanto, com a morte de João de Oliveira Miguens em 7 de Janeiro de 1907, a loja "Casa do Povo d'Alcantara" é demolida e é iniciada, em 1906, a construção, a cargo de Guilherme Francisco Baracho, de um novo e grandioso edifício em ferro e betão, com projecto dos arquitectos franceses Ch. Vieillard e F. Touzet, que demorou 14 meses e cujo custo, «comprehendendo o edificio, mobiliario, installações, etc., orça por uns cem contos de réis.». As instalações eléctricas ficaram a cargo de Alfredo de Brito. Recordo que tanto os arquitectos como o construtor, foram, igualmente, responsáveis pela construção da garagem “Auto-Palace” na Rua Alexandre Herculano e inaugurada em 1908.
“Casa do Povo d’Alcantara”, aquado da sua inauguração em 21 de Junho de 1907
8 de Agosto de 1907
Este novo edifício, e nova "Casa do Povo d'Alcantara", inaugurado em 21 de Junho de 1907, era propriedade de 32 sócios, «sendo seus directores os srs. Barroso & C.ª e José Antonio da Trindade, e formando o conselho fiscal as firmas: Oliveira Soares & C.ª, Santos Mattos & C.ª e Pacheco & Pinto.» além da mãe do falecido fundador. A gerência foi entregue a José António Trindade, que tinha sido o primeiro funcionário da antiga loja.
Edifício da "Casa do Povo d'Alcantara"
Localização do edifício da "Casa do Povo d'Alcantara", dentro da elipse desenhada
Quanto ao edifício, o jornal “Vanguarda”, assim o descrevia:
«O edificio magnifico, occupa um enorme espaço de terreno das ruas do Livramento e Cascaes, tendo onze vãos, dois dos quaes, um para a primeira rua indicada, com o nº 137, que dá acesso ao publico e outro com o nº 36, na segunda, para serviço do pessoal, despacho de fazendas, etc., constituindo os restantes os mostruarios externos do estabelecimento.
A armação, balcões, mostruario e mais mobiliario elegantissimos, são de carvalho do norte envernizado e os sobrados, á ingleza.
Ao fundo do estabelecimento ha uma larga e bem lançada escadaria desdobrada em dois lanços, que communica os tres pavimentos, vendo-se n'uma sobre-porta, á direita, o retrato do fundador da casa.
No primeiro pavimento acham-se installadas as secções de modas, fanqueiro, retrozeiro, perfumaria, luvaria, gravataria, etc., no segundo os de alfaiataria, camisaria, sapataria, chapelaria e sombreireiro, e no terceiro tudo quanto constitue a guarnição d'uma casa, desde a sala até á cozinha.
Pela porta da rua Cascaes entra-se para os despachos de fazenda, no pavimento terreo e no primeiro andar; e para os escriptorios e administração, no segundo andar.»
Lateral (à esquerda na foto) para a Rua de Cascaes
Cupão de desconto
22 de Dezembro de 1907
Última referência publicitária a que tive acesso, no Almanaque do jornal “O Mundo” para 1913
A existência da “Casa do Povo d’Alcântara”, não foi muito longa e, depois de encerrada e o seu interior ser profundamente transformado, tornou-se no café-concerto “Rialto”, inaugurado em 12 de Junho de 1937 e propriedade da firma “Tavares & Ferreira, Ltda.”. A sua existência foi ainda mais curta.
11 de Junho de 1937
1937
Se a existência da “Casa do Povo d’Alcântara”, não foi muito longa, então a do “Rialto” … e em 18 de Setembro de 1942, é fundado o “Atlético Club de Portugal”, fruto da fusão entre o “Carcavelinhos Football Club” e o “União Foot-ball Lisboa”, e instala a sua sede no edifício onde tinha funcionado a “Casas do Povo d’Alcântara” e o “Rialto”, razão pela qual, ainda hoje, este edifício é designado, oficialmente, por “Edifício do Atlético Clube de Portugal”.
