Restos de Colecção

27 de janeiro de 2013

Curiosidades Automobilísticas (3)

                             «Cudell» importado por João Batista Dotti (ao volante) e a caminho da Ericeira

                            

                                                   Primeira carreira de autocarro para o Estoril, em 1912

                             

                             «Hispano-Suiza» de D. José Anadia em Cacilhas de partida para Sevilha, em 1912

                              

                                     Grande Prémio ACP de «Formula V» na "Granja do Marquês, em 1968

                               

Fotos in: Centro de Documentação do ACP

25 de janeiro de 2013

Salão Central

O “Salão Central” propriedade de Raúl Lopes Freire, distribuidor de filmes, através da sua empresa “Empreza Portugueza Animatographica Limitada”, situado no Palácio Foz na Praça dos Restauradores em Lisboa, foi inaugurado em 18 de Abril de 1908. Esta empresa era constituída por: Arthur Gottschalk, Raul Lopes Freire e seu irmão Augusto Freire, Carlos Ribeiro Nogueira Ferrão, Alberto Coutinho Freire e Jaime Guerra da Veiga Pinto. Este animatógrafo ia ocupar as antigas instalações da firma de instalações artigos eléctricos de Arthur Gottschalk.

Topo norte do Palácio Foz antes e depois da abertura do “Salão Central”, com a “Legação da América” no andar de cima

 

Como referi no postCinematógrafos e Animatógrafos”, lembro que neste ano de 1908 foram inaugurados os seguintes animatógrafos:

- 18 de Março – O “Salão Jardim Passos Manuel”, no Porto
- 21 de Novembro – O “Salão Terrasse”  ao ar livre para 650 espectadores., e que mais tarde , remodelado, mudaria de designação para "Chiado Terrasse".
- O "Cinema Águia d'Ouro" no Porto.
- O "Salão High-Life" na cidade do Porto no Jardim da Cordoaria

- O "Novo Salão High-Life" na cidade do Porto na Praça da Batalha

Era na época a sala de cinema mais luxuosa de Lisboa, tendo esta sido construída na capela privativa do Palácio Foz. A sua decoração era original, criando um ambiente de fundo do mar no sentido de conferir um certo ar de frescura, efeito esse obtido através da utilização de cartão-pasta modelado. A disposição do ecrã também era outra novidade, porque se situava do lado oposto onde se encontra actualmente e se manteria assim até à grande transformação da sala em 1919. Poderia acomodar 425 espectadores. As projecções eram acompanhadas por um quarteto de músicos. 

 

                                                                                 Publicidade em 1908

                                        

                

Em 1908 a oferta de casinos e animatógrafos em Lisboa eram a que se reproduz no seguinte anúncio.

                                 

O "Salão Central" teve a sua génese no cinematógrafo "Salon Chiado" que tinha sido inaugurado em 25 de Dezembro de 1906, na Rua Nova do Almada, 116 (numa loja do edifício dos "Grandes Armazéns do Chiado"), em Lisboa, tendo sido seu proprietário a firma "Varona & C.ª" do mesmo Raul Lopes Freire.

Devido ao retumbante sucesso deste "Salão Chiado" o seu espaço já era mui exíguo para a demanda, pelo que num artigo da "Folha de Lisboa" ...

« (...) A multidão de espectadores era imensa, precisava de um salão maior, com comodidades, luxo e bom gosto, e desenvolver a cinematographia. Foi então quando constituiu uma sociedade para se inaugurar na Praça dos Restauradores um outro cinema, o Salão Central.»

Apesar da abertura deste novo cinematógrafo nos Restauradores, o "Salão Chiado" continuou aberto à sua clientela habitual sempre com boas performances de bilheteira. Contudo, no final de 1908 Raul Lopes Freire decidiu pôr fim ao curto, mas brilhante, percurso do "Salão Chiado" para se dedicar exclusivamente à exploração, mais rentável, do novo "Salão Central",

Em 1912 o “Salão Central” passa a pertencer à recém criada, por Raúl Lopes Freire, “União Cinematographica Limitada”  que passa a ser proprietária também, do “Chiado Terrasse” em Lisboa, e do salão “Jardim Passos Manoel no Porto, ambos inaugurados em 1908.

                                                                                 Publicidade em 1912

                    

1913

1915


Raul Lopes Freire era um homem de negócios, extremamente dedicado à exploração cinematográfica. Em 1919, encerrou este espaço para obras. Sob a sua concepção técnica e sob projecto do arquitecto João Baptista Mendes, a reconstrução deste salão foi profunda e ficou a cargo do construtor Manuel Eanes Trigo, seu sócio no "Salão Foz"

A sala era constituída por uma ampla plateia (por aquilo que normalmente se tem chamado de balcão de 1ª ordem) ao qual foi dada o nome de tribuna, que dava lugar a cinco camarotes e, num nível superior, ao balcão de 2ª ordem. A sua inauguração também no mesmo ano foi um verdadeiro acontecimento no meio cinematográfico lisboeta. Foram saudados a largura do espaço o que permitia ventilação; a abertura de novas portas de saída; o desaparecimento das incómodas colunas que estorvavam e claro, os pormenores luxuosos evidentes no rico pano de veludo que encortinava o ecrã; no mobiliário ostentoso; nas esculturas ornamentais, na decoração em branco e oiro. Também é de salientar a existência de um novo sexteto musical dirigido por Luís Barbosa, uma importante figura do panorama musical português da época.

