14 de julho de 2013

Trafaria

Excerto dum poema de António Gedeão intitulado “Para Além da Trafaria”:

Minha mãe, haverá mundo
para além da Trafaria?

Não sei, meu filho. Não sei.
Tudo aquilo que sabia
já no meu sangue te dei.

Que serras são estas, mãe,
que não nos deixam ver nada?

São rugas que a Terra tem.
Não maces a tua mãe.
Deixa-me estar descansada.

Ó mãe, que rio é aquele?
Onde nasce e onde morre?

Ó filho, é Deus que o impele.
Entretém-te a olhar para ele.
É um rio. Tem água. Corre.

A freguesia da Trafaria foi criada pelo decreto n.º 12 432 de 7 de Outubro de 1926; no entanto, a sua existência remonta há, pelo menos, cinco séculos, pela vontade de um pequeno aglomerado de pescadores.

                                                                           

                                                                                             1906

                                  

                                                                                             1913

                                  

                                             

                                                                                 «Vapor» para Lisboa

                                  

                                                                                             1908

                                  

                                                              Estrada Costa da Caparica-Trafaria  em 1931

                                  

                                  

O acontecimento mais marcante na sua história valeu a Marquês de Pombal o título “Nero da Trafaria”, dado por Camilo Castelo Branco em “Perfil do Marquês de Pombal”: a 24 de Janeiro de 1777, vivia na região cerca de cinco mil pessoas, Marquês de Pombal ordenou a Pina Manique que levasse 300 soldados em faluas do Tejo e incendiasse a Trafaria, por esta albergar centenas de rapazes que fugiam da vida militar. Os que não morreram no incêndio foram obrigados a ingressar nas fileiras militares.

A povoação de Trafaria foi, entretanto, reconstruída: em 1873, estabeleceu-se na região a fábrica de dinamite do engenheiro francês Combemale; em 1901, a rainha D. Amélia inaugurou na região a primeira colónia balnear de Portugal.

                                                                                             1904

                                        

O Forte da Trafaria foi construído em 1683, por ordem de D. Pedro II. Funcionou como presídio e fortaleza marítima entre 1831 e 1833, fábrica de guano de peixe, viveiro das matas nacionais e abrigo das galeotas reais (1879). Após 1917 foi recuperado pelo Estado e adaptado a presídio militar, primeiro sob a administração da marinha e depois do exército, função que já não exerce.

                                                                                   Forte da Trafaria

                                               

As Baterias de Alpena e Raposeira, são construções militares que remontam a 1893, aperfeiçoadas durante a I Guerra Mundial (1914-1918).

Em 25 de Junho de 1931 foi fundada a “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trafaria”, por: Alberto Aguiar, Joaquim José Aires, João Baptista Queiroz, José Maria Rodrigues, Raymundo José Monteiro, e Victor Urbano Ferreira Surgy, que viria a ser o primeiro Comandante.

                                        Primeiro corpo activo dos Bombeiros Voluntários da Trafaria em 1931

                                      

«(...) acudir aos que sofrem e com risco da sua própria vida, os seus Bombeiros Voluntários, em favor dos seus semelhantes, amigos ou inimigos teem por lema prestar socorros, quer eles sejam motivados por incêndios, calamidades, alterações de ordem pública, etc., onde perigue a vida dos mesmos semelhantes, e onde seja chamada a acção desta Associação; para a prestação do bem a favor da Humanidade em Geral.» in: Bombeiros Voluntários da Trafaria

                                             Primeira viatura, um «Studebaker» de 26 de Novembro de 1949

                                             

                                                          Primeira ambulância, uma «International» em 1950

                                             

                                                             Trafaria nos finais dos anos 40 do século XX

                                 

                                                                        Praia e paragem dos autocarros

  

                         Cais dos barcos para Lisboa                                                       Cinema da Trafaria

 

Em 26 de Setembro de 1985, a Trafaria foi elevada a vila.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Delcampe.net, Bombeiros Voluntários da Trafaria

5 comentários:

Manuel Tomaz disse...

... e Lisboa aqui tão perto! Oxalá não vá para diante a intenção de transformarem aquele local num terminal de contentores...

Luis Miguel Correia disse...

É sempre um prazer viajar nas páginas deste blogue...
A zona da Trafaria e Cova do Vapor é tão interessante... Da ponta da Cova do Vapor vê-se um molhe e o Bugio logo em frente. Já não se vai lá para a Missa como noutros tempos...

José Leite disse...

Caros Manuel Tomaz e Luis Miguel Correia

Muito grato pelos vossos comentários.

Os meus cumprimentos

José Leite

vitor manuel sá franco disse...

fOI COM UM ENORME PRAZER QUE VI ESTAS FOTOGRAFIAS DA TRAFARIA onde cresci dos 10 aos 22anos de idade , de 1955 a 1967.Muito Obrigado a quem as colocou na Net. Vitor Franco

vitor manuel sá franco disse...

Efectivamente deixei de viver na Trafaria a partir do dia 12 de Agosto de 1972 tando vivido lá desde 1955 até 1972 menos menos os dois anos de serviço militar obrigatório portanto um total de 15 anos. O cinema da Trafaria era muito parecido com o cinema do filme italiano "cinema Paradiso " assim como o ambiente durante a projeção dos filmes . Aí pelos anos 60 terá sido demolido o Coreto que existia no centro do largo em frente da Igreja e da Praça onde se vendia o peixe e legumes frescos. Nesse Coreto durante o Verão actuavam Bandas Filarmónicas , no Verão para os jovens aquela terra era uma festa porque muitos rapazes e raparigas cujos pais alugavam casas durante os três meses das férias escolares. No Inverno era uma tristeza , não se via quase ninguêm nas ruas e as viagens de barco para Lisboa nos dias das tempestades de inverno só faziam lembrar o que teria sido a nossa epopeia marítima pois nunca se sabia se o barco se iria voltar e naufragar na próxima onda.Por vezes nem os corajosos pilotos dos barcos quase todos antigos peswcadores conhecedores dos perigos do mar se aventuravam a atravessar o rio com a tempestade , nesses casos só tinhamos o barco do cais do Sodré para Cacilhas e daí raras camionetas para a trafaria.muito teria para escrever.....Outros tempos !!!!