Em 1945, o “Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa” compra o edifício promovendo um projeto de remodelação da responsabilidade do arquitecto António Lino que, entre outras alterações transformará as antigas portas do piso térreo em montras. Em 1990, é a vez da “Escola Superior de Artes Decorativas” da “Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva” instalar-se nos pisos superiores onde ainda hoje se mantém.
fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital
O "Theatro Moderno" foi inaugurado 15 de Dezembro de 1910 na Rua Álvaro Coutinho, em Arroios, com projecto de Hygino Vieira Dias, «conductor de trabalhos da Camara de Lisboa». O edifício foi mandado construir por D. Antónia Bárbara da Cunha, madrinha do actor António Manuel dos Santos Júnior, que por muito tempo tinha sido actor e empresário (desde 1888) e depois proprietário do "Theatro do Rato", até este ter sido destruído por um incêndio, em 1906.
“Theatro Moderno” em fase de acabamentos
António Manuel dos Santos Junior
A designação “Theatro Moderno” aparece pela primeira vez no final da primeira temporada teatral de 1905, quando Araújo Pereira e Luciano de Castro fundaram, com Simões Coelho, a Companhia Dramatica “Theatro Moderno”, que ficou sediado no “Theatro do Principe Real” - mais tarde “Teatro Apolo” - na Rua da Palma, em Lisboa.
A Companhia “Theatro Moderno” teve, contudo, uma existência ainda mais efémera do que a sua antecessora, durando apenas o mês de Julho de 1905. Sob a direção artística de Araújo Pereira, destacou-se por ter levado à cena um repertório exclusivamente português, com textos de Ramada Curto (“O Stygma”), Carrasco Guerra e Eloy do Amaral (“Mau Caminho” ), Bento Mântua (“Novo Altar”), Mário Gollen (“Degenerados”), Afonso Gayo (“Quinto Mandamento”), Amadeu de Freitas e Luís Barreto da Cruz (“A Lei Mais Forte”).
Quanto ao “Theatro Moderno”, pode-se ler na revista “Construção Moderna”, nº 21 de 10 de Fevereiro de 1908, a propósito do motivo do seu aparecimento e projecto da autoria de Ernesto H. Vieira Dias :
«No largo do Rato, á direita, ao entrar na rua da mesma denominação ha um corredor que vae dar a uns terrenos, onde ha proximamente dois annos existia um elegante theatrinho de madeira, que um fogo destruiu em poucos
momentos, reduzindo á miseria um modesto, bem conhecido e estimado artista, o actor Santos Junior, que ali tinha o resultado de todas as suas economias, pois que, nem edificios, nem scenario, mem as outras diversas alfaias de theatro tinha no seguro.
Achou-se de repente, pois, o desditoso artista, collocado n'uma precaria situação, a que procurou valer-lhe alguns amigos, o que ainda assim não era senão paliativo que não remedeiavo por completo, tão grande infortunio, quando sua madrinha, a Sra. D. Antonia Barbosa da Cunha,
com grande abnegação e desinteresse procurou valer ao infortunio de seu afilhado, mandando construir-lhe á sua custa, um outro theatro em muito melhores condições technicas e de esthetica, sendo convidado para elaborar o projecto e dirigir todos os trabalhos da construção, o já nosso citado amigo, sr. Ernesto H. Vieira Dias, cuja competencia por todos é reconhecida.
Entretanto na apreciação do projecto, diremos que este será executado no bairro da Avenida D. Amélia, no terreno com frentes sobre a rua da Senhora do Resgate e Regueirão dos Anjos, medindo a area 655 m2.»
Projecto do arquitecto Ernesto H. Vieira Dias
A revista “Construção Moderna”, rematava a descrição pormenorizada desta casa de especáculos … «Possuirá, enfim, o edifício projectado, todas as modernas condições de hygiene e conforto exigidas em casa de espectaculo d'esta ordem, dando assim razão ao seu titulo de Theatro Moderno.»
A construção do "Theatro Moderno" teve início em 13 de Março de 1908, toda feita em alvenaria e vigamento de ferro. Mas em 13 de Janeiro de 1909, e já em fase adiantada das obras o edifício, o grande paredão que servia de empena sofre uma derrocada. «Os prejuizos estão avaliados, ao todo, n'uns 3 contos.»
