Restos de Colecção: Resultados da pesquisa para ambulância postal
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17 de julho de 2013

Estação Central dos Correios de Lisboa

A “Estação Central dos Correios de Lisboa”  esteve instalada muitos anos no Terreiro do Paço, e albergava os seguintes serviços: estação de tratamento de correspondência postal; central telegráfica; central telefónica; ambulância-postal; boletineiros e carteiros; estação de correio.

Estação Central dos Correios de Lisboa

  

                                 

Estação Central do Terreiro do Paço em 1913

 

 

                        Antiga balcão dos correios                                          Antiga balcão dos telégrafos e telefones

 

A Estação dos CTT do Terreiro do Paço, em 1940 é alvo de obras de melhoramentos e é radicalmente transformada. O desenho do mobiliário e balcões poder-se-á atribuir a sua autoria ao arquitecto Adelino Nunes, também funcionário dos CTT,  pela corência com o trabalho que desenvolvia à altura na Comissão dos Novos Edifícios dos CTT iniciado em 1937, com o Plano Geral de Construções Telegráficas e Telefónicas dos CTT.

                     

 

Em 1958 viriam a ser criadas, em Lisboa, seis zonas de distribuição postal indexadas a uma Central de Recolha e Tratamento de correspondência postal. Nesta Central, as correspondências postais eram separadas pelas referidas zonas e, posteriormente,entregues nas distribuidoras, onde era feito o trata-mento e distribuição ao domicílio pelos giros da área,ficando, desse modo, toda a cidade abrangida por medidas que proporcionavam, aos utentes, um serviço mais rápido e eficaz.

                           Secção dos Boletineiros                                                              Central Telegráfica

 

Central telefónica

                                

Tratamento de correspondência postal

  

fotos in: Fundação Portuguesa das Comunicações, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital

A rede de distribuição de Lisboa, reorganizada em 1958, servia seis zonas postais: Lisboa 1 (Centro de Arroios), Lisboa 2 (Centro do Terreiro do Paço), Lisboa 3 (Centro da Junqueira), Lisboa 4 (Benfica), Lisboa 5 (Alvalade) e Lisboa 6 (Poço do Bispo).

As instalações desta “Estação Central dos Correios”, viria a ser desactivada e desocupada a maior parte das suas instalações, restando,hoje, apenas a “Estação dos CTT do Terreiro do Paço”. O restante espaço é hoje o “Pátio da Galé” e é composto por um espaço interior com cerca de 1500 metros quadrados, onde anteriormente era ocupado por um parque de viaturas dos Correios, e por uma zona exterior de esplanadas.

 

Bibliografia: “Comunicar na República - 100 Anos de Inovação e Tecnologia”.  Fundação Portuguesa das Comunicações

1 de julho de 2013

Ambulâncias Postais dos Correios

Correios e meios de transporte estiveram sempre intrinsecamente ligados. Os correios sempre foram os pilares do desenvolvimento das comunicações ferroviárias, rodoviárias, fluviais, etc.

                                                       O transporte ferroviário de correio, Maria Keil, 1942

                                                      

No início do século XX e durante a I República, nas carruagens integradas nas composições dos caminhos-de-ferro e que executavam o serviço postal, as condições de trabalho, manuseamento, tratamento e recolha eram bastante difíceis.

Muitas destas carruagens estavam em péssimo estado de conservação, pelo que se procedeu à sua recuperação e restauração, nas Oficinas Gerais. Estas transformaram o interior de algumas carruagens de passageiros em estações itinerantes,para que o tratamento postal fosse desenvolvido nos percursos em condições que, simultaneamente, permitissem a recolha de correspondência nas paragens. Este trabalho prolongar-se-á pelo período do Estado Novo.

 

 

 

Nesta época é inaugurado o comboio “Sud-Express” que circula com caixa-receptáculo, afixada no exterior da carruagem, para recolha de correspondência nas paragens.

                                                                 O “Sud-Express” na Estação do Rossio

                                  

Já durante o período do Estado Novo, a maioria das carruagens-correio em uso datava de 1926, altura em que foram adquiridas 27 carruagens por conta das reparações alemãs. A estas, juntaram-se mais quatro em 1930. Entre 1930 e 1933 foram executados grandes trabalhos de conservação e reparação, pela Oficinas Gerais, quase traduziram num melhor apetrechamento do interior das ambulâncias. Doze carruagens foram retiradas definitivamente de serviço, porém, e quase em simultâneo, a administração dos CTT adquiriu cerca de vinte carruagens para substituição das que se encontravam em péssimo estado de conservação.

                                                                                  Oficinas Gerais

 

 

                                                    

                                               Em 1950 a aquisição de novas carruagens ambulâncias postais

                                

                                 Carruagem Correio.5

O esquema da nova rede de ambulâncias ferroviárias permitiria, então, condições para a execução dos serviços postais levados a efeito no interior. O serviço de ambulâncias postais ferroviárias passava também a receber, no trajeto, telegramas a serem expedidos na estação telegráfica mais próxima. Os receptáculos, colocados no exterior das carruagens que transportam malas, eram abertos em todas as estações de trânsito da respetiva carreira e nas estações terminais. «A abertura dos receptáculos, nas estações de caminho-de-ferro, será feita pelos funcionários das ambulâncias postais ou pelos condutores de malas que seguirem no comboio, desde que, para isso, estejam autorizados» (Decreto 14/6/1902).

                      Carruagem Correio.4

                                 

                       Emblema dos CTT e caixa de correio exteriores destas novas carruagens ambulâncias postais

 

                                                   Carregamento de sacas de correio em vagão de carga

                                 

Em 1975 seria inaugurado o primeiro comboio expresso postal.

Entretanto, e ainda no período da I República em Portugal, o transporte de correio, feito por barco a vapor, foi sendo, progressivamente, executado por avião. Eram utilizados aviões postais de carreira regular, com escalas de acordo com as conveniências, que transportavam correspondências postais, cartas e, mais tarde, também encomendas a partir de 1934.

                                                       “O transporte de correio marítimo”, Maria Keil, 1942

                                                    

                                 

Nas ligações intercontinentais, o paquete foi, por excelência, o meio de transporte privilegiado. No entanto, em 1934, é estabelecida a primeira expedição de correio aéreo e, com o avanço da aviação comercial,o correio marítimo vai perdendo, progressivamente,a sua hegemonia.

                                                          “O transporte de correio aéreo”, Maria Keil, 1942

                                                    

  

Nota: História destas companhias aéreas e de outras, consultar nas “Etiquetas” na barra lateral.

Mais tarde em 1951 é criado o serviço de auto-ambulâncias para transporte rodoviário de correio,

                                                                  “À espera da auto-ambulância postal”

                                                    

              

Em 1952 o serviço de auto-ambulâncias rodoviárias assume um carácter permanente, percorrendo zonas do interior, vetadas, até então, à maior parte dos serviços prestados pela empresa, já que a rede do caminho-de-ferro não chegava a todo o lado e, por isso, uma parte considerável da população ficava privada de contactos.Nestas ambulâncias, prestavam-se, no atendimento público, os serviços postais mais comuns, do aero-grama ao telefone e expedição de telegramas. Estas ambulâncias eram, genuinamente, estações dos correios ambulantes que visitavam, até, os lugarejos mais recônditos do País.

                              Auto-ambulâncias postais estacionadas na Estação dos Correios do Terreiro do Paço

                                 

Envelope postal de 10 de Julho de 1952


gentilmente cedido por Miguel Buzagalo

                                                                                             1957

                                              

fotos in: Fundação Portuguesa das Comunicações, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Museu Nacional Ferroviário