19 de janeiro de 2014

Biblioteca do Convento de Mafra

O "Real Convento de Mafra", mais tarde "Palácio Nacional de Mafra", é o mais importante monumento barroco português. Mandado construir por D. João V em 1717, como pagamento de uma promessa caso tivesse um filho varão, o que viria a acontecer em 6 de Junho de 1714 com o nascimento do infante D. José (futuro rei), é ao mesmo tempo basílica, convento e palácio. Acerca deste Palácio consultar neste blog o seguinte link: "Palácio Nacional de Mafra".

O “Palácio Nacional de Mafra” possui uma das mais importantes bibliotecas portuguesas. Conhecida pela “Biblioteca do Convento de Mafra”, fica situada ao fundo do segundo piso do Palácio. Encerra uma coleção de mais de 36.000 livros com encadernações em couro gravadas a ouro, graças à acção da Ordem Franciscana, incluindo uma segunda edição de “Os Lusíadas”, de Luís de Camões. Abrange áreas de estudo tão diversa como a medicina, farmácia, história, geografia e viagens, filosofia e teologia, direito canónico e direito civil, matemática, história natural, sermonária e literatura.

Construída por Manuel Caetano de Sousa, tem 88 m de comprimento, 9.5 de largura e 13 de altura. O magnífico pavimento é revestido de mármore rosa, cinzento e branco. As estantes de madeira estilo rococó, situadas em duas filas laterais, separadas por um varandim contêm milhares de volumes encadernados em couro, testemunhando a extensão do conhecimento ocidental dos séculos XIV ao XIX.

De destacar algumas obras raras como a colecção de Incunábulos (livros impressos até 1500) - volumes  encadernados na oficina local, também por Manuel Caetano de Sousa - ou a famosa “Crónica de Nuremberga” (1493), bem como diversas Bíblias ou a primeira Enciclopédia - conhecida como  “Enciclopédia de Diderot et D’Alembert” –, os “Livros de Horas” iluminados do Séc. XV. Ainda um importante núcleo de partituras musicais de autores portugueses e estrangeiros, como Marcos Portugal, J. de Sousa, João José Baldi, entre outros, especialmente escritas para o conjunto dos seis órgãos históricos da Basílica.

 

 

 

A atestar a importância desta colecção, uma Bula concedida pelo Papa Bento XIV em 1754, para além de proibir sob pena de excomunhão, o desvio ou empréstimo de obras impressas ou manuscritas sem licença do Rei de Portugal, concede-lhe autorização para incluir no seu acervo os livros proibidos pelo Index.

A “Biblioteca do Convento de Mafra” é também conhecida por acolher morcegos, que ajudam a preservar as obras. Os morcegos saem de noite de caixas que estão por baixo das estantes e, numa noite, cada morcego alimenta-se de cerca de 500 insectos, o equivalente à metade do seu peso.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

5 comentários:

Elvira Carvalho disse...

Descobri hoje por acaso o seu blogue. Gostei imenso do que vi e adicionei o link para o seguir.
Interessante, este artigo. O verão passado passei em Mafre e fui ver a basílica. Gostaria de ver todo o monumento, mas fui informada de que encerrava às 18 e como já passava das 17 deixei para outra altura, já que pensei não ia dar tempo de ver nada de jeito.
Um abraço e uma boa semana

José Leite disse...

D. Elvira Carvalho

Grato pelo seu comentário

Os meus cumprimentos

José Leite

Manuel disse...

¡Impresionante! la biblioteca, así como el número de libros y la importancia histórica de los mismos.
No la conocía. Gracias por publicarlo y mi enhorabuena por tan buen trabajo.
Un saludo.

castrantonio disse...

Meu caro José Leite
(vi o seu nome na resposta anterior)

Deixe-me dar os meus parabéns pelo seu magnífico blog, acho que dificilmente se conseguirá encontrar algo parecido, não só pelas fotos, como fui convidado por uma amigo a visitar, mas também pela prosa e pelo excelente trabalho de recolha de dados e informações.
Bem haja por isso...

antónio castro

José Leite disse...

Caro António Castro

Muito grato pelas suas simpáticas e elogiosas palavras, em relação ao meu trabalho.

Os meus cumprimentos

José Leite