A propósito do incidente o jornal “Diario Illustrado” relatava:
«Os caboucos teem, na maior profundidade, 10 metros, e na menor 6; a sala para espectaculos é essencialmente firmada por 10 columnas em toda a altura, columnas que estão ligadas pelo forte vigamente ferreo, encontrando-se a construcção adiantada, com as tres ordens de camarotes assentes, bancadas de geral em esqueleto, tudo com estructura, que se mostra bem cuidada e solida. (…)
As obras estão orçadas em 50 ou 60 contos, isto é, comprehendendo todo o theatro, prompto a funcionar.
O actor Santos Junior esperava fazer a inauguração, nos proximos mezes de verão, com um espectaculo de caridade, em 'matinée', offerecendo os bilhetes d'esse espectaculo á imprensa da capital.
Assim agora tem que retardar, essa inauguração, porque é aquelle tempo que se calcula levará a reconstrucção do que se desmoronou.»
Finalmente inaugurado em 15 de Dezembro de 1910, oferecia: Tribuna real, 4 frizas de 5 lugares cada, 20 camarotes de 1ª ordem, 22 de 2ª ordem, 137 fauteuils, 177 cadeiras, 48 lugares de superior, 340 de geral, 54 galerias de primeira e 144 de segunda e terceira.
No livro “O Teatro em Lisboa no tempo da Primeira República” pode ler-se: «Pouco se conhecendo hoje deste teatro, sabemos, contudo, que a designação de "moderno" lhe causou, mesmo antes de abrir, amargos de boca. Utilizando, como nome de baptismo, uma palavra com uma conotação tão forte na época, logo se levantaram vozes questionando a presunção com que a empresa, ou melhor, o seu gerente, o actor Santos Júnior, o designou.»
16 de Junho de 1911
Publicidade na revista “O Palco” de 20 de Janeiro de 1912
Fotos da peça “000:20 Milhafres”
6 de Dezembro de 1913 13 de Dezembro de 1913
Alguns espectáculos apresentados no “Teatro Moderno” :
1911 Arre Que é Burro! [teatro de revista]
11/1911 Perdeu a Fala [teatro de revista]
1912 A Lanterna [teatro de revista]
1912 Vinte Milhafres
1913 Ai Pá! [teatro de revista]
1913 Confusão de Narizes [teatro de revista]
1913 Loucuras de Amor
1913 Pobreza, Miséria e Companhia
1913 Os Dragões de Chaves [opereta]
1/1913 Na aldeia [teatro de revista]
3/1913 O diabo no convento
12
/1913 Os Grotescos [teatro de revista]
12/1913 Marquez de Contrabando [opereta]
11/1915 Cura de Aldeia [opereta]
12/1915 Proezas d’um cabula
12/1916 Hora Fatal
14 de Dezembro de 1915
O “Theatro Moderno”, teve uma história e existência curtas, já que viria a ser demolido em 1918.
Entre 1961 e 1965 o nome de “Teatro Moderno”, seria de novo utilizado por uma Companhia teatral: “Teatro Moderno de Lisboa, Sociedade de Actores”
A Companhia do “Teatro Moderno de Lisboa”, que, entre 1961 e 1965, actuou no Cinema “Império”, em sessões às 18 horas, era composta por actores como: Cármen Dolores, Rogério Paulo, Ruy de Carvalho, Armando Caldas, Fernando Gusmão, Clara Joana, Fernanda Alves, Rui Mendes, Armando Cortez, Morais e Castro, entre tantos outros.
fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, The Berardo Collection
“Casa Bancária José Augusto Dias, Filho & C.ª”, na Praça Almeida Garrett no Porto
“Hotel Ribeiro”, em Vilar de Veiga, nas “Termas do Gerez”
Orquestra de animatógrafo, para acompanhamento de filmes mudos
Sucursal do jornal “O Seculo” e à sua esquerda (na foto) a “Tabacaria Monaco”, na Praça D. Pedro IV (Rossio)
fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Arquivo Municipal do Porto
Em 18 de Agosto de 1848, António Maria Pereira (1824-1880) fundava na Rua Augusta, em Lisboa, a “Livraria de António Maria Pereira - Editor”, ou abreviadamente “Livraria Pereira”, actual “Parceria António Maria Pereira, Livraria Editora, Lda.”, a casa editora mais antiga do país.
