Restos de Colecção

2 de junho de 2024

"Auto-Carrocerias, Lda." e "Munhás, Lda."

A "Auto-Carrocerias, Lda." foi fundada em 1925, por Manuel Ramos Munhá e seu irmão Agostinho Ramos Munhá, na Rua Eugénio dos Santos, 117 -1º andar, em Lisboa. De referir, que Agostinho Ramos Munhá, em 10 de Agosto de 1944 detinha 30% da "Empresa de Camionetas Piedense, Lda", com sede na Trafaria.


"Auto-Carrocerias, Lda." no 1º andar do prédio da Rua das Portas de Santo Antão esquina com a Rua dos Condes

Esta firma dedicou-se ao ramo de acessórios e materiais  para carrocerias de automóveis e autocarros, já no final da evolução da carruagem para o automóvel. Conseguiu , desde cedo, merecer a confiança quer dos industriais de carrocerias, quer da camionagem e da indústria automóvel portuguesa, colocando-a como a primeira em Portugal na sua especialidade.


1940

A sua clientela estava espalhada pelo continente e ilhas. As primeiras carrocerias construídas em Portugal, tiveram a a assistência ,da parte comercial, de Manuel Munhá, que nunca deixou de colaborar com a indústria de carrocerias, fornecendo todo o material exigido na construção de carroceria automóvel e autocarro.


1946

1947

Em 1937, e por iniciativa dos seus sócios, foi fundada a firma "Indústria Automobilista, Lda.", fábrica de acessórios metálicos para toda a classe de carrocerias, sendo sua distribuidora exclusiva dos produtos manufacturados a "Auto-Carrocerias, Lda.", que durante a II Guerra Mundial (1939-1945), prestou inestimáveis serviços à indústria de carrocerias e ao automobilismo em geral.

A expansão desta firma fez-se sentir em todo o continente e ilhas, mantendo agentes ativos em todas as capitais de distritos, a fim de prestar prontamente a a melhor assistência à sua dedicada clientela. 



Em 1945 era referido pela "Associação Industrial de Lisboa":

«Actualmente está trabalhando com apreciável êxito no estudo da construção metálica de carrocerias de automóveis e auto-carros, com o apoio de bons técnicos estrangeiros e das fábricas construtoras de estruturas metálicas, não se tendo poupado a esforços e sacrifícios para conseguir nessa emprêsa todos os resultados obtidos pela técnica moderna.
Para se avaliar convenientemente os benefícios resultantes de tal inovação, devemos citar em primeiro plano o facto das ligas metálicas que vai lançar no nosso mercado terem apenas um terço do pêso de qualquer outro metal, do que resultou uma dupla vantagem para o pêso total de uma viatura pesada, pois no conjunto total a carroceria ficará pelo menos com um terço de pêso a menos do que e qualquer outro material. As primeiras experiências deram a mais completa satisfação, e assim entramos numa nova era da construção e carrocerias, colocando o nosso País na vanguarda da indústria desta modalidade.»


1949

Entretanto, em 29 de Outubro de 1925, era fundada a firma "Munhás, Lda"  por Joaquim Ramos Munhá (irmão dos fundadores da "Auto-Carrocerias, Lda." ) e sua esposa Luiza Henriques Munhá, na Rua das Pedras Negras, em Lisboa, dedicando-se, inicialmente, ao negócio de artigos de borracha, tendo ampliado, mais tarde  a sua gama a todos os materiais para carrocerias.


"Munhás, Lda." na Avenida da Liberdade

Em 1937, transferiu o seu estabelecimento e sede para a Avenida da Liberdade, 96-98 e desde essa data, com a valiosa colaboração dos seus funcionários Ernesto Sizudo e Miguel Duarte, Joaquim Munhá iniciou o comércio de acessórios para automóveis, especialidade na qual se tornaria num dos principais estabelecimentos de Lisboa.

Além dos artigos atrás menconados, a "Munhás,Lda." dedicou-se também à venda de diversas tintas, pergamóides, peles e lonas, be como todos os materiais para estofos e construção de carroçerias, parte dos quais importava directamente como representante de várias firmas inglesas e americanas.


