Restos de Colecção

10 de junho de 2023

João Carlos Soares & Filhos, Lda.

A empresa de transportes de passageiros "Auto-Guimarães de João Carlos Soares & Filhos, Lda.", foi fundada, 17 de Outubro de 1929, por João Carlos Soares (nascido em Outubro de 1901), e com sede na Rua de Paio Galvão na cidade de Guimarães.


Autocarro nº 3 "REO"


Autocarro "Chevrolet" em 1940

Sucursal nas Caldas das Taipas


Autocarro nº 4 "Chevrolet"

A sua vida profissional iniciou-se como feirante embora o seu interesse pelo transporte público o tenha levado a fundar a sua empresa "Auto Guimarães de João Carlos Soares", em 6 de Junho de 1929. O crescimento da empresa foi-se verificando a par do crescimento da cidade de Guimarães.

Em 17 de Outubro de 1958 constitui a firma "João Carlos Soares e Filhos, Lda.". João Carlos morre em 1960 tendo sido então substituído na gerencia pelo seu filho Henrique Fernando Carlos Soares. O crescimento da empresa continua de uma e vai ser especialmente notável quando ganha o Serviço de Transportes Colectivos da Cidade de Guimarães, a empresa antecessora da actual "Transurbanos de Guimarães".






1 de Janeiro de 1949

Na altura o serviço fundamental da empresa era a ligação entre Guimarães e a Póvoa de Varzim mas com a aquisição da empresa Joaquim Rodrigues da Póvoa de Lanhoso, passou também a operar a linha de Taipas para o Porto. Também dessa época é uma nova ligação que opera de Fafe para o Porto por Guimarães e Famalicão. Na altura, o serviço fundamental da empresa "João Carlos Soares & Filhos, Lda." era a ligação entre Guimarães e a Póvoa de Varzim, mas com a aquisição da empresa "Joaquim Rodrigues" da Póvoa de Lanhoso, passou também a operar a linha de Taipas para o Porto. Também é dessa época uma nova ligação que operaria de Fafe para o Porto por Guimarães e Famalicão. 


1953


"AEC Regal III"


Bilhete de 1945


"Mercedes-Benz" de 1953


"Volvo" de 1955


"Volvo" de 1956


"OM Tigrotto" de 1962


"Borgward" de 1963

O crescimento da empresa continua e terá um incremento notável quando, em 27 de Novembro de 1962 a Câmara Municipal de Guimarães lhe entrega a concessão do "Serviço Público de Transportes Colectivos de Passageiros da Cidade de Guimarães", a empresa antecessora da actual "Transurbanos de Guimarães - TUG". O serviço de transporte colectivo de passageiros de Guimarães começaria a funcionar em 1 de Junho de 1963.


27 de Novembro de 1962


30 de Novembro de 1962


1 de Junho de 1963


7 de Junho de 1963

26 de Maio de 1963

O jornal "Comércio de Guimarães" noticiaria o acontecimento com o seguinte texto:

«Com regozijo da população, foi ontem inaugurado, com três excelentes autocarros, que passarão a denominar-se, respectivamente, "Goa", "Damão" e "Dio" - em homenagem á India Portuguesa de que fomos espoliados tão miserávelmente - o serviço de transportes colectivos citadinos, há tanto desejado. Em representação do Município assistiu ao acto inaugural, que se verificou na Praça do Toural, um dos vereadores, sendo o acontecimento assinalado por salvas de foguetes e repique de sinos.
Foram muitas as pessoas que, gratuitamente, percorreram longos percursos após a inauguração.»


Autocarro nº 1 "AEC" 


Autocarro nº 2 "AEC" 





Anúncios de 16 de Março de 1966





"AEC Regal" de 1949


"AEC Regal" de 1952


"AEC" de 1966


E o seu grande concorrente ...


1968

«Até 1979 a concessão é entregue à empresa João Carlos Soares & Filhos. Lda. e, a partir desta data, cria-se uma nova empresa - os Transurbanos de Guimarães, Transportes Públicos, Lda. - TUG - empresa constituída por seis sócios operadores de transportes no concelho (empresas Abílio da Costa Moreira e & Ca. Lda., Auto Mondinense, Lda., Cabanelas e Irmão Lda., João Ferreira das Neves, Lda., T. Amândio de Oliveira & Filhos, Lda. e João Carlos Soares & Filhos. Lda.) que fica com a concessão dos transportes urbanos por um período de 20 anos sendo lançado um novo processo de concurso público no ano de 1999. A empresa é responsável pela “… exploração de transporte de passageiros na zona urbana da cidade de Guimarães (…) podendo, (…) dedicar-se a qualquer outra actividade que os sócios resolvam explorar e seja permitida por lei” (Arquivo TUG, 1979), sendo que cabe à CMG estabelecer percursos, horários, tarifas e fixar os limites em que a empresa pode percorrer. No início desta concessão, os TUG eram responsáveis pela exploração de 12 linhas, com uma extensão de 45,8 km, praticamente confinados ao perímetro urbano do concelho. A empresa contava com uma frota de 23 autocarros, com uma idade média de 9,8 anos e tinha ao seu serviço 145 colaboradores, entre os quais, se contavam 3 dirigentes, 10 administrativos, 50 motoristas, 53 cobradores, 5 fiscais e 24 pessoas responsáveis pela manutenção.» in  Arriva


Agência na Estação de Camionagem de Braga



Em 1988 a empresa "João Carlos Soares & Filhos, Lda." adquire a empresa "Viação Costa e Lino, Lda." de Vila do Conde.


