Restos de Colecção

3 de julho de 2015

Laboratórios ATRAL

Em 1947 a "ATRAL" resumia-se a uma modesta farmácia - "Farmácia Atral" - no Bairro de Alcântara, em Lisboa. Em 1948, uma grave crise financeira nesta farmácia, leva o , então, empregado Sebastião Alves a ser chamado a gerir o negócio.

Sebastião Alves (1921-2012), em 1965

Nesse mesmo ano é criada a empresa "Laboratórios ATRAL", percursora no fabrico de antibióticos em Portugal, com as suas instalações num chalet da Av. Gomes Pereira, em Benfica. Ganha novo fôlego, contrata técnicos, e aumenta o volume de facturação. Um mês depois as vendas duplicaram. Meses depois triplicaram. Sebastião Alves percorreu o país e colocou vários agentes espalhados. Analisou o mercado, e, ainda em 1948, quando percebeu as limitações do mercado português, escreveu para as câmaras de comércio de todo o mundo e partiu à aventura da internacionalização.

Instalações dos “Laboratórios Atral” na Avenida Gomes Pereira, em Lisboa

          

 

       

 

            

 

 

 

Com a necessidade de fabricar as suas matérias primas, Sebastião Alves, após a aprovação das instalações fabris, pela “Food & Drug Administration (FDA)”, inaugura em 14 de Outubro de 1965, a sua nova unidade fabril na Vala do Carregado, Castanheira do Ribatejo. A empresa “Laboratórios ATRAL” é  reestruturada pela parceria criada com a empresa “CIPAN - Companhia Industrial Produtora de Antibióticos, SARL”, nascendo assim o “Grupo ATRAL CIPAN”, que em 1965, inicia produção autónoma de três fármacos - tetraciclina, oxitetraciclina e eritromicina - inéditos no mercado nacional. Nesta unidade fabril ficam sediadas as seguintes empresas:  “CIPAN - Companhia Industrial Produtora de Antibióticos, SARL”, “Laboratórios ATRAL, SARL”, de Lisboa, “Laboratórios ATRAL del Perú, SA”, e “Laboratórios ASLA, SA”, de Madrid.

Fábrica da “CIPAN”, aquando da sua inauguração a 14 de Outubro de 1965





A “CIPAN - Companhia Industrial Produtora de Antibióticos”, foi fundada em 1963, - tendo como presidente do conselho de administração Sebastião Alves - na sequência de experiências realizadas numa fábrica-piloto adquirida em 1956, centrando a sua actividade «no fabrico de antibióticos de larga escala bacteriana, nomeadamente a tetraciclina, a oxitetraciclina, a clorotetraciclina, a eritromicina e respectivos sais». Cerca de 30% da produção destinava-se à exportação, a granel, para diversos Países, nomeadamente os EUA - tendo as instalações fabris da “CIPAN” sido aprovadas pela “Food & Drug Administration (FDA)”, - África do Sul, Austrália, Espanha, Holanda, Inglaterra, Turquia e Vietname do Sul. Neste mesmo conjunto industrial, integrava-se, também, a futura fábrica dos “Laboratórios ATRAL”, líder de um grupo de expressão internacional presidido por Sebastião Alves, ao qual pertencia a “CIPAN”.

Gama de medicamentos e registos de patentes da “Atral Cipan”, em 1970

  

No seu conjunto, as instalações fabris do “Grupo ATRAL CIPAN” ocupavam uma área coberta de 32 mil metros quadrados, com uma capacidade de produção de cerca de 350 mil contos anuais, contemplando, ainda, um infantário, uma escola, uma cantina com capacidade para mais de 500 pessoas e um bairro habitacional com 150 fogos destinados aos trabalhadores, o qual foi edificado nos anos 70 do século XX.

