Restos de Colecção

22 de novembro de 2011

Estações Telefónica e dos Correios do Estoril

A estação telefónica do Estoril inaugurada em 12 de Abril de 1934 e foi projectada pelo arquitecto Adelino Nunes (1903-1948), e propriedade da “The Anglo-Portuguese Telephone Cª., Ltd”. Como foi referido no post  O Telefone em Portugal ... (1)  esta empresa foi concessionária dos telefones até 1968, ano em que é criada a “Empresa Pública Telefones de Lisboa e Porto” (TLP). A empresa “Correios, Telégrafos e Telefones” (CTT) exploravam, à data, o serviço telefónico no resto do país.

Publicidade à «Estação do Estoril», em 1934

Estação Telefónica do Estoril

  

  
fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

O mesmo arquitecto Adelino Nunes será o responsável pelo projecto da Estação dos CTT do Estoril, inaugurada em 1942. Aliás foi este arquitecto o responsável  pelos projectos de arquitectura inseridos na "Comissão para Elaboração do Plano Geral das Construções e Redes Telefónicas e Telegráficas", criada em 1934 com o propósito da modernização e ampliação das Comunicações Postais, Telefónicas e Telegráficas (CTT) a fim de levar definitivamente a todo o território a última inovação tecnológica que veio permitir a comunicação rápida à distância.

Estação dos Correios do Estoril, no dia da sua inauguração

   
 

20 de novembro de 2011

Antigamente (21)

                                                                      Shell Motor Oil

                           

              Stand da “Diniz M. d’Almeida”, na Av. da Liberdade importadora dos automóveis «Buick»

                            

                                                                           Charcutaria

                             

                                                  Loja do jornal “O Século” no Rossio em Lisboa

                             

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

18 de novembro de 2011

I Salão Automóvel de Lisboa (1)

O primeiro “Salão Automóvel de Lisboa”, e o primeiro a ser considerado verdadeiramente oficial, foi organizado pelo “Automóvel Clube de Portugal” e teve lugar entre os dias 4 e 13 de Julho de 1925 no Coliseu dos Recreios de Lisboa. Como foi referido no artigo Salões Automóvel em Portugal , o primeiro Salão Automóvel em Portugal, não oficial, foi na cidade do Porto em 22 de Junho de 1914. Seguiram-se mais três Salões até ao de Lisboa, que foi o quarto a realizar-se no nosso país.

                                                            Panorâmica da sala principal da Exposição

Este “Salão Automóvel de Lisboa” estava aberto das 14h às 24h, com eventos culturais como Jazz Band,  do “Club Mayer”, das 15h às 19h e concerto das 21h às 24 h. A decoração deste evento ficou a cargo de Augusto Pina e contou com mais de cem carros expostos, entre a sala de espectáculos do Coliseu e as suas dependências e salas secundárias. Nos camarotes de 1ª ordem, os visitantes eram contemplados com  serviço de chá, almoços e jantares. Este serviço era disponibilizado pela tradicional e aristocrática “Pastelaria Ferrari” da Rua Nova do Almada.

                                                                                         Jazz Band

                                  

Algumas das 60 marcas representadas com 100 carros expostos:

Isotta-Fraschini, Renault, De Dion-Bouton, Hudson, Berliet, Fiat, Alfa-Romeu, Amilcar, Salmson, Sizaire Fréres, …
… Peugeot, Citröen, Chrysler, Chandler, Buick, Mercedes, Talbot, Studebaker, Délage, etc ….

        

         

         

        

        

Notícias do evento: No “Diário de Lisboa” com comentários extremamente favoráveis e simpáticos, mas a do “Domingo Ilustrado” com opinião bem oposta e arrasadora …

                              “Diário de Lisboa”,  4 de Julho de 1925                         “Domingo Ilustrado”, 12 de Julho de 1925

                            

Apesar do aparente sucesso deste Salão foi lamentada a ausência dos «carrosiers», empresas portuguesas fabricantes de carroçarias para automóveis. «Nem um só concorreu à exposição e só muito tinham a lucrar se tivessem apresentado qualquer coisa ... com o confronto e comparação é que o público pode avaliar o nosso progresso neste ramo que assim é como se não existisse».

As oficinas de automóveis também estiveram ausentes, com a única excepção dos "Grandes Armazéns do Chiado". «é um bom reclame, especialmente como um paiz como o nosso, em que não há fábricas construtoras de automóveis e que, portanto, se tem de recorrer constantemente a estas pequenas industrias».

       

       

          

         

fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

                                                        Anúncio da Citröen relativo ao evento

                                               

Por este tema ter um número elevado de fotos disponibilizadas, foi elaborado  outro artigo intitulado "I Salão Automóvel de Lisboa (2)

17 de novembro de 2011

Campo de Aviação da Amadora

A seguir à implantação da República a 5 de Outubro de 1910, foram criados os “Recreios Desportivos da Amadora”  e inaugurados a 14 de Abril de 1912. José Santos Matos e António Correia, sócios e donos da “Fábrica Espartilhos a Vapor Santos Mattos & Cª.”, que se situava também na Amadora, mandam construir um novo edifício para esta instituição de recreio e desporto, e que é inaugurado a 17 de Agosto de 1914. Estava instituição estava equipada com um campo de ténis, um ringue de patinagem com piso de cimento, e um campo de futebol. Mais tarde foi inaugurado um salão de festas e alteradas algumas das suas estruturas.