O “Salão Central” oferecia uma capacidade para 425 espectadores.

                                               Sala                                                                                          Planta 

         

                                 Salão Central.8

                    

10 de Maio de 1916

                                                  1916                                                                                    1919

              

Depois de ter encerrado em final de Dezembro de 1926, em 1928 foram iniciadas obras e uma profunda remodelação, pelo que em Setembro do mesmo ano podia-se ler no nº 4 da revista mensal de actividades cinematográficas “Vida Portugueza” :

«No Salão Central continua a azáfama, por parte dum numeroso grupo de operários, para transformarem o popular cinema numa elegante "boite" que, no próximo mês de Outubro, abrirá as suas portas completamente remodelado, e onde Raul Lopes Freire, o simpático distribuidor, fará exibir os melhores filmes da sua casa, tais como "Madame Recamier", "Gabinete do Dr. Caligari", "A Ultima Valsa", "La Grande Epreuve", etc.».

O “Central Cinema” viria a ser inaugurado em 17 de Novembro de 1928 …

                                       

Novo interior do “Central Cinema”

                                         “Central Cinema”                                                                          1928

                       

Programa da época 1932/1933

Bilhete de 1942


gentilmente cedido por Calos Caria

A propósito da inauguração, o “Diário de Lisboa” escrevia:

«Com uma sala cheia da mais selecta assistencia inaugurou-se no sabado o «Central». Ha muito tempo que os cinéfilos aguardavam a reabertura do antigo e popular cinema, transformado na mais elegante "boite" que Lisboa fica possuindo. E o ambiente que aguardava a inauguração era absolutamente favoravel.» (...)

(...) «A disposição do átrio, a elegancia das escadas, o conforto luxuoso e discreto da sala de espectaculos, o conforto das cadeiras, a correcção e a facilidade dos serviços, a nitidez da projecção, a selecção do programa, o acêrto da adaptação musical, o bom gosto dos impressos distribuidos ao publico, a disposição e os atractivos do bar, tudo, absolutamente tudo, foi louvado como era justiça.» (...)

(...) « O público, que ha três dias aflui sem interrupção ás bilheteiras, que se apresse, pois pode ir absolutamente descansado sôbre a qualidade do programa e a segurança da sua permanencia.»

O “Central Cinema” e o reclamo ao “Maxim’s”, no piso superior

O “Central” Cinema encerraria a 9 de Julho de 1945 com a última exibição do filme “O Fantasma da Córsega”.

fotos in: Cinemateca Portuguesa, Cinema aos Copos, Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital

24 de janeiro de 2013

Antigas Profissões de Lisboa (8)

                                                                                     Leiteira

                                                    

                                                                                   Fantocheiros

                                  

                                                                    Músico cego tocando acordeón

                                   

                                                                   Vendedeiras de flores no Rossio

                                    

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

23 de janeiro de 2013

Junta do Crédito Público

O primeiro empréstimo de apólices, autorizado em 1796, foi regulamentado pelo Alvará de 13 de Maio de 1797, que determinava que a sua gestão fosse confiada à "Tesouraria dos Juros". Seria inspeccionada pelo presidente do Real Erário e disporia de uma contadoria. Esta "Junta da Administração das Consignações para o Juro do Novo Empréstimo", depois designada "Junta dos Juros dos Reais Empréstimos" ou "Junta dos Juros", foi reorganizada pelo Alvará de 31 de Maio de 1825. A Carta Constitucional, no seu artigo 6.°, atribuía a administração, arrecadação e contabilidade da dívida ao Tesouro Público.

                                                                                          1809    

                                           

A "Junta dos Juros dos Reais Empréstimos" foi extinta por Decreto de 16 de Maio de 1832, sendo então criada a "Junta do Crédito Público". Por Decreto de 13 de Maio de 1834, foi nomeada uma comissão interina da "Junta do Crédito Público", que veio a ser extinta pela Lei de 15 de Julho de 1837, lei que criou definitivamente a Junta de Crédito Público. Nesta lei afirmava-se que a "Junta do Crédito Público" fora criada com o intuito de administrar e arrecadar os fundos destinados ao pagamento dos juros e amortizações de toda a dívida consolidada da Nação. Era composta por cinco membros, um eleito pela Câmara dos Deputados, dois pelo Governo e os outros dois pelos indivíduos que recebessem, da mesma Junta, juros a partir de quinhentos mil réis. O presidente era de nomeação governamental.