Localização do estabelecimento "Munhás, Lda." na Avenida da Liberdade (dentro da elipse desenhada)


"Munhás, Lda." debaixo da "Fotografia Ibérica" (atrás do táxi)

Em 1945, esta sociedade era constituída por Joaquim Ramos Munhá e sua esposa Luíza Henriques Munhá. Em 9 de Maio de 1952, verifica-se o aumento de capital da sociedade "Munhás, Lda." de 200.000$00 para 800.000$00 e a entrada para a sociedade de Manuel Henriques Munhá, Joaquim Henriques Munhá, D. Maria Ferreira Urbano Munhá e Carlos Manuel Urbano Munhá, que se juntavam a Joaquim Ramos Munhá e Luíza Henriques Munhá.

1957

Nos anos 50 do século XX alargaria a sua actividade à comercialização de automóveis, camiões, máquinas agrícolas e industrias, assim como seus acessórios e sobressalentes, e em 1 de Janeiro de 1953 iniciava a sua actividade na província de Angola, onde viria a ser representante da marca francesa "Peugeot" e da alemã "Steyr", entre outras. Sediada em Luanda, manteve filiais em Malange, Celas e Nova Lisboa.

1955

A empresa "Munhá, Lda." manter-se-ia em actividade até 22 de Dezembro de 1975, data em que foi liquidada e dissolvida.

Por sua vez, a "Auto-Carrocerias, Lda.", ainda manteria a sua actividade por mais umas décadas, até ser encerrada, definitivamente, no final de 2001.

26 de maio de 2024

Saboia

A loja de camisas, gravatas, cintas, espartilhos, artigos de moda para homem e senhora, etc. "Saboia" abriu em finais de 1933, na Rua Garrett, 66 e 68, em Lisboa. Veio substituir a alfaiataria e camisaria "Marques & C.ª ", que tinha promovido grandes obras de decoração exterior e interior em estilo «Art-Déco», em 1931 com projecto do arquitecto Jorge Segurado (1898-1990). Esta, por sua vez, tinha substituído a loja de flores "Lopes, Limitada"



1931


Decoração interior que viria a ser utilizada pela "Saboia" 

A firma "Marques & C.ª ", tinha vindo da esquina da Rua Garrett com a Calçada do Sacramento, no 1º andar por cima da "Antiga Casa José Alexandre". A entrada era pela Calçada do Sacramento, 6. Os seus sócios eram: Antonio Marques, Alberto do Nascimento Lopes e Miguel Pereira Lourenço.


"Marques & C.ª " Tailleurs, à direita na foto da Páscoa de Abril de 1912

No espaço desta nova loja da "Marques & C.ª ", situada ao lado da famosa "Pastelaria Marques" (inaugurada em 1903), já tinham estado instaladas, o "Bazar Suisso" da firma "Barella & Irmão" - que na altura ocupava os nos 66 a 72 -, tendo sido seguida pelo "Jardim de Lisboa" da firma "J. Peixinho, & C.ª " que tinha vindo da Rua do Carmo.

"Bazar Suisso" já reconstruído e à direita (na foto) da "Pastelaria Marques"


"Lopes, Limitada", inquilino anterior à "Marques & C.ª ", que tinha substituído o "Jardim de Lisboa" de "J. Peixinho. Lda."

Esta loja tinha sido totalmente destruída por um grande incêndio, originado por uma explosão que atingiu o prédio todo em 14 de Novembro de 1889. Publico de seguida, a notícia pormenorizada do incêndio.


14 de Novembro de 1889

Voltando à casa "Saboia", esta foi fundada em 1933, e para a qual os seus fundadores José dos Santos Mattos e António Rodrigues Correia - ambos proprietários e fundadores, em 1895 da "Fábrica de Espartilhos a Vapor Santos Mattos & C.ª " na Porcalhota (Amadora) - constituíram a sociedade "Mattos, Correia & C.ª ". Nesta sociedade entraram os respectivos filhos, Celeste Santos Mattos David e Fernando Gouveia Correia, a primeira representada pelo marido Aníbal da Silva David.

"Saboia" à esquerda na foto de 1939, antes da "Paris-Chiado" e do "Café Chiado"


1 de Janeiro de 1940


Montra de Natal nos anos 50 do século XX


1944


"Saboia" à esquerda na foto, antes (de quem descia) da "Paris-Chiado" e do "Café Chiado"

«Confiada a gerência aos cuidados e competência dêstes últimos, de tão superior maneira se desempenharam do cargo que, sob a sua direcção e conselhos dos fundadores, a Saboia adquiriu rápidamente excepcional prestígio, impondo-se à preferência da selecta clientela.
Dispondo de óptimas oficinas próprias, onde trabalham cêrca de 50 empregados escrupulosamente escolhidos e dirigidos por técnicos habilitados, a Saboia, cujas instalações são de um encanto inexcedível, especializou-se na camisaria fina, marcando pela beleza dos seus padrões e elegante corte dos tecidos confeccionados nas melhores popelines e sêdas.» in. "Praça de Lisboa" (1945)

Por morte dos fundadores da casa "Saboia" as quotas passaram para as respectivas viúvas, continuando a gerência entregue a Fernando Gouveia Correia e Aníbal da Silva David, aos quais estava entregue, também, a direcção do estabelecimento.


