Restos de Colecção

1 de março de 2019

“Sanzala” e “Frou-Frou”

O Restaurante e Boite “Sanzala” que esteve localizada no Campo Grande, em Lisboa, bem junto à “Churrasqueira do Campo Grande”, e propriedade da dupla musical “Duo Ouro Negro”, abriu as suas portas em Julho de 1965.

“Sanzala” aquando da sua abertura

 

Terreno onde viria a ser contruída a “Sanzala”

 

Recordo que o termo “Sanzala” era utilizado, nas antigas colónias como sendo um grupo de pequenas casas de pau a pique e capim (vulgo “cubatas”), nas quais habitavam indígenas com as suas famílias.

                          13 de Julho de 1965                                                               5 de Fevereiro de 1966

                          

1 de Fevereiro de 1966

            1966 Sanzala (01-02)

                                        26 de Fevereiro de 1968                                                        27 de Fevereiro de 1968

                               

O edifício principal e seus anexos deste restaurante-boite tentavam recriar o ambiente duma “sanzala”, com o seu interior forrado a madeira. No exterior a sua esplanada era composta de mesas cobertas com “chapéus” de sol em colmo. Este «restaurante típico» funcionava entre a 20 horas e as 3h e 30m da madrugada.

Exteriores da “Sanzala”

 

Almoço de confraternização do “Quinteto Académico”, na “Sanzala”

Na foto anterior em primeiro plano, de costas, e da direita para a esquerda: Mário Assis Ferreira, Fernando Mendes, Alexandre Barreto, Daniel Gouveia, uma cançonetista efémera não identificada, um desconhecido. De frente, da direita para a esquerda: José Manuel Fonseca, Carlos Carvalho (que substituiu o Mário Assis), um desconhecido, Vicente da Câmara, Madalena Iglésias, e um locutor de rádio não identificado.

                            30 de Dezembro de 1970                                                          8 de Dezembro de 1972

1970 Sanzala (30-12) 1972 Pub (08-12)

Em 1973 a “Sanzala” encerra definitivamente e é adquirida pelo empresário do mundo do espectáculo Sérgio de Azevedo (1936-2006), que em 1975 abre, no seu lugar, um novo tipo de casa de espectáculo o Café-Concerto “Frou Frou”. Idealizada pelo seu proprietário, chegou a ser considerado a melhor sala nocturna da Península Ibérica.

               Actor Luís de Mascarenhas e Sérgio de Azevedo                                                      Programa

                  

Bilhete para 21 de Dezembro de 1977


Bilhete gentilmente cedido por Carlos Caria

Do artigo da autoria de Vital d’Assunção, no Jornal Expresso, intitulado “E se o fado e o striptease se misturassem em palco?”, retirei a seguinte passagem que ilustra o ambiente do “Frou Frou” :
«1974. Eu, o guitarrista Arménio de Melo e a fadista Beatriz da Conceição estávamos a atuar na "Taverna do Embuçado", quando o empresário Sérgio de Azevedo - que era um homem ousado para  época - nos fez um convite: Durante quinze dias, teríamos um show de fado na sua recém-aberta casa de espetáculos, ali para os lados do Campo Grande, de nome "Frou-Frou".
Aceitámos o convite e lá fomos. Para os anos 70, o "Frou-Frou" era uma casa modernaça, com um palco elevatório e espetáculos para todos os gostos. Antes do fado, havia, nada mais, nada menos, do que striptease. Lembro-me de a artista austríaca entrar em palco através de uma língua gigante, que pendia numa boca que fazia parte do cenário. Do outro lado do palco havia um pénis com dois metros de altura, que servia de varão para a dança sensual.»

Festa de homenagem à actriz Ivone Silva promovida por Sérgio de Azevedo no “Frou Frou”

No “Frou Frou” foram feitas as gravações do programa para a RTP, “Nicolau no País das Maravilhas”, em 1975 e que ficou celebrizado pelos sketches musicais “Sr. Feliz e Sr. Contente”, interpretados por Nicolau Breyner e Herman José. Com música de Thilo Krassman e letra de César de Oliveira e Rogério Bracinha, a dupla encantava com o seu «diga à gente, diga à gente, como vai este país !?». Deste célebre duo foi editado em single cuja capa e verso publico de seguida.

 

O Café-Concerto “Frou Frou” teria uma existência curta e encerraria em 1978. Anos mais tarde daria lugar ao Bingo do “Sporting Clube de Portugal”, entretanto demolido aquando da construção da Estação do “Metro” do Campo Grande.

fotos in: Arquivo Municipal de LisboaHemeroteca Municipal de Lisboa, IÉ-IÉ, Palco Um

26 de fevereiro de 2019

Arnaldo Matos

Com o falecimento de Arnaldo Matias de Matos (1939-2019), no passado dia 22 de Fevereiro, e como já não publicava nenhum artigo acerca de política passada, há algum tempo, aqui ficam alguns cartazes em que o “o grande dirigente e educador do proletariado português” é mencionado e algumas capas de livros da sua autoria.