“Parceria António Maria Pereira” no edifício a seguir ao representante das máquinas de escrever “Underwood”
“Parceria A. M. Pereira, Lda.” já depois da renovação da sua loja
António Maria Pereira, era, até então, um desconhecido livreiro e encadernador, de 23 anos de idade que tinha sido aprendiz do ofício na “Casa dos Vinte e Quatro”, uma Corporação extinta em 7 de Maio de 1834 por D. Pedro IV, e depois caixeiro na “Casa Marques”. A primeira obra editada pela “Livraria A.M. Pereira Editora” foi o romance histórico “O Mestre de Calatrava” de Aires Pinto de Souza e Menezes, numa edição de 300 exemplares, custando 7$200 réis cada.
António Maria Pereira (1824-1880)
Por morte do fundador, em 1880, sucede seu filho com o mesmo nome, António Maria Pereira, que muda o nome da “Livraria A.M. Pereira Editora” para “Parceria António Maria Pereira”, já instalada no número 52 da Rua Augusta. Nascido em Lisboa, em 1857, faleceu a 27 de Junho de 1898.
António Maria Pereira (1857-1898)
8 de Fevereiro de 1894
18 de Novembro de 1894 9 de Dezembro de 1894
1894
17 de Fevereiro de 1895
1895
Stand na "Exposição Industrial do Porto", no Palácio de Cristal, em 1897
A seguir transcrevo grande parte dum artigo da Revista “Occidente” de 20 de Agosto de 1898, a propósito da sua morte, e que é elucidativo da gerência e actividade desta livraria:
«A sua actividade e amor ao trabalho aproveitaram a muitos, porque António Maria Pereira soube dar desenvolvimento á sua industria, animando não só muitos auctores, que sem o seu auxílio não poderiam, ver as suas obras publicadas, mas dando aprecialvel impulso ás artes graphicas com as innumeras edições que sahiam da sua casa.
Pode dizer-se de Antonio Maria Pereira que lhe nasceram os dentes na livraria; e nasceram, porque quem escreve estas linhas, conheceu-o creança na loja de seu pae, livreiro tambem, que deixou a seu filho o nome e as tradições honradas do seu commercio. (...)
Da grande collecção de obras originaes e traduzidas publicadas por Antonio Maria Pereira poucas se recommendam pelo valor literario, e contudo algumas edições são aprimoradas, o que mostra a boa vontade do editor. E que cuidados lhe mereciam as edições que, quasi diariamente, elle dava a lume.
Sentado á sua secretaria horas e horas por dia e noite, via todas as provas typographicas, além da correspondencia diaria de sua casa, a que dava o devido expediente. Depois a contabilidade, os reclamos, os annuncios, as conferencias com os auctores, as propostas, os pretendentes, um cem numero de cousas, tudo a sobrecarregal-o com trabalho, impossivel para um homem só, e tanto mais para elle, que era fraco, e a quem a anemia, consequencia da vida sedentaria, ia minando lentamente.
As publicações periodicas que tentou, consumiram-lhe boa parte das forças; porque estas edições são as que mais cançam um editor pela preocupação constante que lhe impõem. A Revista Illustrada e o Branco e Negro que publicou, aquella tres annos e este dois, não só lhe deram prejuizo pecuniario, senão que o fatigaram extraordinariamente.»
1892 1896
1896
1886 1899 1900
Editando os melhores escritores da época, a par de literatura popular, a “Parceria António Maria Pereira” torna-se uma importante editora e a partir da administração deste segundo António Maria Pereira, considerado "um homem de letras", segundo Eça de Queiroz, chegando mesmo a escrever algumas obras sob pseudónimo.