"Scania BR 116" da "Viação Costa e Lino, Lda." em 1981

Com a morte de Henrique Soares em 1993 a gerencia passa para o Sr Manuel Soares, João Carlos Soares e Jose Carlos Soares. Em 1998 compra à empresa "João Ferreira das Neves & Filhos, Lda." a carreira Guimarães Porto bem como uma série de serviços na área de Pevidém, Airão e Joane.
A "João Carlos Soares & Filhos, Lda." era conhecido a nível nacional e no estrangeiro pelos pneus com faixas brancas já que quando já todas as outras empresas haviam abandonado esse pormenor, a empresa Soares manteve-a em todos os seus autocarros até ter passado para a "Arriva Portugal Transportes Lda.".


"AEC" da "Arriva"

A "Arriva" operava em Portugal desde Novembro de 2000. Foi nesse ano que a empresa de capitais ingleses da área dos transportes adquiriu a quase totalidade de pequenos e médios operadores do Vale do Ave, com especial destaque para a "João Carlos Soares e Filhos, Lda." de Guimarães. A esta, juntaram-se a "Viação Costa e Lino, S.A.", de Vila do Conde, a "Abílio da Costa Moreira & C.ª, S.A.", de Famalicão, e a "AMI - Transportes, S.A.", da Póvoa de Lanhoso, de onde transitou o administrador Manuel Oliveira, o "braço direito" dos ingleses em Portugal. A "Arriva" operava uma frota de 249 autocarros, empregando 442 pessoas e tem um volume de prestação de serviços de 15 milhões de euros. 



Painel de azulejos ainda existente na Rua de Paio Galvão, em Guimarães

À época, a "Arriva" pertencia ao grupo europeu de transportes públicos - "ARRIVA PLC". A "Arriva Portugal Transportes Lda.", por sua vez, operando uma frota de 249 autocarros empregava 442 pessoas, das quais cerca de 250 eram motoristas e aproximadamente 192 colaboradores que constituiam o pessoal de manutenção (onde se incluem abastecedores, lavadores e pessoal dos armazéns de peças) e pessoal administrativo. Terminaria a sua operação em 31 de Dezembro de 2021.

29 de maio de 2023

Sociedade Portuguesa de Petroquímica

As instalações fabris da "Sociedade Portuguesa de Petroquímica, S.A.R.L." foram inauguradas em 7 de Março de 1963, em Cabo Ruivo - junto à "Fábrica de Gás da Matinha" e bem perto da refinaria da "Sacor".


O jornal "Diario de Lisbôa" noticiava, com bastante pormenor, este evento:

«O início das comemorações das "bodas de prata" da Sacor foi hoje solenemente assinalado com a inauguração das instalações fabris da sua associada - Sociedade Portuguesa de Petroquímica - localizadas em Cabo Ruivo, acto que teve a presença do Chefe de Estado, do cardeal-patriarca, de sete membros do Governo e de muitas outras individualidades.

O novo centro industrial encontra-se montado nuns terrenos adjacentes à fábrica da Matinha, das C.R.G.E., e a cerca de quinhentos metros da refinaria da Sacor. A esta se encontra ligada por uma rede de tubos condutores, que permitem o fácil abastecimento de gasolina, fuel e gás de refinaria, e mais tarde o transporte de hidrogénio puro. Um "pipe-line" com cerca de dezoito quilómetros, liga a estação de bombagem de amoníaco á fábrica de Nitratos de Portugal, em Alverca, principal consumidor daquele produto. Dispositivos de enchimento de batelões (no cais da Matinha) e de camiões-cisternas, permitem o abastecimento desse produto á União Fabril do Azouto e á Sapec.

"Fábrica de Gás da Matinha" inaugurada em 8 de Janeiro de 1944


Refinaria da "Sacor" inaugurada em 11 de Novembro de 1940


"Nitratos de Portugal" inaugurada em 7 de Março de 1961

Tão complexo e importante conjunto fabril pode utilizar como matéria-prima qualquer fracção de petróleo bruto, tendo capacidade para gaseificar 200 a 240 toneladas diárias de gasolina pesada, em três unidades "Texaco", para produção de gás bruto, mistura gasosa essencialmente constituída por óxido de carbono e hidrogénio, que se envia por duas linhas de conversão - sob pressão e por meio de vapor de água em presença de um catalizador - de óxido de carbono em anidrido carbónico e hidrogénio.

