Restos de Colecção

9 de janeiro de 2012

Primeiras Pousadas de Portugal

Definição de «Pousada» por Clifford & Kirshenblatt-Gimblet: « ... lugares de performance cultural e de representação de mensagens hegemónicas do Estado, veiculando ideias de como devem ser as infraestruturas de acolhimento turístico, ...»

Na sequência da Nota Oficiosa de Março de 1938, em que o Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar, incluía no elenco de obras a realizar a tempo das celebrações centenárias de 1940, o estabelecimento de certo número de pousadas em recantos provincianos, o “Ministério das Obras Públicas e Comunicações” (MOPC) encarregava os arquitectos Rogério de Azevedo e Miguel Jacobetty Rosa do estudo desta nova tipologia, ficando desde logo estabelecida a distribuição geográfica dos equipamentos. Rogério de Azevedo ficaria encarregue das propostas para a Serra do Marão e Santo António do Serém, ficando Jacobetty Rosa encarregue dos estudos de Elvas e São Brás de Alportel. Entre estudo, projecto e construção, nenhuma destas pousadas seria concluída a tempo das celebrações.

Cartaz do S.N.I.

Estas pousadas, inseriram-se no projecto de criação de uma rede nacional de pousadas regionais, com o fim de dinamizar a oferta turística nacional. Tratava-se de «criar em cada pousada, com a sua originalidade e as características próprias de cada região, uma atmosfera caseira e sem luxos, um ambiente calmo, familiar e português». Esta iniciativa sob a direcção de António Ferro, do “Secretariado da Propaganda Nacional” (SPN), criado em 25 de Setembro de 1933, que a partir de 1945 mudou de designação para Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI), incluiu também a criação da revista "Panorama", em 1941, na qual se iam promovendo a edição de vários roteiros e guias turísticos em diversas línguas.

António Ferro

Revista de Arte e Turismo  “Panorama”

   

As pousadas depois de construídas pelo “Ministério das Obras Públicas e Comunicações” (MOPC) eram entregues ao “Secretariado da Propaganda Nacional” (SPN)

A primeira pousada, a ser construída foi a Pousada de Santa Luzia”, em Elvas localidade conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques em 1166. Inaugurada em 19 de Abril de 1942, é o que agora se chama uma pousada regional. O projecto desta pousada foi da responsabilidade do arquitecto Miguel Jacobetty Rosa. Oferecia 6 quartos duplos aos viajantes e visitantes de Elvas. Os arranjos interiores iniciais estiveram a cargo dos Serviços de Turismo e Serviços Técnicos do Secretariado da Propaganda Nacional. Nesta data a concessão foi entregue ao poeta alentejano Joaquim Azinhal Abelho.

Fotos da “Pousada de Santa Luzia”, em Elvas

  

  

 Pousada de Elvas.6

Em Agosto de 1964, foi elaborado o projecto de ampliação da Pousada, da autoria de Miguel Jacobetty Rosa, sendo introduzida uma a sala de estar, no prolongamento para Este. da fachada principal, um pequeno bar de apoio e o aumento dos seis quartos iniciais para onze. A “Pousada de Santa Luzia”  já com 25 quartos, faz parte actualmente, do universo das "Pousadas de Portugal".

A Pousada de S. Gonçalo  na Serra do Marão, a cerca de 20 kms de Amarante foi a segunda a ser inaugurada, a 29 de Agosto de 1942. Com 5 quartos, foi construída junto à apelidada «curva da morte» em pedra de xisto integrando-se perfeitamente no seu ambiente natural a 880 metros de altitude. Das suas janelas e varandas avista-se o esplendoroso vale, imenso e profundo da Serra do Marão. Foi ampliada em 1961.

Foto da “Pousada de São Gonçalo”, em 1942 no Marão …

“Pousada de São Gonçalo”, após obras de ampliação em 1961

 

O primeiro concessionário desta pousada foi Alcino Reis. Depois de ter pertencido ao “Grupo Pestana Pousadas”, foi adquirido em 2007 por António Ribeiro Pereira que também é o proprietário da empresa “Água do Marão”.

A “Pousada de Santo António do Serém” em Serém, em Macinhata do Vouga, no distrito de Águeda, foi inaugurada em 24 de Setembro de 1942 e a terceira a entrar em funcionamento. Também projectada pelo arquitecto Rogério de Azevedo a decoração dos seus interiores ficou a cargo ao pintor e decorador Carlos Botelho. Em 1957 sofreu obras de ampliação.

Já não pertence à rede das “Pousadas de Portugal” e encontra-se encerrada.