Por morte deste, suceder-lhe-ia o terceiro António Maria Pereira, homónimo dos seus antepassados, e em 1909 a revista “Commercio de Livros”, de Manuel Figueiredo dos Santos Gil, anuncia:
«A Parceria António Maria Pereira encetou ha annos a Nova Colecção Pereira de volumes in-16 de 190 paginas a 5O réis! E o cumulo da barateza. Fundada em 1848, é uma das casas que mais tem enriquecido o mercado livreiro. Á Exposição Nacional do Rio de Janeiro de 1908 enviou 600 volumes todos editados pela sua casa. Uma das ultimas publicações da Parceria é a edição popular do genial romancista Camillo Castello Branco em volumes in-8. de 200 a 300 paginas, bom papel, typo elze- vier, ao preço de 200 réis em brochura.»
1896 1900
1909 1910
1910
1910 1912 1913
Postal de 1905
Entretanto, a crise provocada pela 2ª Guerra Mundial entre 1939 e 1945, viria a afectar muito o negócio de livreiro e editorial. A casa vai praticamente à falência. Podemos registar, contudo, ter sido o único editor de Fernando Pessoa, em vida, tendo editado “A Mensagem”, livro destinado a um concurso no “SPN-Secretariado de Propaganda Nacional”. Em 1943, a “Parceria António Maria Pereira” edita a primeira edição da obra “Peregrinações em Lisboa” de Norberto de Araújo, com a direcção artística de Martins Barata.
1951 1953
Curiosamente na primeira direcção da “Associação dos Livreiros de Lisboa”, fundada em 13 de Fevereiro de 1924, o lugar secretário da direcção foi atribuído à “Parceria António Maria Pereira”. Como, aliás, viria a suceder em 1927, quando estará entre os livreiros fundadores da “Associação de Classe dos Livreiros de Portugal”. Foi esta Associação que, em 29 de Maio de 1931, promove a primeira “Feira do Livro” de Lisboa, com a designação de “Semana do Livro”
Por ocasião do I centenário da “Parceria António Maria Pereira, Lda.”, em 18 de Agosto de 1948, o jornal “Diario de Lisbôa” noticiava:
«A Parceria Antonio Maria Pereira completa hoje os seus cem anos de existencia. Cem anos dedicados ao exercício e á propaganda do livro, sempre no mesmo local da Rua Augusta, onde ainda hoje "fazem sala" muitos dos nossos escritores e outras pessoas do meio.
O actual Antonio Maria Pereira, terceiro da dinastia do mesmo nome e neto do fundador, desfruta justamente de muita estima, não só como comerciante mas como cidadão. É hoje um dos componentes da vereação lisboeta.
A Associação Comercial tomou a iniciativa de uma sessão solene, que se realizará esta tarde, durante a qual será entregue á Parceria o diploma das casas centenárias de Lisboa. Á noite, haverá um jantar, no Imperio, promovido por uma comissão de livreiros, para homenagear o seu colega que actualmente dirige aquele estabelecimento centenario.»
Com a crise, a má gestão agudizados pelos conflitos laborais surgidos após o 25 de Abril de 1974, é mudada a sua denominação para “Livraria do Arco” e rápidamente se extingue. O Dr. António Maria Pereira (1924-2009), filho do último administrador da Parceria, político, advogado e sócio fundador da maior sociedade de advogados de Portugal, a “Sociedade de Advogados PLMJ - A.M.Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice e Associados”, refunda, no ano 2000, a casa editora dos seus antepassados, a “Parceria A.M. Pereira”.
Com o seu falecimento em 28 de Janeiro de 2009, sucede-lhe na gestão da empresa sua irmã, D. Antónia Maria Pereira, nessa altura com instalações na Rua da Estrela, 47, no Bairro da Lapa, em Lisboa. Manteve-se na gerência da empresa até 2012, altura em que a empresa é adquirida por Jorge Ramos, mantendo a “Parceria António Maria Pereira, Livraria Editora Lda.”, activa até aos aos dias de hoje, sem loja aberta, mas com uma Livraria online (via internet), com sede na Rua Padre Américo, 23 G em Lisboa.
Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital, Ruas de Lisboa com Alguma História, Parceria António Maria Pereira