                                        1831                                                                                       1832

 

                     Lista final de avaliação das "Leziras Nacionaes do Téjo e Comporta" em 28 de Maio de 1836

                                     

A partir de 9 de Novembro de 1841, coube-lhe igualmente a administração da dívida fundada externa. Reorganizada pela Lei de 8 de Julho de 1843, foi remodelada, transitando os seus serviços para a "Direcção Geral da Dívida Pública" de acordo com o Decreto de 15 de Dezembro de 1887, ficando a Junta com meras atribuições fiscais e consultivas.

                                          1842                                                                                       1887

 

Foi um golpe nas prerrogativas da Junta, mas não foi longa essa situação, porquanto seis anos depois, as câmaras autorizavam a reconstituição da Junta do Crédito Público e do decreto de 14 de Agosto de 1893 veio restabelecer a sua antiga organização, entregando-lhe novamente todos os serviços da dívida pública e declarando que as suas funções ficavam perfeitamente independentes de qualquer repartição ou autoridade. As suas atribuições nos termos desse decreto foram fixadas em regulamento aprovado em 8 de Outubro de 1900.

                                                                    A "Junta do Crédito Público" em 1903

  

                                                         Instalações na Praça do Comércio, em Lisboa

                                  Sala das Sessões                                                             Repartição do assentamento           

 

                                       Tesouraria                                                                           Balcão de pagamentos

                                 

A Junta continuou composta por cinco elementos eleitos e nomeados nos termos da organização de 8 de Junho de 1845, tendo os seus membros respectivamente a categoria de presidente e vogais do Tribunal de Contas podendo corresponder-se directamente com todas as autoridades e funcionários públicos, tendo o direito de exigir todas as informações que respeitassem à administração da dívida pública e de propor ao Governo o que julgasse conveniente para melhorar a referida administração.

Eram suas prerrogativas: Contratos de empréstimo, obrigações, acções e letras do Tesouro e debentures. Decreto autorizando a emissão, na Praça de Londres, de títulos no valor de 200.000 libras. Colecta da décima ordinária dos prédios urbanos e rústicos em todo o Reino. Arrematação do Contrato Geral dos Tabacos e Saboarias.

No arquivo da Junta do Crédito Público, recentemente incorporado, refiram-se as séries de livros de actas das sessões da Junta, folhas de assentamento de juros, de assentamento de inscrições e apólices de vários empréstimos, relações de amortizações, registos sobre movimento e situação das dívidas externa e interna, e correspondência sobre desamortização.

                                                                                       Casa Forte

                                     

Podia-se ler na revista "Brasil-Portugal" : «A constituição da Junta está presentemente garantida, por Decreto de 9 de Agosto de 1902, até á completa amortisação, no anno 2001, de todos os títulos de dívida pública das tres series ultimamente craiadas, e a garantia assim pedida, ou offerecida, aos portadores d'estes títulos, é a prova segura de quanto a Junta do Credito Publico tem firme o seu credito, conquistado pela forma como tem sabido cumprir sempre honradamente a sua missão.»

                                              1934                                                                                   1940

         

                                         1942 (frente)                                                                     1942 (verso)

         

Em 30 de Dezembro de 1960 foi criado pela "Junta do Crédito Público" o "Certificado de Aforro". Cada unidade valia 70$00 (0,35 €), e chamavam-se Série A. O "Certificado de Aforro" é um título de dívida pública emitido pelo Estado português, unicamente para pessoas singulares.

Os "Certificados de Aforro"  eram vendidos a prestações (nos anos 60 do século XX), ou seja, ia-se aos balcões dos CTT comprar os selos, e quando a caderneta estivesse completa era trocada por um "Certificado de Aforro", existindo, também, a possibilidade de se ficar com a mesma.

                                                          Exemplo de caderneta de "Certificado de Aforro"

 

O valor nominal de cada certificado de aforro é, actualmente, de 1 euro e o limite mínimo de subscrição é de 100 unidades, sendo que cada pessoa só pode deter 250.000 unidades no máximo.

Presentemente a "Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP, E.P.E.", abreviadamente designado por "IGCP, E.P.E.",  é a nova designação do "Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, I.P." entidade pública a quem compete, nos termos do Decreto-Lei n.º 200/2012 de 27  de Agosto, gerir, de forma integrada, a tesouraria, o financiamento e a dívida pública direta do Estado, a dívida das entidades do sector público empresarial cujo financiamento seja assegurado através do Orçamento de Estado e ainda coordenar o financiamento dos fundos e serviços dotados de autonomia administrativa e financeira.

fotos e títulos in: Biblioteca Nacional de Portugal, Galeria de Christian Gollnick, Hemeroteca Digital, APCPV