Restos de Colecção

21 de maio de 2015

Porto de Lisboa (23)

Rebocador a vapor “Setúbal” da “APL - Administtração do Porto de Lisboa”

Vapor “Mirandelle” da empresa “H. Hersen”, em 1905

“Gare Marítima de Alcântara”

Rebocador “Praia Grande” da “SG - Sociedade Geral”

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa,  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

20 de maio de 2015

Sinagoga de Lisboa

As comunidades judaicas de Lisboa reuniam-se, desde pelo menos o século XIII nas duas sinagogas da “Judiaria Grande” (situada à beira do esteiro da Baixa e Ribeira do Tejo, entre as freguesias da Madalena, e S. Nicolau) e outras já existentes no século XIV na “Judiaria Nova”, ou das Taracenas, e na “Judiaria Pequena” em Alfama. Em 1497 foram extintas as sinagogas e desmanteladas outras estruturas sociais pertencentes aos judeus lisboetas cujo património foi entregue a instituições eclesiásticas e de assistência. Desde então até aos inícios do século XIX não existiu em Portugal culto oficial judaico.

“Judiaria Grande” no centro da gravura com a sua área a ponteado grosso, entre a Rua da Prata e Rua da Madalena

Abolida a Inquisição em 1821, só em meados desse século voltaram timidamente a funcionar em Lisboa algumas sinagogas, em simples apartamentos de habitação, a última das quais no Beco das Linheiras. Deste local foram trasladados solenemente para a “Sinagoga Nova”, em 1904, os rolos da "Thorá", o Livro das Sagradas Escrituras.

Em 1897, é criada em Lisboa uma comissão para a edificação de uma sinagoga, coincidindo este acto com a eleição do 1.º Comité da Comunidade Israelita de Lisboa, cujo Presidente Honorário era Abraham Bensaúde e o Presidente Efectivo, Simão Anahory.

O projecto da “Sinagoga de Lisboa” foi da autoria de um dos mais notáveis arquitectos da época, Miguel Ventura Terra

Depois do terreno para edificar a “Sinagoga de Lisboa” "Shaaré Tikvá" (Portas da Esperança) ter sido comprado em nome de pessoas particulares, o edifício teve de ser construído dentro de um quintal murado, dado que não era permitida a construção de qualquer templo não católico com fachada para a via pública. Situado na Rua Alexandre Herculano, nos antigos terrenos de Valle de Pedreiro, junto ao Rato, foi lançada a primeira pedra em 1902. A Sinagoga “Shaaré-Tikvá” (Portas da Esperança) foi inaugurada em 18 de Maio de 1904.

                                     Primeira pedra em 1902                                 Cerimónia do lançamento da primeira pedra

   

Colónia Israelita em Lisboa em 1904

Sinagoga em 1904 nas traseiras da Casa Ventura Terra “Prémio Valmor de Arquitectura” 1903

Notícia da inauguração no jornal “Diario Illustrado”

Inauguração.1

A “Sinagoga de Lisboa” nos anos 50 do século XX

A nova Sinagoga, para substituir a antiga no Beco dos Apóstolos, foi mandada construir por uma comissão nomeada pela colónia israelita de Lisboa, representada por Leão Amzalak, e feita por subscrição aberta entre a mesma colónia. Foi projectada para comportar 400 homens no pavimento principal e 200 senhoras nas galerias do pavimento superior.

Além do templo, propriamente dito, contem sala para casamentos, de espera, para reuniões, vestiários, habitação completa do rabi e outras dependências.

A “Sinagoga de Lisboa” nos anos 50 do século XX

Existem diferentes tipos de sinagogas, mas todas estão subordinadas a algumas regras:

- Nenhuma sinagoga pode ultrapassar o Templo em grandeza e beleza.
- Nas sinagogas de rito ortodoxo existe uma separação (‘mehitsa’) entre homens e mulheres que pode tomar a forma de um balcão próprio ou de um pequeno muro.
- As sinagogas têm de estar viradas para leste, ou seja, para Jerusalém, nomeadamente a Arca Sagrada que contém os rolos da Tora.
- É totalmente proibido qualquer tipo de imagens humanas. A decoração é feita através dos símbolos da vida judaica: a Estrela de David, o candelabro («menorah»), o próprio “chofar” (chifre de carneiro utilizado em Rosh-Hashaná e Kipur, cujo toque invoca a misericórdia de Deus, lembrando o sacrifício de Isaac).

o “Epal” (Arca de Lei)

A arca, representa a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nas portas da arca estão inscritos os 10 mandamentos. Nesta arca são guardados os pergaminhos sagrados, os rolos da "Thorá", o Livro das Sagradas Escrituras, que são retirados e lidos pelo rabi durante as orações.

Lanche na colónia israelita, nos jardins da Sinagoga com Simy Benoliel e Esther Benoliel na foto

Casamento hebraico na Sinagoga de Lisboa em 1915

“Sinagoga de Lisboa”, actualmente

            Entrada discreta na Rua Alexandre Herculano                                                 Exterior da Sinagoga

 

Interior da Sinagoga de Lisboa

 

Em 2006 evocaram-se os 500 anos do massacre de judeus em Lisboa. Reza a história que entre os dias 19 e 21 de Abril de 1506, quatro mil judeus foram perseguidos, mutilados e queimados vivos na capital, o chamado “pogrom’”de Lisboa.