Hoje, o "Grupo Atral Cipan SGPS", que inclui  as empresas "Atral", "Cipan" e "Pharbal" do Perú, é um grupo químico-farmacêutico integrado no mercado mundial, considerado actualmente a quarta maior exportadora de produtos farmacêuticos. O Grupo tem como missão desenvolver produzir e comercializar substâncias activas, medicamentos, produtos de saúde e bem-estar que contribuam para a melhoria da qualidade de vida. Visa ser em 2015, o maior e o melhor grupo químico-farmacêutico português do mercado nacional e internacional, reconhecido como parceiro científico, tecnológico e comercial de excelência.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, ATRAL CIPAN

2 de julho de 2015

Ciclo da Cortiça por Artur Pastor

Ao fazer a minha visita diária ao belíssimo blog “Artur Pastor”, - que divulga a obra do fotógrafo Artur Pastor (1922-1999) - deparo-me com várias e interessantes sequências de fotos.

Hoje, destaco uma sequência de fotos que o blog apelidou de “Série sobre a Cortiça”, que retrata o processo desde a colheita da cortiça nos sobreiros até ao seu processo de transformação, nos anos 50/60 do século XX.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fotos in: Artur Pastor

1 de julho de 2015

Pastelaria Marques

A “Pastelaria Marques” foi fundada em 1903, na Rua Garrett, em Lisboa, sendo a firma proprietária “Manoel Marques & Comtª.”. Oferecia um esmerado serviço, incluindo toda a variedade de confeitaria, com realçe para as caixas de bombons.

“Pastelaria Marques” com o “Bazar Suisso” a seu lado

            Anúncio em 23 de Dezembro de 1903                                                     Postal publicitário

 

A "Pastelaria Marques" ocupou os números 70 e 72 do prédio onde tinha morado o famoso marquês de Niza, - que criou a “Sociedade do Delírio” para celebrar boémias, sendo as suas ceias as mais célebres de Lisboa - tendo sido, igualmente, morada do "Turf-Club", e de algumas lojas famosas da baixa lisboeta como o "Bazar Suisso", "Saboia", "M. Gomes, Livreiro-Editor", "Perfumaria Francesa e "Jardim de Lisboa de Peixinho & Cª.". 

Inquilino anterior à "Pastelaria Marques" em anúncio de 8 de Julho de 1893

Este edifício foi vítima de um violento incêndio, em 14 de Novembro de 1889, e cuja reportagem no "Diario Illustrado" aqui reproduzo, pelo pitoresco na descrição de alguns pormenores.

Incêndio.1

1930


Almoço de finalistas do Instituto de Agronomia

1934

Em 1940 a “Pastelaria Marques” é adquirida por Manuel José de Carvalho. Natural do Minho, Manuel José de Carvalho tinha começado a sua carreira profissional no "Café Martinho", ao que se seguiu o "Palace Club" a pastelaria e restaurante "A Garrett", e que, bem perto, tinha acabado de comprar o trespasse da “Pâtisserie Benard” através da firma "Manuel José de Carvalho, Lda.". Entre 1920 e 1950 era escolhida , sobretudo, para fornecimento e realização de festas de casamento e baptizados, dispondo para tal de um grande salão.

Anúncio de 1940

O requinte da cozinha de matriz cultural francesa, elemento diferenciador do gosto das elites, dominou a gastronomia durante muitos anos. À medida que avançamos no séc. XX, os festejos de casamentos, baptizados e outras cerimónias passam do seio da casa de família para restaurantes e pastelarias, espaços públicos de sociabilidade de uma classe social mais abastada. Na segunda metade do séc. XIX os menus eram bastante decorados, pintados ou desenhados mas à medida que avançamos século XX adiante, esta prática vai-se desvanecendo e os menus popularizam-se e tornam-se mais simples embora possam incluir publicidade diversa.

 

A “Pastelaria Marque” já se encontrava fechada a quando do grande incêndio do Chiado em 25 de Agosto de 1988, pelo que a proprietária do edifício, a “Companhia de Seguros Império”, anos depois, construiu no interior da antiga “Pastelaria Marques” uma galeria comercial com várias lojas. Mais tarde, em Maio de 22014, este espaço viria a ser transformado na loja “Stradivarius”, - que até então estava na Rua do Carmo - mantendo a primitiva fachada inalterável.

fotos in:  Hemeroteca DigitalArquivo Municipal de Lisboa, ESHToris, Stradivarius