Fotos da “Pousada de Santo António”, em Serém

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«As pousadas do SPN são consideradas como verdadeiros cartões postais das diversas regiões do país e da sociedade portuguesa do Estado Novo»: Heloísa Paulo.

A “Pousada de S. Martinho”, em S. Martinho do Porto seria a quarta a ser inaugurada, em 25 de Agosto de 1943 e projectada pelo arquitecto Veloso Reis Camelo.

“Pousada de S. Martinho”, em Alfeizerão - São Martinho do Porto, inaugurada em 25 de Agosto de 1943

A “Pousada de São Brás de Alportel”  seria a quinta a ser inaugurada, em 11 de Abril de 1944. Situada em São Brás de Alportel, no Algarve na Serra do Caldeirão, e a 19 kms de Faro, e projectada pelo arquitecto Miguel Jacobetty Rosa,  possuía apenas 4 quartos à data da sua inauguração. A decoração de interiores ficou a cargo de Ane-Marie Jauss, Vera Leroy. A direcção desta pousada foi entregue a Margarida Freire Pacheco e seu marido Joaquim Pacheco. Nos anos 50 do século XX esta pousada sofreu obras de ampliação passando a oferecer 30 quartos duplos. Depois de pertencer às "Pousadas de Portugal" e posteriormente ao “Grupo Pestana Pousadas” foi encerrada, por inviabilidade financeira, em 2010.

“Pousada de São Brás de Alportel”,  em 1944    

Fotos da “Pousada de São Brás de Alportel”, nos finais dos anos 50 do séc. XX  após obras de ampliação        

«O seu grande cartaz de turismo é a paisagem de sonho que a rodeia, onde avultam cordilheiras cercadas por neblinas, desfiladeiros e vales profundos, castelos de nuvens e campos infindáveis onde florescem amendoeiras…».  António Santos in “Revista Turismo”, de 1940 acerca de São Brás de Alportel.

fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

Foram inauguradas posteriormente as seguintes 2 pousadas completando o plano inicial das 7 pousadas regionais oficiais do turismo:

Pousada de Santiago, em Santiago do Cacém, inaugurada em 10 de Fevereiro de 1945

Pousada de São Lourenço, em Manteigas na Serra da Estrela, inaugurada em 14 Março de 1948

Estas pousadas eram acompanhadas regularmente pelas «Brigadas Hoteleiras» que aconselhavam, solucionavam problemas de decoração, vistoriavam hotéis, pensões e pousadas e que regulavam localmente a instalação de equipamentos turísticos.

Em 1952 contavam-se 8 pousadas e 10 estalagens. Em 1956 10 pousadas e 21 estalagens. Em 2001 contavam-se já 44 pousadas, das quais 18 estavam instaladas em edifícios históricos.

«Quando um hóspede deixar de ser tratado pelo nome para ser conhecido pelo número do quarto que ocupa, estaremos completamente desviados do espírito das pousadas»:  António Ferro

8 de janeiro de 2012

Antigamente (25)

                                            Bomba de gasolina (4$00 / L ) da “Sonap” em 1955

                                

                                                                Praça de Touros de Algés

                           

                          Orquestra da Emissora Nacional nos claustros dos Mosteiro dos Jerónimos

                            

                                                        Comboio turístico na Costa da Caparica

                             

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

7 de janeiro de 2012

Músicas Antigas (1)

Capas de partituras de diversos géneros de música no início do século XX

                                   

                                   

                                   
                                    fotos in: Ephemera

6 de janeiro de 2012

Café Portugal

O “Café Portugal” foi inaugurado na Praça D. Pedro IV (Rossio) nos 56-58, em Lisboa no dia 16 de Abril de 1938. Foi projectado pelo arquitecto Cristino da Silva. Os seus proprietários eram  Jorge Soriano, Saúl Saragga e António Maria Cardoso também sócio dos «Cafés Reunidos». Neste local tinha existido anteriormente, no século XIX uma loja de pianos “J. Heliodoro de Oliveira” oriunda da Rua dos Fanqueiros.

Café Portugal.3 Café Portugal.1

Para a realização deste projecto foi necessário fazer um desaterro, surgindo uma dificuldade inesperada: um lençol de água abundante e, por baixo, as cabeças das estacas pombalinas enterradas em vasa lamacenta. Pelo que foi necessário refazer as fundações do prédio e construir 16 estacas moldadas que ficaram a uma profundidade de 17 metros. Este complicado trabalho foi dirigido pelo engenheiro Teixeira Duarte.

Toda a construção do “Café Portugal”  ficou a cargo da “Sociedade de Construções Amadeu Gaudêncio, Lda”. Este estabelecimento foi equipado com um sistema de ar condicionado.