Damião de Góis, Garcia de Resende e Alexandre Herculano foram algumas das vozes que relataram esse massacre de quatro mil judeus, em 1506. Na “Igreja de São Domingos”, na Baixa lisboeta, alguém gritou ter visto o rosto de Cristo iluminar-se no altar. A fé cegou os populares, que rejeitaram a explicação, dada por um judeu convertido, de que era um reflexo do sol. O ‘blasfemo’ foi arrastado, com o irmão, até ao Rossio, onde ambos foram espancados até à morte. Seguiram-se três dias de perseguições, violações e morte. As vítimas foram homens, mulheres e crianças, todos judeus. Frades dominicanos terão incitado a populaça que repetiu à exaustão: «Morte aos Judeus, morte aos hereges!»

A “Igreja de São Domingos” numa gravura do Largo de São Domingos antes do terramoto de 1755. Agua-tinta, desenho à pena a nanquim de Zuzarte, século XVIII, fragmento

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Sinagoga de Lisboa

19 de maio de 2015

Antigamente (115)

Inauguração da estátua de D. Pedro IV, em 29 de Abril de 1870

Concurso “Telefone Mistério” promovido pela “APT - Anglo Portuguese Telephone”

Concentração de automóveis «Fiat» no Campo Grande, em Lisboa

Corrida ao “Banco de Portugal” para trocar notas de 500$00 emitidas pelo “Banco Angola & Metrópole”, de Alves Reis, em 8 de Dezembro de 1925

Sede do “Banco de Angola e Metróple” em Lisboa, e publicidade de 1925

    

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa,  Hemeroteca Digital

17 de maio de 2015

Teatro Variedades

O “Teatro Variedades”, foi inaugurado em 8 de Julho de 1926, no “Parque Mayer”, em Lisboa, tendo sido idealizado por Luís Galhardo em 1922, e começado a construir-se em 1924, sob o lago dos jardins do “Palácio Mayer”, com projecto do arquiteto Urbano de Castro.

“Teatro Variedades” com a Revista “A Mãe Eva”, de Lino Ferreira em cartaz e estreada a 16 de Novembro de 1928

Panfleto da Revista de inauguração do "Teatro Variedades"  em 8 de Julho de  1926

“Teatro Variedades” em 1937 com a Revista “Olaré Quem Brinca?” de Baptista Diniz em cartaz

Parque Mayer.8.1

 

Abriu estreando a revista "Pó d’Arroz" , de autoria do grupo "Gregos e Troianos", com música de Tomás Del Negro e Raul Portela, com Anita Salambô e onde se estreia também, o então jovem actor e argumentista Vasco Santana.

Acerca da estreia desta revista o “Diario de Lisbôa” escrevia:

«O "compére" da nova revista "Pó de Arroz", original dos "Toianos" com que inaugura amanhã a nova e elegante "boite" do Parque Mayer, será desempenhado por Augusto Costa, artista dum comico irresistivel, que conta com um admirador em cada lisboeta.
A inauguração do Teatro Variedades, onde é estrela a gentil "divette" Anita Salambô, será, decerto o "clou" da temporada teatral.
Ensaiou "Póde Arroz", o meteur-en-scene Rosa Mateus que é já um nome consagrado, com excepcional destaque, entre os ensaidores do nosso tempo.»

Revista “Pó d’Arroz” de  Luís Galhardo, José Galhardo e Vasco Santana

No dia seguinte o mesmo jornal relatava:

«No espectáculo de revista que ontem se inaugurou, no Teatro variedades, destaca-se a alegre e gentil "estrela" Anita Salambó, que marcou com muito brilho os seus numeros, principalmente os de caracter espanhol. Devemos tambem lembrar os nome de Augusto Costa (Costinha), actor de solidos recursos, e de vasco Sant'Ana, que esteve muito feliz numa rabula de caracter popular. O "costumier" Castelo Branco montou com riqueza a revista, vestindo com muita elegancia alguns grupos.»

Companhia e bailarinas da Revista “E Siga a Dança …”, de Lino Ferreira, e estreada em 16 de Março de 1929

A propósito da estreia da Revista “E Siga a Dança …”, mencionada na foto anterior, o jornal “Diario de Lisbôa” escrevia:

«Com grande interesse do público, manifestado desde ha muito, realiza-se hoje, no teatro Variedades, no Avenida Parque, a estreia da nova revista e m 2 actos e 17 quadros, «E siga a dança ...», que vai ser interpretada pelos artistas Carlos Leal, no «compère», Maria das Neves, Elisa Giselle, Margarida Almeida, Emilia Candeias, Beatriz Belmar, Sofia de Sousa, Joaquim Prata, Alfredo de Sousa, Artur Rodrigues, Artur Machado, os bailarinos Georges Botgen, Sonia Botgen e Lucy Snow, e 16 «girls» portuguesas.»