Localização da "Saboia" (com toldo aberto) a seguir à "Pastelaria Marques"

"Saboia" nos anos 80 do século XX, em foto de Marina Tavares Dias

Segundo informação gentilmente prestada por Marina Tavares Dias a "Saboia" fechou em definitivo, em 1998.


Actualmente, no lugar da "Saboia" uma agência do "ActivoBank"

19 de maio de 2024

"Riviera Palace" e "Casino Central" em Cascais

O casino-restuarant "Riviera Palace", da Vila de Cascais, abriu a sua primeira fase a 15 de Agosto de 1918, apenas com o restaurant no piso térreo. Posteriormente, inauguraria os espectáculos de variedades e seus salões, no 1º piso, em 6 de Setembro seguinte. Era seu proprietário o advogado Dr. Herlander Ribeiro, que, para tal, tinha adquirido o velho palácio do Conde da Guarda, junto ao edifício da "Câmara Municipal de Cascais".


Palácio do Conde da Guarda após a saída do "Riviera Palace"


6 de Setembro de 1918

«Embora se desconheça a data da construção do Palácio, sabe-se que foi na década de 1790 que a sua proprietária, D. Inês Margarida, o mandou reconstruir após o terramoto de 1755.
Em 1807, durante as invasões francesas, o palácio foi ocupado pelo Almirante Cotton (o coronel-general Junot ficou instalado no Solar dos Falcões).
Após a morte da proprietária em 1812, o Palácio foi adquirido pelo então presidente da Câmara João Lopes Calheiros e Meneses para sua residência.
Só em 1860 o filho, herdeiro da casa, recebeu o título de Conde da Guarda, data a partir da qual passou a ser conhecida como Palácio dos Condes da Guarda.
Após a morte do 2º Conde da Guarda o advogado Herlander Ribeiro adquiriu o Palácio e logo escreve ao Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal (07 de Maio de 1918) pedindo autorização para “(…) deitar abaixo uns tabiques interiores e modificar o telhado para ficar tudo num só nivelamento(…)”. Solicitou ainda que os vários serviços da Câmara ali instalados gratuitamente abandonassem as instalações.
Foi nestas obras que o 3º piso foi demolido, desmontando o painel central de azulejos que representavam Santa Bárbara e São Francisco de Borba. O edifício ficou somente com 2 pisos, como atualmente.
Uns dias antes, em 21 de Abril de 1918, tinha sido colocado um anúncio no jornal “O Século” anunciando a venda daquele painel de azulejos.
Estas obras visaram a adaptação do edifício a um grande hotel, casino, casa de banhos salgados e de água natural, restaurante e outras diversões.
E assim se instala aqui o Casino Riviera-Palace que não teve vida longa… Os Paços do Concelho só viriam para aqui em 1932.» in: "Histórias da História de Cascais"

Na época dos Condes da Guarda, o palácio era constituído por três corpos, revestidos a azulejos, possuindo o central mais um piso, que mantinha o revestimento azulejar. Segundo um artigo, publicado no final do século XIX, no jornal "Costa do Sol", a casa, ainda na posse dos Condes da Guarda, servia de alojamento a vacas, a venda de leite e outros produtos da quinta dos proprietários.


Palácio do Conde da Guarda na sua versão original

Antes de mais, lembro que, a designação casino, que não possuía o mesmo sentido actual, aplicando-se então aos estabelecimentos de âmbito recreativo e privado, nos quais, entre as muitas actividades de lazer que se podiam realizar, tais como leitura, organização de bailes, concertos, espectáculos de variedades, casamentos, jantares, etc., e onde também se jogava.