O interior foi enriquecido com a estátua «Portugal Novo» de Leopoldo de Almeida e nas paredes da entrada um painel do pintor Roberto de Araújo, além dos frescos de Jorge Barradas

 

 

Folheto
Gentilmente cedido por Carlos Caria

Publicidade em 16 de Junho de 1950

   

Frescos de Jorge Barradas

     

 Café Portugal.8      Café Portugal.9

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa

No início dos anos 70 do século XX, foi transformado em salão de jogos e de seguida encerrou. Mais tarde foi adquirido pelos “Estabelecimentos Valentim de Carvalho S.A.” que aí instalou uma «megastore» de música. Não tendo tido o sucesso esperado, esta «megastore», já no século XXI, mudou-se para o restaurado «Edifício Grandella» na Rua do Carmo. No seu lugar instalou-se uma sapataria.

5 de janeiro de 2012

Salão Automóvel de Lisboa de 1934

O Salão Automóvel de Lisboa de 1934, organizado pelo “Automóvel Clube de Portugal”, teve lugar no “Pavilhão de Exposições e Festas”, no Parque Eduardo VII.

Este edifício, projetado pelos arquitetos Guilherme e Carlos Rebello de Andrade e Alfredo Assunção Santos, foi primeiramente construído no Brasil para a Grande Exposição Internacional do Rio de Janeiro, que abriu a 21 de Maio de 1922 e prolongou-se até 30 de Março de 1923, por altura das comemorações do I Centenário da Independência do Brasil. Foi um dos pavilhões portugueses no certame tendo sido este o “Pavilhão Português das Indústrias”.

“Pavilhão de Exposições e Festas”

Depois de ter estado fechado por uns anos acolheu entre 1 e 16 de Agosto de 1925  o “Primeira Exposição de Automobilismo do Rio de Janeiro”. Em 1929 este pavilhão de Portugal, construído sobre uma estrutura metálica, foi desmontado e transportado para Portugal. Depois de reconstruído em Lisboa com a supervisão do arquitecto Jorge Segurado, no Parque Eduardo VII, chamou-se “Palácio das Exposições e Festas”. A sua abertura deu-se em 3 de Outubro de 1932 com a “Grande Exposição Industrial Portuguesa”. Em 1946 foi transformado para ser o “Pavilhão dos Desportos”, onde se disputou, em 1947, o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins e que Portugal venceu. Em  27 de Agosto de 1984 mudou novamente de nome para “Pavilhão Carlos Lopes”.

O “Salão Automóvel de Lisboa” abriu as suas portas a 26 de Abril de 1934, sendo inaugurado pelo Presidente da República o General Óscar Carmona. Os automóveis ficaram distribuídos pelo pavilhão central e pelas outras salas e dependências do “Pavilhão de Exposições e Festas”. Os veículos pesados ficaram expostos nos jardins exteriores.

Hall de entrada da Exposição

 

            

As galerias foram utilizadas para a exposição de tintas, óleos, e acessórios para automóveis. Tecnicamente, a inovação mecânica do ano mais generalizada, foi a suspensão independente das rodas dianteiras.

No cinema do Pavilhão, foram projectados, durante o certame, documentários automobilísticos podendo assistir todos os visitantes pois o bilhete de entrada na exposição era válido também para a sala de cinema.

Principais fabricantes de automóveis em 1934

Estiveram : «Graham», «Renault», «Pontiac», «Vauxhall», «Chevrolet», «Oldsmobile», «Buick», «Cadillac», «Opel», «Citroën», «Austin», «Studebaker», «Willys», «Peugeot», «Mercedes-Benz», etc...

As principais firmas importadoras presentes foram: “General Motors Peninsular”, “Guerin, Lda.”, “Orey Antunes & Cª, Lda.”, “J.J. Gonçalves Sucrs.”, “C. Santos, Lda.”, “A. M. Almeida, Lda.”, “Lisbon Motor & Cª. Lda.”, “Soc. Matos Tavares, Lda.”, etc …

               Sala dos automóveis «Studebaker» e «Standard» representados pela “C. Santos, Lda.”

                      «Studebaker» Dictator Cruising Sedan                           «Studebaker» President Cruisng Sedan

 

«Standard» Flying 12

Expositores enriquecidos com posters publicitários com a assinatura de Fred Kradofler

                      Velas «Champion»                             Baterias «Willard»                               Faróis «Marchal»

O “Salão Automóvel de Lisboa” encerrou a 6 de Maio de 1934.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional Torre do Tombo

4 de janeiro de 2012

Panfletos Políticos (6)

                                              

                                                                                1943

                                  

                                                     Comissão Eleitoral Monárquica, em 1969

                                   

panfletos in: Biblioteca Nacional Digital, Ephemera