Revista “Chá de Parreira” de Xavier de Magalhães e estreada no “Teatro Variedades”, em 27 de Julho de1929

Teatro Variedades (1929).1 

Neste teatro, no ano de 1931, celebrizaram-se êxitos da canção popular como o “Burrié”, da revista “O Mexilhão”, de Silva Tavares, Almeida Amaral, Xavier de Magalhães e interpretado por Beatriz Costa e Ribeirinho, “O Cochicho”, da revista “Pim! Pam! Pum!”, de Lino Ferreira, Lourenço Rodrigues, Fernando Santos, também do ano de 1931, e  protagonizada inicialmente por Maria das Neves, mas popularizado por Beatriz Costa.

Plantas da sala de espectáculos, em 1937 e 1940

    

Além das revistas mencionadas anteriormente, de referir ainda outras que vieram a ter êxito como: "O Bom Sucesso" em 1927, com Teresa Gomes e João Gaspar, "Saricoté" em 1927, com Hortense Luz e Eduardo Reis, "Fado Liró" em 1928, com Carlos Leal e Luísa Durão, "A Paródia" em 1930, com Mary Laura e Santos Carvalho, "Arre Burro" em 1936, com Beatriz Costa e Hermínia Silva, "O João Ninguém" em 1936, com Mirita Casimiro, "Boa Nova" em 1942 com Hermínia Silva e Amália Rodrigues, "Alto lá Com o Charuto" em 1945, com Vasco Santana e Mirita Casimiro, "Se Aquilo Que a Gente Sente" em 1947, com Vasco Santana e Amália Rodrigues, "Ora Agora Viras Tu" em 1949, com Hermínia Silva e Luís Piçarra, "Mulheres Há Muitas" em 1954, com Laura Alves e Henrique Santos, "Abril em Portugal" em 1956, com Elvira Velez e Costinha, "Com Jeito Vai" em 1958, com Badaró e Mara Abrantes, "A Ponte a Pé" em 1965, com Humberto Madeira e Mariema, "Pois, Pois" em 1967, com Raul Solnado e Ivone Silva, "O Zé Faz Tudo" em 1970, com Florbela Queiroz e Victor Mendes, "Ó Pá Pega na Vassoura" em 1974, com José Viana e Carlos Miguel, "A Prova dos Novos" em 1988, com Marina mota e Carlos Cunha.

                      Estreada em 1927                                   Estreada em 1936                                Estreada em 1947 

  

                 Estreada em 1954                                  Estreada em 1963                                    Estreada em 1967

 

Programa da Revista “Pernas à Vela” de Amadeu do Vale, António Cruz e Eugénio Salvador estreada 8 de Março de 1958

 

Seria no “Teatro Variedades” e na Revista, “Peço a Palavra! ”,  da autoria de Paulo da Fonseca, César de Oliveira, e Rogério Bracinha, estreada em 4 de Dezembro de 1969, que a actriz Anita Guerreiro cantou pela primeira vez uma das canções mais famosas de sempre acerca de Lisboa, intitulada “Cheira a Lisboa”.

Nos anos sessenta Giuseppe Bastos e Vasco Morgado asseguraram em conjunto a exploração do “Teatro Variedades”, tendo então promovido uma série de renovações no seu interior.

Revista “Empresta-me o Teu Apartamento”, traduzida por Rosa Lobato de Faria, e estreada em 25 de Setembro de 1971

Aqui se apresentaram artistas cómicos como Vasco Santana e Raul Solnado e actores e atrizes do teatro declamado como foi o caso de Eunice Muñoz, no espectáculo “Lições de Matrimónio” estreado em 14 de Maio de 1965 de Leslie Stevens. Na mesma década e na revista “Zero, Zero,Zero, Ordem Para Matar”, de Paulo da Fonseca, César de Oliveira, Rogério Bracinha e estreada em 1966, José Viana interpretou o “Zé Cacilheiro”, tema que se tornou conhecido do grande público. Nesse mesmo ano de 1966, o “Teatro Variedades” sofreu um incêndio quando estava em cena o espectáculo “Descalços no Parque”, original de Neil Simon com Irene Isidro no elenco.

                                              1958                                                                                        1979

   

Revista “Há Mas São Verdes! ” de João Nobre, César de Oliveira, Rogério Bracinha e Manuel Correia, estreada em 1982

Na década de 90 do século XX, foram empresários deste Teatro, Hélder Freire Costa e Vasco Morgado (filho), tendo sido o seu espaço renovado na mesma altura. Foi no “Teatro Variedades” onde foi gravado o programa “Grande Noite”, de Filipe La Féria, para a “RTP - Radiotelevisão Portuguesa”, em 1992, com um leque de artistas convidados que se tinham distinguido nalguns dos espectáculos do “Parque Mayer”, para além de um elenco fixo que contava com a presença de actores mais jovens.

Acerca da história do “Parque Mayer”, consultar neste blog o seguinte link: “Parque Mayer”

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Biblioteca Nacional Digital, Instituto dos Museus e da Conservação,  Presente e Passado, Almanak Silva, Rui Almeida (Flickr), IÉ-IÉ