O gás da cidade, com produção média de cerca de 300 mil m3  por dia, é constituído por mistura de componentes gasosos, provenientes das diversas fases do processo, com gás rico (gás de refinaria, propano ou butano) vindo da refinaria da Sacor, sendo o gás resultante purificado e continuamente enviado para as instalações da C.R.G.E., que efectuam a sua distribuição.


Secção de produção de Hidrogénio, em 1961


1963


Como instalações auxiliares, existem uma subestação eléctrica com três transformadores, uma torre de arrefecimento de água e também instalações de tratamento de águas e de produção de vapor. O consumo de energia eléctrica em toda a fábrica, pode atingir cerca de 300 mil kWh/diários.

Na fábrica, onde há ainda várias edificações para a direcção e serviços técnicos e administrativos, serviços médico-sociais e outros, trabalham cerca de 360 operários, dos quais 180 em turnos, elevando-se o numero de engenheiros e agentes técnicos ao total de vinte. 

Na construção e montagem de todas as instalações intervieram vinte e sete firmas, nacionais e estrangeiras, entre as quais a Sorefame, a C.U.F. e H. Vaultier, entre as empresas portuguesas.»





À data da inauguração, o presidente do conselho de administração da "Sociedade Portuguesa de Petroquímica, S.A.R.L." era o professor João Pinto da Costa Leite (Lumbrales), e como administradores: engenheiros Elisiário Luís Faria Monteiro, Leitão da Cruz e Dr. Jorge Koromzay.

Na "Revista Portuguesa de Química", Volume 16, nº 2 de 1974, uma singela homenagem ao pessoal técnico da S.P.P e em especial ao Dr. Koromzay:

«Merece relevo especial o facto de que a acção zelosa e a competência de todo o pessoal técnico da S.P.P., desde os engenheiros aos operadores, operários, etc., teve influência decisiva no êxito da realização de um projecto industrial que constitui notável empreendimento, não somente à nossa escala mas à escala internacional, pelas suas dimensões, pela sua técnica de vanguarda e pela originalidade de certas soluções adoptadas.

Presta-se ainda saudosa homenagem à memória do Dr. Jorge Koromzay, o qual em grande parte concebeu e acompanhou a realização das instalações fabris da S.P.P., cuja "engenharia" foi especialmente da responsabilidade da firma Uhde e, na primeira fase, também da Stec.»

Ao monopólio da refinação de petróleo e à proteção na distribuição, faltava à "Sacor" juntar uma maior participação na indústria petroquímica, de utilização de derivados do petróleo. Em 1958, a "Sacor" inaugurou em Estarreja a unidade de adubos sintéticos, a "Amoníaco Português, S.A.R.L.", abastecida pela refinaria de Cabo Ruivo. O governo apoiou essa maior integração, embora tenha tentado colmatar alguns dos problemas decorrentes da posição favorável no mercado da petrolífera de que era acionista.


1966

1973

Pelo que, com o apoio do governo, foi criada, em 1957, "Sociedade Portuguesa de Petroquímica, S.A.R.L.", com capitais da "Sacor - Sociedade Anónima Concessionária da Refinação de Petróleos em Portugal, S.A.R.L." (55,1%), da CRGE - Companhias Reunidas de Gás e Eletricidade, S.A.R.L." (15,2%) e da "UFA - União Fabril do Amoníaco" ("C.U.F.") (9,9%), sendo o restante distribuído entre outros acionistas menores. A empresa entrou em funcionamento com uma unidade de produção de gasogénio (ou gás de síntese), substituto do gás de hulha utilizado para produzir gás de cidade, para aproveitamento dos derivados da refinaria vizinha em Cabo Ruivo. 

No seu início, e no processo de concentração do sector dos adubos, entrou, também, a "Sociedade Portuguesa de Petroquímica", que posteriormente recebeu orientação no sentido de centrar a sua produção na actividade petroquímica e no gás.

Em resultado da entrada em funcionamento desta unidade fabril, deixou de se produzir gás de cidade a apartir do carvão, mas sim por via petrolífera, pelo que em 1964 a "Fábrica de Gás da Matinha" foi desactivada, e a "C.R.G.E." passou a distribuir gás, produzido pela "Sociedade Portuguesa de Petroquímica, S.A.R.L.".

Em 22 de Agosto de 1975, a empresa "Sociedade Portuguesa de Petroquímica, S.A.R.L." é nacionalizada juntamente com outras duas empresas do sector da produção de adubos: "Amoníaco Português, S.A.R.L." e a "Nitratos de Portugal, S.A.R.L."


Duas fotografias de Dezembro de 1973

Dois anos mais tarde, o Decreto-Lei 530/77 de 30 de Dezembro criava a "Quimigal" - «empresa única integrando patrimónios das empresas nacionalizadas CUF, Amoníaco Português e Nitratos de Portugal, ficando excluída da empresa única a Sociedade Portuguesa de Petroquímica, cujo relançamento se orientará para os ramos da produção de gás de cidade e de petroquímica». Pelo que foi instituída a empresa pública "Química de Portugal, E.P.", abreviadamente denominada por "Quimigal".

"Sociedade Portuguesa de Petroquímica" nos anos 80 do século XX