“Recreios Desportivos da Amadora”

 

                              Salão de espectáculos                                                          Ringue de patinagem

  

Foi no dia 7 de Junho de 1912 que foi promovido, pela direcção dos «Recreios Desportivos da Amadora», a primeira exibição na localidade de um “Concurso de Papagaios”. Este acontecimento ocorreu nos terrenos do Casal Borel e foi legitimado pela participação do “Aero Club de Portugal” e contado com a participação de destacadas figuras da sociedade de então. «E para atestar a seriedade da iniciativa, note-se que faziam parte do júri dois membros do Aero-Clube de Portugal, que avaliaram provas de altitude, estabilidade, levantamento de pesos, ângulo e tracção».

Campo de aviação e hangares

 

                       Abastecimento de combustível                                    Piloto aviador e um grupo de espectadores

  

A aventura aeronáutica em Portugal já tinha dado o seu «primeiro vôo» em 27 de Outubro de 1909 no Hipódromo de Belém, como poderá ser lido no post intitulado Primeiros Aeroplanos em Portugal .

Foi em 26 de Janeiro de 1913 que um avião sobrevoou pela primeira vez a Amadora. Numa iniciativa da “Liga de Melhoramentos da Amadora”, o francês Alexandre Théophile Sallés parte do Hipódromo de Belém , no seu «Bleriot XI» e aterra nos terrenos do Casal do Borel, partindo parte considerável do aeroplano, bem como o hélice, na aterragem, perante a multidão que assistia ao feito.

«Bleriot XI»

Nada que fizesse desmobilizar o entusiasmo da população. Com o apoio da “Fábrica de Espartilhos a Vapor Santos Mattos & Cª.”, ao fim de oito dias o aeroplano estava reconstruído e pronto a ser utilizado de novo.

Sallés sobrevoando a Amadora, e a “Fábrica de Espartilhos a Vapor Santos Mattos & Cª.”, na Amadora

 

A 18 de Março de 1917, a “Liga dos Melhoramentos da Amadora”, organiza um Festival Aéreo, nos terrenos onde está actualmente a Academia Militar e desta vez aterram na Amadora o tenente António Caseiro e Sacadura Cabral. A este festival assistiriam cerca de 50 mil pessoas, o que equivalia a doze vezes a população desta povoação na época.

Dia do Festival Aéreo da Amadora

 

 

Em 1919 o “Grupo de Esquadrilhas de Aviação República” (GEAR) instala-se nos terrenos junto ao campo de futebol dos “Recreios Desportivos da Amadora”, os mesmos onde actualmente funciona a Academia Militar. Esta foi a primeira unidade de aviação em Portugal.

Entrada para as instalações do GEAR

«Breguet Br.14-A2» número «2» da Esquadrilha de Bombardeamento e Observação do G.E.A.R., Amadora

fotos in: Centenário da República, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Ex-Ogma

Durante cerca de um quarto de século, é da Amadora que partem algumas das mais importantes viagens da aviação nacional. A referir:

  • Tentativa de ligação à Ilha da Madeira, por Sarmento Beires e Brito Pais, em 1920
  • Raid Lisboa-Macau no «Pátria», com Brito Pais, Sarmento Beires e Manuel Gouveia, em 1924
  • Voo do «Santa Filomena» à Guiné,com Pinheiro Correia, Sérgio da Silva e Manuel António em 1925
  • Voo a Goa, com Moreira Cardoso e Sarmento Pimentel, em 1930
  • Voo de Carlos Bleck e Humberto da Cruz à Guiné e Angola em 1931
  • Viagem de ida e volta do «Dili», a Timor, com Humberto da Cruz e António Lobato, em 1934.

Durante vinte e cinco anos a Amadora foi parte integrante da época de ouro da aviação Portuguesa. De referir ainda o Festival aéreo de homenagem ao aviador Plácido de Abreu realizado a 4 de Novembro de 1934, bem como raide aéreo às colónias que teve início na Amadora a 14 de Dezembro de 1935 e que contou com a presença de Gago Coutinho. Nestes últimos anos, a pista da Amadora serviu igualmente de aeroporto civil.

Em 1938 a aventura da aviação termina na Amadora com o fim do campo de aviação. Razões de aeronáutica militar, pouco espaço e deficiências da pista de terra batida, foram os motivos que levaram à extinção do campo de aviação e sua transferência para Tancos. De qualquer modo esta cidade continua na «rota» da aeronáutica portuguesa albergando em Alfragide o Estado Maior da Força Aérea.