Num extenso artigo/guia que o jornal "A Capital" publicou no dia 2 de Agosto de 1918, intitulado "De Algés a Cascaes", acerca do "Riviera Palace" (a inaugurar), referia:

«Aproxima-se o momento em que o Riviera Palace ha de manifestar os seus magnificos salões e dominar em Cascaes com a soberania da sua arte e elegancia. Não podemos deixar de lhe consagrar uma notícia e de o visitarmos - visita de que guardamos as mais gratas impressões.
Alem de tudo já estão concluídas as obras para adaptação do palacio do conde da Guarda, hoje propriedade do sr. dr. Herlander Ribeiro - diz-nos o nosso cicerone - para o casino que aqui se abrirá ainda este anno e que apresentará um elegante restaurant nos baixos conservando o estylo portuguez e as salas do 1º andar, tres vastos salões para concertos e diversos jogos, entre elles alguns completamente novos em Portugal. Nos andares superiores, está, como vê, o hotel com 90 magníficos quartos e na parte de traz um balneario com dez cabines para banhos communs e salgados, quesntes e frios.
Para serviço de hospedes haverá dento do edificio estação telegraphica postal e posto telephonico, assim como um elevador ligará os andares.
Este anno, em 15 de Agosto deve inaugurar-se o restaurant que está a cargo do acreditado estabelecimento de Lisboa e o casino dirigido por um dos proprietarios do um dos mais notaveis casinos do estrangeiro, havendo um apreciado quintetto no salão de concertos e outro no salão de jantar onde serão executadas as mais inspiradas joias da musicographia classica e moderna, assim como se farão ouvir as maiores celebridades nacionaes e estrangeiras.
O projecto do grande edificio é de um distincto architecto.
O nosso informar calou-se. Puzemo-nos a cogitar, enquanto os nossos olhos percorriam velozes aquellas maravilhas. Cascaes, pois, fica com o primeiro estabelecimento do genero em Portugal e constituirá um explendido ponto de reunião de portuguzes e estrangeiros durante o inverno.
Soubemos ainda que a illuminação será electrica, fornecida por motor proprio e a condução dos hóspedes far-se-ha commodamente em dois grandes automoveis, de Lisboa, directamente das gares e pontos de vapores.
Ao terminarmos estas despretenciosas linhas, não queremos deixar de frisar que, dispondo este nosso bello paiz de pedaços de terreno, como este que a iniciativa particular tanto completou pois, o turismo nada deve aos governos é pena que os nossos homens politicos tudo sacrifiquem aos seus odios pessoaes e politicos e esqueçam que este nosso bello clima antes convida á paz, á ordem e ao trabalho.»


                                   13 de Setembro de 1918                                                      2 de Outubro de 1918

No final, o hotel não foi "para a frente", e apenas funcionariam o restaurante e casino "Riviera Palace", mas sem o sucesso pretendido e encerraria no ano seguinte. 

Entre 1920 e 1925, o palácio já era propriedade da "União Comercial de Cascais" e o piso térreo ocupado por vários estabelecimentos comerciais. A 11 de Agosto de 1930, cinco anos após a primeira intenção de compra, era aprovada em sessão de Câmara a compra do palácio por 380.000$00, apesar do valor inicial pretendido pelos proprietários ser de 650.000$00.


Palácio, à esquerda, já com as tabuletas da "União Comercial de Cascais". Ao fundo edifício da Câmara (com os sinos)


1930



*****   "Casino Central"   *****

O "Casino Central", foi inaugurado na Rua Visconde da Luz, nº 41, em Cascais, no dia 11 de Agosto de 1899, onde «foi servido um magnifico jantar. Durante o jantar tocou um magnifico sextetto dirigido pelo distincto musico, o sr. Carlos Pone. Este sextetto continuará rocando alli todas as quintas feiras e domingos.»


Jardim e Rua Visconde da Luz (a subir e de frente na foto). Foto entre 1890 e 1900


12 de Agosto de 1899


14 de Agosto de 1899

Mas, já em 16 de Outubro de 1894 ... «um descaramento inaudito»


O "Casino Central" ficava no nº 41, na correnteza dos prédios da Rua Visconde da Luz de frente para o jardim, (rua de frente na foto e a subir) como mostram as fotos publicadas de entre 1890 e 1900.  Talvez no prédio com os andaimes ... que se podem ver nesta foto, repetindo a sua publicação.


Em 14 de Agosto seguinte o jornal "A Folha de Lisboa" noticiava:

«Inaugurou-se a semana passada, em Cascaes, na Rua do Visconde da Luz nº 41 este magnifico casino de que são proprietarios dois honestos e honrados cavalheiros, que se mostraram incançaveis para dotar aquella magnifica cidadella com um estabelecimento em tudo digno d'ella.
O Casino Central é uma das casas mais encantadoras que temos visto, encontrando se alli o util aliado ao agradavel.
Vastissimo, salas ricamente mobiladas, e com todos os requintes indispensáveia á vida: deslumbrante mobiliario; formosos aparadores; estofos magnificos; espelhos do mais fino crystal de Veneza se encontram ali em profusão.
A sala de bilhar é deslumbrante, bem como deslumbrante é tambem o restaurant, a cargo de um dos mais habeis cosinheiros de Lisboa, como é o sr. Jeronymo Barroso.
No Casino Central ha todos os dias jantares de mesa redonda, opiparamente servidos por 800 réis, incluindo vinho e café, o que torna mais recommendavel ainda tão bello edificio.»


1900


10 de Agosto de 1901

13 de maio de 2024

Hotel Cidnay em Santo Tirso

O "Hotel Cidnay", foi inaugurado em Santo Tirso, a 7 de Fevereiro de 1931. Mandado construir pelo capitalista e proprietário local, Francisco Cândido Moreira da Silva (1855-1940), foi projectado pela dupla de arquitectos Baltazar Castro (1891-1967) e Rogério de Azevedo (1898-1983).



Francisco Cândido Moreira da Silva (1855-1940)


Por ocasião da inauguração o jornal "Semana Tirsense" noticiava:

«...Tratando-se da inauguração do maior hotel construido nos ultimos tempos no norte de Portugal, aqui vieram muitas familias de varios pontos do paiz, que ficaram optimamente impressionados com o grande hotel com que Santo Tirso foi dotado.
Os tirsenses, tomando parte na inauguração de ontem, não fizeram mais que prestar as suas homenagens bairristas aos proprietarios do novo Hotel. (...)
Pelo que representa de benemerencia para a nossa encantadora terra, ficamos todos os tirsenses muito gratos á familia Moreira da Silva, sempre pronta a auxiliar tudo que seja para o bem da sua terra. (...)


Ao fundo, onde viria a ser construído o "Hotel Cidnay"


Construção do "Hotel Cidnay"




A exploração do explendido Hotel está a cargo do conhecido e habil hoteleiro, sr. José Manuel Solleiro, que é um profissional conhecedor a fundo do seu métier e pessôa muito relacionada.
Durante anos dirigiu o grande Hotel Termal, das Caldas da Saúde e muitos outros importantes hoteis, em Lisboa, Pedras Salgadas, Curia, etc., tendo sempre demonstrado proficiencia e zelo, dispensando a seus hospedes todos os cuidados e atenções, o que á a garantia bastante para o completo triunfo deste grande empreendimento, que representa para o progresso local uma obra de vulto. (...)
Possuindo todas as exigencias dum estabelecimento hoteleiro moderno, o novo Hotel será, com certeza muito frequentado pelos turistas, a quem não são indiferentes as belezas de Santo Tirso.
A construção do Hotel Cidnay, cujo projecto é da autoria dos distinctos arquitectos srs. Baltazar de Castro e Rgerios de Azevedo, e que foi executado pelo conhecido e importante constructor civil sr. Ramalhão, obedece a um estilo moderno, que muito faz salientar as suas linhas arquitetónicas. (...)»




17 de Fevereiro de 1950

O guia de "Hoteis e Pensões de Portugal" para 1939, fornecia-nos as seguintes informações deste hotel:

Montado com todo o conforto moderno. Serviço de primeira ordem. Cabines para autos. Aberto todo o ano.

Concessionário: José Manuel Solleiro

Categoria: 2ª classe
Nº de quartos: 54
Diária: de 25$00 a 60$00
Pequeno-almoço: 4$00
Almoço: 12$00
Jantar: 14$00 

Em 24 de Dezembro de 1970, o, então, concessionário António Antunes de Almeida, transmitia o encerramento definitivo do "Hotel Cidnay" a 31 de Dezembro do mesmo ano.

24 de Dezembro de 1970

Como se pode ver pela próxima foto, o edifício do "Hotel Cidnay" ainda sobreviveu, e teve outras finalidades nos anos seguinte .,..

A licença de construção do novo edifício para habitação, escritórios, comércio e estacionamento, viria ser aprovada em 16 de Abril de 1982 e o Alvará de licença em 30 de Dezembro de 1982.A demolição do antigo "Hotel Cidnay" teria lugar no início de 1983.



Demolição em 1983