Arnaldo Matias de Matos (1939-2019)

Recordo que Arnaldo Matos, advogado de profissão, foi um dos um dos quatro fundadores do “MRPP - Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado” , em 18 de Setembro de 1970, juntamente com Fernando Rosas, João Machado e Vidaúl Ferreira. A partir de 26 de Dezembro de 1976 passaria a “PCTP - Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses”.


© Arquivo DN

Aqui ficam alguns cartazes históricos, entre 1974 e 1977 …

  

   

     

  

  

Alguns livros da autoria de Arnaldo Matos …

 

  

Cartazes e capas de livros in: Ephemera, Universidade de Aveiro, Fundação Mário Soares; Biblioteca Nacional Digital, Diário de Notícias

24 de fevereiro de 2019

Músicas Antigas (3)

Capas de partituras de diversos géneros de músicas, desde o final do século XIX.

Panfleto de 1827

1884

1884

1901

1946

21 de fevereiro de 2019

Ourivesaria da Guia

A "Ourivesaria da Guia", propriedade da firma "Olinda de Oliveira & C.ª, Lda.", foi fundada no gaveto da Rua da Mouraria com a Rua Martim Moniz, em 1875, junto da Ermida de Nossa Senhora da Guia, por João Carlos d'Oliveira, a que lhe sucedeu a firma: “J. C. Oliveira Sucessores”.

 

1900

Em Outubro de 1932, esteve presente na "Grande Exposição Industrial Portuguesa" que teve lugar no então, "Palácio de Exposições e Festas", actual "Pavilhão Carlos Lopes". O jornal "Diario de Lisbôa", a propósito da sua participação neste certame comentava:

«Na grande Exposição Industrial Portuguesa, que ora se está exibindo com tanto ruidoso sucesso, entre os stands que se impõe pela sua beleza, pelo encanto que ele dimana, marca ainda tambem pelo seu intrinseco valor, o stand da conhecidissima "Ourivesaria da Guia", na secção de pratas da galeria do Palácio de Honra, apresentado-nos numa rara nota artística, um completo mostruario de preciosas joias, de admiraveis pratas cinzeladas e de lindissimos trabalhos feitos em delicadas filigranas que causam a admiração de quem os vê, pela inexcedível perfeição como foram trabalhados.

1904

(...) sendo uma das casas do genero, mais antigas da capital e das mais reputadas não só pela seriedade que imprime a todas as suas transacções, que são importantissimas, como tambem por todos os produtos que vende que são dos mais bem acabados e confeccionados com uma grande selecção, que justifica de uma maneira absoluta, a grande fama que disfructam não só no país como tambem no estrangeiro, para onde a "Ourivesaria da Guia" exporta os seus belos trabalhos de ourivesaria, em todos os generos e para todos os preços, contando com uma grande clientela internacional.»

Factura de 10 de Outubro de 1930 e anúncio de 1941

       

Contraste de 1837-1937 com a chancela da “Ourivesaria da Guia”

Quanto ao mercado internacional, o mesmo jornal referia ainda neste artigo:

«O Brasil, por exemplo, é um país que nos consome muitos dos nossos trabalhos de ourivesaria. A Espanha, a América do Norte e outras nações, tanto americanas como europeias, tambem são nossos grandes clientes, comprando-nos grandes quantidades dos nossos artisticos trabalhos, muitos especialmente pratas lavradas e as nossas delicadas fiigranas.
Assim a arte de ourivesaria tem um lugar de alto relevo no nosso país, sendo os trabalhos dos nossos ourives, lavrantes e filigranistas, apreciadissimos no estrangeiro.»

No final dos anos 50 do século XX, e resultado das grandes demolições efectuadas na zona do Martim Moniz, para requalificação daquele espaço, a “Ourivesaria da Guia”, teve de deixar o edifício onde estava instalada junto da Ermida de Nossa Senhora da Guia, em finais de 1957, o que a obrigou a procurar outro espaço, tendo-se mudado para bem perto, para a Rua Dom Duarte, para uma das lojas do “Hotel Mundial”. Ainda antes deste Hotel ser inaugurado oficialmente, em 3 de Dezembro de 1958, já a “Ourivesaria da Guia” abria a sua nova loja em Janeiro de 1958.

“Ourivesaria da Guia” já encerrada e com o prédio para demolição

Anúncio de 21 de Dezembro de 1957, antes da mudança para a Rua Dom Duarte conforme anúncio de Janeiro de 1958

 

“Hotel Mundial”

1967

Por lá ficou uns anos tendo encerrado já no final da década de 70 do século XX. A última referência que tive conhecimento foi num dos capítulos do guia turístico Fodor’s  sobre Portugal e na secção «Shopping in Lisbon - The Pick of Portugal», da autoria de E. C. Dessewffy, e editado em 1974, em que referia: «Ourivesaria da Guia, no edifício do Hotel Mundial, oferece uma vasta escolha de objectos encantadores.»

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa